2 de mar de 2013

Cap 32 - Ação e Reação - Parte 8


AÇÃO E REAÇÃO E O SINAL EM CAIM

“ENTÃO JESUS DISSE-LHE: EMBAINHA A TUA ESPADA; PORQUE TODOS OS QUE LANÇAREM MÃO DA ESPADA, À ESPADA MORRERÃO.” MATEUS 26:52

“14EIS QUE HOJE ME LANÇAS DA FACE DA TERRA, E DA TUA FACE ME ESCONDEREI; E SEREI FUGITIVO E VAGABUNDO NA TERRA, E SERÁ QUE TODO AQUELE QUE ME ACHAR, ME MATARÁ. 15O SENHOR, PORÉM, DISSE-LHE: PORTANTO QUALQUER QUE MATAR A CAIM, SETE VEZES SERÁ CASTIGADO. E PÔS O SENHOR UM SINAL EM CAIM, PARA QUE O NÃO FERISSE QUALQUER QUE O ACHASSE.” GÊNESES 3:14-15

A ação é o ato ou efeito de agir, de atuar. É a manifestação de uma força, de uma energia, de um agente. Pode-se dizer que é todo o procedimento dado em curso pela vontade e que está no âmbito direto do livre-arbítrio. A vida deixa escolhas, mas todos somos diariamente constrangidos a ação. Situamo-nos em um plano que exige constante ação e pelo que fazemos é que cada um decide quanto ao destino próprio, seja criando para si a sublime ascensão à luz ou inquietude descida à treva. Escolhas para ação ela deixa, o que não admite é inércia.

Todos são convocados ao trabalho e os nossos próprios companheiros que exterminaram os intentos nobres e os votos edificantes, tanto quanto aqueles que desprezaram os projetos superiores e abandonaram as obras voltarão, mais cedo ou mais tarde, ao labor reconstrutivo, retomando precisamente o serviço que a vida lhes assinala no ponto exato em que praticaram a indevida deserção.

A reação consiste na resposta a qualquer ação por meio de outra que tente anular a precedente. É força posterior que se opõe a outra anterior, e também entendida como uma sequência de fatos que correm sob a lei de causa e efeito.

Ficou claro? A reação sempre está relacionada com uma ação anterior. Imagine o seguinte: hoje você foi ver um tio que se encontra internado num hospital. Amanhã, se você for lá de novo, não irá ver o tio, irá rever. O filho pequeno acabou de fazer o dever escolar. "Pai, já fiz o dever!" O pai confere. "Filho, não é isso que a professora pediu, está errado." O menino não irá fazer o dever, irá refazer. Ou seja, o "re" dá o sentido de repetição da ação. Assim, a reação é uma outra ação. Face à imperiosa estrutura de equilíbrio que vigora nos parâmetros do universo, ela é como uma resposta necessária a uma ação antecedente, mas que apresenta sentido contrário. Quem agiu lesando alguém ontem, hoje ou amanhã terá que reagir auxiliando. Trata-se de algo que exige uma atenção especial de nossa parte, porque todos fazem alguma coisa na vida humana, no entanto, raros não voltam à carne para desfazer o que fizeram.

A ação do mal pode ser rápida, porém, ninguém sabe quanto tempo exigirá o serviço da ração, indispensável ao restabelecimento da harmonia soberana da vida, quebrada por nossas atitudes contrárias ao bem. E sem contar que o resgate se processa dentro das mesmas circunstâncias em que patrocinamos a ofensa em prejuízo de outros. Logo, somente constrói, sem necessidade de reparação ou correção, aquele que se inspira no padrão de Jesus para criar o bem.

Não tem jeito. Mesmo aquela criatura ociosa, que passou boa parte do seu tempo entre a inutilidade e a preguiça, é constrangida a voltar ao quadro de luta no intuito de desintegrar a rede de inércia que teceu ao redor de si mesma.

Para ilustrar o assunto, com tranquilidade, observe o diálogo de Caim com Deus, presente no livro de Gênesis: “Eis que hoje me lanças da face da Terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e vagabundo na Terra, e será que todo aquele que me achar, me matará. O Senhor, porém, disse-lhe: portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse.” (Gênesis 3:14-15).

Veja só, Caim a gente sabe que matou o irmão Abel. O texto começa: "Hoje me lanças da face da Terra." Imagine você lançando alguma coisa a algum lugar. O que é lançar da face da Terra? Lançar da face da Terra é arremessar da Terra. Ao dizer isso, Caim está se referindo ao seu desencarne, é ir para o plano espiritual. Desencarne é morte aqui e vida para lá. "E da tua face me esconderei." O esconder da face pode nos apresentar duas opções: primeira, esconder da luz abeirando-se nas trevas, isto é, nas regiões de sombras no plano espiritual, regiões trevosas do plano espiritual, de sofrimento e purgação. Ao mesmo tempo, também, pode sugerir a reencarnação. Como assim? Esconder-se da situação complicada que criou para si mesmo retornando ao plano físico. Notou? O que não pode passar despercebido, de forma alguma, é que "da tua face me esconderei", o verbo esconder está no futuro.

"E serei fugitivo e vagabundo na Terra" indica a reencarnação expiatória. Porque "serei...na Terra" é referência ao futuro, define que ele estava fora da Terra. "E será que todo aquele que me achar, me matará" é indicativo da operação da justiça na lei de causa e efeito. O próprio Caim entendia. Matou, teria que retornar e ser morto para pagar a dívida. E, assim, cumprir-se-ia o inevitável e intransferível retorno da lei de causa e efeito que ele tinha na consciência.

Mas não foi bem assim que aconteceu. O que fez a misericórdia divina? “E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que o não ferisse qualquer que o achasse.” Deus pôs um sinal nele. É exatamente o que falamos no tópico anterior. A misericórdia superior sempre age de uma maneira inteligente, objetivando a menor parcela de sofrimento ao infrator. Por isso é que ela é misericórdia, e a essa inteligência superior muitas vezes queremos nos contrapor. E que sinal é esse? O sinal em Caim pode significar duas coisas: o sinal físico ou o sinal moral.

O sinal físico representa o sinal cármico e pode caracterizar-se por uma deficiência física. Por exemplo, o indivíduo que usou a mão para ferir alguém em uma encarnação vem sem ela na próxima, ou a perde durante a existência física mediante variadas maneiras. Quanto ao sinal moral, é aquele sinal indicativo de alguém que coopera em uma atividade, é sinal de orientador em alguma frente religiosa. Em vez de sanear o erro com as lágrimas do sofrimento a criatura vem e respalda com o suor do trabalho. Pode vir com a missão de ser padre, de ser orientador espiritual de algum segmento religioso, ou de realizar trabalhos múltiplos no âmbito da caridade. Deu para entender o sentido?

Caim matou Abel, certo? E como a reparação se dá sempre ceitil por ceitil, Caim deveria voltar na próxima encarnação e ser morto por alguém para poder pagar o que deve. Então, imagine o seguinte: Caim volta na próxima encarnação e é morto pelo João. Até aí, tudo bem. E ao ser morto pelo João Caim paga o que deve, mas por outro lado o João contrai uma dívida para si. Não é assim que funciona? Na próxima, vem o João e é morto pelo Alfredo. Resultado? João se desonera e Alfredo soma uma dívida de homicídio para si. Entendeu a questão? Em cima dessa lógica o processo não acaba, ele não tem fim.

Além do que, a misericórdia divina não vai ficar feliz, e o criador todo sorridente lá em cima, apenas com o fato e o cumprimento da lei: "Olha lá. Caim matou Abel lá atrás. Agora ele acabou de ser morto. Cumpriu a lei, ela é uma beleza. Essa minha lei é ótima." Não. A misericórdia quer mais, muito mais que isso. O objetivo intrínseco da criação é o amor, é projetar a criatura. Então, esses sinais são para que não sejamos levados, às vezes, a um processo que possa representar diante da lei uma quitação. Logo, paciência e perseverança, pois se tiver um fio de esperança num coração complicado esse fio de esperança vai ser esgotado, vão investir nele. Não é para ninguém desanimar, não. Se de um lado você pensar que o negócio está sério, que o problema está complicado, pense por outro lado, também, que a misericórdia é ampla.

E é importante entender que ninguém precisa vingar quem já se encontra assinalado pela justiça divina. “Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.” (Mateus 26:52).

Não é preciso vingar a lei, as circunstâncias vingam por si. Outro detalhe interessante a ser observado é que a cessação da lei de causa e efeito somente se faz quando nós nos desarmamos, o processo cessa quando as pessoas cedem lugar às coisas. O coração precisa manter-se sereno. Quando a nossa dor não gera novas dores e a nossa aflição não cria aflições naqueles que nos rodeiam é uma sinal que a nossa dívida está em processo de encerramento. É por isso que por muitas ocasiões o leito de angústia é altar bendito onde extinguimos compromissos execráveis, sem que o nosso resgate a ninguém mais prejudique. E quando o enfermo sabe acatar os celestes desígnios com a conformação e a humildade traz consigo o sinal da dívida expirante.

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