5 de mar de 2013

Cap 32 - Ação e Reação - Parte 9 (Final)


SOB NOVA ÓTICA

Para muitas criaturas a causa e efeito é vista sob a ótica do "sofro hoje porque eu errei ontem". Muitos transitam pela vida lamentando e clamando: "Ah, meu Deus, eu estou pagando. O que será que eu fiz no passado? Eu não estou aguentando, a cruz está pesada, mas eu vou pagar." E comumente fala-se em causa e efeito como se a vida fosse um comprar e pagar.

Para entender melhor vamos dar um exemplo. E vamos falar de dinheiro, que é algo que ninguém esquece. Cada encarnação corresponde a uma etapa que começa em determinado ponto e vai até outro, certo? Imaginemos que na etapa A eu contraí um débito. Se contraí vou ter que pagar, ok? Na etapa B eu liquidei o débito. Aí, o que acontece? A conta fica aberta. Na etapa C eu contraí outro débito, na etapa D eu liquidei o débito. O que isso significa? Circuito fechado.

Exatamente, tem gente comprando e pagando no decorrer das encarnações. Já parou para pensar nisso? O elemento veio rico financeiramente em uma encarnação. Desbaratou, usou muito mal os recursos que tinha. Resultado? Vem pobre na outra, e querendo ter dinheiro. Como está querendo ter dinheiro, querendo muito ter dinheiro, ele vem com dinheiro na outra. No entanto, o dinheiro que ele tem ele acha que está pouco, porque não vai dar para ele gastar como gostaria. Aliás, ele gasta o que tem e também o que não tem. Tornando a desbaratar, ele vem sem dinheiro na seguinte. Vem com o processo do esquecimento, óbvio, e não se conforma, pede dinheiro. Na outra vem com. Aí fica assim, com dinheiro numa, sem dinheiro na outra, dinheiro na seguinte, e vai...

Analisando a questão a gente pensa: qual é a importância da lei de causa e efeito? É só respaldar destino com respeito a pagar? Consiste exclusivamente no mecanismo de comprar e pagar? Não. Mesmo sem pensar já respondemos de cara, não! Definitivamente, não. É lógico que os efeitos das causas que nós mesmos criamos não se anulam, como também não podemos alterar o curso natural dos acontecimentos que conosco se relacionam, os quais devemos nos preparar para recebê-los, tirando das experiências do presente elementos para formarmos um futuro melhor. Além do que, é lógico que sanear débitos define a quitação com a justiça e ninguém se eleva ao céu sem a plena quitação com a terra.

Porém, a vida ensina que se continuarmos fazendo as mesmas coisas que sempre fizemos nós iremos continuar obtendo da própria vida os mesmos resultados. Temos que nos preocupar menos com o efeito e mais com a causa, trabalhando com aproveitamento adequado as dificuldades através de uma constante renovação. Basta reprisar que o mestre e amigo maior não visava tirar a dor física dos enfermos, buscando apenas o alívio momentâneo, mas conscientizá-los a trabalhar as causas como forma de extirpar definitivamente as doenças.

A proposta no universo não é somente essa de fazer a criatura pagar. A proposta é mais ampliada, é amor. É vantagem pagar o débito, claro, mas o simples pagar não proporciona a aquisição. Deu para Perceber? Porque justiça por justiça não projeta ninguém. O problema não é apenas pagar perante Deus, porque se ficar apenas no comprar e pagar a gente vira robozinho, a gente entra num programa robotizado, e a misericórdia de Deus não quer autômatos.

E mais ainda, em cima do devia e pagou nós mantemos a porta aberta para novos desmandos. Há quem paga, mas tem a consciência aberta. Não é verdade? Você lembra daquele sistema que vigorava em muitos mercadinhos e padarias no passado? Aquele em que se comprava fiado e o comerciante anotava o valor numa caderneta? Pois, então, o que acontecia quando o cliente pagava o que devia? Ele estava pronto para comprar de novo. Na vida é assim também, quem acha que já pagou o que deve está pronto para comprar de novo. E o que garante a segurança não é a quitação, mas aquilo que se faz para além da quitação, é o crédito que se alcança. O interessante é quando a gente paga o que deve, enfia a mão no bolso e sobraram ao menos umas moedas. A nos mostrar que o desafio é irmos para além daquilo que a lei cobra, porque ficando estritamente dentro do que a lei propõe e equilibra o universo nós mantemos a propensão para novos crimes, novos erros.

O grande segredo é evitar originar novos problemas. Tentar evitar ângulos que sejam geradores de padrões complexos que vão nos fazer sofrer a curto, médio ou longo prazo. O que nós estamos fazendo aqui, levando este estudo de forma sistematizada adiante? Estamos aprendendo o evangelho para ver se a gente melhora a caminhada. O que buscamos é arregimentar conhecimentos e melhorar as nossas relações, começando por desarmar os nossos corações.

A atitude adequada no presente é terapêutica de eficiência para futuros resultados.

De forma que vamos bendizer a reencarnação, reclamar menos e nos empenhar em trabalhar e aprender, com atenção e sinceridade, para que venhamos construir e acertar em definitivo. Vamos examinar a vida sob o aspecto global, e não sob o ângulo de uma única experiência física. Precisamos evoluir para além do respaldo ao destino. Se nos encontramos interessados no aperfeiçoamento próprio aproveitar é palavra de ordem. Herdeiros de passado culposo, é natural estejamos sob a carga de avelhantados problemas. Mas cada qual precisa revisar as próprias tendências e ajuizar quanto às suas necessidades para que não fiquemos tateando na sombra. Investindo nos valores que temos recebido produzimos causas que gerarão frutos melhores para nós.

Cada lance da lei de causa e efeito é potencial didático para redimir o ser. Por isso, "se alguém te obrigar a andar uma milha, anda duas", porque uma você paga e outra você dá de crédito, para você próprio e não para ele. "Se te pediu o vestido larga a capa", porque se ficar no vestido você quitou, zerou a dívida, e não fez investimento do processo. A sistemática é utilizar da dificuldade, dos lances que virão e, quem sabe, nos projetar para um terreno novo nos caminhos do amor. 

Nós estamos trabalhando a semente e, ao mesmo tempo, amenizando a colheita, porque o que semeia num tempo recolhe as primícias de outros tempos. No campo espiritual, a época da sementeira é também a época da sega. Semear e ceifar são tarefas que se realizam simultaneamente. Não há período específico, ou estações exclusivas, para semear ou ceifar. Em todas elas se espalham as sementes e em todas elas se recolhem as messes. Gerando novas causas com o bem praticado hoje podemos interferir nas causas do mal feito ontem, neutralizando-as e reconquistando o equilíbrio sonhado.

Em razão disto podemos mudar a ótica de visualizar. Para certo grupo de seguidores do evangelho a lei de causa e efeito já apresenta aspecto mais abrangente, ou seja, está para além do sofro hoje porque errei ontem. Ela é vista não como a dor pela colheita, mas a alegria pela semeadura. É o convite para se implementar causas de modo a que os efeitos melhorem, em vez de ficar apenas nos efeitos. O passado já não importa tanto para a gente mais. Da mesma forma que vamos buscar as origens dos males de hoje no passado, é justo pensemos na felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como uma ponte entre dois períodos e não como uma situação única a vivenciar.

O que agora nos importa são as realizações presentes para o futuro. Trabalhar sem a preocupação de solucionar, favorecendo o encaminhamento da solução, que virá ao seu tempo. Porque nós ficamos em cima da solução e, às vezes, a solução não é com a gente. O tempo não para e temos que saber selecionar a proposta.

Aprender a cultivar, aprender a ser coerente e perseverante na proposta que buscamos. Porque não é compatível a gente seguir o sistema evolucional levando conosco a instabilidade que ainda cultivamos. Se agora encontramos o nosso ontem, não podemos esquecer que o nosso hoje será a luz ou a treva do nosso amanhã. Se aspiramos melhorar amanhã é forçoso sermos melhores ainda hoje.

Dessas atitudes resulta o porvir. Lancemos para amanhã os resultados do esforço de agora. Em meio às produções menos felizes do nosso carma hoje vamos tentar, nos terrenos ainda não semeados, jogar a semente, desarmar o coração das resistências e ativar novos valores e conceituações. Porque entre essas sementes vão ter algumas que vão germinar em curto prazo de tempo, outras que vão germinar em prazo médio, e outras em prazo mais distante. E outras em encarnações futuras. Não se espante, pois no mecanismo de plantar e colher existem sementes de produção rápida, sementes de produção média e sementes de produção longa. E o evangelho, como roteiro central, nos ajuda na colheita da sementeira de ontem, como nos ensina a semearmos em novo plano.

Se você acha que a vida não está te dando nada, dê alguma coisa a ela. Se a vida está te fazendo chorar, sorria para ela. Assim, no mínimo você avoca  uma nova linha de sintonia. Só não se esqueça de uma coisa: todo dia, no exercício de nossa escolha e ação, formamos novas causas e refazermos o destino.

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