3 de abr de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 8


O TESTEMUNHO

“BEM AVENTURADO AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS; PORQUE O TEMPO ESTÁ PRÓXIMO”. APOCALIPSE 1:3

O testemunho para nós é alguma coisa de extrema relevância, da maior transcendência.

E para início de conversa, o que é testemunha? A testemunha é  uma referência àquela criatura que é chamada a depor, a dar prova, a atestar a verdade de um fato que ela viu ou ouviu. Sendo assim, testemunhar equivale a confirmar, comprovar, demonstrar.

E interessante é que na acepção mais profunda da palavra apresenta aquela posição nossa que não tem um sentido puramente oral, mas um sentido de vida. A individualidade não é apenas convidada, ela é convocada a testemunhar algo que, em tese, ela viu. É mesmo no sentido de afirmar, declarar e certificar, dentro de um contingente de informações e de segurança aplicativa, o esclarecimento que essa individualidade já possui, já apresenta e conquistou.

Então, não dá para ficar desatento. Cada vez que as circunstâncias nos induzem a ouvir as verdades do evangelho não podemos ficar nessa de achar que o acaso está por trás de semelhantes eventos. Isto ocorre para que nos informemos quanto ao próprio caminho a seguir, e em breve espaço de tempo seremos naturalmente chamados pela vida para testemunhar, cientificar e afirmar, e esse testemunho tem que ser dado sempre sob uma postura puramente pessoal.

Quando a gente conhece intelectivamente a gente visualiza e quando vive testemunha.

Aquilo que nós estamos vendo, e não praticando, é o que o outro faz e nós não fazemos ainda, porque nos mantemos apenas teorizados. Se nós não testemunhamos nós ficamos retidos naquela faixa teorizada, permanecemos naquela linha periférica da necessidade operacional. E aquele que de algum modo não se empenha a benefício dos companheiros à sua volta apenas conhece as lições do alto nos círculos da palavra. É o que acontece demais da conta.

Por exemplo, eu posso perfeitamente sair de uma reunião espiritual, ou desligar o computador após ter estudado um capítulo inteiro ou apenas algumas partes deste blog, motivado a colocar em prática os ensinamentos e, no entanto, não fazer nada. O que não posso é esquecer que a legítima interpretação do evangelho se faz mediante a dinâmica prática, pois pelo conhecimento nós visualizamos e pela vivência nós damos o nosso testemunho.

Aí você pode perguntar porque temos que testemunhar. Não pode? Uma pergunta interessante, tendo em vista que estamos na época dos porquês. A  resposta é simples, não há como nos projetarmos de forma consciente para as conquistas maiores do crescimento espiritual sem a vivência do testemunho. Porque todos os valores recebidos por nós sob o ângulo da informação, e posicionados no plano superior da vida, apenas se incorporam a nós, à nossa estrutura intrínseca, em um plano de sedimentação, mediante o grau de testemunho, por meio de uma linha dinâmica e operacional de aplicabilidade diária.

Somente o testemunho é capaz de criar um processo de fixação entre aquilo que a individualidade ouviu e aquilo que, no campo intrínseco, ela está vendo, está percebendo com clareza. Está dando para acompanhar? Sem a vivência dos valores você não tem conhecimento, você tem pseudo-conhecimento, e o que projeta o ser não é a informação, o que projeta é a formação dos caracteres novos.

Somente depois que a gente ouve e vê é que vamos encontrar segurança através do testemunho. Por esse motivo a capacidade nossa de recolher pela linha vertical o que dimana de cima vai depender da nossa inteligência, da disposição e do nosso espírito de sacrifício em dinamizar o padrão recebido na horizontalidade da ação. O sistema é por aí. E como diz o apocalipse, nós temos que fazê-lo "porque o tempo está próximo". E a postura de cada criatura é que constitui o fator que determina a maior ou menor proximidade do tempo.

O testemunho é dado pela postura pessoal, não por uma declaração pública. É preciso coragem e ousadia, toda mudança de vida que propomos materializar exige certo percentual de testemunho. Testemunhar o Cristo é ter coragem de viver dentro de um processo realizador consoante aquilo que a intuição e o conhecimento teórico propõe, e nessa ocasião sempre nos achamos sozinhos com as nossas aquisições íntimas. O testemunho apresenta um exercício de capacidade aferidora.

Não estamos fazendo luz em nós para nada, não podemos esquecer que se o Senhor nos chamou é porque já nos considera dignos de testemunhar. Por isso, é necessário fazermos calar a nossa voz de pouca confiança na sabedoria que nos rege os destinos e lembrarmos a nossa condição de servos de Deus, para bem lhe atendermos ao chamado, seja nas horas de tranquilidade ou nas horas de sofrimento.

Nós estamos trabalhando na aferição da conquista, não mais no despertar do conhecimento. Não estamos mais baseados no Jesus revelador do ensinamento, embora ele se mantenha sempre presente, mas acima de tudo estamos com o Jesus aferidor da conquista. Esse testemunho é algo vivenciado em cima dos próprios movimentos da consciência do ser. Em tantas ocasiões ele é feito sem estardalhaço, de forma discreta, silenciosa, velada e materializa-se de forma isolada na intimidade da alma. E essencial mesmo é fixarmos em nós os ensinamentos através da vivência diária a todo instante, principalmente quando chamados a agir em situações adversas, onde nos é exigido grandeza moral diante de vícios e imperfeições daqueles que nos são caros.

Nem tudo são flores na caminhada. Sabendo disto, Jesus foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos. Toda criatura tem o seu testemunho individual no caminho da vida e normalmente essa testemunha apresenta um espírito de sacrifício. Ninguém está dizendo que é fácil e muitas vezes o progresso aparente dos ímpios desencoraja o fervor daquelas almas tíbias.

Agora, as preocupações superficiais do mundo chegam, educam e passam, mas a experiência religiosa permanece, e a vitória do seguidor de Jesus quase sempre se alicerça no lado inverso dos triunfos humanos, é o lado oculto e anônimo.

Essa vitória com o evangelho é tão grande que o mundo não a proporciona e nem pode subtraí-la, é o testemunho da própria consciência, transformada em templo do Cristo vivo.

Uma das maiores virtudes do discípulo é a de estar sempre pronto ao chamado da providência divina, não importa onde e nem como seja o testemunho. Para isso, temos que revelar a nossa união com Deus em todas as circunstâncias, porque acima de todas as felicidades transitórias do mundo é preciso ser fiel ao evangelho. Saibamos sofrer na hora dolorosa, pois é fácil demais provar a fidelidade e a confiança na misericórdia divina nos dias de calma. Imperioso é manter a dedicação verdadeira nas horas difíceis, em que tudo parece contrariar e perecer. Deus é grande. Tenhamos fé e saibamos usar a fé.

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