28 de mar de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 6


A CONVERSÃO

“E DISSE: EM VERDADE VOS DIGO QUE, SE NÃO VOS CONVERTERDES E NÃO VOS FIZERDES COMO MENINOS, DE MODO ALGUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS”. MATEUS 18:3  

“31DISSE TAMBÉM O SENHOR: SIMÃO, SIMÃO, EIS QUE SATANÁS VOS PEDIU PARA VOS CIRANDAR COMO TRIGO; 32MAS EU ROGUEI POR TI, PARA QUE A TUA FÉ NÃO DESFALEÇA; E TU, QUANDO TE CONVERTERES, CONFIRMA TEUS IRMÃOS”. LUCAS 22:31-32

Para abordarmos este assunto, profundo e de grande relevância, vamos dar um exemplo bem esclarecedor.

Imagine o seguinte: você acorda pela manhã, após a refeição matinal tira o seu carro da garagem e inicia algum trajeto com ele. Observa que não percorre grande distância e já depara à frente com uma placa sinalizadora de trânsito comum, a de conversão. Este exemplo é bastante oportuno porque, afinal, é o que estamos tratando agora. E o que vem a ser esse sinal de conversão? Qual o significado e a representatividade dele? Bem, o sinal de conversão nós vamos reparar que ele determina uma alteração no sentido da direção, propõe uma mudança de sentido, de rumo, que por sua vez não é aquele sentido em que você está. Ficou claro? Deu para entender? Porque se for para continuar no sentido e na direção em que se está não precisa de conversão.

Em se tratando de questão espiritual notamos que mais de dois mil anos se passaram desde a chegada do amigo nazareno, e essa conversão permanece constante até hoje para nós mediante o chamado para a elaboração de propostas de mudança da postura interior nos terrenos mais profundos da alma. 

O sinal para o espírito no evangelho é a direção do bem, o sentido do amor, o caminho da reeducação, o percurso da caridade, a trajetória incansável da disciplina, placas essas, entre outras, que nos indicam a direção para uma vida mais segura e feliz, sem atropelos, sem acidentes. No momento em que se entra no sentido direcional que essas placas indicam já não se tem mais que fazer conversão, já não se tem que alterar a rota por estar seguindo a pista certa.

A conversão é algo mais complexo do que a princípio se imagina. Indica uma elaboração íntima do ser, demanda alteração nas estruturas de redirecionamento do nosso espírito no contexto da própria caminhada rumo ao progresso.

A questão é mais grave porque não pressupõe simplesmente um sentimento de entusiasmo e euforia, e sim um esforço persistente no qual não podemos dispensar as soluções vagarosas e constantes. Repare que o plano filosófico nos garante uma eleição de vida, uma proposta de crescimento, nos propicia a visão do reino de Deus, e todo mundo tem uma visão da entrada do reino. Cada qual a enxerga que é uma maravilha, vê tudo, de forma clara, sem óculos. Pela simples simpatia ao plano filosófico muitos indivíduos dizem "eu creio". É, essa frase é dita em todas as partes, e muitos a dizem com os pulmões cheios. Só que visualizar é um ponto e para entrar é preciso nascer do espírito, é preciso ir mais além, é necessário fazer. Concorda? Então, de fato muitos dizem "eu creio", mas poucos podem declarar "estou transformado de fato".

É considerável o número de amigos e companheiros nossos que tem conhecimento substancial do evangelho. Pessoas íntegras, resolutas, interessadas e estudiosas, mas que estão fazendo antes de se converterem. Isto aí, tem muitos que operam sem conhecer e, às vezes, caem em determinadas enrascadas. Muitas vezes a pessoa está querendo ir à frente antes de colocar o exercício pleno que define a conquista informativa, quer ir à frente no campo da aplicação antes de sedimentar o conhecimento recebido. É muito comum de acontecer. De vez em quando nós queremos entrar na horizontal do conhecimento e criamos verdadeira miscelânea na nossa cabeça. Tem tempo prá tudo. Antes do fazer é importante laborar o plano da conversão.

O pensamento precede de forma efetiva a manifestação do verbo e fazer sem converter pode gerar possivelmente um cansaço. Tem gente que se associa a determinada filosofia religiosa e já quer logo partir para a realização de tarefas. Faz uma, faz duas, faz três. Tudo bem, é ótimo isto, mas é preciso se converter antes do fazer, do contrário vários se cansam por não terem uma meta fixada.

A conversão não é tão fácil quanto afirmam inúmeros portadores de convicções apressadas.

Não será por se maravilhar a alma, ante as revelações espirituais, que alguém estará convertido e transformado para Jesus. Não é simples assim. São palavras do mestre e amigo: "E disse: em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus". (Mateus 18:3) Repare que ao utilizar a expressão "converter-se" associada à expressão "fazer-se", ou tornar-se, ele nos ensina que a conversão apresenta um sentido muito mais ligado à aplicação do que propriamente à predisposição mental. "Se não vos converterdes" é referência à conversão mental, indica uma alteração na linha mental, ao passo que "e não vos fizerdes", ou tornardes, mostra o fazer, a linha de aplicação, a faixa operacional.

Então, em termos de evangelho, converter-se, para além da simples aceitação a uma forma ideológica, da simpatia a uma proposta filosófica e de natureza mental, significa a criatura sair dos planos da eleição pessoal, do campo da eleição mental, sair do terreno das predisposições, a fim de determinar, ante a si própria, quanto à vivência dos componentes que aprovou, elegeu e vem trabalhando.

A conversão para nós, acompanhada do verbo "fizerdes", é caminho adequado, sustentado, sublimado e clarificado pela capacidade operacional do ser para crescer.

Se a conversão é atitude íntima, a nível mental, o tornar-se, pela mudança, é um desafio muito maior. Mudar a linha mental, com algum esforço próprio e interesse, é tranquilo, passível de ser conseguido, todavia, é no fazer que está o problema, a nossa dificuldade está no tornar-se. É aí que complica. É por esta razão que nós estamos envoltos em tantas dificuldades na vida nos dias de hoje. É por isto que todo mundo está passando por momentos bem aflitivos.

Nossa dificuldade maior está centralizada no tornar-se, e o tornar-se significa sair da vibração que nos prende ao lodo, àquela areia movediça que nos segura e prende ao passado, para tentarmos subir. Nós não estamos sabendo viver adequadamente hoje o tornar-se. Basta uma pessoa nos falar uma frase inoportuna pelo telefone e se bobear a gente bate o telefone no ouvido dela. Não é isso? Quantas vezes a gente não tem vontade de fazer isso? Quantas vezes não perdemos a paciência por tão pouca coisa? Por quê isto? Porque ficamos presos a uma convenção fechada de autovalorização pessoal. Muitas vezes um certo indivíduo está errado, mas diante do outro o orgulho o deixa reconhecer?

O converter que Jesus define, para nós ainda não é uma expressão nítida e definitiva. Não é algo finalístico, é um processo mais ligado ao caminho do que à verdade. E é interessante observar que nós oscilamos muito no plano das ações diárias porque nos falta essa linha clara e definida de conversão. Vamos pensar nisso. Não é exagero nenhum, mas de todas as aquisições na vida a de valores religiosos é a mais importante porque constitui o movimento de iluminação real e definitivo da alma para Deus. Porém, raros companheiros conseguem guardar uniformidade de emoção e de idealismo nas edificações espirituais.

Por exemplo, um funcionário chega ao seu posto de serviço e um colega logo já o interpela na porta de entrada: "Não fala com o chefe hoje não. O homem está uma fera. Hoje ele está naqueles dias". Sim, coisas desse tipo acontecem demais. Num dia o chefe está desse jeito, cara fechada, nervoso, calado, mal humorado e mal educado. No outro dia ele chega sorrindo. Cumprimenta todo mundo, canta, assovia, conta caso, ri bastante e conta piada, até para quem não quer ouvir.

O que isso nos traz de lição? Que nós temos que manter uma linha evolucional adequada, sempre trabalhando o campo positivo do amor, do entendimento, da cooperação, da vigilância e do estudo, porque se não mantivermos essa linha direcional para o bem nós vamos notar que podemos até dar e apresentar lances extraordinários na vida, lances da maior expressão e da maior validade, mas ficamos sempre sujeito às quedas, trabalhando uma linha quebrada de eventualidades positivas e negativas a cada instante. É algo para analisar, porque a conversão passa a ser um ponto importante de referência para nós, passa a constituir o sinal indicativo de como vamos, da nossa evolução.

O que Jesus Cristo disse a Simão Pedro a respeito da conversão? Você se lembra? "E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos". (Lucas 22:32) Que ensinamento da maior grandiosidade. Isso é lindo demais, chega mesmo a nos arrepiar. Jesus definiu para Pedro a necessidade de confirmação aos irmãos quando da sua conversão. E o que é confirmar? Confirmar é aprovar, homologar, é afirmar de modo absoluto a exatidão de algo, é dar a certeza, demonstrar, atestar pela conduta. E de que forma? Mediante uma ação pessoal equilibrada da nossa parte.

Volto a repetir, isso é bonito e prático demais. Nos convoca a confirmarmos uma situação nova para que não repitamos o erro anterior, para que a gente não sequencie o que vinha acontecendo. Mas nós insistimos em brigar com a vida o dia inteiro. Como é que a gente briga com a vida o dia inteiro, como é que a criatura reclama o tempo inteiro de tudo e de quase todos e ainda quer dar um exemplo de renovação em determinadas faixas da aprendizagem e do progresso? Tem gente que só reclama. Quer um exemplo? A pessoa mal chega ao local de trabalho e já diz: "Que calor! Ai, meu Deus, que calor. Não estou aguentando". Não passa muito tempo e a ladainha continua: "Nossa, que calor". O dia passou e ela falou umas quarenta vezes "que calor". Puxa, ou ela aprende a conviver, aprende a se relacionar, ou procura algo que possa minorar todo esse calor.

Eu disse que esse chamado tem um sentido prático. E por quê? Porque nós apenas nos elevamos espiritualmente tendo como ponto de sustentação para essa subida criaturas com as quais nos interagimos. Percebeu? Veja bem, os semelhantes são aqueles componentes que vão nos oferecer o plano de ascensão, motivo pelo qual é fundamental saber se relacionar com um mundo que tem de tudo.

Nós nos relacionamos a todo momento com pessoas que se encontram nos níveis mais diversificados de evolução e entendimento e cada criatura está assentada em seu respectivo patamar. Logo, vamos guardar uma coisa agora com muita atenção e carinho: Ninguém dá passo algum ao nível da elevação pisando em quem quer que seja, desconsiderando quem quer que seja, magoando, ferindo ou sufocando quem quer que seja. A interação com os outros, para poder propiciar ganho e elevação para o espírito, tem que se efetivar no sentido de expressivas manifestações de auxílio, de cooperação e ajuda, nunca no sentido de ferir, magoar, massacrar, menosprezar e contrapor.

Sendo assim, como alguém vai poder subir, evoluir, ascender, crescer, se não confirmar, se não valorizar os outros, se não aceitar os irmãos de humanidade, se os repelir, se fizer discriminação, se usar de um sistema discriminatório no trato com determinadas pessoas?  Como conciliar o conhecimento de Deus que nos visita a percepção com o menosprezo e a desconsideração aos nossos semelhantes? Tem jeito? Você acha que isso é possível? Vamos pensar.

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