31 de mar de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 7


FIEL TESTEMUNHA

“E DA PARTE DE JESUS CRISTO, QUE É A FIEL TESTEMUNHA, O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS E O PRÍNCIPE DOS REIS DA TERRA. ÀQUELE QUE NOS AMOU, E EM SEU SANGUE NOS LAVOU DOS NOSSOS PECADOS.” APOCALIPSE 1:5

A expressão testemunha fiel e verdadeira, em tese, quer dizer a testemunha legítima dos padrões superiores em Deus que se irradiam por todo o universo, padrões esses que visam garantir a sustentação de todas as estruturas nos fundamentos do amor, e que, dimanados da misericórdia divina, passam a ser concretizados.

Esses componentes se tornam palpáveis e concretos por parte daqueles que conseguem entrar em ressonância com o plano informativo que chega. A orientação dimana dos planos superiores em Deus, nós a assimilamos e quando temos condições de operar na linha prática da vida com humildade, espírito de trabalho, disposição, fraternidade, respeito e reverência a Deus, e realização nos terrenos do nosso próprio crescimento, nos tornamos testemunhas.

O adjetivo fiel significa exato, verídico, verdadeiro, aquele que age com observância rigorosa da verdade, cumpre ao que se obriga, é leal, honrado, íntegro, digno de fé, probo. E a fidelidade não é ser fiel a um componente de fora, a fidelidade se dá com aquilo que a nossa mente já sente e sabe que é uma realidade, porém, muitas vezes preferimos abraçar realidade transitória do nosso eu.

Então, "fiel e verdadeira" demonstra aquela postura pessoal em que existe de nossa parte um processo alimentado e realimentado de responsabilidades em que vamos procurando ser coerentes entre aquilo que fazemos e aquilo que sabemos, que conhecemos, aquilo que apropriamos informativamente. O sentido verdadeiro representa uma fidelidade canalizadora de verbalização que elucida o semelhante. Isto é que é bastante interessante de nós termos em conta.

Daí, concluímos que o ser inteligente, que se desperta no campo perceptivo da vida mais ampla, no campo da mente, ele já passa a ter uma responsabilidade a mais.

Repare que a realidade transitória do nosso eu já tem um sentido de verdade relativa, afinal, quando é que surge a mentira? A mentira é uma verdade do ontem superada por uma verdade do hoje. É uma verdade que foi excelente ontem e hoje ela não é mais, porque no momento em que a verdade nova chega nós temos que ser fiéis a ela de modo a incorporarmos o componente assimilado no campo prático, de modo a nos gerar vida, e não morte. Então, a verdade do ontem é a mentira de hoje, é mentira face a uma nova verdade que chega.

A testemunha fiel e verdadeira mais autêntica que a humanidade conhece é Jesus.

Ele é a testemunha fiel e a testemunha verdadeira. É aquele que implementou o sistema de amor e o vivenciou como testemunha viva, atestou isso pela experiência vivenciada. Deus e a imortalidade constituíam os temas e assuntos fundamentais de seus ensinamentos. Tudo disse a respeito do Pai e daquela vida eterna que deve ser conquistada pela submissão consciente à soberana lei da evolução.

Ninguém no mundo foi mais fiel cultor do respeito e da ordem que Jesus Cristo. Ele disse e demonstrou. Não tinha apenas uma linha de fidelidade ao pensamento divino, a experiência vivenciada por ele tinha um sentido também de verdade, aliás, Jesus é verdade decodificada, é a verdade transferida ao nosso entendimento. Ao lado da teoria colocou a prova, à palavra fez seguir a ação.

Como filho, refletiu as qualidades, os atributos e os poderes do Pai. Deu testemunho da imortalidade, morrendo, ressurgindo e apresentando-se, tal como era antes, aos olhos e ao tato de seus discípulos maravilhados. Ele veio com uma vivenciação muito acima de todas as nossas condições operacionais. Em todas as circunstâncias o vemos interessado, acima de tudo, na lealdade a Deus e no serviço incansável aos homens. Como educador posicionava-se com espelho, testemunhava de Deus em nosso terreno, ensinava e confirmava pela vivência, porque confirmar é atestar pela conduta. Palavra alguma poderá superar a sua exemplificação, que os discípulos devem tomar como roteiro de vida.

Nós também estamos sendo chamados a ser essas testemunhas fiéis. Isso mesmo. Esse chamado é sutil, suave e espera a nossa adesão, mas está sempre presente. Repare que em um estudo como este que estamos levando a efeito, pela profundidade e clareza das orientações, nós estamos sendo convocados a ir para muito além da fisionomia religiosa, convocados a testemunhar. 

Sim, sem dúvida. Porque guardadas as distâncias entre nós e Simão Pedro, por exemplo, temos aprendido que se os discípulos mudaram nós também temos plenas condições de fazê-lo. Note que toda a autoridade dos discípulos estava posicionada na capacidade deles em testemunhar o que recolheram de Jesus.

A orientação dimana dos planos superiores em Deus e a fidelidade significa a capacidade da individualidade em operar segundo a estrutura íntima e clara que a vida mental propõe.

Nós assimilamos a informação no plano mental do superconsciente e operamos na linha prática da vida e, assim, nos tornamos testemunhas fiéis. É desse jeito.

Quanto mais a nossa ação reflete a essencialidade irradiada do plano maior, de acordo com o campo de percepção ampla da nossa mente, maior fidelidade nós implementamos no trabalho. A fidelidade define a coerência entre o que se faz e aquilo que se sabe intelectivamente, porque apenas o exemplo é suficientemente forte para renovar e reajustar. E cada um de nós somente poderá auxiliar os semelhantes e colaborar com o Senhor usando as qualidades de elevação já conquistadas na vida. Agora, o importante, e que precisa ser lembrado, é que nesse plano aplicativo dos valores teóricos, de princípio assimilados pelo nosso plano mental através do superconsciente, esses padrões, uma vez aplicados com fidelidade, necessitam se expressar como pontos de referência iluminativa para as criaturas que estão em torno nós e que vão se inspirar neles, como faixas de referência para a suas linhas de crescimento.

28 de mar de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 6


A CONVERSÃO

“E DISSE: EM VERDADE VOS DIGO QUE, SE NÃO VOS CONVERTERDES E NÃO VOS FIZERDES COMO MENINOS, DE MODO ALGUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS”. MATEUS 18:3  

“31DISSE TAMBÉM O SENHOR: SIMÃO, SIMÃO, EIS QUE SATANÁS VOS PEDIU PARA VOS CIRANDAR COMO TRIGO; 32MAS EU ROGUEI POR TI, PARA QUE A TUA FÉ NÃO DESFALEÇA; E TU, QUANDO TE CONVERTERES, CONFIRMA TEUS IRMÃOS”. LUCAS 22:31-32

Para abordarmos este assunto, profundo e de grande relevância, vamos dar um exemplo bem esclarecedor.

Imagine o seguinte: você acorda pela manhã, após a refeição matinal tira o seu carro da garagem e inicia algum trajeto com ele. Observa que não percorre grande distância e já depara à frente com uma placa sinalizadora de trânsito comum, a de conversão. Este exemplo é bastante oportuno porque, afinal, é o que estamos tratando agora. E o que vem a ser esse sinal de conversão? Qual o significado e a representatividade dele? Bem, o sinal de conversão nós vamos reparar que ele determina uma alteração no sentido da direção, propõe uma mudança de sentido, de rumo, que por sua vez não é aquele sentido em que você está. Ficou claro? Deu para entender? Porque se for para continuar no sentido e na direção em que se está não precisa de conversão.

Em se tratando de questão espiritual notamos que mais de dois mil anos se passaram desde a chegada do amigo nazareno, e essa conversão permanece constante até hoje para nós mediante o chamado para a elaboração de propostas de mudança da postura interior nos terrenos mais profundos da alma. 

O sinal para o espírito no evangelho é a direção do bem, o sentido do amor, o caminho da reeducação, o percurso da caridade, a trajetória incansável da disciplina, placas essas, entre outras, que nos indicam a direção para uma vida mais segura e feliz, sem atropelos, sem acidentes. No momento em que se entra no sentido direcional que essas placas indicam já não se tem mais que fazer conversão, já não se tem que alterar a rota por estar seguindo a pista certa.

A conversão é algo mais complexo do que a princípio se imagina. Indica uma elaboração íntima do ser, demanda alteração nas estruturas de redirecionamento do nosso espírito no contexto da própria caminhada rumo ao progresso.

A questão é mais grave porque não pressupõe simplesmente um sentimento de entusiasmo e euforia, e sim um esforço persistente no qual não podemos dispensar as soluções vagarosas e constantes. Repare que o plano filosófico nos garante uma eleição de vida, uma proposta de crescimento, nos propicia a visão do reino de Deus, e todo mundo tem uma visão da entrada do reino. Cada qual a enxerga que é uma maravilha, vê tudo, de forma clara, sem óculos. Pela simples simpatia ao plano filosófico muitos indivíduos dizem "eu creio". É, essa frase é dita em todas as partes, e muitos a dizem com os pulmões cheios. Só que visualizar é um ponto e para entrar é preciso nascer do espírito, é preciso ir mais além, é necessário fazer. Concorda? Então, de fato muitos dizem "eu creio", mas poucos podem declarar "estou transformado de fato".

É considerável o número de amigos e companheiros nossos que tem conhecimento substancial do evangelho. Pessoas íntegras, resolutas, interessadas e estudiosas, mas que estão fazendo antes de se converterem. Isto aí, tem muitos que operam sem conhecer e, às vezes, caem em determinadas enrascadas. Muitas vezes a pessoa está querendo ir à frente antes de colocar o exercício pleno que define a conquista informativa, quer ir à frente no campo da aplicação antes de sedimentar o conhecimento recebido. É muito comum de acontecer. De vez em quando nós queremos entrar na horizontal do conhecimento e criamos verdadeira miscelânea na nossa cabeça. Tem tempo prá tudo. Antes do fazer é importante laborar o plano da conversão.

O pensamento precede de forma efetiva a manifestação do verbo e fazer sem converter pode gerar possivelmente um cansaço. Tem gente que se associa a determinada filosofia religiosa e já quer logo partir para a realização de tarefas. Faz uma, faz duas, faz três. Tudo bem, é ótimo isto, mas é preciso se converter antes do fazer, do contrário vários se cansam por não terem uma meta fixada.

A conversão não é tão fácil quanto afirmam inúmeros portadores de convicções apressadas.

Não será por se maravilhar a alma, ante as revelações espirituais, que alguém estará convertido e transformado para Jesus. Não é simples assim. São palavras do mestre e amigo: "E disse: em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus". (Mateus 18:3) Repare que ao utilizar a expressão "converter-se" associada à expressão "fazer-se", ou tornar-se, ele nos ensina que a conversão apresenta um sentido muito mais ligado à aplicação do que propriamente à predisposição mental. "Se não vos converterdes" é referência à conversão mental, indica uma alteração na linha mental, ao passo que "e não vos fizerdes", ou tornardes, mostra o fazer, a linha de aplicação, a faixa operacional.

Então, em termos de evangelho, converter-se, para além da simples aceitação a uma forma ideológica, da simpatia a uma proposta filosófica e de natureza mental, significa a criatura sair dos planos da eleição pessoal, do campo da eleição mental, sair do terreno das predisposições, a fim de determinar, ante a si própria, quanto à vivência dos componentes que aprovou, elegeu e vem trabalhando.

A conversão para nós, acompanhada do verbo "fizerdes", é caminho adequado, sustentado, sublimado e clarificado pela capacidade operacional do ser para crescer.

Se a conversão é atitude íntima, a nível mental, o tornar-se, pela mudança, é um desafio muito maior. Mudar a linha mental, com algum esforço próprio e interesse, é tranquilo, passível de ser conseguido, todavia, é no fazer que está o problema, a nossa dificuldade está no tornar-se. É aí que complica. É por esta razão que nós estamos envoltos em tantas dificuldades na vida nos dias de hoje. É por isto que todo mundo está passando por momentos bem aflitivos.

Nossa dificuldade maior está centralizada no tornar-se, e o tornar-se significa sair da vibração que nos prende ao lodo, àquela areia movediça que nos segura e prende ao passado, para tentarmos subir. Nós não estamos sabendo viver adequadamente hoje o tornar-se. Basta uma pessoa nos falar uma frase inoportuna pelo telefone e se bobear a gente bate o telefone no ouvido dela. Não é isso? Quantas vezes a gente não tem vontade de fazer isso? Quantas vezes não perdemos a paciência por tão pouca coisa? Por quê isto? Porque ficamos presos a uma convenção fechada de autovalorização pessoal. Muitas vezes um certo indivíduo está errado, mas diante do outro o orgulho o deixa reconhecer?

O converter que Jesus define, para nós ainda não é uma expressão nítida e definitiva. Não é algo finalístico, é um processo mais ligado ao caminho do que à verdade. E é interessante observar que nós oscilamos muito no plano das ações diárias porque nos falta essa linha clara e definida de conversão. Vamos pensar nisso. Não é exagero nenhum, mas de todas as aquisições na vida a de valores religiosos é a mais importante porque constitui o movimento de iluminação real e definitivo da alma para Deus. Porém, raros companheiros conseguem guardar uniformidade de emoção e de idealismo nas edificações espirituais.

Por exemplo, um funcionário chega ao seu posto de serviço e um colega logo já o interpela na porta de entrada: "Não fala com o chefe hoje não. O homem está uma fera. Hoje ele está naqueles dias". Sim, coisas desse tipo acontecem demais. Num dia o chefe está desse jeito, cara fechada, nervoso, calado, mal humorado e mal educado. No outro dia ele chega sorrindo. Cumprimenta todo mundo, canta, assovia, conta caso, ri bastante e conta piada, até para quem não quer ouvir.

O que isso nos traz de lição? Que nós temos que manter uma linha evolucional adequada, sempre trabalhando o campo positivo do amor, do entendimento, da cooperação, da vigilância e do estudo, porque se não mantivermos essa linha direcional para o bem nós vamos notar que podemos até dar e apresentar lances extraordinários na vida, lances da maior expressão e da maior validade, mas ficamos sempre sujeito às quedas, trabalhando uma linha quebrada de eventualidades positivas e negativas a cada instante. É algo para analisar, porque a conversão passa a ser um ponto importante de referência para nós, passa a constituir o sinal indicativo de como vamos, da nossa evolução.

O que Jesus Cristo disse a Simão Pedro a respeito da conversão? Você se lembra? "E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos". (Lucas 22:32) Que ensinamento da maior grandiosidade. Isso é lindo demais, chega mesmo a nos arrepiar. Jesus definiu para Pedro a necessidade de confirmação aos irmãos quando da sua conversão. E o que é confirmar? Confirmar é aprovar, homologar, é afirmar de modo absoluto a exatidão de algo, é dar a certeza, demonstrar, atestar pela conduta. E de que forma? Mediante uma ação pessoal equilibrada da nossa parte.

Volto a repetir, isso é bonito e prático demais. Nos convoca a confirmarmos uma situação nova para que não repitamos o erro anterior, para que a gente não sequencie o que vinha acontecendo. Mas nós insistimos em brigar com a vida o dia inteiro. Como é que a gente briga com a vida o dia inteiro, como é que a criatura reclama o tempo inteiro de tudo e de quase todos e ainda quer dar um exemplo de renovação em determinadas faixas da aprendizagem e do progresso? Tem gente que só reclama. Quer um exemplo? A pessoa mal chega ao local de trabalho e já diz: "Que calor! Ai, meu Deus, que calor. Não estou aguentando". Não passa muito tempo e a ladainha continua: "Nossa, que calor". O dia passou e ela falou umas quarenta vezes "que calor". Puxa, ou ela aprende a conviver, aprende a se relacionar, ou procura algo que possa minorar todo esse calor.

Eu disse que esse chamado tem um sentido prático. E por quê? Porque nós apenas nos elevamos espiritualmente tendo como ponto de sustentação para essa subida criaturas com as quais nos interagimos. Percebeu? Veja bem, os semelhantes são aqueles componentes que vão nos oferecer o plano de ascensão, motivo pelo qual é fundamental saber se relacionar com um mundo que tem de tudo.

Nós nos relacionamos a todo momento com pessoas que se encontram nos níveis mais diversificados de evolução e entendimento e cada criatura está assentada em seu respectivo patamar. Logo, vamos guardar uma coisa agora com muita atenção e carinho: Ninguém dá passo algum ao nível da elevação pisando em quem quer que seja, desconsiderando quem quer que seja, magoando, ferindo ou sufocando quem quer que seja. A interação com os outros, para poder propiciar ganho e elevação para o espírito, tem que se efetivar no sentido de expressivas manifestações de auxílio, de cooperação e ajuda, nunca no sentido de ferir, magoar, massacrar, menosprezar e contrapor.

Sendo assim, como alguém vai poder subir, evoluir, ascender, crescer, se não confirmar, se não valorizar os outros, se não aceitar os irmãos de humanidade, se os repelir, se fizer discriminação, se usar de um sistema discriminatório no trato com determinadas pessoas?  Como conciliar o conhecimento de Deus que nos visita a percepção com o menosprezo e a desconsideração aos nossos semelhantes? Tem jeito? Você acha que isso é possível? Vamos pensar.

24 de mar de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 5


AGRADEÇA A PROVA

A lei das provas sem dúvida é uma das maiores instituições universais para a distribuição dos benefícios divinos.

Para se ter uma ideia, somente a prova é capaz de projetar o ser nas linhas da evolução.

Com o passar do tempo nós ainda iremos aprender muita coisa acerca disso. Nós não estamos aqui querendo sobrecarregar os nossos corações com a metodologia do sofrimento para a elevação, nem sequer instituir uma sistemática masoquista para o progresso individual, porém, precisamos aprender que o mecanismo do nosso crescimento se embasa todo na prova.

A prova praticamente propicia a nossa entrada numa perspectiva nova, ela visualiza uma nova etapa que naturalmente vai se expressando com vistas a um período novo, uma fase nova. Pode-se dizer que ela tem o objetivo de sedimentar um piso seguro para um novo processo, uma nova etapa. A prova, para ser mais preciso, consiste em saber se eu estou apto a passar para a fase seguinte, ela é aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa.

É a demonstração evidente, representa aquele instrumento de aferição dos recursos que já arregimentamos. É ela quem faz a verificação, a constatação, que bate o carimbo da aprovação. Define se aquilo é ou se não é, se não passa de ilusão ou se é componente concreto que interessa a evolução. A prova vem aferir aqueles valores já conquistados, mede o substrato de aplicabilidade concreta, o grau do nosso investimento. Afere em cada espírito os padrões que ele acumulou em si próprio. Significa o trabalho na aplicação desses padrões que, por sua vez, vai exigir parcelas de sacrifício e paciência. Em suma, a prova é a aferição e não existe efetiva conquista sem o processo da aferição.

O que queremos dizer é que sempre somos acentuadamente desafiados depois que o conhecimento nos visita. Veja por exemplo: todo professor e todo chefe de serviço inicialmente ensina os alunos e auxiliares novos com paciência e considerável dedicação, para depois exigir deles expressões de aprendizado e de trabalho próprio. E nós não estamos nos referindo a sermos desafiados uma vez ou outra, ou apenas algumas vezes, estamos falando mesmo em um desafio constante, em ser desafiado sempre. Logo, guarde isso com atenção: na sequência de qualquer aprendizado o tempo aguarda a oportunidade de podermos administrar de maneira efetiva o ensino. Porque não tem como nos projetarmos para novos pisos se nós não passarmos pelo teste.

Não tem jeito, não progredimos sem desafios. E note que se estamos aqui falando em prova, logo nos vem à cabeça a imagem de uma escola. Associação normal, por sinal. E se existe prova é evidente também que existe um grau de dificuldade. Claro que numa escola de maior exigência esse grau é maior. E disso vamos depreender de uma vez por todas que apenas os obstáculos nos projetam na evolução. O teste, ou o desafio, é alguma coisa que periodicamente tem que ser vivenciado. Agora, a prova a que estamos nos referindo é no sentido abrangente, não é a prova de vestibular, uma prova escrita ou de múltipla escolha que se faz, um concurso público que objetivamos. Nada disto, estamos nos referindo à prova ante os próprios acontecimentos da vida.

Cada berço no planeta representa o início de viagem laboriosa para a alma necessitada de experiência. E também temos que entender que criatura alguma na experiência terrestre poderá marchar constantemente pelas estradas da vida debaixo de um céu claro todos os dias, sem nuvens. Tampouco passará pelo mundo sem enfrentar tempestades e nevoeiros, sem vivenciar o fel amargo de provas ásperas. Saber disso já é o suficiente para não procurarmos fugir à luta que nos afere o valor. As dificuldades fazem exatamente esse papel, vem aferir nosso valor, as nossas conquistas. A luta facilita a aquisição dos valores reais, sem a qual não conseguimos aprender onde é o nosso verdadeiro lugar na obra de Deus. Normalmente nós somos testados através de determinados acontecimentos e todo teste vem em meio a uma dificuldade, de onde concluímos que a dificuldade é instrumento para crescer. Assim, se você está passando por crise e desafios suavize o coração. A crise determina o futuro e temos que nos acalmar para passarmos bem pelo tumulto.

É muito gostoso repetir as coisas que nos interessam, não é mesmo? Repetir aquela rotina que nos agrada. Acordar de manhã, fazer isso, fazer aquilo, realizar exatamente o que havíamos programado nos mínimos detalhes. Tudo certinho, direitinho, sem a mínima alteração. Do jeito como a gente gostaria, da forma exata como programado. As horas passam, o dia também passa, é uma beleza. Amanhã, a mesma coisa. A semana passa, chega a outra e, de novo, tudo direitinho, perfeito, como o previsto e calculado. Isso é ótimo, não é?

Aí, só tem um detalhe. Não é o caso, mas imaginemo-nos naquela posição de repetirmos durante as vinte e quatro horas do dia a mesma coisa. Dá para imaginar? Como evoluir assim? Deu para notar onde queremos chegar? Na hora em que se altera algo naquela rotina pré-estabelecida e sistematizada nós nos alteramos interiormente. Ficamos perdidos. Não acontece? Então, vamos reparar uma coisa, se não houver propostas novas induzindo às mudanças não há evolução.

Qualquer obstáculo à nossa frente é um componente enriquecedor da mente. Por enquanto, na nossa jornada os obstáculos são os que nos projetam, que criam um processo de transição e aferição das nossas conquistas reais. Nós estamos arregimentando valores diferenciados, que devidamente analisados à luz da razão, passados esses padrões ao nível da filtragem do sentimento, vamos nos esforçando para investir neles. Daí, vamos passar a reclamar menos das adversidades, afinal, a dificuldade é elemento inerente ao crescimento. Um dos pontos essenciais da vida hoje é saber lidar com os problemas, com os obstáculos, porque somente os obstáculos nos projetam na evolução.

É necessário readequarmos a nossa postura pessoal no mundo de transição em que vivemos. Saber lidar com muitos fatores ao mesmo tempo. Diversos acontecimentos que surgem tem a finalidade de predispor a nossa horizontal aplicativa no sentido de atentarmos para a abertura de atividades em várias frentes e, principalmente, nos preparar para quando formos incluídos numa proposta de cooperação mais evidente e ampliada. Não seremos aferidos pelo número imenso de caracteres informativos recebidos, mas sim por aquilo que fizermos.

O que é preciso é abrirmos o leque e apropriarmos o saber dentro de uma nova abertura, acima de tudo saber retirar a prioridade a cada instante. Mas o que se dá é que nós rejeitamos tudo isso demais da conta. Ainda resistimos de tudo quanto é jeito. O teste nem sempre vem de forma tão contundente, imperiosa e esses desafios todos mostram um sinal nítido de transição. Não quer dizer que vamos ficar contentes com os problemas que surgem e ficar pedindo: "Pode vir, problema. Vem mais. Só dois está pouco". Não, não é assim. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Mas o fato é que é preciso saber conviver com aquilo que a vida propõe. O problema não é o recurso, não é a instrumentalidade de que dispomos para vencer. Se analisarmos com clareza, o recurso tem chegado para nós em larga escala, tem chegado de mãos cheias.

O desafio é o aproveitamento dele, o aproveitamento do recurso é que é ponto desafiador.

O aproveitamento do recurso significa a implementação da tarefa, do trabalho. Percebeu? Às vezes, podemos até estar bem intencionados, com boa vontade, mas que não adianta nada. Jogamos muita coisa fora porque não vamos para além da intenção, desprezamos a oportunidade que vem, perdemos a segurança e enfraquecemos a estabilidade. Mas a vida tem desses lances e nós vamos chegar lá. Quanto mais nós abrirmos o coração num interesse aos padrões superiores da vida mais essa prova vai se reduzindo na sua intimidade, e vai criando aspectos novos, e vamos abrindo também um sorriso mais natural.

O plano espiritual não pode quebrar o ritmo das leis do esforço próprio, como a direção de qualquer escola não pode decifrar os problemas relativos à evolução de seus alunos. O professor, por melhor que seja na arte educacional, e por mais interessado, não pode chamar para si os deveres dos aprendizes, sob a pena de subtrair-lhes o mérito da lição. Onde queremos chegar? Que as lições preparam, os problemas propõem, as provas definem e as atitudes revelam.

É por este motivo que os discípulos devem aguardar naturalmente oportunidades de luta maior, em que necessitarão aplicar mais extensa e intensivamente os ensinos do Senhor, sem a qual se faz impossível a aferição dos valores. Ninguém pode negar que caminhamos debaixo da misericórdia divina, principalmente quando a buscamos e sabemos valorizá-la. No entanto, o amparo da espiritualidade amiga, por mais extenso que seja, não pode interferir no processo que nos cabe vivenciar e que representa a aferição indispensável. Se um pai fizesse mecanicamente o quadro de felicidades dos seus descendentes exterminaria em cada um deles as faculdades mais brilhantes.

No momento da prova nós estamos aparentemente sozinhos. Eu disse aparentemente. Por isso, quem não cogitou de sua iluminação com o Cristo pode ser o que for na vida, pode estar no topo do sucesso do mundo, no ápice das conquistas transitórias. Pode ser um gênio ou expoente de inteligência, um cientista ou filósofo com elevadas aquisições intelectuais. No entanto, estará sem leme e sem roteiro no instante da tempestade inevitável da provação e da experiência própria. Por outro lado, quando descobrimos que nunca estamos desamparados tudo fica mais fácil. A gente percebe que a treva ocasional não é tão escura e fica numa felicidade danada quando consegue vencer uma etapa.

Outra questão interessante de entendermos é que na prova nós descobrimos que podemos viver só, mas que não devemos, se objetivamos a felicidade legítima, viver só. E é muito comum durante a prova nós sucumbirmos por não mantermos a força de vontade suficiente para investirmos na aplicabilidade do conhecimento obtido, naquela luta entre o que vigora e o que precisa ser mudado.

É bem mais fácil acalmar quando se entende que o conflito é uma questão natural.

Outro detalhe que não pode passar despercebido é que a hora do teste é o momento em que vale o investimento nos valores recebidos. Estamos falando muito em aferição e vamos aproveitar para dizer que na hora da dificuldade é a hora de aferir, não é hora de aprender. Vamos dar um exemplo para clarear. Imagine um prédio público, alto, com suas dezenas de andares. É dia de semana e em pleno horário de expediente o Corpo de Bombeiros chega: "Pessoal, hoje nós vamos fazer um exercício de simulação de incêndio. Vamos ensinar a vocês determinados procedimentos para evacuação em caso de incêndio, ou em razão de algum problema que exija a saída rápida sem a utilização dos elevadores". Pronto, começa o treinamento e todo mundo aprende a forma correta de descer as escadas em uma situação de eventual anormalidade.

Treinamento feito, todo mundo aprendeu e desceu devagar para assimilar.  No caso de um incêndio real ou de outro problema real, na hora em que o desafio aparece, na hora do tumulto, não é hora de aprender a descer as escadas. Na hora do desafio não é hora de aprender, é hora de aplicar. Um dia antes de uma prova, ou no momento da realização de um exame, não é hora de aprender, é hora de praticar, de exercitar o que foi aprendido. O momento do aprendizado geralmente se dá antes, com calma. Na hora do desafio é hora de trabalhar na aferição da conquista obtida, não no despertar do conhecimento. E grande dificuldade das pessoas é exatamente essa, a dificuldade de implementar o valor percebido na devida faixa operacional, ou seja, o ajuste à revelação.

Na hora de demonstrar a fé muitos fraquejam, vacilam, retrocedem, duvidam.  Resultado? Aí complica, não passa na prova. E se não passa tem que repetir tudo de novo.

19 de mar de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 4


HARMONIA E COMPATIBILIDADE

O plano informativo é uma porta que define o início do processo ascensional.

Ótimo. Tudo bem, até aí a gente sabe. Agora, o grande detalhe é que se mantivermos apenas a abertura da comporta perceptiva das informações, com toda certeza iremos apenas até determinado ponto e durante certo momento. Porque fica faltando a parte aplicável dos valores que estão entrando por essa porta.

Não tem outra, nós sempre somos desafiados pelo conhecimento que chega. Por um lado, é preciso conhecer, sem dúvida, mas se o conhecimento não encontra correspondência no campo operacional o que vai acontecer? Vamos ficar hipertrofiados. Como diz Paulo: "A ciência incha e o amor edifica". Então, o que acontece demais no campo da assimilação é que nós não aplicamos as parcelas que temos recebido e isso ocasiona a chamada hipertrofia do campo mental. Quer dizer, nós vamos hipertrofiando a mente de valores e vamos criando um estado de absoluta inoperância dentro de nós. Isto é muito comum na nossa vida prática. Nós estamos hipertrofiados em informações, em conhecimento intelectivo, e acentuadamente atrasados na capacidade de operar.

O que estou dizendo não é exagero nenhum. Muitas vezes, a assimilação de conhecimento ocasiona certa depressão porque o indivíduo assimila coisas que ele não vivencia. Veja bem, existe um pseudo-conhecimento embasado exclusivamente no plano de percepção informativa e existe um conhecimento fundamentado de maneira efetiva no exemplo. É diferente. Se analisarmos com tranquilidade vamos observar que não sofremos hoje tanto por aquilo que fazemos de errado, e sim pela parcela de bem que deixamos de fazer. É um fato que tem nos marcado consideravelmente. Quanto mais conhecemos intelectivamente mais responsabilidades e conflitos interiores vivenciamos se não fazemos esse conhecimento estar acompanhado do exercício nosso de mudança.

Quanto mais conhecimento a gente tem e mais falha comete maior a dor que a gente sente.

O próprio livre-arbítrio começa a ser trabalhado dentro da gente de maneira sutil. Não é assim que funciona? A pessoa pensa consigo: "Nossa, necessito fazer alguma coisa. Preciso mudar aquilo. Tenho que aproveitar melhor o meu tempo. Eu tenho que utilizar melhor o meu conhecimento". Não acontece assim com você também? Acho que se dá com todos. Veja, por exemplo: Se eu, no campo mental, começo a nutrir certo desejo, eu passo a colocar no meio de uma quantidade imensa de desejos, que são meus desejos automáticos, padrões novos, como estando potencialmente preparados para  se desenvolverem.

De forma que eu preciso trabalhar a mente com carinho. Estou tentando dar um colorido novo ao trabalho e, na medida que as circunstâncias vão se apresentando à minha frente, eu vou conseguindo ativar isso. Percebeu? Assimilo valores informativos gradativamente. À medida em que as circunstâncias vão surgindo vou me esforçando para aplicá-los dentro dessa moldura nova, e assim fazendo eu vou encontrar o quê? Estabilidade, felicidade, equilíbrio, harmonia. Não dá para desconsiderar essa noção de forma nenhuma. O tempo está difícil para todo mundo e o processo daqui para frente não é mais em cima de experiência aleatória. Não é mais aquela experiência feita de qualquer jeito, no vapt-vupt. Não. Chega disso, ok? Já deu.

O importante agora é conhecer. É o que nós estamos tentando fazer. Está certo que milhões de criaturas ainda pensam assim: "Ah, sabe, eu vou na igreja tal, ou no grupo tal, uma vez por semana, e resolvo o meu problema espiritual". Nossa, me desculpe, mas escutar isso é duro. É uma falha lamentável, é uma frustração na base. Porque em cada reunião espiritual que a gente vai é mais um peso para conscientizar. O problema todo é o campo íntimo nosso.

A edificação própria, de dentro para fora, é algo imprescindível. Não tem nem o que discutir. E a edificação é decorrente de quê? Do conhecimento e da sua consequente aplicação. Continuamente nós temos batido nessa tecla: para se edificar em base de amor é preciso inicialmente conhecer. Sim, porque tem muita gente que opera sem conhecer e, às vezes, cai em grandes enrascadas. A sequência normal dentro do plano de regeneração é exatamente trabalhar nesse sistema.

À proporção em que incorporamos os valores que temos recebido, pela linha operacional, duas situações vão se abrindo de maneira valiosa para nós: primeira, vamos adquirindo aquele senso de discernimento no que diz respeito ao padrão que está chegando de maneira informativa; e, segunda, vamos abrindo um espaço mais ampliado para recebermos novos padrões. Aquele que vai conseguindo trabalhar, com carinho e paciência, os valores que vem recebendo, ele está sempre com os valores perceptivos perfeitamente sintonizados.

Então, vamos ouvir os ensinamentos e preceitos oriundos do plano superior, mas vamos também agir segundo o que aprendemos e somos orientados, pois se sabemos e não fazemos o bem que aprendemos melhor fora não sabermos, para não sermos tributados com taxas de maior sofrimento nas grades da culpa.

A gente não precisa ficar sentado esperando o futuro para ser feliz. Não, nada disso. A felicidade não é privilégio dos espíritos altamente evoluídos. Nós podemos ir encontrando hoje mesmo essa linha de felicidade, gradativamente, ainda que de forma relativa. Nossa legítima harmonia e estabilidade não reside no fato de muito conhecermos, em sabermos muito, mas na capacidade de compatibilizar o que conhecemos com o que fazemos. Quanto mais conseguirmos nos entrosar no cumprimento da lei, segundo o que a nossa linha íntima determina, mais harmônicos e felizes nos tornamos. A questão é por aí.

Você pode não estar vivendo agora a vida dos seus sonhos, ela pode até estar muito distante de você, todavia, ela pode ficar bem melhor do que está. A sua vida pode se transformar em condições bem mais abertas, sem nuvens, quando você adquire um exercício mais autêntico e aplicativo daquilo que sabe.

Porque o conhecimento somente é capaz de gerar felicidade quando ele está em perfeita consonância com a aplicação que se faz dele. Em outras palavras, quanto mais você consegue exercitar aquilo que sabe, no plano prático, mais harmonia você tem. Quando mais as suas ações diárias refletem o que você sabe, menos problemas em sua existência surgem, menos impactos você recebe, menos tristeza e menos agressões você sente. Podemos dizer que essa harmonia está na dependência direta de um vértice cujo ângulo representa o conhecimento e a consequente operação na base do conhecimento que já se possui.

Guarde uma coisa muito importante: o que nos faz estar bem, feliz, é quando nossas ações do dia a dia se encontram em concordância com o nosso grau de saber.

Se colocássemos em prática dez por cento do que sabemos nós viveríamos num paraíso. Não precisa mais do que isso, dez por cento apenas já estaria de bom tamanho. Mas não fazemos isso. Ainda discutimos tanto, brigamos bastante, resistimos em muitas coisas. A conclusão é que vamos pagando um preço pela teimosia.

É muito comum em determinados grupos de estudo do evangelho as pessoas comentarem acerca do sistema de evolução em linha reta. O que vem a ser isso? Essa evolução em linha reta é aquela condição em que se aprende a lei e vive a lei. Ou seja, aprende-se e coloca-se o aprendizado em prática. Por ela vamos entender que a criatura elege a verdade e segue por meio dela, firme, resoluto, sem quedas. É bonito de saber, porém, estamos um pouco longe disso. Porque nos mantemos em um histórico de considerável rebeldia, ainda. Por enquanto, a gente aprende a lei e vive não o que manda a lei, vive o que a gente quer, continuamos relativamente indóceis ao redirecionamento do pastor.

Agora, se você quer crescer, se ambiciona algo, aspira a ser mais feliz, precisa se convencer de que no plano da iluminação espiritual inexiste fonte alguma além do evangelho. Roteiro para a ascensão de todos os espíritos em luta e aprendizado no planeta Terra com destino aos planos superiores do ilimitado, de sua aplicação decorre a luz do espírito. O conhecimento com Jesus é a claridade transformadora da vida, conferindo-nos o dom de entender tudo o que nos acontece, a mensagem viva de cada ser e a significação de cada coisa no caminho infinito.

Só a evangelização do homem poderá conduzir as criaturas a um parâmetro superior de compreensão. O estudo prepara, óbvio, mas apenas a aplicação dos ensinamentos do Cristo, aliado ao trabalho de auto-evangelização, é firme e imperecível, apenas o esforço individual baseado nele pode iluminar, engrandecer e redimir o espírito. Além do que, concedeu-nos Jesus Cristo o seu evangelho de luz para que a nossa análise não se mantenha mais fria e obscura.

Depois do que vimos fica fácil concluir que a instrução informa, a aplicação forma e somente o evangelho transforma. Este está nos projetando a um sistema novo dentro da metodologia do aprende e faz. Se antes aprendíamos pelo impacto da justiça, a boa nova nos projeta para aprendermos sob a tutela do amor, e estamos aprendendo o evangelho para ver se melhoramos a caminhada.

16 de mar de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 3


APLICABILIDADE E FORMAÇÃO

Durante um longo período de tempo acreditávamos que podíamos nos redimir simplesmente pela instrução, pelo simples conhecimento teórico, e pronto.

Na nossa ótica antiga apenas a arregimentação de valores intelectivos era o suficiente para nos colocar em uma situação de vida melhor. Pensávamos desse jeito lá atrás. O relógio do universo sequencia, o tempo passou e parece que não mudamos tanto como se era esperado. Porque ainda hoje queremos manter a nossa vida dentro de uma postura acentuadamente passiva e insistimos em eleger uma libertação em cima apenas de componentes informativos, razão pela qual os desafios dos dias atuais tem ameaçado tanta gente.

Não é difícil concluir a questão. Dentro do mecanismo de evolução não basta apenas apropriar conteúdo. Pelos valores informativos nós aprendemos o caminho, fica faltando a verdade e a vida. O plano informativo é decorrente do que se recebe e pelo receber apenas nos informamos. Além do que, se a recuperação do mundo, e de nós mesmos, estivesse circunscrita a lindas palavras o próprio Cristo não precisaria ter vindo ao encontro dos necessitados da Terra.

Ao tempo em que vamos estudando passamos a compreender que existe uma linha de relação entre os valores possivelmente revelados e o embasamento que cada um de nós vai apresentando. Vai surgindo um desafio, porque esse embasamento não é apenas no sentido da extensão informativa, mas, principalmente, alicerçado na vertical da nossa capacidade de fazer, realizar e operar.

Uma apropriação equilibrada representa amplo território aberto para podermos aplicar e só possuímos com legitimidade quando aplicamos. A autoridade informativa vai ganhando campo, vai tomando força na medida em que vamos tendo condições de operar com segurança os padrões que estão sendo recebidos. De forma que vamos ingerindo padrões para um sistema de vida mental adequada, de uma vida operacional segura, e os ângulos de ação vão se abrindo gradativamente às conquistas feitas nos terrenos da reeducação pessoal íntima.

Não basta saber, é imprescindível aplicar de maneira útil o conhecimento. A paz que almejamos é decorrente da aplicabilidade do evangelho de dentro para fora.

Sim, porque a compreensão do evangelho, a nível intelectivo, vai propor uma tarefa, uma atividade que respalda o coração em um plano afirmativo. Qualquer estudo nobre é aquisição inapreciável, mas se mora estanque na alma de quem aprende assemelha-se a pão escondido aos que choram de fome.

De que adianta fazer luz se ela não pode servir a que se destina? A letra somente valerá para nós se lhe dermos a aplicação necessária. E a verdade por excelência se expressa pela capacidade de realização da criatura. Descobrir o caminho é uma dádiva, todavia é importante distinguir que caminho é uma coisa, meta e destino é outra. Se o conhecimento nos coloca na ante-sala da libertação é a prática que dá o acesso ao ambiente novo, ao plano que representa a nossa meta, o nosso objetivo. Para alcançar os objetivos que traçamos temos que operar. Regeneração é com base na linha operacional. Inicialmente a gente investe e depois vai surgir o momento de gastar o investimento.

Trata-se de grande desafio para nós, uma vez que possuímos o que damos, não possuímos o que recebemos. Pelo que recebemos a gente se informa e pelo que damos, pelo que fazemos, a gente forma. O ato de receber está amplamente ligado ao plano informativo e plano formativo decorre do que se faz.

Pelo dar, pelo oferecer, pelo fazer é que nós formamos caracteres. Recebendo a criatura ganha o título e oferecendo ela ganha a autoridade, e nós somos aferidos pelo grau de conhecimento que temos. Não adianta querermos apropriar de algo sem executar. Todos nós, sem exceção, evoluímos dentro das linhas de informação e formação, apropriando conteúdo pela informação e sedimentando-o pela aplicação, pela prática. Por mais respeitável que seja o teórico, os seus conceitos, quando não experimentados na prática, tornam-se adorno intelectual para a vaidade, e vivência do conhecimento é indispensável para a real aquisição dos valores iluminativos que enobrecem o espírito. Sabe por quê? É que os valores, a princípio assimilados, permanecem teoricamente em nós e pela faixa experimental se incrustam em nosso interior, em nosso psiquismo.

E a prática desse conhecimento no plano vivo da nossa vida no dia a dia é que nos dá o acesso a nova posição. Não tem outra, é pela linha realizadora que formamos. Obtemos a legítima conquista quando os padrões informados se transferem em caracteres formados na intimidade. A real aquisição depende de uma operação. Assim, em nossos trabalhos nós temos que ponderar que as palavras dos ensinos somente são justas quando seladas com a plena demonstração dos padrões íntimos. Informar nos projeta e formar densifica a nossa responsabilidade. Deu para entender? É preciso tentar realizar parcelas no plano prático condicionado, de modo a fixar esses padrões como caracteres positivos dentro de nós para que a gente tenha acesso a outros ângulos da evolução.

Não há dúvida que tem muita gente que conhece, e conhece muito na cabeça, como se carregasse nela uma biblioteca inteira. No entanto, conhecimento sem vivência não é conhecimento, é pseudo-conhecimento. Nós estamos aqui falando de conhecimento real e a proposta que se nos abre na atualidade é sabermos apropriar conhecimento e elaborá-lo no campo prático. Para que ele possa ser uma conquista confortadora, harmônica, segura, íntegra, pelo nosso exercício de realizar e fazer. Porque o conhecimento efetivo é com base na ação.

Vamos repetir, sem a vivência não existe conhecimento, existe pseudo-conhecimento. É por isto que conhecer de verdade é buscar realizar parcelas no plano prático diário, transformando o plano revelador em componente de libertação.

Inicialmente os caracteres nos chegam a nível informativo. Ao começarmos a soltar esses valores recebidos nós passamos a ter conhecimento, uma vez que a educação é de dentro para fora, e a educação realmente forma. O necessário é caminhar aprendendo, captando informações didáticas de aplicabilidade diária em um conhecimento voltado para a educação. O mecanismo daqui para a frente é esse: conhecer e procurar investir sem querer fazer mais do que as nossas possibilidades suportam. O processo é íntimo. Captamos de um lado para operarmos com aquilo que a gente tem, pois a luz capaz de gerar a paz é a nossa.

12 de mar de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 2


A INFORMAÇÃO

“31JESUS DIZIA, POIS, AOS JUDEUS QUE CRIAM NELE: SE VÓS PERMANECERDES NA MINHA PALAVRA, VERDADEIRAMENTE SEREIS MEUS DISCÍPULOS; 32E CONHECEREIS A VERDADE, E A VERDADE VOS LIBERTARÁ.”   JOÃO 8:31-32

Em todas as áreas das atividades profissionais da vida, sem exceção alguma, a ausência de estudo acaba por ocasionar a estagnação dos indivíduos a elas vinculadas.

Isto se dá em qualquer setor de trabalho. A costureira, por exemplo, que não observa as novas tendências de cortes, moldes e tecidos não progride; o cabeleireiro que não acompanha os novos visuais da moda não cresce no seu ramo; o médico que não se mantém vinculado a periódicos núcleos de especialização passa a limitar em muito o desempenho de sua função. Assim, dentro do mecanismo da evolução nós temos um dos componentes essenciais que marcam o mecanismo do crescimento e da aprendizagem, que é o plano informativo. Receptor do conteúdo, por ele trabalhamos um ponto básico da educação.

Por nossa vez, quando estudamos e tentamos interpretar parcelas do evangelho nós começamos a fazer uma busca por conhecimentos que nos auxiliem, sabendo que o mecanismo libertador da verdade começa pela obtenção de determinado conhecimento novo, inicialmente de maneira informativa.

Então, o primeiro passo da verdade é exatamente o plano teórico. Na linha informativa nós já começamos a gestar o homem novo. A informação define o ângulo vertical, é a instrução, o que recolhemos do alto, o que captamos de cima.

É o que vem de fora, representa o elemento indutor, o componente instaurador, o elemento de toque. Ela opera de fora para dentro, de forma que o ato de receber está amplamente ligado ao plano informativo. Pela linha informativa nós ingerimos e captamos. E muito importante, por sua vez, é entender que a informação é aquele componente que vem antes da formação. Conseguiu captar? Porque isso é importante demais. Vem antes da formação porque ela por si só não dá forma nenhuma, não modifica, não altera, não muda. Ela prepara e quase nos transforma em uma biblioteca ambulante. Logo, a instrução informa e a informação é aquilo que chega e que desconhecíamos. Claro, do contrário não é informação. Chegar aqui e dizer que estamos estudando o evangelho não é informação para ninguém, todos já sabemos.

O conhecimento é o primeiro ponto. É a primeira iniciativa para que trabalhemos no momento os ângulos mais nebulosos da nossa própria individualidade. Jesus Cristo é aquele que dispara o processo educacional. A cada instante ele nos chega informando, especialmente quando passamos a compreender o seu evangelho. Quando os valores novos chegam eles tem uma característica de apontar e oferecer recursos construtivos, e o bonito é que em todo o sistema de aprendizado primeiro nós somos auxiliados por aqueles que nos tutelam.

E no momento em que vamos entendendo essa linha de orientação que vem lá de cima, nos envolvendo, protegendo e direcionando os passos na aprendizagem, nós começamos a abrir o campo mental para uma percepção mais ampla.

O ensejo de aprender é uma porta libertadora. E que porta, por sinal! Agora, como a informação é o que vem antes da formação, a informação é o instrumento que vai nos possibilitar uma postura de aplicabilidade. É por isso que a verdade por si só não liberta e o evangelho é muito claro quanto a isto: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (João 8:32) Se ela por si só não liberta, podemos entender que o conhecimento intelectual nos coloca na ante-sala da libertação.

Em outras palavras, o valor informativo não garante a passagem pela porta, garante a visualização da porta, como a matrícula em determinado curso não soluciona o problema do aproveitamento. Pense comigo, se arregimentarmos todas as informações acerca do evangelho, ou de qualquer outra área, estaremos potencializados, preparados, prontos para realizar. O valor informativo implementa em nós um caminho novo e esse caminho novo tem um sentido desafiador para nós. De modo que o caminho novo apontado é o plano informativo.

Quando nos surge um padrão informativo novo dentro da nossa rotina esse componente tem o papel de projetar a inteligência e o campo mental para mais à frente. Lembre-se de Zaqueu. O subir representa o acesso ao plano informativo. A informação nos coloca no alto, nos prepara, nos possibilita a visualização, mas para o acesso efetivo a novas bases é preciso descer, e o descer é referência ao plano operacional. É por isso que a verdade não liberta, libertará.

Depois vai precisar surgir experiências concretas que irão fazer o papel aferidor do legítimo conhecimento recolhido pela informação. Vai precisar haver o teste da aplicação.

Pois somente pela aplicação é que nós conseguiremos operar a formação dos caracteres que definem uma postura nova, íntima, pelas mudanças que nós podemos operar ao impacto da vontade. Nós temos que nos educar, temos que nos experimentar e ir trabalhando numa nova filosofia. É imprescindível levantarmos uma estrutura científica dentro do plano da filosofia, é indispensável o golpe da ação própria no sentido de modelarmos o santuário interior na sagrada iluminação da vida. Afinal, não se elege uma padronização a nível mental, de modo adequado e seguro, se não houver a disposição de investir naquilo, de investir no ponto capaz de criar o registro interior dentro de nós ao nível de reflexo.

Sendo assim, ler, ler e ler, abrindo a horizontal da heterogeneidade de informações, é muito importante, no entanto, essa leitura só será capaz de nos possibilitar algum progresso quando conseguirmos perseverar naquele ponto que o nosso campo mental adotou ou vem adotando. Recebemos o amparo e somos protegidos. Na hora que o nosso campo mental alcança uma percepção mais ampla, imediatamente, pela linha da sintonia, que vai tanger depois para o campo da afinidade, assumimos a posição de co-participantes da engrenagem do progresso.

E geralmente é aí que a coisa pega. Aprendemos com as fontes superiores a nós, sem dúvida, mas continuamos muito presos na linha de nossas carências. O que quero dizer? Simples. Em geral queremos manter a nossa vida dentro de um processo acentuadamente passivo, como se fôssemos constantes tutelados, necessitados, indiferentes e até insensíveis ao chamamento de operar.

Sem contar que muitas vezes a nossa mentalidade absorve o conteúdo, mas a nossa vontade é incapaz de aplicar. E simplesmente não tem como progredir numa situação nova, no rumo de nova faixa de vida, sem a utilização adequada da vontade. Não basta apropriar conteúdo, que marca o mecanismo da evolução, é preciso nos inteirarmos da necessidade de operarmos como refletores do pensamento divino no contexto em que nós estamos situados. Nesses casos é preciso paciência. Porque a paciência representa a capacidade de persistir.

9 de mar de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 1


UM NOVO SISTEMA

A grande multidão de pessoas até hoje tem efetivado sua rotina de crescimento e marcha evolutiva em cima do impacto dos acontecimentos menos felizes que a vida apresenta, o que não é novidade para ninguém, acredito.

A massa trabalha, ainda, tendo efeitos como componentes indutivos da evolução. Ela não prioriza um programa, não elege um sistema para percorrer esse sistema, apenas caminha ao sabor das circunstâncias. Mantém sua proposta de crescimento centrada nos fatores de fora para dentro, trabalha no despertar dos valores morais e a aprendizagem é elaborada nos impactos externos sobre a individualidade.

Assim, é fácil constatar que para muitos indivíduos os padrões espirituais constituem abrigo e refúgio para horas determinadas, e nada mais. Se a coisa complica, diante do aperto aproximam. A mínima melhoria já é suficiente para sumirem. Visitados pela dor, procuram de novo. E, assim, vão levando, ou melhor, sendo levados.

É certo que não estamos acostumados a exercitar o processo reeducacional, entretanto, a expressão de Paulo, "ministros de um novo testamento", indica para nós que o crescimento agora tem que ser efetivado sob outro aspecto. Que precisamos alterar o sentido de nossa evolução para além da dor, uma vez que a dor é mecanismo evolutivo inerente às faixas inferiores da evolução.

Veja bem, está determinado pelo plano superior, de modo claro e inequívoco, que esta Terra aqui está progredindo e vai progredir ainda mais, e que caminhamos a passos rápidos para uma nova situação hierárquica do planeta. Que o orbe vai se projetar para o nível acima de regeneração, e o crescimento apenas debaixo dos impactos não constitui o caminho operante no mundo regenerado. Lá, com certeza, a ascensão não vai ser somente assim, só na base do empurrão. Então, uma grande maioria de pessoas tem sido visitada por vários tipos de problemas e essa coletividade já tem condições plenas de criar hoje padrões de uma nova vida. Essa mudança tem que ser agora, pois vale lembrar que no mundo regenerado a ascensão não vem decretada de fora.

É preciso entender que o tempo vinha, até então, operando o encaminhamento dos nossos destinos dentro do plano de cumprimento natural da lei de reação. A gente aprendia com base no próprio impacto. Mas hoje notamos que com o aprofundamento dos valores espirituais temos a oportunidade de recolher um processo de avanço no campo da evolução pela apreensão de um conteúdo e capacidade de trabalho nesse conteúdo. Então, realmente houve uma alteração fundamental em toda a proposta do nosso crescimento rumo a um futuro melhor. Estamos de certa forma juntos envolvendo nossos corações em uma sistemática para um crescimento consciente. 

O que era evolução antes, conquistada pelo impacto, com base nas ações insistentes dos fatos exteriores, e calcando na nossa intimidade caracteres novos pelo sofrimento e pelo constrangimento, nós hoje vislumbramos uma abertura nova em que vão falar as estruturas interiores. É como se o que era conquistado ontem pelo impacto, pela dor, hoje é conquistado pela luta interior.

Se antes aprendíamos pelo impacto da justiça, de fora para dentro, o evangelho nos projeta para aprendermos sob a tutela do amor. E nesse instante nós não vamos mais trabalhar debaixo do constrangimento, da preocupação, como grande parte do mundo se mantém. Visualizamos uma ascensão não mais pelo mecanismo do sofrimento, não mais pela pancada dos acontecimentos menos felizes que o mundo transmite, não mais pelo instrumento da dificuldade, mas pela adesão a uma proposta nova que dimana de cima.

Daqui para frente vale uma evolução não mais alicerçada no constrangimento, mas sob o componente assimilativo pela busca. Um sistema novo a nos projetar em cima do aprende e faz. Se antes quem nos ensinava era a vida, agora aprendemos uma sistemática nova de viver. Apropriando conteúdo e experimentando, ingerindo conhecimento e implementando medidas, gravando informação e praticando, avocando novos valores e fazendo, retendo informação e vivenciando. Arregimentando padrões seletos e tentando operar, na essencialidade do nosso ser, um caminho educacional que é o caminho que vigora no mundo de regeneração.

"O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica." (II Coríntios 3:6) Interessante. "Ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito", porque o crescimento agora deve se fazer por um aspecto diverso do que temos sequenciado até então. Não mais sob o mecanismo do sofrimento, não mais pelo impacto dos acontecimentos externos que o mundo transmite, não mais sob o instrumento da dificuldade, e sim pela adesão íntima a uma proposta nova que dimana do plano superior e elaborada por dentro nos planos formativos do ser.

Um aprendizado sem sofrer, por uma eleição de educação, pelo qual caminhamos na linha vertical do amor a Deus e ao próximo na horizontal, erradicando o vício pela incorporação de virtudes. No momento em que elegemos uma proposta de crescimento consciente notamos que a nossa aprendizagem, que era totalmente pela pancada de fora para dentro, pelo novo investimento, com carinho, abnegação, sacrifício e determinação no que aceitamos fazer, passamos a aprender no trabalho e não debaixo das lágrimas, da tristeza e da frustração.

Dá-se um processo de crescimento pela própria tarefa que se desenvolve. E na medida em que vamos conseguindo tornar os efeitos em nossa vida cada vez mais brandos é sinal que deixamos de ter essa pressão de fora para dentro para evoluirmos em termos de uma assimilação a nível intuitivo dos valores que precisamos explorar na caminhada. Em vez de acordarmos com o som das bombas em nossas cabeças passamos a acordar com o canto dos passarinhos livres na natureza.

Começa-se a ampliar o campo das nossas percepções, que vão se tornando cada vez mais sutis. E o resultado é que passamos a aprender a trabalhar para nos realizar.

5 de mar de 2013

Cap 32 - Ação e Reação - Parte 9 (Final)


SOB NOVA ÓTICA

Para muitas criaturas a causa e efeito é vista sob a ótica do "sofro hoje porque eu errei ontem". Muitos transitam pela vida lamentando e clamando: "Ah, meu Deus, eu estou pagando. O que será que eu fiz no passado? Eu não estou aguentando, a cruz está pesada, mas eu vou pagar." E comumente fala-se em causa e efeito como se a vida fosse um comprar e pagar.

Para entender melhor vamos dar um exemplo. E vamos falar de dinheiro, que é algo que ninguém esquece. Cada encarnação corresponde a uma etapa que começa em determinado ponto e vai até outro, certo? Imaginemos que na etapa A eu contraí um débito. Se contraí vou ter que pagar, ok? Na etapa B eu liquidei o débito. Aí, o que acontece? A conta fica aberta. Na etapa C eu contraí outro débito, na etapa D eu liquidei o débito. O que isso significa? Circuito fechado.

Exatamente, tem gente comprando e pagando no decorrer das encarnações. Já parou para pensar nisso? O elemento veio rico financeiramente em uma encarnação. Desbaratou, usou muito mal os recursos que tinha. Resultado? Vem pobre na outra, e querendo ter dinheiro. Como está querendo ter dinheiro, querendo muito ter dinheiro, ele vem com dinheiro na outra. No entanto, o dinheiro que ele tem ele acha que está pouco, porque não vai dar para ele gastar como gostaria. Aliás, ele gasta o que tem e também o que não tem. Tornando a desbaratar, ele vem sem dinheiro na seguinte. Vem com o processo do esquecimento, óbvio, e não se conforma, pede dinheiro. Na outra vem com. Aí fica assim, com dinheiro numa, sem dinheiro na outra, dinheiro na seguinte, e vai...

Analisando a questão a gente pensa: qual é a importância da lei de causa e efeito? É só respaldar destino com respeito a pagar? Consiste exclusivamente no mecanismo de comprar e pagar? Não. Mesmo sem pensar já respondemos de cara, não! Definitivamente, não. É lógico que os efeitos das causas que nós mesmos criamos não se anulam, como também não podemos alterar o curso natural dos acontecimentos que conosco se relacionam, os quais devemos nos preparar para recebê-los, tirando das experiências do presente elementos para formarmos um futuro melhor. Além do que, é lógico que sanear débitos define a quitação com a justiça e ninguém se eleva ao céu sem a plena quitação com a terra.

Porém, a vida ensina que se continuarmos fazendo as mesmas coisas que sempre fizemos nós iremos continuar obtendo da própria vida os mesmos resultados. Temos que nos preocupar menos com o efeito e mais com a causa, trabalhando com aproveitamento adequado as dificuldades através de uma constante renovação. Basta reprisar que o mestre e amigo maior não visava tirar a dor física dos enfermos, buscando apenas o alívio momentâneo, mas conscientizá-los a trabalhar as causas como forma de extirpar definitivamente as doenças.

A proposta no universo não é somente essa de fazer a criatura pagar. A proposta é mais ampliada, é amor. É vantagem pagar o débito, claro, mas o simples pagar não proporciona a aquisição. Deu para Perceber? Porque justiça por justiça não projeta ninguém. O problema não é apenas pagar perante Deus, porque se ficar apenas no comprar e pagar a gente vira robozinho, a gente entra num programa robotizado, e a misericórdia de Deus não quer autômatos.

E mais ainda, em cima do devia e pagou nós mantemos a porta aberta para novos desmandos. Há quem paga, mas tem a consciência aberta. Não é verdade? Você lembra daquele sistema que vigorava em muitos mercadinhos e padarias no passado? Aquele em que se comprava fiado e o comerciante anotava o valor numa caderneta? Pois, então, o que acontecia quando o cliente pagava o que devia? Ele estava pronto para comprar de novo. Na vida é assim também, quem acha que já pagou o que deve está pronto para comprar de novo. E o que garante a segurança não é a quitação, mas aquilo que se faz para além da quitação, é o crédito que se alcança. O interessante é quando a gente paga o que deve, enfia a mão no bolso e sobraram ao menos umas moedas. A nos mostrar que o desafio é irmos para além daquilo que a lei cobra, porque ficando estritamente dentro do que a lei propõe e equilibra o universo nós mantemos a propensão para novos crimes, novos erros.

O grande segredo é evitar originar novos problemas. Tentar evitar ângulos que sejam geradores de padrões complexos que vão nos fazer sofrer a curto, médio ou longo prazo. O que nós estamos fazendo aqui, levando este estudo de forma sistematizada adiante? Estamos aprendendo o evangelho para ver se a gente melhora a caminhada. O que buscamos é arregimentar conhecimentos e melhorar as nossas relações, começando por desarmar os nossos corações.

A atitude adequada no presente é terapêutica de eficiência para futuros resultados.

De forma que vamos bendizer a reencarnação, reclamar menos e nos empenhar em trabalhar e aprender, com atenção e sinceridade, para que venhamos construir e acertar em definitivo. Vamos examinar a vida sob o aspecto global, e não sob o ângulo de uma única experiência física. Precisamos evoluir para além do respaldo ao destino. Se nos encontramos interessados no aperfeiçoamento próprio aproveitar é palavra de ordem. Herdeiros de passado culposo, é natural estejamos sob a carga de avelhantados problemas. Mas cada qual precisa revisar as próprias tendências e ajuizar quanto às suas necessidades para que não fiquemos tateando na sombra. Investindo nos valores que temos recebido produzimos causas que gerarão frutos melhores para nós.

Cada lance da lei de causa e efeito é potencial didático para redimir o ser. Por isso, "se alguém te obrigar a andar uma milha, anda duas", porque uma você paga e outra você dá de crédito, para você próprio e não para ele. "Se te pediu o vestido larga a capa", porque se ficar no vestido você quitou, zerou a dívida, e não fez investimento do processo. A sistemática é utilizar da dificuldade, dos lances que virão e, quem sabe, nos projetar para um terreno novo nos caminhos do amor. 

Nós estamos trabalhando a semente e, ao mesmo tempo, amenizando a colheita, porque o que semeia num tempo recolhe as primícias de outros tempos. No campo espiritual, a época da sementeira é também a época da sega. Semear e ceifar são tarefas que se realizam simultaneamente. Não há período específico, ou estações exclusivas, para semear ou ceifar. Em todas elas se espalham as sementes e em todas elas se recolhem as messes. Gerando novas causas com o bem praticado hoje podemos interferir nas causas do mal feito ontem, neutralizando-as e reconquistando o equilíbrio sonhado.

Em razão disto podemos mudar a ótica de visualizar. Para certo grupo de seguidores do evangelho a lei de causa e efeito já apresenta aspecto mais abrangente, ou seja, está para além do sofro hoje porque errei ontem. Ela é vista não como a dor pela colheita, mas a alegria pela semeadura. É o convite para se implementar causas de modo a que os efeitos melhorem, em vez de ficar apenas nos efeitos. O passado já não importa tanto para a gente mais. Da mesma forma que vamos buscar as origens dos males de hoje no passado, é justo pensemos na felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como uma ponte entre dois períodos e não como uma situação única a vivenciar.

O que agora nos importa são as realizações presentes para o futuro. Trabalhar sem a preocupação de solucionar, favorecendo o encaminhamento da solução, que virá ao seu tempo. Porque nós ficamos em cima da solução e, às vezes, a solução não é com a gente. O tempo não para e temos que saber selecionar a proposta.

Aprender a cultivar, aprender a ser coerente e perseverante na proposta que buscamos. Porque não é compatível a gente seguir o sistema evolucional levando conosco a instabilidade que ainda cultivamos. Se agora encontramos o nosso ontem, não podemos esquecer que o nosso hoje será a luz ou a treva do nosso amanhã. Se aspiramos melhorar amanhã é forçoso sermos melhores ainda hoje.

Dessas atitudes resulta o porvir. Lancemos para amanhã os resultados do esforço de agora. Em meio às produções menos felizes do nosso carma hoje vamos tentar, nos terrenos ainda não semeados, jogar a semente, desarmar o coração das resistências e ativar novos valores e conceituações. Porque entre essas sementes vão ter algumas que vão germinar em curto prazo de tempo, outras que vão germinar em prazo médio, e outras em prazo mais distante. E outras em encarnações futuras. Não se espante, pois no mecanismo de plantar e colher existem sementes de produção rápida, sementes de produção média e sementes de produção longa. E o evangelho, como roteiro central, nos ajuda na colheita da sementeira de ontem, como nos ensina a semearmos em novo plano.

Se você acha que a vida não está te dando nada, dê alguma coisa a ela. Se a vida está te fazendo chorar, sorria para ela. Assim, no mínimo você avoca  uma nova linha de sintonia. Só não se esqueça de uma coisa: todo dia, no exercício de nossa escolha e ação, formamos novas causas e refazermos o destino.

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