9 de mar de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 1


UM NOVO SISTEMA

A grande multidão de pessoas até hoje tem efetivado sua rotina de crescimento e marcha evolutiva em cima do impacto dos acontecimentos menos felizes que a vida apresenta, o que não é novidade para ninguém, acredito.

A massa trabalha, ainda, tendo efeitos como componentes indutivos da evolução. Ela não prioriza um programa, não elege um sistema para percorrer esse sistema, apenas caminha ao sabor das circunstâncias. Mantém sua proposta de crescimento centrada nos fatores de fora para dentro, trabalha no despertar dos valores morais e a aprendizagem é elaborada nos impactos externos sobre a individualidade.

Assim, é fácil constatar que para muitos indivíduos os padrões espirituais constituem abrigo e refúgio para horas determinadas, e nada mais. Se a coisa complica, diante do aperto aproximam. A mínima melhoria já é suficiente para sumirem. Visitados pela dor, procuram de novo. E, assim, vão levando, ou melhor, sendo levados.

É certo que não estamos acostumados a exercitar o processo reeducacional, entretanto, a expressão de Paulo, "ministros de um novo testamento", indica para nós que o crescimento agora tem que ser efetivado sob outro aspecto. Que precisamos alterar o sentido de nossa evolução para além da dor, uma vez que a dor é mecanismo evolutivo inerente às faixas inferiores da evolução.

Veja bem, está determinado pelo plano superior, de modo claro e inequívoco, que esta Terra aqui está progredindo e vai progredir ainda mais, e que caminhamos a passos rápidos para uma nova situação hierárquica do planeta. Que o orbe vai se projetar para o nível acima de regeneração, e o crescimento apenas debaixo dos impactos não constitui o caminho operante no mundo regenerado. Lá, com certeza, a ascensão não vai ser somente assim, só na base do empurrão. Então, uma grande maioria de pessoas tem sido visitada por vários tipos de problemas e essa coletividade já tem condições plenas de criar hoje padrões de uma nova vida. Essa mudança tem que ser agora, pois vale lembrar que no mundo regenerado a ascensão não vem decretada de fora.

É preciso entender que o tempo vinha, até então, operando o encaminhamento dos nossos destinos dentro do plano de cumprimento natural da lei de reação. A gente aprendia com base no próprio impacto. Mas hoje notamos que com o aprofundamento dos valores espirituais temos a oportunidade de recolher um processo de avanço no campo da evolução pela apreensão de um conteúdo e capacidade de trabalho nesse conteúdo. Então, realmente houve uma alteração fundamental em toda a proposta do nosso crescimento rumo a um futuro melhor. Estamos de certa forma juntos envolvendo nossos corações em uma sistemática para um crescimento consciente. 

O que era evolução antes, conquistada pelo impacto, com base nas ações insistentes dos fatos exteriores, e calcando na nossa intimidade caracteres novos pelo sofrimento e pelo constrangimento, nós hoje vislumbramos uma abertura nova em que vão falar as estruturas interiores. É como se o que era conquistado ontem pelo impacto, pela dor, hoje é conquistado pela luta interior.

Se antes aprendíamos pelo impacto da justiça, de fora para dentro, o evangelho nos projeta para aprendermos sob a tutela do amor. E nesse instante nós não vamos mais trabalhar debaixo do constrangimento, da preocupação, como grande parte do mundo se mantém. Visualizamos uma ascensão não mais pelo mecanismo do sofrimento, não mais pela pancada dos acontecimentos menos felizes que o mundo transmite, não mais pelo instrumento da dificuldade, mas pela adesão a uma proposta nova que dimana de cima.

Daqui para frente vale uma evolução não mais alicerçada no constrangimento, mas sob o componente assimilativo pela busca. Um sistema novo a nos projetar em cima do aprende e faz. Se antes quem nos ensinava era a vida, agora aprendemos uma sistemática nova de viver. Apropriando conteúdo e experimentando, ingerindo conhecimento e implementando medidas, gravando informação e praticando, avocando novos valores e fazendo, retendo informação e vivenciando. Arregimentando padrões seletos e tentando operar, na essencialidade do nosso ser, um caminho educacional que é o caminho que vigora no mundo de regeneração.

"O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica." (II Coríntios 3:6) Interessante. "Ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito", porque o crescimento agora deve se fazer por um aspecto diverso do que temos sequenciado até então. Não mais sob o mecanismo do sofrimento, não mais pelo impacto dos acontecimentos externos que o mundo transmite, não mais sob o instrumento da dificuldade, e sim pela adesão íntima a uma proposta nova que dimana do plano superior e elaborada por dentro nos planos formativos do ser.

Um aprendizado sem sofrer, por uma eleição de educação, pelo qual caminhamos na linha vertical do amor a Deus e ao próximo na horizontal, erradicando o vício pela incorporação de virtudes. No momento em que elegemos uma proposta de crescimento consciente notamos que a nossa aprendizagem, que era totalmente pela pancada de fora para dentro, pelo novo investimento, com carinho, abnegação, sacrifício e determinação no que aceitamos fazer, passamos a aprender no trabalho e não debaixo das lágrimas, da tristeza e da frustração.

Dá-se um processo de crescimento pela própria tarefa que se desenvolve. E na medida em que vamos conseguindo tornar os efeitos em nossa vida cada vez mais brandos é sinal que deixamos de ter essa pressão de fora para dentro para evoluirmos em termos de uma assimilação a nível intuitivo dos valores que precisamos explorar na caminhada. Em vez de acordarmos com o som das bombas em nossas cabeças passamos a acordar com o canto dos passarinhos livres na natureza.

Começa-se a ampliar o campo das nossas percepções, que vão se tornando cada vez mais sutis. E o resultado é que passamos a aprender a trabalhar para nos realizar.

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