19 de mar de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 4


HARMONIA E COMPATIBILIDADE

O plano informativo é uma porta que define o início do processo ascensional.

Ótimo. Tudo bem, até aí a gente sabe. Agora, o grande detalhe é que se mantivermos apenas a abertura da comporta perceptiva das informações, com toda certeza iremos apenas até determinado ponto e durante certo momento. Porque fica faltando a parte aplicável dos valores que estão entrando por essa porta.

Não tem outra, nós sempre somos desafiados pelo conhecimento que chega. Por um lado, é preciso conhecer, sem dúvida, mas se o conhecimento não encontra correspondência no campo operacional o que vai acontecer? Vamos ficar hipertrofiados. Como diz Paulo: "A ciência incha e o amor edifica". Então, o que acontece demais no campo da assimilação é que nós não aplicamos as parcelas que temos recebido e isso ocasiona a chamada hipertrofia do campo mental. Quer dizer, nós vamos hipertrofiando a mente de valores e vamos criando um estado de absoluta inoperância dentro de nós. Isto é muito comum na nossa vida prática. Nós estamos hipertrofiados em informações, em conhecimento intelectivo, e acentuadamente atrasados na capacidade de operar.

O que estou dizendo não é exagero nenhum. Muitas vezes, a assimilação de conhecimento ocasiona certa depressão porque o indivíduo assimila coisas que ele não vivencia. Veja bem, existe um pseudo-conhecimento embasado exclusivamente no plano de percepção informativa e existe um conhecimento fundamentado de maneira efetiva no exemplo. É diferente. Se analisarmos com tranquilidade vamos observar que não sofremos hoje tanto por aquilo que fazemos de errado, e sim pela parcela de bem que deixamos de fazer. É um fato que tem nos marcado consideravelmente. Quanto mais conhecemos intelectivamente mais responsabilidades e conflitos interiores vivenciamos se não fazemos esse conhecimento estar acompanhado do exercício nosso de mudança.

Quanto mais conhecimento a gente tem e mais falha comete maior a dor que a gente sente.

O próprio livre-arbítrio começa a ser trabalhado dentro da gente de maneira sutil. Não é assim que funciona? A pessoa pensa consigo: "Nossa, necessito fazer alguma coisa. Preciso mudar aquilo. Tenho que aproveitar melhor o meu tempo. Eu tenho que utilizar melhor o meu conhecimento". Não acontece assim com você também? Acho que se dá com todos. Veja, por exemplo: Se eu, no campo mental, começo a nutrir certo desejo, eu passo a colocar no meio de uma quantidade imensa de desejos, que são meus desejos automáticos, padrões novos, como estando potencialmente preparados para  se desenvolverem.

De forma que eu preciso trabalhar a mente com carinho. Estou tentando dar um colorido novo ao trabalho e, na medida que as circunstâncias vão se apresentando à minha frente, eu vou conseguindo ativar isso. Percebeu? Assimilo valores informativos gradativamente. À medida em que as circunstâncias vão surgindo vou me esforçando para aplicá-los dentro dessa moldura nova, e assim fazendo eu vou encontrar o quê? Estabilidade, felicidade, equilíbrio, harmonia. Não dá para desconsiderar essa noção de forma nenhuma. O tempo está difícil para todo mundo e o processo daqui para frente não é mais em cima de experiência aleatória. Não é mais aquela experiência feita de qualquer jeito, no vapt-vupt. Não. Chega disso, ok? Já deu.

O importante agora é conhecer. É o que nós estamos tentando fazer. Está certo que milhões de criaturas ainda pensam assim: "Ah, sabe, eu vou na igreja tal, ou no grupo tal, uma vez por semana, e resolvo o meu problema espiritual". Nossa, me desculpe, mas escutar isso é duro. É uma falha lamentável, é uma frustração na base. Porque em cada reunião espiritual que a gente vai é mais um peso para conscientizar. O problema todo é o campo íntimo nosso.

A edificação própria, de dentro para fora, é algo imprescindível. Não tem nem o que discutir. E a edificação é decorrente de quê? Do conhecimento e da sua consequente aplicação. Continuamente nós temos batido nessa tecla: para se edificar em base de amor é preciso inicialmente conhecer. Sim, porque tem muita gente que opera sem conhecer e, às vezes, cai em grandes enrascadas. A sequência normal dentro do plano de regeneração é exatamente trabalhar nesse sistema.

À proporção em que incorporamos os valores que temos recebido, pela linha operacional, duas situações vão se abrindo de maneira valiosa para nós: primeira, vamos adquirindo aquele senso de discernimento no que diz respeito ao padrão que está chegando de maneira informativa; e, segunda, vamos abrindo um espaço mais ampliado para recebermos novos padrões. Aquele que vai conseguindo trabalhar, com carinho e paciência, os valores que vem recebendo, ele está sempre com os valores perceptivos perfeitamente sintonizados.

Então, vamos ouvir os ensinamentos e preceitos oriundos do plano superior, mas vamos também agir segundo o que aprendemos e somos orientados, pois se sabemos e não fazemos o bem que aprendemos melhor fora não sabermos, para não sermos tributados com taxas de maior sofrimento nas grades da culpa.

A gente não precisa ficar sentado esperando o futuro para ser feliz. Não, nada disso. A felicidade não é privilégio dos espíritos altamente evoluídos. Nós podemos ir encontrando hoje mesmo essa linha de felicidade, gradativamente, ainda que de forma relativa. Nossa legítima harmonia e estabilidade não reside no fato de muito conhecermos, em sabermos muito, mas na capacidade de compatibilizar o que conhecemos com o que fazemos. Quanto mais conseguirmos nos entrosar no cumprimento da lei, segundo o que a nossa linha íntima determina, mais harmônicos e felizes nos tornamos. A questão é por aí.

Você pode não estar vivendo agora a vida dos seus sonhos, ela pode até estar muito distante de você, todavia, ela pode ficar bem melhor do que está. A sua vida pode se transformar em condições bem mais abertas, sem nuvens, quando você adquire um exercício mais autêntico e aplicativo daquilo que sabe.

Porque o conhecimento somente é capaz de gerar felicidade quando ele está em perfeita consonância com a aplicação que se faz dele. Em outras palavras, quanto mais você consegue exercitar aquilo que sabe, no plano prático, mais harmonia você tem. Quando mais as suas ações diárias refletem o que você sabe, menos problemas em sua existência surgem, menos impactos você recebe, menos tristeza e menos agressões você sente. Podemos dizer que essa harmonia está na dependência direta de um vértice cujo ângulo representa o conhecimento e a consequente operação na base do conhecimento que já se possui.

Guarde uma coisa muito importante: o que nos faz estar bem, feliz, é quando nossas ações do dia a dia se encontram em concordância com o nosso grau de saber.

Se colocássemos em prática dez por cento do que sabemos nós viveríamos num paraíso. Não precisa mais do que isso, dez por cento apenas já estaria de bom tamanho. Mas não fazemos isso. Ainda discutimos tanto, brigamos bastante, resistimos em muitas coisas. A conclusão é que vamos pagando um preço pela teimosia.

É muito comum em determinados grupos de estudo do evangelho as pessoas comentarem acerca do sistema de evolução em linha reta. O que vem a ser isso? Essa evolução em linha reta é aquela condição em que se aprende a lei e vive a lei. Ou seja, aprende-se e coloca-se o aprendizado em prática. Por ela vamos entender que a criatura elege a verdade e segue por meio dela, firme, resoluto, sem quedas. É bonito de saber, porém, estamos um pouco longe disso. Porque nos mantemos em um histórico de considerável rebeldia, ainda. Por enquanto, a gente aprende a lei e vive não o que manda a lei, vive o que a gente quer, continuamos relativamente indóceis ao redirecionamento do pastor.

Agora, se você quer crescer, se ambiciona algo, aspira a ser mais feliz, precisa se convencer de que no plano da iluminação espiritual inexiste fonte alguma além do evangelho. Roteiro para a ascensão de todos os espíritos em luta e aprendizado no planeta Terra com destino aos planos superiores do ilimitado, de sua aplicação decorre a luz do espírito. O conhecimento com Jesus é a claridade transformadora da vida, conferindo-nos o dom de entender tudo o que nos acontece, a mensagem viva de cada ser e a significação de cada coisa no caminho infinito.

Só a evangelização do homem poderá conduzir as criaturas a um parâmetro superior de compreensão. O estudo prepara, óbvio, mas apenas a aplicação dos ensinamentos do Cristo, aliado ao trabalho de auto-evangelização, é firme e imperecível, apenas o esforço individual baseado nele pode iluminar, engrandecer e redimir o espírito. Além do que, concedeu-nos Jesus Cristo o seu evangelho de luz para que a nossa análise não se mantenha mais fria e obscura.

Depois do que vimos fica fácil concluir que a instrução informa, a aplicação forma e somente o evangelho transforma. Este está nos projetando a um sistema novo dentro da metodologia do aprende e faz. Se antes aprendíamos pelo impacto da justiça, a boa nova nos projeta para aprendermos sob a tutela do amor, e estamos aprendendo o evangelho para ver se melhoramos a caminhada.

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