7 de abr de 2013

Cap 33 - A Conversão (2ª edição) - Parte 9 - Final


SENTIDO VERTICAL

Se nós não podíamos ir ter com o salvador em sua posição sublime, o que ele fez? O que a misericórdia faz, o mestre e amigo veio até nós, apagando temporariamente a sua auréola de luz para beneficiar-nos sem traço algum de sensacionalismo.

Trata-se de lição sublime para aprendermos: o testemunho se processa na linha vertical, ele se faz de cima para baixo. Aqueles que estão num patamar são instrumentos de outros em outro patamar, sob a tutela de quem os dirige. Repare que Jesus testemunhou de Deus a nosso favor e nós testemunhamos de Jesus junto aos homens, em favor dos homens. O nosso trabalho é feito de onde estamos para baixo, com quem se encontra, em tese, em situação de carência maior que a nossa, numa linha de adequação junto àqueles mais necessitados.

Isso tem que ser notado, o nosso trabalho é junto das escalas de nosso nível para baixo. Porque aí a nossa verdade e a nossa fidelidade é ampla. Então, não se inquiete se você acha que tem pouca luz para ajudar, lembre-se que onde estamos é céu para quem está embaixo. Nós conhecemos ângulos que eles não conhecem.

Temos que nos lançar no campo informativo da personalidade, continuar trabalhando e operar no campo fixador dessa aprendizagem. A luz se engrandece é diante da escuridão, e o bem diante da insinuação, embora relativa, do mau. Situações do cotidiano nos mostram que não haveria mestre sem a existência do discípulo, que não teríamos ótimos médicos sem os doentes, nem bons profissionais sem os territórios específicos para as operações correspondentes, ainda carecedores da ação deles. Por essa razão, se fazemos luz em nós mesmos, ou se ascendemos em alguma atividade ou segmento da vida, seja qual for, preparemo-nos. Sem contar que nessa experiência de descer de Jesus aos necessitados nós estamos experimentando a subida.

Verdade seja dita, o testemunho tem nos intimidado muito, tem desencorajado tantos companheiros na caminhada, e sabe por quê? Porque muitos querem exercer um testemunho sem contrariedade e se esquecem que ele sempre se dá junto aos indivíduos em necessidades maiores. O necessitado e o incompreendido é Jesus personificado à nossa frente. Deu para perceber?

É com o faminto que nós estamos trabalhando, não há como testemunharmos junto dos anjos. Imagine o seguinte, para ilustrar: o indivíduo era nervoso, estressava fácil com a mínima circunstância adversa. Cansado, resolve mudar, começa a ler e a aprender a respeito da paciência. Assimila conhecimentos sobre o assunto e vai ter que atestar isso na prática, certo? Para que o padrão novo se torne concreto em sua personalidade ele vai ter que provar, testemunhar. E diante de quem você acha que ele vai ter que provar a conquista da paciência, convivendo ao lado de que tipo de pessoas? Ao lado de monges, de pessoas altamente espiritualizadas? Não, com certeza, não. Provavelmente ao lado de pessoas que são tanto ou mais impacientes do que ele era antes de querer mudar. Então, o que notamos é que esse mecanismo do testemunho é dificílimo, porque quando sós somos testados na capacidade de amar e de aplicar nós costumamos reclamar e entrar num plano de inconformação, razão pela qual jamais prescindamos da compreensão ante aqueles que se desviam do caminho reto e os que tropeçam nas estradas da vida.

O caminho percorrido pelo homem que se ilumina está cheio de individualidades dessa natureza. Deus cerca os passos do sábio com as expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e para que essa mesma luz seja glorificada. Nesse intercâmbio substancialmente divino o ignorante que recebe aprende e o sábio que dá cresce. É assim que funciona. É preciso resplandecer a luz para que a luz brilhe. A treva é a moldura que imprime destaque à luz, e para que o bem se manifeste de forma ampla ele precisa ter uma linha contrária, ou recíproca, em que possa efetivamente operar.

Enquanto o culto armazena conhecimentos o sábio vive-os de forma edificante, promovendo todos aqueles que o cercam. Vamos pensar nisso com carinho. Homem algum dos que passaram pelo planeta alcançou as culminâncias de Jesus Cristo, no entanto, vemo-lo à mesa dos pecadores, dirigindo-se fraternalmente a meretrizes, ministrando o seu testemunho derradeiro entre ladrões.

É imperioso lembrarmos do impositivo da cooperação na estrada de cada ser, pois um sábio não pode esquecer que um dia necessitou aprender com as letras simples do alfabeto. A mente é um caminheiro buscando a meta da angelitude, contudo não avançará sem auxílio, e a Terra é campo onde aferimos a batalha evolutiva. Descer para ajudar é arte divina de quantos alcançaram a vida mais alta. O cordeiro divino desceu para nos ajudar e ninguém sobe para esquecer quem permanece na retaguarda. Se a tua mente já pode alçar vôo mais alto, não te esqueças dos que ficaram no ninho onde nasceste e onde estiveste por longo tempo completando a plumagem. Quem alcança o planalto não pode desconsiderar a planície e o vale onde esteve e de onde saiu.

Além do que, nós, que temos errado tanto nas sombras, poderíamos, acaso, encontrar uma felicidade maior que a de subir alguns degraus no céu para descer, com segurança, aos infernos, de modo a salvar aqueles que mais amamos, perdidos hoje quais nos achávamos ontem, nas furnas da miséria e da morte?

À medida que o espírito avulta em conhecimento mais ele compreende o valor do tempo e das oportunidades que a vida lhe proporciona. A existência do corpo físico é muito breve. Por mais longa que ela seja, diante da vida eterna é sempre um curto período de aprendizagem. Não estamos aqui nos habilitando a um descanso eterno, estamos é nos preparando para um trabalho mais amplo.

Espíritos superiores não descansam, aliás, até pelo contrário, para eles o trabalho é sempre um sinal de alegria e de realização espiritual mais íntima. Se nós ainda ficamos naquela de esperarmos um descanso eterno depois da morte, puxa vida, nós estamos muito mal informados. Dizem os espíritos evoluídos que descansar mesmo o espírito só descansa quando está no ventre materno.

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