24 de mar de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 5


AGRADEÇA A PROVA

A lei das provas sem dúvida é uma das maiores instituições universais para a distribuição dos benefícios divinos.

Para se ter uma ideia, somente a prova é capaz de projetar o ser nas linhas da evolução.

Com o passar do tempo nós ainda iremos aprender muita coisa acerca disso. Nós não estamos aqui querendo sobrecarregar os nossos corações com a metodologia do sofrimento para a elevação, nem sequer instituir uma sistemática masoquista para o progresso individual, porém, precisamos aprender que o mecanismo do nosso crescimento se embasa todo na prova.

A prova praticamente propicia a nossa entrada numa perspectiva nova, ela visualiza uma nova etapa que naturalmente vai se expressando com vistas a um período novo, uma fase nova. Pode-se dizer que ela tem o objetivo de sedimentar um piso seguro para um novo processo, uma nova etapa. A prova, para ser mais preciso, consiste em saber se eu estou apto a passar para a fase seguinte, ela é aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa.

É a demonstração evidente, representa aquele instrumento de aferição dos recursos que já arregimentamos. É ela quem faz a verificação, a constatação, que bate o carimbo da aprovação. Define se aquilo é ou se não é, se não passa de ilusão ou se é componente concreto que interessa a evolução. A prova vem aferir aqueles valores já conquistados, mede o substrato de aplicabilidade concreta, o grau do nosso investimento. Afere em cada espírito os padrões que ele acumulou em si próprio. Significa o trabalho na aplicação desses padrões que, por sua vez, vai exigir parcelas de sacrifício e paciência. Em suma, a prova é a aferição e não existe efetiva conquista sem o processo da aferição.

O que queremos dizer é que sempre somos acentuadamente desafiados depois que o conhecimento nos visita. Veja por exemplo: todo professor e todo chefe de serviço inicialmente ensina os alunos e auxiliares novos com paciência e considerável dedicação, para depois exigir deles expressões de aprendizado e de trabalho próprio. E nós não estamos nos referindo a sermos desafiados uma vez ou outra, ou apenas algumas vezes, estamos falando mesmo em um desafio constante, em ser desafiado sempre. Logo, guarde isso com atenção: na sequência de qualquer aprendizado o tempo aguarda a oportunidade de podermos administrar de maneira efetiva o ensino. Porque não tem como nos projetarmos para novos pisos se nós não passarmos pelo teste.

Não tem jeito, não progredimos sem desafios. E note que se estamos aqui falando em prova, logo nos vem à cabeça a imagem de uma escola. Associação normal, por sinal. E se existe prova é evidente também que existe um grau de dificuldade. Claro que numa escola de maior exigência esse grau é maior. E disso vamos depreender de uma vez por todas que apenas os obstáculos nos projetam na evolução. O teste, ou o desafio, é alguma coisa que periodicamente tem que ser vivenciado. Agora, a prova a que estamos nos referindo é no sentido abrangente, não é a prova de vestibular, uma prova escrita ou de múltipla escolha que se faz, um concurso público que objetivamos. Nada disto, estamos nos referindo à prova ante os próprios acontecimentos da vida.

Cada berço no planeta representa o início de viagem laboriosa para a alma necessitada de experiência. E também temos que entender que criatura alguma na experiência terrestre poderá marchar constantemente pelas estradas da vida debaixo de um céu claro todos os dias, sem nuvens. Tampouco passará pelo mundo sem enfrentar tempestades e nevoeiros, sem vivenciar o fel amargo de provas ásperas. Saber disso já é o suficiente para não procurarmos fugir à luta que nos afere o valor. As dificuldades fazem exatamente esse papel, vem aferir nosso valor, as nossas conquistas. A luta facilita a aquisição dos valores reais, sem a qual não conseguimos aprender onde é o nosso verdadeiro lugar na obra de Deus. Normalmente nós somos testados através de determinados acontecimentos e todo teste vem em meio a uma dificuldade, de onde concluímos que a dificuldade é instrumento para crescer. Assim, se você está passando por crise e desafios suavize o coração. A crise determina o futuro e temos que nos acalmar para passarmos bem pelo tumulto.

É muito gostoso repetir as coisas que nos interessam, não é mesmo? Repetir aquela rotina que nos agrada. Acordar de manhã, fazer isso, fazer aquilo, realizar exatamente o que havíamos programado nos mínimos detalhes. Tudo certinho, direitinho, sem a mínima alteração. Do jeito como a gente gostaria, da forma exata como programado. As horas passam, o dia também passa, é uma beleza. Amanhã, a mesma coisa. A semana passa, chega a outra e, de novo, tudo direitinho, perfeito, como o previsto e calculado. Isso é ótimo, não é?

Aí, só tem um detalhe. Não é o caso, mas imaginemo-nos naquela posição de repetirmos durante as vinte e quatro horas do dia a mesma coisa. Dá para imaginar? Como evoluir assim? Deu para notar onde queremos chegar? Na hora em que se altera algo naquela rotina pré-estabelecida e sistematizada nós nos alteramos interiormente. Ficamos perdidos. Não acontece? Então, vamos reparar uma coisa, se não houver propostas novas induzindo às mudanças não há evolução.

Qualquer obstáculo à nossa frente é um componente enriquecedor da mente. Por enquanto, na nossa jornada os obstáculos são os que nos projetam, que criam um processo de transição e aferição das nossas conquistas reais. Nós estamos arregimentando valores diferenciados, que devidamente analisados à luz da razão, passados esses padrões ao nível da filtragem do sentimento, vamos nos esforçando para investir neles. Daí, vamos passar a reclamar menos das adversidades, afinal, a dificuldade é elemento inerente ao crescimento. Um dos pontos essenciais da vida hoje é saber lidar com os problemas, com os obstáculos, porque somente os obstáculos nos projetam na evolução.

É necessário readequarmos a nossa postura pessoal no mundo de transição em que vivemos. Saber lidar com muitos fatores ao mesmo tempo. Diversos acontecimentos que surgem tem a finalidade de predispor a nossa horizontal aplicativa no sentido de atentarmos para a abertura de atividades em várias frentes e, principalmente, nos preparar para quando formos incluídos numa proposta de cooperação mais evidente e ampliada. Não seremos aferidos pelo número imenso de caracteres informativos recebidos, mas sim por aquilo que fizermos.

O que é preciso é abrirmos o leque e apropriarmos o saber dentro de uma nova abertura, acima de tudo saber retirar a prioridade a cada instante. Mas o que se dá é que nós rejeitamos tudo isso demais da conta. Ainda resistimos de tudo quanto é jeito. O teste nem sempre vem de forma tão contundente, imperiosa e esses desafios todos mostram um sinal nítido de transição. Não quer dizer que vamos ficar contentes com os problemas que surgem e ficar pedindo: "Pode vir, problema. Vem mais. Só dois está pouco". Não, não é assim. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Mas o fato é que é preciso saber conviver com aquilo que a vida propõe. O problema não é o recurso, não é a instrumentalidade de que dispomos para vencer. Se analisarmos com clareza, o recurso tem chegado para nós em larga escala, tem chegado de mãos cheias.

O desafio é o aproveitamento dele, o aproveitamento do recurso é que é ponto desafiador.

O aproveitamento do recurso significa a implementação da tarefa, do trabalho. Percebeu? Às vezes, podemos até estar bem intencionados, com boa vontade, mas que não adianta nada. Jogamos muita coisa fora porque não vamos para além da intenção, desprezamos a oportunidade que vem, perdemos a segurança e enfraquecemos a estabilidade. Mas a vida tem desses lances e nós vamos chegar lá. Quanto mais nós abrirmos o coração num interesse aos padrões superiores da vida mais essa prova vai se reduzindo na sua intimidade, e vai criando aspectos novos, e vamos abrindo também um sorriso mais natural.

O plano espiritual não pode quebrar o ritmo das leis do esforço próprio, como a direção de qualquer escola não pode decifrar os problemas relativos à evolução de seus alunos. O professor, por melhor que seja na arte educacional, e por mais interessado, não pode chamar para si os deveres dos aprendizes, sob a pena de subtrair-lhes o mérito da lição. Onde queremos chegar? Que as lições preparam, os problemas propõem, as provas definem e as atitudes revelam.

É por este motivo que os discípulos devem aguardar naturalmente oportunidades de luta maior, em que necessitarão aplicar mais extensa e intensivamente os ensinos do Senhor, sem a qual se faz impossível a aferição dos valores. Ninguém pode negar que caminhamos debaixo da misericórdia divina, principalmente quando a buscamos e sabemos valorizá-la. No entanto, o amparo da espiritualidade amiga, por mais extenso que seja, não pode interferir no processo que nos cabe vivenciar e que representa a aferição indispensável. Se um pai fizesse mecanicamente o quadro de felicidades dos seus descendentes exterminaria em cada um deles as faculdades mais brilhantes.

No momento da prova nós estamos aparentemente sozinhos. Eu disse aparentemente. Por isso, quem não cogitou de sua iluminação com o Cristo pode ser o que for na vida, pode estar no topo do sucesso do mundo, no ápice das conquistas transitórias. Pode ser um gênio ou expoente de inteligência, um cientista ou filósofo com elevadas aquisições intelectuais. No entanto, estará sem leme e sem roteiro no instante da tempestade inevitável da provação e da experiência própria. Por outro lado, quando descobrimos que nunca estamos desamparados tudo fica mais fácil. A gente percebe que a treva ocasional não é tão escura e fica numa felicidade danada quando consegue vencer uma etapa.

Outra questão interessante de entendermos é que na prova nós descobrimos que podemos viver só, mas que não devemos, se objetivamos a felicidade legítima, viver só. E é muito comum durante a prova nós sucumbirmos por não mantermos a força de vontade suficiente para investirmos na aplicabilidade do conhecimento obtido, naquela luta entre o que vigora e o que precisa ser mudado.

É bem mais fácil acalmar quando se entende que o conflito é uma questão natural.

Outro detalhe que não pode passar despercebido é que a hora do teste é o momento em que vale o investimento nos valores recebidos. Estamos falando muito em aferição e vamos aproveitar para dizer que na hora da dificuldade é a hora de aferir, não é hora de aprender. Vamos dar um exemplo para clarear. Imagine um prédio público, alto, com suas dezenas de andares. É dia de semana e em pleno horário de expediente o Corpo de Bombeiros chega: "Pessoal, hoje nós vamos fazer um exercício de simulação de incêndio. Vamos ensinar a vocês determinados procedimentos para evacuação em caso de incêndio, ou em razão de algum problema que exija a saída rápida sem a utilização dos elevadores". Pronto, começa o treinamento e todo mundo aprende a forma correta de descer as escadas em uma situação de eventual anormalidade.

Treinamento feito, todo mundo aprendeu e desceu devagar para assimilar.  No caso de um incêndio real ou de outro problema real, na hora em que o desafio aparece, na hora do tumulto, não é hora de aprender a descer as escadas. Na hora do desafio não é hora de aprender, é hora de aplicar. Um dia antes de uma prova, ou no momento da realização de um exame, não é hora de aprender, é hora de praticar, de exercitar o que foi aprendido. O momento do aprendizado geralmente se dá antes, com calma. Na hora do desafio é hora de trabalhar na aferição da conquista obtida, não no despertar do conhecimento. E grande dificuldade das pessoas é exatamente essa, a dificuldade de implementar o valor percebido na devida faixa operacional, ou seja, o ajuste à revelação.

Na hora de demonstrar a fé muitos fraquejam, vacilam, retrocedem, duvidam.  Resultado? Aí complica, não passa na prova. E se não passa tem que repetir tudo de novo.

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