16 de mar de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 3


APLICABILIDADE E FORMAÇÃO

Durante um longo período de tempo acreditávamos que podíamos nos redimir simplesmente pela instrução, pelo simples conhecimento teórico, e pronto.

Na nossa ótica antiga apenas a arregimentação de valores intelectivos era o suficiente para nos colocar em uma situação de vida melhor. Pensávamos desse jeito lá atrás. O relógio do universo sequencia, o tempo passou e parece que não mudamos tanto como se era esperado. Porque ainda hoje queremos manter a nossa vida dentro de uma postura acentuadamente passiva e insistimos em eleger uma libertação em cima apenas de componentes informativos, razão pela qual os desafios dos dias atuais tem ameaçado tanta gente.

Não é difícil concluir a questão. Dentro do mecanismo de evolução não basta apenas apropriar conteúdo. Pelos valores informativos nós aprendemos o caminho, fica faltando a verdade e a vida. O plano informativo é decorrente do que se recebe e pelo receber apenas nos informamos. Além do que, se a recuperação do mundo, e de nós mesmos, estivesse circunscrita a lindas palavras o próprio Cristo não precisaria ter vindo ao encontro dos necessitados da Terra.

Ao tempo em que vamos estudando passamos a compreender que existe uma linha de relação entre os valores possivelmente revelados e o embasamento que cada um de nós vai apresentando. Vai surgindo um desafio, porque esse embasamento não é apenas no sentido da extensão informativa, mas, principalmente, alicerçado na vertical da nossa capacidade de fazer, realizar e operar.

Uma apropriação equilibrada representa amplo território aberto para podermos aplicar e só possuímos com legitimidade quando aplicamos. A autoridade informativa vai ganhando campo, vai tomando força na medida em que vamos tendo condições de operar com segurança os padrões que estão sendo recebidos. De forma que vamos ingerindo padrões para um sistema de vida mental adequada, de uma vida operacional segura, e os ângulos de ação vão se abrindo gradativamente às conquistas feitas nos terrenos da reeducação pessoal íntima.

Não basta saber, é imprescindível aplicar de maneira útil o conhecimento. A paz que almejamos é decorrente da aplicabilidade do evangelho de dentro para fora.

Sim, porque a compreensão do evangelho, a nível intelectivo, vai propor uma tarefa, uma atividade que respalda o coração em um plano afirmativo. Qualquer estudo nobre é aquisição inapreciável, mas se mora estanque na alma de quem aprende assemelha-se a pão escondido aos que choram de fome.

De que adianta fazer luz se ela não pode servir a que se destina? A letra somente valerá para nós se lhe dermos a aplicação necessária. E a verdade por excelência se expressa pela capacidade de realização da criatura. Descobrir o caminho é uma dádiva, todavia é importante distinguir que caminho é uma coisa, meta e destino é outra. Se o conhecimento nos coloca na ante-sala da libertação é a prática que dá o acesso ao ambiente novo, ao plano que representa a nossa meta, o nosso objetivo. Para alcançar os objetivos que traçamos temos que operar. Regeneração é com base na linha operacional. Inicialmente a gente investe e depois vai surgir o momento de gastar o investimento.

Trata-se de grande desafio para nós, uma vez que possuímos o que damos, não possuímos o que recebemos. Pelo que recebemos a gente se informa e pelo que damos, pelo que fazemos, a gente forma. O ato de receber está amplamente ligado ao plano informativo e plano formativo decorre do que se faz.

Pelo dar, pelo oferecer, pelo fazer é que nós formamos caracteres. Recebendo a criatura ganha o título e oferecendo ela ganha a autoridade, e nós somos aferidos pelo grau de conhecimento que temos. Não adianta querermos apropriar de algo sem executar. Todos nós, sem exceção, evoluímos dentro das linhas de informação e formação, apropriando conteúdo pela informação e sedimentando-o pela aplicação, pela prática. Por mais respeitável que seja o teórico, os seus conceitos, quando não experimentados na prática, tornam-se adorno intelectual para a vaidade, e vivência do conhecimento é indispensável para a real aquisição dos valores iluminativos que enobrecem o espírito. Sabe por quê? É que os valores, a princípio assimilados, permanecem teoricamente em nós e pela faixa experimental se incrustam em nosso interior, em nosso psiquismo.

E a prática desse conhecimento no plano vivo da nossa vida no dia a dia é que nos dá o acesso a nova posição. Não tem outra, é pela linha realizadora que formamos. Obtemos a legítima conquista quando os padrões informados se transferem em caracteres formados na intimidade. A real aquisição depende de uma operação. Assim, em nossos trabalhos nós temos que ponderar que as palavras dos ensinos somente são justas quando seladas com a plena demonstração dos padrões íntimos. Informar nos projeta e formar densifica a nossa responsabilidade. Deu para entender? É preciso tentar realizar parcelas no plano prático condicionado, de modo a fixar esses padrões como caracteres positivos dentro de nós para que a gente tenha acesso a outros ângulos da evolução.

Não há dúvida que tem muita gente que conhece, e conhece muito na cabeça, como se carregasse nela uma biblioteca inteira. No entanto, conhecimento sem vivência não é conhecimento, é pseudo-conhecimento. Nós estamos aqui falando de conhecimento real e a proposta que se nos abre na atualidade é sabermos apropriar conhecimento e elaborá-lo no campo prático. Para que ele possa ser uma conquista confortadora, harmônica, segura, íntegra, pelo nosso exercício de realizar e fazer. Porque o conhecimento efetivo é com base na ação.

Vamos repetir, sem a vivência não existe conhecimento, existe pseudo-conhecimento. É por isto que conhecer de verdade é buscar realizar parcelas no plano prático diário, transformando o plano revelador em componente de libertação.

Inicialmente os caracteres nos chegam a nível informativo. Ao começarmos a soltar esses valores recebidos nós passamos a ter conhecimento, uma vez que a educação é de dentro para fora, e a educação realmente forma. O necessário é caminhar aprendendo, captando informações didáticas de aplicabilidade diária em um conhecimento voltado para a educação. O mecanismo daqui para a frente é esse: conhecer e procurar investir sem querer fazer mais do que as nossas possibilidades suportam. O processo é íntimo. Captamos de um lado para operarmos com aquilo que a gente tem, pois a luz capaz de gerar a paz é a nossa.

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