30 de abr de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 6


LAÇOS QUE NOS UNEM

As uniões conjugais na Terra, sejam elas legalizadas ou não, não se estabelecem sem vínculos graves no princípio da responsabilidade assumida em comum.

Em tantas ocasiões, por trás do anseio de união conjugal, vibra o passado, através de requisições dos amigos ou inimigos desencarnados. Já parou para pensou nisso? A inquietação afetiva pode expressar escuros labirintos da retaguarda e o matrimônio pode assumir aspectos variados, objetivando múltiplos fins, razão pela qual, ocasionalmente, o homem ou a mulher podem experimentar o casamento terrestre diversas vezes sem encontrar a companhia das almas afins com as quais realizariam a união ideal.

Isso porque, comumente, é preciso resgatar essa ou aquela dívida que contraímos com a energia sexual aplicada de maneira infeliz, ante os princípios de causa e efeito. O assunto envolve uma grande complexidade e grande número de paixões afetivas no mundo correspondem a autênticas obsessões ou psicoses, que só a realidade consegue tratar com êxito. Em casos especiais, em que casais não conseguem se harmonizar com o destino, verifica-se que a separação é um mal menor entre os que possa vir a ocorrer, mas cabe-nos saber que os devedores de hoje voltarão amanhã ao acerto das próprias contas.

O aborto é outra questão de grande abrangência. Já observou, por um ângulo, que o espírito que foi abortado, pode não ter sido por acaso, mas ter havido uma história menos feliz lá atrás? Em geral, ele ocorre pelo recuo inesperado dos pais terrestres, diante de obrigações assumidas ou dos excessos de leviandade e inconsciência criminosa das mães, despreparadas na responsabilidade e compreensão para este ministério divino. Todavia, toda falta pode ser reparada.

As mães que não completaram a obra de amor que o Pai lhes confiou junto dos filhos amados devem ser bastante fortes para recomeçarem os serviços imperfeitos. Quem abandonou os próprios filhos ontem pode afeiçoar-se hoje aos filhos alheios, necessitados de carinho. Uma das razões de existirem tantos casais humanos sem a coroa sagrada dos filhos é porque anularam no passado as próprias faculdades geradoras. Quando não procederam de semelhante modo no presente, sequiosos da satisfação egoísta, agiram assim no passado, determinando sérias anomalias na organização psíquica que lhes é peculiar. Em tantos casos, experimentam dolorosos períodos de solidão e sede afetiva, até que refaçam, dignamente, o patrimônio de veneração que nós devemos às leis de Deus.

Em todas as ocasiões, quando alguém abusa de uma função volta a vivenciá-la a fim de recuperá-la, mediante processos limitadores, inibitórios ou castradores.

Na Terra, é vulgar a fixação do assunto sexo ao equipamento genital do homem e da mulher. Embora Sigmund Freud haja definido o objetivo do impulso sexual como a procura de prazer, a assertiva é respeitável, em se nos reportando às experiências primárias do espírito, no mundo físico, porém é indispensável dilatar a definição para arredá-la do campo erótico em que foi circunscrita.

Considerando-se o incessante progresso dos homens, na busca da felicidade, os ideais lentamente vão suprindo, na área das emoções superiores, os prazeres que decorrem das sensações mais fortes. É preciso não esquecermos que o sexo é uma força de amor nas bases da vida, totalizando a glória da criação, e a sede real do sexo não se acha dessa maneira no veículo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa. A  alma, em se aperfeiçoando, busca sempre os prazeres mais nobres e os valores espirituais visam dar um sentido sublimado ao sexo. 

À medida que o espírito se eleva e enobrece, o uso do sexo passa por significativa alteração. O amor não é tão-somente a ventura rósea e doce do sexo perfeitamente atendido, é uma luz que brilha mais alto, inspirando a coragem da renúncia e do perdão incondicionais, em favor do ser e dos seres que amamos. 

O sublime amor do altar doméstico anda bem longe quando os casais perdem o gosto de conversar entre si.

De forma alguma devemos esquecer que o planeta Terra é, ainda, uma escola de lutas regeneradoras ou expiatórias, onde o ser humano pode consorciar-se várias vezes sem que a união matrimonial se efetue com a alma gêmea da sua, tantas vezes distante da esfera material. E cá prá nós, onde não prevalecem as afinidades do sentimento o casamento terrestre é um serviço redentor, e nada mais.

27 de abr de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 5


A DIVERSIDADE E O GRUPO MAIOR

Já tivemos a oportunidade de observar que no plano espiritual a linha de aglutinação dos seres se dá em termos de sintonia e afinidade. Mais afinidade que sintonia, para ser mais preciso.

E quando se trata de imersão na vida física a história muda, passa a vigorar uma proposta de acentuada heterogeneidade. Ou seja, aqui embaixo o plano de realização se processa em meio à chamada lei dos contrários, onde a heterogeneidade é que mantém o processo experimental. Ela é uma constante no universo, e porque temos o campo para operar, fazer e auxiliar para crescer, cabe a cada um de nós saber viver vencendo os desafios que chegam, e saber viver com sabedoria junto de todos, sejam parentes difíceis, chefes exigentes ou quaisquer outros com quem nos defrontamos no dia a dia.

Sem heterogeneidade não existe progresso espiritual. Basta reparar que na diversidade está a unidade e que da combinação de sons divergentes resultam melodias sublimes. Se reencarnássemos em ambientes totalmente livres das influências não teríamos condição de progresso, se houvesse uma unicidade vigorante no nosso plano de ação a gente não teria como avançar. Porque o avanço de cada um de nós no contexto da vida é decorrente desse plano diversificado.

Para se ter uma ideia, essa diversificação nos pisos evolucionais é que define a razão do laboratório que é a família. Veja para você ver, se em nossa casa todos os integrantes pensassem de maneira igual a relação não propiciaria frutos positivos e até poderia resultar em certa desagregação. E a gente custa a entender isso. Os pais, vez por outra, ficam apavorados porque seus filhos não pensam exatamente como eles gostariam que pensassem. Nas atividades diversas que todos nós elegemos e participamos a questão não é diferente, nelas vigoram vários fatores que estão conjugados e que constituem a unidade.

Esses múltiplos fatores constituem a razão da nossa vinculação a esses núcleos, e vamos observar que na hora em que penetramos com mais aprofundamento em certas questões aparecem o quê? Diferenças da maior expressão. Não acontece? Alguém apresenta uma ótica em determinado terreno que outro indivíduo tem totalmente diferente. Uma ótica que nunca passou pela cabeça desse segundo, porque ele tinha um outro ângulo de percepção. Todavia, nessas coletividades vigoram caracteres fortes, vigorosos, que mantém a unidade. Entre eles, por exemplo, o desejo de crescer e de aprender. Então, o interessante é que nesses grupos sociais as diferenças vão sendo apuradas na medida em que vai se dando a aproximação no campo da análise.

Você se lembra, na parte anterior, quando demos o exemplo do grupo com trinta e que podemos estar vinculados a três? Pois então, a nossa faixa de investimento é com os três, só que a forma de ajudar os três é trabalhando com os trinta. Na hora em que trabalhamos com os trinta nós passamos a universalizar um caso que nós tínhamos como um caso restrito. Para clarear mais: o caso, na essência, é particular, mas no plano terapêutico ele tem que ser global. 

Para isso temos que possuir uma visão abrangente, ampliada desse sistema, quando saímos do nosso eu, do nosso mundinho fechado, e abrimos o coração para a grande expressão em que se laboram valores da grandeza de Deus em função de todas as pessoas e de todos os seres, indistintamente. Porque ficamos, ainda, presos no plano individualista, não lançamos mão da faixa egocêntrica. Estamos falando de algo importante, pois na hora em que abrimos essa faixa de ação outros valores se integram e encontramos forças para levar a questão adiante. Quando começamos a trabalhar um campo novo na faixa positiva dos acontecimentos é como se nós passássemos a sintonizar com novas luzes.

É interessante observar que se nós participamos de alguma reunião espiritual em que entramos em relação com determinadas frentes superiores, é muito difícil ter apenas um espírito vinculado a esse núcleo, por mais elevado que ele seja.

Como se dá no plano físico a que estamos ajustados, ocorre normalmente no outro plano da vida o agrupamento de espíritos. E no caso da manifestação de uma entidade somente, o que pode ocorrer é que um tenha sido designado para tal. Vamos tentar clarear mais. Quem sabe a história do apóstolo Paulo sabe que ele foi, e é, componente fundamental na irradiação de padrões do evangelho. Mas o trabalho feito não foi elaborado unicamente por ele. E se ele não tivesse tido o concurso de companheiros abnegados como Áquila e Prisca? E se não tivesse tido o auxílio de Ananias? Não é isso? E se não tivesse Gamaliel, lá do Sinédrio? Se não houvesse Abgail, se não tivesse o Estevão? Percebeu?

Sabe porque estamos dizendo isto? É porque a gente acha, tantas vezes, que na elaboração de um projeto ou tarefa alguém pode fazê-lo sozinho. Realizá-lo dissociado da colaboração de outros. Que nada. Todos nós, espíritos encarnados ou desencarnados, estamos conjugados com centenas de outros elementos num fluxo normal. E à medida em que nós, que estamos aqui atrás, conseguimos avançar, a gente começa a receber influências maiores das faixas lá da frente.

Quando Jesus perguntou quem era sua mãe e quem eram seus irmãos,  ele se referia a quê? Ele estava se referindo à precariedade dos laços de sangue e estabelecendo a fórmula do amor, que não deve ficar circunscrita ao ambiente familiar, mas ligada a plano universal, em cujas estradas devemos observar e ajudar fraternalmente a todos os necessitados. Todos, sem exceção, desde os aparentemente mais felizes aos mais desvalidos da sorte. Outra coisa interessante é que quando alguém está ligado ao ponto geratriz do amor, que é Deus, ele aceita as lideranças vigorantes como sendo componentes de evolução no plano didático de harmonia do universo. Está dando para entender?

Às vezes, elegemos uma determinada entidade espiritual como sendo o líder. Vamos pegar o Chico Xavier como exemplo. Ele não tinha o Emmanuel como mentor? Pois, então. E o Emmanuel podia pensar: "Eu, o líder? Coitado!" Deu prá clarear? Inicialmente, ele podia ser o que tinha certas responsabilidades, mas também estava, por sua vez, debaixo de uma tutela maior. É assim o mecanismo. Todos nós estamos. Note que na faixa aplicativa que nos é competente podemos estar liderando inúmeras pessoas que estão nos observando, mas estamos relacionados com núcleos de comando acima de nós, a quem devemos obediência. E a consciência sobre esse mecanismo, o fato de saber que não estamos desamparados em tempo algum, nós dá uma tranquilidade extraordinária. Nos dá, entre outras coisas, aquela capacidade de sermos bons discípulos, pois existe em todo lugar uma cadeia de reflexos. O dia em que desmontar o sistema hierárquico no universo, o universo cai sobre si próprio.

23 de abr de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 4


O COMEÇO EM CASA COM O CONHECIDO

“ENTÃO, ENQUANTO TEMOS TEMPO, FAÇAMOS BEM A TODOS, MAS PRINCIPALMENTE AOS DOMÉSTICOS DA FÉ.” GÁLATAS 6:10

“MAS SE ALGUÉM NÃO TEM CUIDADO DOS SEUS E, PRINCIPALMENTE, DOS DA SUA FAMÍLIA, NEGOU A FÉ”. I TIMÓTEO 5:8

“JESUS, PORÉM, NÃO LHO PERMITIU, MAS DISSE-LHE: VAI PARA TUA CASA, PARA OS TEUS, E ANUNCIA-LHES QUÃO GRANDES COISAS O SENHOR TE FEZ, E COMO TEVE MISERICÓRDIA DE TI”. MARCOS 5:19

Em todos os ambientes do mundo encontram-se multidões de indivíduos que ostentam falsas virtudes para as pessoas de fora e não as aplicam aos seus familiares.

Falam belíssimas mensagens nos cultos religiosos que frequentam, chamando os participantes à vivência da compaixão, comovendo e sensibilizando multidões. Verbalizam citações e conceitos de alto valor moral, lembrando a importância da brandura e da humildade. Porém, no instituto doméstico são verdadeiros carrascos de sorriso na boca, que não gravam a mínima gentileza nos corações que os cercam entre as paredes do lar. Tem muitos assim. E a psicologia do evangelho nos ensina que quem não é virtuoso dentro de casa não é na vida externa, embora possa até parecer. Ser delicado e afável na sociedade, deixando de manter essas ações em família, não é ser virtuoso, é ser hipócrita.

A virtude não tem duas faces distintas, uma interna e outra externa. Isso não existe, ela é uma só e a mesma em toda parte. Temos aprendido que toda migalha de amor está registrada na lei em favor de quem a emite, e que mais vale fazer o bem aos que vivem longe do que não fazer bem algum. De modo que devemos ajudar aos outros o quanto nos seja possível, entretanto, devemos ser igualmente bons para com aqueles que respiram em nosso hálito. Devedores de muitos séculos que somos, temos em casa, no trabalho, no caminho, no ideal e nos parentes as nossas principais testemunhas de quitação.

Eu tenho certeza que todos nós aqui, indistintamente, já trabalhamos sensibilizados com as faixas elevadas do amor e da caridade. Sendo assim, você acha que nós estamos fazendo caridade hoje para quem? Para o desconhecido? Não vamos nos esquecer que normalmente a nossa evolução começa com aqueles que a misericórdia do pai colocou mais próximos a nós, dentro do lar.

Não podemos nos descuidar das situações que existem no lar para querermos aquecer o próximo que está um pouco além do nosso lar. Você já reparou que grandes ensinamentos do próprio mestre foram ministrados no seio da família? Quer exemplos? A primeira revelação de Jesus foi em um casamento em Caná, entre os júbilos sagrados da família. Lembrou? Isso mesmo, umas das primeiras manifestações de nosso Senhor, diante do povo, foi a multiplicação das alegrias familiares em uma festa de núpcias, em pleno aconchego doméstico.

O primeiro núcleo de serviço cristão em Jerusalém, a primeira instituição visível do cristianismo, foi a moradia simples de Simão Pedro na cidade de Cafarnaum.

E muitas vezes, visitou o Cristo as casas residenciais de pecadores confessos, acendendo novas luzes nos corações. Como se não bastasse, a última reunião com os seus discípulos verificou-se, também, dentro das paredes do cenáculo doméstico.

Tem uma situação que é muito comum de acontecer. Por exemplo, nós podemos estar realizando um trabalho com um grupo que contém trinta indivíduos. E no fundo, no meio desses trinta sabe qual é o nosso foco real, embora não tenhamos a consciência disso? No meio desses trinta, pode ser que estejamos ali por conta de três que estamos buscando, e os outros vinte e sete são caroneiros. Trabalhamos com trinta, mas estamos vinculados a três apenas naquele grupo. Estamos ali por causa deles. E, geralmente, é por esses três que nós brigamos com o nosso superior: "Olha, a turma é ótima, mas eu não aguento aqueles três. Me troca de sala, me muda de seção, pelo amor de Deus."

Com o resto da turma o nosso relacionamento é uma beleza. Sem problema algum. A gente cumprimenta, brinca, abraça. Tudo ótimo, o relacionamento é excelente. Agora, o interessante é que esses vinte e sete vão em frente na jornada, com a gente ou sem a gente, porque eles estão na linha normal de evolução deles. Os outros três, por sua vez, podem estar presos naquela situação. Eles estão fixados, tem raiz, e quase sempre sabe quem jogou terra nessa raiz? Nós mesmos, num passado mais próximo ou mais distante. Deu para clarear? A sedimentação dos nossos melhores propósitos no campo da elevação e do progresso renovador vai ser a experiência de cada um de nós diante do grupo, porque esse grupo é onde vão emergir aquele ou aqueles elementos ligados ao nosso passado, com os quais nós temos compromissos, e que agora vamos entrar no cara a cara com a justiça. Assim, nós vamos entrar em nome da misericórdia pelo reencontro com a nossa dose de amor para compreendê-los, entendê-los e auxiliá-los no que estiver ao nosso alcance.

O mestre, por ocasião da cura de um endemoninhado, ao invés de júbilos antecipados, recomendou-lhe o retorno ao ambiente caseiro: "Ordenou-lhe: vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti". (Marcos 5:19) Lição de extrema profundidade, pela qual Jesus nos orienta a reconhecer que é no círculo mais íntimo, seja no lar ou no campo de trabalho, que nos cabe patentear a solidez das virtudes adquiridas. Porque anunciar os princípios superiores, através da aplicação prática à renovação e aperfeiçoamento, diante dos que nos conhecem as deficiências e falhas, é a fórmula verdadeira de testar a nossa capacidade de veiculá-los com êxito em planos maiores. Não adianta desconsiderar o que vamos dizer: sem a bênção do lar não tem como haver uma felicidade verdadeira.

O carinho especial à nossa família faz parte da obrigação inarredável de assistência imediata que devemos àqueles que convivem conosco. Se não formos úteis e compreensivos, afáveis e devotados junto de alguns companheiros, como vivenciar as lições de Jesus diante da humanidade? Tem jeito?

Se já nos aproximamos do Cristo, assimilando as suas mensagens de vida eterna, procuremos testemunhá-las pela força do exemplo, primeiramente aos nossos, aos que nos compartilham as maneiras e hábitos, dificuldades e alegrias. Sendo aprovados na escola doméstica, onde somos rigorosamente policiados, quando ao aproveitamento dos ensinamentos, nos acharemos francamente habilitados para a vivência junto da humanidade, nossa família maior.

Os problemas profundos dos lares representam nosso título de habilitação para o serviço junto à coletividade maior. As dificuldades imensas que estamos vivendo, às vezes, dentro das paredes dos lares significa a titulação nossa para o trabalho que nos aguarda. Invariavelmente começamos a regeneração trabalhando com aqueles a que estamos vinculados, para depois trabalharmos com o desconhecido. Pois a vida nos convida a sairmos do interesse personalístico para começarmos a envolver cada vez mais gente, o que vai ampliar a nossa responsabilidade. Vivendo o problema na própria pele nós passamos a entender o problema do semelhante, e pela melhoria pessoal aprendemos técnicas que podemos levar junto daqueles que estão em sofrimento maior. Alcançamos daí aquela faceta de amor que nos facilita fazermos o diagnóstico acertado e a procura de estratégias de cooperação com o outro.

De uma coisa todo mundo sabe, sempre foi fácil causar boa impressão naqueles que não convivem intimamente conosco. Basta um gesto ou uma frase feliz e arrancamos de improviso o aplauso ou a admiração de quantos nos encontram exclusivamente na paisagem dos atos sociais. E diante dos amigos que se despedem de nós, depois de uma solenidade ou de qualquer encontro formal, nada difícil cairmos sob a hipnose da lisonja, com que se pretende exagerar as nossas virtudes de superfície. No entanto, precisamos examinar as nossas conquistas morais e demonstrá-las perante os que nos conhecem os pontos fracos.

Façamos o bem a todos, mas provemos a nós mesmos, se já somos bons, fazendo o bem diante daqueles que diariamente nos acompanham a vida, policiando nosso comportamento entre o bem e o mal. É no lar que temos a possibilidade de vivenciarmos os conhecimentos aprendidos. Como podemos fazer um mundo novo se não sabemos resolver o problema dentro de casa? Diante de tudo o que foi dito, resumimos: aquele que consegue administrar com segurança o seu lar geralmente administra a convivência com amigos e inimigos.

20 de abr de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 3


BOAS VIBRAÇÕES

Nós temos dois componentes na estrutura das relações pessoais que constituem verdadeiros desafios para nós, e que tem levado inúmeras individualidades a instauração de sofrimento cármico.

O primeiro é aquela postura indevida de chantagear corações, iludindo e entregando-os ao léu, como se diz na linguagem popular. A criatura vem de mansinho, trabalha o coração de alguém no plano do sentimento e depois larga para lá. Sai como se nada tivesse acontecido. Sai sorrateiramente da mesma forma como entrou, e que a outra pessoa se vire, o problema é dela.

A segunda faz referência a utilização de estratégias amplas no campo magnético que, por sinal, vai ser, no futuro não muito distante, um elemento imprescindível de força, e brincar com essa força, usando-a no interesse puramente pessoal. O elemento utiliza a força magnética reinante no universo na área do comando, da persuasão e da influenciação no sentido meramente pessoal.

Precisamos analisar essa questão com certa atenção e ficar atentos, porque todas as vezes que brincamos com esses elementos que mencionamos nós começamos a encontrar sofrimentos, dificuldades e desajustes ressonantes depois, com quadros complicados que tantas vezes demoram bom tempo para o saneamento.

Na maioria das vezes nós desconsideramos que no inconsciente tem uma força irradiando e que está norteando a nossa vida. É algo lamentável, mas quantos à nossa volta não se armam com as mais diversas formas para envolver os outros em sua órbita de ação de modo negativo, de modo infeliz? Muitos companheiros já estão vivendo as ressonâncias dessas dificuldades porque usaram os padrões que alcançaram visando exclusivamente o interesse próprio.

O trabalho no qual temos investido, a busca de entendimento do evangelho e consequente mudança interior, é um trabalho gratificante, elaborado com alegria interior, mas que não deixa de trazer algumas apreensões no sentido positivo. Porque todas as vezes que enfrentamos a nós mesmos na intimidade da alma ficamos meio apreensivos, e realmente o mecanismo de progresso é por aí.

Daí a gente observa que o parente complicado dentro de casa, o chefe intransigente e difícil, o colega cheio de problemas, todos esses são elementos que nós precisamos efetivamente compactar nesse processo de abertura e de penetração mais tranquila na linha da simpatia. O que vamos dizer agora não é para assustar ninguém, mas quem não está vivendo a situação ainda vai viver. Mas quando tiver que viver que não o faça com a cara fechada, o semblante pesado.

Tem muitas pessoas que nós influenciamos no passado, que foram por nós influenciadas e instigadas a fazerem ou viverem determinadas situações que, na época, nós adorávamos e, talvez, hoje não nos interessem mais. Nós conseguimos nos livrar daquela faixa de influência que alimentávamos e as pessoas que envolvemos não tiveram o mesmo êxito. Ou seja, elas permanecem na experiência menos feliz que lhes despertamos o interesse lá atrás.

Permaneceram, possivelmente, porque foram levadas por uma curiosidade inicial, por impacto ou por uma linha de indução, e estão, ainda, percorrendo o terreno da indução de acordo com o grau de intensidade que nós aplicamos a elas.

Percebeu? Nós conseguimos nos safar, nos desvinculamos daquelas faixas, que hoje soam para nós como algo totalmente negativo e superado, e elas ainda continuam atreladas àquelas posições. E como resultado da queda e do atropelo delas, a pergunta é simples: quem é que vai ter que resgatá-las, quem vai ter que buscar esses elementos? Quem vai reerguê-las? Bom, quem vai ter que buscar é o Cristo, mas nós é que somos os instrumentos dessa busca. Afinal, não foram nós que ajudamos a despertar nelas o interesse com as nossas ideias e o nosso entusiasmo? Agora, somos nós quem temos que ir lá buscar.

Disso compete termos todo aquele cuidado na avaliação, examinarmos a cada instante qual é a legítima intenção que vigora em nosso coração, qual o nosso objetivo em determinadas ações, o que nós estamos de fato pretendendo. Não quer dizer que em função do descobrimento dessas novas forças potenciais e latentes que dirigem a nossa vida nós devamos ficar preocupados e intranquilos com cada pensamento que nos surja. Também não é por aí. Mas precisamos ficar atentos. A nossa autoridade sobre o campo ambiente, as pessoas, as coisas, as situações e os fatos só pode propiciar um benefício para nós quando ela é exercida em cima dos pilares da caridade, do amor e do respeito.

É muito bom saber que quando acaba aquela reunião espiritual de estudo do evangelho na qual participamos, ou quando estudamos alguma passagem como a que fazemos aqui, nós aprendemos alguma coisa. É realmente algo fantástico e motivador. Agora, não adianta eu querer ter uma vida excelente, ficar bem informado, se eu não estiver preparado e educado para um processo de convivência. Estamos investindo no evangelho, entre outras coisas, para melhorar o nosso campo de relação. Todos nós que estamos aqui sabemos disso.

Sabemos também que temos que confiar em todos, porque do contrário a gente não consegue progredir, todavia, necessitamos saber os limites dessa confiança que nós devemos para com todos. Às vezes, também, as pessoas não ficam muito felizes porque os seus filhos não são exatamente como elas gostariam, mas quem garante que a ótica desses pais seria a melhor para aqueles espíritos naquele momento?! O importante, antes de tudo, é lançar a semente.

O momento de hoje é importante e nele entra igualmente a responsabilidade sobre elementos que nos estão sendo confiados. A cada dia que passa nós mexemos mais com os outros, e quanto mais se mexe com os outros mais sensível fica o nosso grau de responsabilidade. É impossível dar passos adiante com segurança e felicidade sem saber criar faixas vibracionais de simpatia.

16 de abr de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 2


A FAMÍLIA E AS NECESSIDADES

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER A PAZ, MAS A ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA SEU PAI, E A FILHA CONTRA SUA MÃE, E A NORA CONTRA SUA SOGRA; E ASSIM OS INIMIGOS DO HOMEM SERÃO OS SEUS FAMILIARES.”  MATEUS 10:34-36

“46E, FALANDO ELE À MULTIDÃO, EIS QUE ESTAVAM FORA SUA MÃE E SEUS IRMÃOS, PRETENDENDO FALAR-LHE. 47E DISSE-LHE ALGUÉM: EIS QUE ESTÃO ALI FORA TUA MÃE E TEUS IRMÃOS, QUE QUEREM FALAR-TE. 48PORÉM ELE, RESPONDENDO, DISSE AO QUE LHE FALARA: QUEM É MINHA MÃE? E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS? 49E, ESTENDENDO A SUA MÃO PARA OS SEUS DISCÍPULOS, DISSE: EIS AQUI MINHA MÃE E MEUS IRMÃOS; PORQUE, QUALQUER QUE FIZER A VONTADE DE MEU PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS, ESTE É MEU IRMÃO, E IRMÃ E MÃE.” MATEUS 12:46-49

No plano físico em que nos encontramos a equipe doméstica atende à consanguinidade e, geralmente, essas ligações terrenas, de vínculo obrigatório, são transitórias.

Como disse-nos o cordeiro divino, que "os inimigos do homem serão os seus familiares", os liames consanguíneos ficam na maioria das vezes restritos à sua verdadeira função, a união temporária de espíritos geralmente devedores. Assim, a casualidade não se encontra nos laços da parentela, princípios sutis da lei se expressam embutidos nestas ligações. Está certo que preponderam nesse instituto divino os elos do amor, fundidos nas experiências de outras épocas, todavia, aí ocorrem igualmente os ódios e as perseguições do pretérito obscuro, a fim de se transfundirem em solidariedade fraternal, com vistas ao futuro.

Nem sempre os laços de sangue reúnem aquelas almas essencialmente afins. Aliás, frequentemente, o que ocorre é que pela imposição da consanguinidade grandes inimigos de outras épocas são obrigados ao abraço diuturno debaixo do mesmo teto, durante certo tempo, com vistas ao aperfeiçoamento de cada um.

Pessoas que se desentenderam em reencarnações passadas hoje se congregam dentro de uma mesma estrutura familiar, buscando o resgate e a harmonização indispensáveis, diante das leis sábias do criador. Não dá para desconsiderar, se forjamos inquietações e problemas nos outros é justo venhamos solucioná-los em ocasião adequada, recebendo por filhos e associados do destino, entre as fronteiras domésticas, todos aqueles que constituímos credores de nosso amor e de nossa renúncia, atravessando, muitas vezes, padecimentos inomináveis para assegurar-lhes o refazimento preciso.

Por misericórdia, dificilmente se recordam dos acontecimentos desagradáveis do passado, em função do véu do esquecimento, embora a manifestação de antipatias, desconfianças, ódios e ciúmes, a ponto de ocorrerem separações, perseguições e mortes. Na maioria dos casos a ligação é circunstancial. Basta reparar que numa família muitos estão ligados no plano físico, mas dissociados no plano espiritual.

A família consanguínea é o centro essencial dos nossos reflexos e todos os lares, com raras exceções, estão visitados hoje por desafios múltiplos. Cada membro familiar é um espírito com as suas dificuldades. Agora, vamos entender que quando nós usamos a expressão "dentro de casa" não nos referimos unicamente aos indivíduos circunscritos às paredes do lar, mas é uma referência que engloba aqueles grupos que estão mais próximos de nós durante a nossa vida inteira. Deu para perceber? O ambiente em que nos ajustamos constitui-se sempre em reflexo de nossas necessidades íntimas, pois tudo o que nos ocorre se dá em conformidade às nossas carências pessoais.

O grupo mais próximo é a representação direta de nossas necessidades essenciais e de nossos potenciais também, que estão emergentes para o nosso crescimento. É por isso que quando eu vivo em um ambiente familiar e reclamo da minha família eu estou dando um atestado, ao reclamar, da minha incompetência informativa. Porque a família, vamos repetir, de algum modo é um ambiente, é um meio que expressa a nossa necessidade, seja direta ou indireta.

No mecanismo dinâmico da aprendizagem os fatos, as pessoas e as circunstâncias menos felizes que nos alcançam, não constituem o problema, mas são apenas instrumentos que levantam a poeira, visam despertar o problema.

E quando o assunto é família muitos chegam a dizer que é mais fácil conviver com estranhos do que com parentes. Como vimos, em se tratando de lar o parâmetro é mais ampliado, estende-se a chefes de serviço, companheiros de atividades e pessoas diversas com as quais somos obrigados, pelas circunstâncias que se apresentam, a interagir. E o interessante disso é que é inútil a fuga dos credores que respiram conosco sob o mesmo teto, porque o tempo invariavelmente nos aguardará, implacável, constrangendo-nos à liquidação de todos os compromissos. 

Inúmeros indivíduos saem de casa diariamente e vão para as igrejas, para os núcleos espirituais diversos, para aprenderem que o lugar deles é em casa. Não precisamos ir longe, basta nos lembrarmos do que Jesus disse aos seus discípulos por ocasião da multiplicação dos pães: "Se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe." (Marcos 8:3) Dentro de nossas necessidades imediatas cada criatura vai a Jesus para se abastecer e voltar para sua casa.

É nas dificuldades provadas em comum, nas dores e nas experiências recebidas na mesma estrada de evolução redentora, que se olvidam as amarguras do passado longínquo, transformando-se todos os sentimentos inferiores em expressões regeneradas e santificantes. Os pais humanos recebem, muitas vezes, no instituto doméstico, por filhos e filhas, aqueles mesmos laços do passado, com os quais atendem ao resgate de antigas contas, purificando emoções, renovando impulsos, partilhando compromissos ou aprimorando relações afetivas de alma para alma. Os pais da terra não são criadores e, sim, zeladores das almas, que Deus lhes confia no sagrado instituto da família.

No âmbito familiar, os inimigos, nem sempre manifestos ostensivamente, agem e regam de modo a impedir, ainda que inconscientemente, que vivamos como gostaríamos, que sejamos compreendidos e amados. Nessa situação, se soubermos administrar com humildade e paciência, e embasados no conhecimento que ora detemos, a dificuldade será reduzida, quando não desativada.

Nós temos uma família terrena, carnal e que, por sua vez, nem sempre se liga pela afinidade. Para ser sincero, é difícil encontrarmos num lar indivíduos ligados em mesma pauta vibratória. Exemplo disto é que, não raro, durante o desprendimento temporário do espírito, por ocasião do sono físico, cada qual vai para determinado lugar. Logo, o confronto é lei no plano corpóreo e é componente fundamental e indutor do progresso. Mas uma coisa é fundamental para a gente ter em conta: o lar, de fato, é o centro que vai nos requerer sacrifício, mas também é, dentro de uma convivência positiva, um ambiente preparatório do espírito para ele poder lidar com todos os outros espíritos.

Ele é o ponto de onde vamos começar a partir para âmbitos de relações maiores. Pense comigo, se eu não consigo estabelecer um processo de convivência com quem convivo vinte e quatro horas por dia, como vou estabelecer uma associação vibratória com quem não conheço? Isso é coisa para pensar.

Sabe aquela passagem do evangelho em que alguém chamou Jesus porque a sua família estava do lado de fora e queria falar-lhe? Lembra-se? E o que ele respondeu a quem lhe falara? "Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; porque, qualquer que fizer a vontade de meu pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe". Fantástica esta colocação. Para quem prescinde de conhecimento espiritual Jesus estava se desfazendo da família, todavia, para quem já possui certo conhecimento, Jesus estava ampliando a família.

Verifica-se o abandono de uma verdade menor para a aceitação de uma maior. O lar continua sendo o núcleo, só que o que acontece é que o lar vai ter suas paredes derribadas para que ele se amplie. O lar de Jesus não se circunscrevia a Nazaré. Quando rezamos a oração do "pai nosso" a nossa família se dilata, ultrapassando as fronteiras, aquelas limitações do lar. Projetando-nos para fora dos aspectos familiares convencionais passamos a inter-relacionar no piso das dimensões vibratórias. E note que ao dizer "qualquer que fizer a vontade de meu pai" ele não faz distinção. Está ao alcance de todos, não é o participante deste ou daquele grupo religioso, dessa ou daquela filosofia, é qualquer.

Em suma, no plano espiritual os espíritos encontram-se pela afinidade, ligam-se por ela. A afinidade é lei no plano espiritual. No plano extra físico o grupo familiar obedece à afinidade, onde o liame é espontâneo. Todos temos uma família espiritual que existe e se multiplica, estejamos encarnados ou desencarnados.

Essa família é universal, onde Deus é Pai e nós somos irmãos uns dos outros, e que irá se afirmando pela sintonia, pela afinidade que se estabelece entre os seus participantes.

12 de abr de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 1


A FRATERNIDADE

“PORTANTO, VÓS ORAREIS ASSIM: PAI NOSSO, QUE ESTÁS NOS CÉUS, SANTIFICADO SEJA O TEU NOME;” MATEUS 6:9

Embora muitos insistam em não admitir, a natureza, sujeitando todos os seres humanos às mesmas necessidades e à contingência iniludível do nascimento e da morte estabelece, de forma precisa e categórica, a igualdade humana.

É que da paternidade de Deus decorre a fraternidade e a igualdade dos homens. Pense para você ver, sem igualdade não há justiça e sem fraternidade não há misericórdia. Nós já crescemos trazendo dentro de nós essa ascendência paterna, esse sentimento instintivo de que somos frutos da realidade divina. Agora, fraternidade e igualdade no âmbito terrestre merecem uma distinção de conceito, uma vez que a igualdade absoluta é impossível em razão da heterogeneidade de tendências, sentimentos e posições evolutivas dos seres.

A novidade do ensino de Jesus àquela época era o princípio de que todos os homens são filhos de Deus, portanto, tem a mesma origem. E a consequência dessa paternidade divina é a fraternidade humana, isto é, todos os homens são irmãos.

São inumeráveis os companheiros de jornada terrena que despendem todos os esforços na busca de títulos transitórios, quando nos dias atuais o título de irmão deveria representar o único de efetivamente nos orgulharmos. Irmão define para nós a expressão daquele sentimento que caracteriza o verdadeiro amor. Claro, onde não há amor não há irmãos, ninguém pode ser irmão de outro sem o amar. E quem ama está pondo em execução o mandamento primordial corporificado no Cristo. Devemos nos amar reciprocamente, agindo em tudo segundo a lei de solidariedade. A isso nominamos fraternidade e a fraternidade estabelece uma nova expressão no íntimo das criaturas. Veja só, o amor universal se embasa no amor egoísta que já tivemos. Assim, se muito erramos no passado, disputando o amor dos outros, corrigimo-nos e acertamos o passo quando procuramos amar, entendendo cada qual como se apresenta.

A fraternidade, amor sublime de irmão, é a lei da assistência mútua e da solidariedade comum, sem a qual todo progresso no planeta seria impossível. Repare que na oração do "pai nosso", depois de Deus a humanidade deve ser o tema básico de nossas vidas. Porque sem o amor a Deus e a humanidade não daremos passos de edificação e tampouco estaremos suficientemente seguros na oração.

Jesus Cristo, o filho por excelência, não se restringiu a pedir somente para si. Se ele veio e conviveu conosco ele tem uma fraternidade ampla conosco e é preciso acionarmos nossa proposta pessoal num plano universalizado. O entendimento fraterno precede qualquer trabalho salvacionista e toda caridade, para ser divina, precisa apoiar-se na fraternidade. E como traduzir fraternidade, senão como cooperação sincera e legítima em todos os trabalhos. Em toda cooperação verdadeira o personalismo não pode existir, porque quem coopera cede sempre alguma coisa de si, dando o testemunho de sua abnegação, e sem isto a fraternidade não se manifestaria no mundo de modo algum.

Se desejamos recolher amor e paciência nas manifestações do próximo saibamos distribuí-los com todos aqueles que nos partilham a marcha. Para isso nós temos a amizade que envolve o circuito de valores de ordem afetiva, propicia uma corrente de afetividade e quebra a resistência entre os seres. Todos nós, sem exceção, suspiramos por novas e verdadeiras amizades e o que devemos fazer para termos amigos? Se rogamos por afetos marcados de altos valores é indispensável começarmos a ser para os outros o amigo ideal: tornarmo-nos interessados pelos semelhantes, entendê-los nos patamares em que se encontram e aprender a amá-los, e aguardar a oportunidade de fazer algo por eles, algo que estivermos certos de que eles gostariam que fosse feito.

O homem comumente deturpa o preceito do amor "ao próximo como a ti mesmo". Como? Amando-se em primeiro lugar, óbvio, mas não só isso, amando-se com exclusividade, e daí isolando-se do pai celestial e dos seus irmãos.

Nota-se que apesar da clareza doutrinária, são grandes as dificuldades das criaturas em tornar acessível à mente e ao coração a ideia da fraternidade. A indiferença dos homens em relação a ela é porque as criaturas, de um modo geral, ainda tem muito daquela coisa de tribo, ficam, ainda, encarceradas nos instintos propriamente humanos, naquelas lutas sem sentido por posições e aquisições, centrados num egoísmo feroz, como se guardassem consigo, de forma indefinida, as heranças pretéritas da vida animal. Todavia, após a eclosão desses entusiasmos transitórios fica sempre o gosto da inutilidade no íntimo dos espíritos desiludidos com a precária hegemonia do mundo, instante em que a alma experimenta dilatação das tendências profundas para o mais alto.

O que vou dizer agora não tem nada de exagero ou de radicalismo, é só a pura verdade: nosso amor ainda está muito preso ao ser amado. Muita gente infelizmente espera o amor alheio para poder amar. De fato, em grande parte da existência temos lutado com o amor discriminatório. Concorda comigo? Em nome de uma paixão ou de um amor fechado nós somos capazes de marginalizar o interesse dos outros e até mesmo de prejudicar os outros. Estou errado?

Repare a questão com um pouco de profundidade. Muitas vezes nós achamos que amamos muito uma pessoa, quando na verdade nós não amamos nada, só estamos cultivando interesse. Amamos em função do que ela nos proporciona. Não dá para esconder isso, muito do nosso amor se baseia em relações mercantilistas, de puro interesse. Quer ver um exemplo? Sabe quando alguém dá um abraço daqueles numa outra pessoa? Não estamos generalizando que não exista uma afetividade genuína, mas em muitos casos essa empolgação é para segurar a pessoa abraçada do lado dela para poder utilizá-la amanhã. Percebeu? Isso se dá porque na verdade costumamos ter essa expansividade toda de cumprimento diante de determinados quadros em que temos algo a tirar dessa relação. Ou será que eu estou exagerando e esse abraço nós damos porque objetivamos transferir afetividades e recursos para essa criatura? O que você acha? O que sabemos é que na hora em que a gente abraça alguém que está sofrendo ou que está com alguma necessidade nós costumamos apenas dar aquele tapinha no ombro: "Olha, fica com Deus, vai em paz. Jesus te ampare".

A carência de certa forma é aquele reconhecimento da necessidade de algo. Surge quando sentimos que a vida não está nos dando a resposta que a gente quer, que a gente gostaria, e nos mostra que não estamos sabendo entender o mecanismo do amor, a mensagem de Jesus. Tem pessoas que conviveram, às vezes, dez, vinte, trinta anos, ou até mesmo a vida inteira ao lado de outras, para descobrirem depois, em dado momento, que estavam sozinhas o tempo todo.

Tem muita gente assim, acha que está acompanhada, mas no fundo está é engodada por circunstantes. Não engodada no sentido de envolvida, mas em razão da própria deficiência dos elementos outros em amar e saber sustentar esse amor. É por isso que sabemos que a solidariedade é um sistema de abertura no campo do oferecimento, no campo da integração. Não há dúvida alguma, se você se sente só seja solidário que com certeza você vai vencer muita coisa. Estamos investindo no evangelho para esperar com segurança momentos mais felizes. É o que falamos sempre: se está sem amor, com o coração desolado, ame mais, doe-se mais, que o ser amado chega em seu devido tempo.

Deus está em nós. Não deve ser difícil aceitar esta questão e compreender que assim como ele está em nós está também nos semelhantes. A melhor forma de acabar com a solidão é sendo solidário. Inúmeros companheiros já são capazes de transpor os interesses egoísticos sacrificando-se num trabalho de base e criando novas condições de vida mental. O meu amor próprio precisa ceder lugar ao plano de solidariedade, por meio do desafio de operacionalizar valores já embutidos na interioridade para a faixa aplicativa da solidariedade, visando um amparo proveitoso, um concurso edificante. Afinal, ninguém guarde a presunção de elevar-se sem o auxílio dos outros, embora não deva buscar a condição parasitária para a ascensão. Os que aprendem alguma coisa se valem dos outros que já passaram, além do que não seguem além se lhes falta o interesse dos contemporâneos, ainda que mínimo. 

Ninguém permanece abandonado em tempo ou lugar algum.  Os mensageiros de Jesus socorrem sempre nas estradas mais desertas. O que é necessário é que a individualidade aceite a sua condição de necessidade e não despreze o ato de aprender de forma humilde.

Pense no seguinte: a árvore que plantas produzirá não apenas para a tua fome, mas para socorrer as necessidades de muitos. A luz que acendes clareará o caminho não só para os teus pés, mas igualmente para viajores que seguem a teu lado. Mesmo o materialista exclusivista, que se julga sem ninguém, está vivendo para o dinheiro ou para as utilidades que restituirá a outras vidas, superiores ou inferiores, para as quais a morte lhe arrebatará o tesouro.

O manto protetor do amor não agasalha só os filhos como a galinha agasalha os pintinhos. Auto-aperfeiçoamento centrado apenas no egocentrismo não produz evolução, apenas enclausura. Nós estamos saindo dos planos acanhados da conveniência para abranger um trabalho na ordem da humanidade.

O evangelho é vida e não há como cercear a vida. Tem jeito? Não, não tem. Vida, pelo que sabemos, não é bloquear, prender, e sim expandir. Temos que aderir ao evangelho na piedade, no entendimento e na caridade, porque vai ser muito difícil trabalhar e operar no bem dentro de um sentido individualista. Sem abrir o contexto nós sempre vamos encontrar algo no caminho para nos aborrecer.

O objetivo fundamental da evolução é o amor e o amor é unicamente aquilo que sai de dentro para fora. Logo, o processo é abrir, é preciso que o nosso amor saia de um plano específico para um plano mais ampliado. Nós estamos aqui neste estudo nos candidatando a lidar com pessoas, ou não é isso que estamos fazendo? Estamos engajados nesse processo, alguns no campo profissional, outros no âmbito familiar, outros nos terrenos sociais. Estamos aprendendo a lidar. E somente vivendo determinadas experiências com mais aprofundamento é que nós passamos a nos entender melhor. Porque se não tivermos uma abertura nesse particular nós vamos ficar sempre debaixo do jugo da aflição, debaixo do jugo, porque não dizer, da inconformação e das dificuldades.

7 de abr de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 9 - Final


SENTIDO VERTICAL

Se nós não podíamos ir ter com o salvador em sua posição sublime, o que ele fez? O que a misericórdia faz, o mestre e amigo veio até nós, apagando temporariamente a sua auréola de luz para beneficiar-nos sem traço algum de sensacionalismo.

Trata-se de lição sublime para aprendermos: o testemunho se processa na linha vertical, ele se faz de cima para baixo. Aqueles que estão num patamar são instrumentos de outros em outro patamar, sob a tutela de quem os dirige. Repare que Jesus testemunhou de Deus a nosso favor e nós testemunhamos de Jesus junto aos homens, em favor dos homens. O nosso trabalho é feito de onde estamos para baixo, com quem se encontra, em tese, em situação de carência maior que a nossa, numa linha de adequação junto àqueles mais necessitados.

Isso tem que ser notado, o nosso trabalho é junto das escalas de nosso nível para baixo. Porque aí a nossa verdade e a nossa fidelidade é ampla. Então, não se inquiete se você acha que tem pouca luz para ajudar, lembre-se que onde estamos é céu para quem está embaixo. Nós conhecemos ângulos que eles não conhecem.

Temos que nos lançar no campo informativo da personalidade, continuar trabalhando e operar no campo fixador dessa aprendizagem. A luz se engrandece é diante da escuridão, e o bem diante da insinuação, embora relativa, do mau. Situações do cotidiano nos mostram que não haveria mestre sem a existência do discípulo, que não teríamos ótimos médicos sem os doentes, nem bons profissionais sem os territórios específicos para as operações correspondentes, ainda carecedores da ação deles. Por essa razão, se fazemos luz em nós mesmos, ou se ascendemos em alguma atividade ou segmento da vida, seja qual for, preparemo-nos. Sem contar que nessa experiência de descer de Jesus aos necessitados nós estamos experimentando a subida.

Verdade seja dita, o testemunho tem nos intimidado muito, tem desencorajado tantos companheiros na caminhada, e sabe por quê? Porque muitos querem exercer um testemunho sem contrariedade e se esquecem que ele sempre se dá junto aos indivíduos em necessidades maiores. O necessitado e o incompreendido é Jesus personificado à nossa frente. Deu para perceber?

É com o faminto que nós estamos trabalhando, não há como testemunharmos junto dos anjos. Imagine o seguinte, para ilustrar: o indivíduo era nervoso, estressava fácil com a mínima circunstância adversa. Cansado, resolve mudar, começa a ler e a aprender a respeito da paciência. Assimila conhecimentos sobre o assunto e vai ter que atestar isso na prática, certo? Para que o padrão novo se torne concreto em sua personalidade ele vai ter que provar, testemunhar. E diante de quem você acha que ele vai ter que provar a conquista da paciência, convivendo ao lado de que tipo de pessoas? Ao lado de monges, de pessoas altamente espiritualizadas? Não, com certeza, não. Provavelmente ao lado de pessoas que são tanto ou mais impacientes do que ele era antes de querer mudar. Então, o que notamos é que esse mecanismo do testemunho é dificílimo, porque quando sós somos testados na capacidade de amar e de aplicar nós costumamos reclamar e entrar num plano de inconformação, razão pela qual jamais prescindamos da compreensão ante aqueles que se desviam do caminho reto e os que tropeçam nas estradas da vida.

O caminho percorrido pelo homem que se ilumina está cheio de individualidades dessa natureza. Deus cerca os passos do sábio com as expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e para que essa mesma luz seja glorificada. Nesse intercâmbio substancialmente divino o ignorante que recebe aprende e o sábio que dá cresce. É assim que funciona. É preciso resplandecer a luz para que a luz brilhe. A treva é a moldura que imprime destaque à luz, e para que o bem se manifeste de forma ampla ele precisa ter uma linha contrária, ou recíproca, em que possa efetivamente operar.

Enquanto o culto armazena conhecimentos o sábio vive-os de forma edificante, promovendo todos aqueles que o cercam. Vamos pensar nisso com carinho. Homem algum dos que passaram pelo planeta alcançou as culminâncias de Jesus Cristo, no entanto, vemo-lo à mesa dos pecadores, dirigindo-se fraternalmente a meretrizes, ministrando o seu testemunho derradeiro entre ladrões.

É imperioso lembrarmos do impositivo da cooperação na estrada de cada ser, pois um sábio não pode esquecer que um dia necessitou aprender com as letras simples do alfabeto. A mente é um caminheiro buscando a meta da angelitude, contudo não avançará sem auxílio, e a Terra é campo onde aferimos a batalha evolutiva. Descer para ajudar é arte divina de quantos alcançaram a vida mais alta. O cordeiro divino desceu para nos ajudar e ninguém sobe para esquecer quem permanece na retaguarda. Se a tua mente já pode alçar vôo mais alto, não te esqueças dos que ficaram no ninho onde nasceste e onde estiveste por longo tempo completando a plumagem. Quem alcança o planalto não pode desconsiderar a planície e o vale onde esteve e de onde saiu.

Além do que, nós, que temos errado tanto nas sombras, poderíamos, acaso, encontrar uma felicidade maior que a de subir alguns degraus no céu para descer, com segurança, aos infernos, de modo a salvar aqueles que mais amamos, perdidos hoje quais nos achávamos ontem, nas furnas da miséria e da morte?

À medida que o espírito avulta em conhecimento mais ele compreende o valor do tempo e das oportunidades que a vida lhe proporciona. A existência do corpo físico é muito breve. Por mais longa que ela seja, diante da vida eterna é sempre um curto período de aprendizagem. Não estamos aqui nos habilitando a um descanso eterno, estamos é nos preparando para um trabalho mais amplo.

Espíritos superiores não descansam, aliás, até pelo contrário, para eles o trabalho é sempre um sinal de alegria e de realização espiritual mais íntima. Se nós ainda ficamos naquela de esperarmos um descanso eterno depois da morte, puxa vida, nós estamos muito mal informados. Dizem os espíritos evoluídos que descansar mesmo o espírito só descansa quando está no ventre materno.

3 de abr de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 8


O TESTEMUNHO

“BEM AVENTURADO AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS; PORQUE O TEMPO ESTÁ PRÓXIMO”. APOCALIPSE 1:3

O testemunho para nós é alguma coisa de extrema relevância, da maior transcendência.

E para início de conversa, o que é testemunha? A testemunha é  uma referência àquela criatura que é chamada a depor, a dar prova, a atestar a verdade de um fato que ela viu ou ouviu. Sendo assim, testemunhar equivale a confirmar, comprovar, demonstrar.

E interessante é que na acepção mais profunda da palavra apresenta aquela posição nossa que não tem um sentido puramente oral, mas um sentido de vida. A individualidade não é apenas convidada, ela é convocada a testemunhar algo que, em tese, ela viu. É mesmo no sentido de afirmar, declarar e certificar, dentro de um contingente de informações e de segurança aplicativa, o esclarecimento que essa individualidade já possui, já apresenta e conquistou.

Então, não dá para ficar desatento. Cada vez que as circunstâncias nos induzem a ouvir as verdades do evangelho não podemos ficar nessa de achar que o acaso está por trás de semelhantes eventos. Isto ocorre para que nos informemos quanto ao próprio caminho a seguir, e em breve espaço de tempo seremos naturalmente chamados pela vida para testemunhar, cientificar e afirmar, e esse testemunho tem que ser dado sempre sob uma postura puramente pessoal.

Quando a gente conhece intelectivamente a gente visualiza e quando vive testemunha.

Aquilo que nós estamos vendo, e não praticando, é o que o outro faz e nós não fazemos ainda, porque nos mantemos apenas teorizados. Se nós não testemunhamos nós ficamos retidos naquela faixa teorizada, permanecemos naquela linha periférica da necessidade operacional. E aquele que de algum modo não se empenha a benefício dos companheiros à sua volta apenas conhece as lições do alto nos círculos da palavra. É o que acontece demais da conta.

Por exemplo, eu posso perfeitamente sair de uma reunião espiritual, ou desligar o computador após ter estudado um capítulo inteiro ou apenas algumas partes deste blog, motivado a colocar em prática os ensinamentos e, no entanto, não fazer nada. O que não posso é esquecer que a legítima interpretação do evangelho se faz mediante a dinâmica prática, pois pelo conhecimento nós visualizamos e pela vivência nós damos o nosso testemunho.

Aí você pode perguntar porque temos que testemunhar. Não pode? Uma pergunta interessante, tendo em vista que estamos na época dos porquês. A  resposta é simples, não há como nos projetarmos de forma consciente para as conquistas maiores do crescimento espiritual sem a vivência do testemunho. Porque todos os valores recebidos por nós sob o ângulo da informação, e posicionados no plano superior da vida, apenas se incorporam a nós, à nossa estrutura intrínseca, em um plano de sedimentação, mediante o grau de testemunho, por meio de uma linha dinâmica e operacional de aplicabilidade diária.

Somente o testemunho é capaz de criar um processo de fixação entre aquilo que a individualidade ouviu e aquilo que, no campo intrínseco, ela está vendo, está percebendo com clareza. Está dando para acompanhar? Sem a vivência dos valores você não tem conhecimento, você tem pseudo-conhecimento, e o que projeta o ser não é a informação, o que projeta é a formação dos caracteres novos.

Somente depois que a gente ouve e vê é que vamos encontrar segurança através do testemunho. Por esse motivo a capacidade nossa de recolher pela linha vertical o que dimana de cima vai depender da nossa inteligência, da disposição e do nosso espírito de sacrifício em dinamizar o padrão recebido na horizontalidade da ação. O sistema é por aí. E como diz o apocalipse, nós temos que fazê-lo "porque o tempo está próximo". E a postura de cada criatura é que constitui o fator que determina a maior ou menor proximidade do tempo.

O testemunho é dado pela postura pessoal, não por uma declaração pública. É preciso coragem e ousadia, toda mudança de vida que propomos materializar exige certo percentual de testemunho. Testemunhar o Cristo é ter coragem de viver dentro de um processo realizador consoante aquilo que a intuição e o conhecimento teórico propõe, e nessa ocasião sempre nos achamos sozinhos com as nossas aquisições íntimas. O testemunho apresenta um exercício de capacidade aferidora.

Não estamos fazendo luz em nós para nada, não podemos esquecer que se o Senhor nos chamou é porque já nos considera dignos de testemunhar. Por isso, é necessário fazermos calar a nossa voz de pouca confiança na sabedoria que nos rege os destinos e lembrarmos a nossa condição de servos de Deus, para bem lhe atendermos ao chamado, seja nas horas de tranquilidade ou nas horas de sofrimento.

Nós estamos trabalhando na aferição da conquista, não mais no despertar do conhecimento. Não estamos mais baseados no Jesus revelador do ensinamento, embora ele se mantenha sempre presente, mas acima de tudo estamos com o Jesus aferidor da conquista. Esse testemunho é algo vivenciado em cima dos próprios movimentos da consciência do ser. Em tantas ocasiões ele é feito sem estardalhaço, de forma discreta, silenciosa, velada e materializa-se de forma isolada na intimidade da alma. E essencial mesmo é fixarmos em nós os ensinamentos através da vivência diária a todo instante, principalmente quando chamados a agir em situações adversas, onde nos é exigido grandeza moral diante de vícios e imperfeições daqueles que nos são caros.

Nem tudo são flores na caminhada. Sabendo disto, Jesus foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos. Toda criatura tem o seu testemunho individual no caminho da vida e normalmente essa testemunha apresenta um espírito de sacrifício. Ninguém está dizendo que é fácil e muitas vezes o progresso aparente dos ímpios desencoraja o fervor daquelas almas tíbias.

Agora, as preocupações superficiais do mundo chegam, educam e passam, mas a experiência religiosa permanece, e a vitória do seguidor de Jesus quase sempre se alicerça no lado inverso dos triunfos humanos, é o lado oculto e anônimo.

Essa vitória com o evangelho é tão grande que o mundo não a proporciona e nem pode subtraí-la, é o testemunho da própria consciência, transformada em templo do Cristo vivo.

Uma das maiores virtudes do discípulo é a de estar sempre pronto ao chamado da providência divina, não importa onde e nem como seja o testemunho. Para isso, temos que revelar a nossa união com Deus em todas as circunstâncias, porque acima de todas as felicidades transitórias do mundo é preciso ser fiel ao evangelho. Saibamos sofrer na hora dolorosa, pois é fácil demais provar a fidelidade e a confiança na misericórdia divina nos dias de calma. Imperioso é manter a dedicação verdadeira nas horas difíceis, em que tudo parece contrariar e perecer. Deus é grande. Tenhamos fé e saibamos usar a fé.

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