16 de abr de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 2


A FAMÍLIA E AS NECESSIDADES

“34NÃO CUIDEIS QUE VIM TRAZER A PAZ À TERRA; NÃO VIM TRAZER A PAZ, MAS A ESPADA; 35PORQUE EU VIM PÔR EM DISSENSÃO O HOMEM CONTRA SEU PAI, E A FILHA CONTRA SUA MÃE, E A NORA CONTRA SUA SOGRA; E ASSIM OS INIMIGOS DO HOMEM SERÃO OS SEUS FAMILIARES.”  MATEUS 10:34-36

“46E, FALANDO ELE À MULTIDÃO, EIS QUE ESTAVAM FORA SUA MÃE E SEUS IRMÃOS, PRETENDENDO FALAR-LHE. 47E DISSE-LHE ALGUÉM: EIS QUE ESTÃO ALI FORA TUA MÃE E TEUS IRMÃOS, QUE QUEREM FALAR-TE. 48PORÉM ELE, RESPONDENDO, DISSE AO QUE LHE FALARA: QUEM É MINHA MÃE? E QUEM SÃO MEUS IRMÃOS? 49E, ESTENDENDO A SUA MÃO PARA OS SEUS DISCÍPULOS, DISSE: EIS AQUI MINHA MÃE E MEUS IRMÃOS; PORQUE, QUALQUER QUE FIZER A VONTADE DE MEU PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS, ESTE É MEU IRMÃO, E IRMÃ E MÃE.” MATEUS 12:46-49

No plano físico em que nos encontramos a equipe doméstica atende à consanguinidade e, geralmente, essas ligações terrenas, de vínculo obrigatório, são transitórias.

Como disse-nos o cordeiro divino, que "os inimigos do homem serão os seus familiares", os liames consanguíneos ficam na maioria das vezes restritos à sua verdadeira função, a união temporária de espíritos geralmente devedores. Assim, a casualidade não se encontra nos laços da parentela, princípios sutis da lei se expressam embutidos nestas ligações. Está certo que preponderam nesse instituto divino os elos do amor, fundidos nas experiências de outras épocas, todavia, aí ocorrem igualmente os ódios e as perseguições do pretérito obscuro, a fim de se transfundirem em solidariedade fraternal, com vistas ao futuro.

Nem sempre os laços de sangue reúnem aquelas almas essencialmente afins. Aliás, frequentemente, o que ocorre é que pela imposição da consanguinidade grandes inimigos de outras épocas são obrigados ao abraço diuturno debaixo do mesmo teto, durante certo tempo, com vistas ao aperfeiçoamento de cada um.

Pessoas que se desentenderam em reencarnações passadas hoje se congregam dentro de uma mesma estrutura familiar, buscando o resgate e a harmonização indispensáveis, diante das leis sábias do criador. Não dá para desconsiderar, se forjamos inquietações e problemas nos outros é justo venhamos solucioná-los em ocasião adequada, recebendo por filhos e associados do destino, entre as fronteiras domésticas, todos aqueles que constituímos credores de nosso amor e de nossa renúncia, atravessando, muitas vezes, padecimentos inomináveis para assegurar-lhes o refazimento preciso.

Por misericórdia, dificilmente se recordam dos acontecimentos desagradáveis do passado, em função do véu do esquecimento, embora a manifestação de antipatias, desconfianças, ódios e ciúmes, a ponto de ocorrerem separações, perseguições e mortes. Na maioria dos casos a ligação é circunstancial. Basta reparar que numa família muitos estão ligados no plano físico, mas dissociados no plano espiritual.

A família consanguínea é o centro essencial dos nossos reflexos e todos os lares, com raras exceções, estão visitados hoje por desafios múltiplos. Cada membro familiar é um espírito com as suas dificuldades. Agora, vamos entender que quando nós usamos a expressão "dentro de casa" não nos referimos unicamente aos indivíduos circunscritos às paredes do lar, mas é uma referência que engloba aqueles grupos que estão mais próximos de nós durante a nossa vida inteira. Deu para perceber? O ambiente em que nos ajustamos constitui-se sempre em reflexo de nossas necessidades íntimas, pois tudo o que nos ocorre se dá em conformidade às nossas carências pessoais.

O grupo mais próximo é a representação direta de nossas necessidades essenciais e de nossos potenciais também, que estão emergentes para o nosso crescimento. É por isso que quando eu vivo em um ambiente familiar e reclamo da minha família eu estou dando um atestado, ao reclamar, da minha incompetência informativa. Porque a família, vamos repetir, de algum modo é um ambiente, é um meio que expressa a nossa necessidade, seja direta ou indireta.

No mecanismo dinâmico da aprendizagem os fatos, as pessoas e as circunstâncias menos felizes que nos alcançam, não constituem o problema, mas são apenas instrumentos que levantam a poeira, visam despertar o problema.

E quando o assunto é família muitos chegam a dizer que é mais fácil conviver com estranhos do que com parentes. Como vimos, em se tratando de lar o parâmetro é mais ampliado, estende-se a chefes de serviço, companheiros de atividades e pessoas diversas com as quais somos obrigados, pelas circunstâncias que se apresentam, a interagir. E o interessante disso é que é inútil a fuga dos credores que respiram conosco sob o mesmo teto, porque o tempo invariavelmente nos aguardará, implacável, constrangendo-nos à liquidação de todos os compromissos. 

Inúmeros indivíduos saem de casa diariamente e vão para as igrejas, para os núcleos espirituais diversos, para aprenderem que o lugar deles é em casa. Não precisamos ir longe, basta nos lembrarmos do que Jesus disse aos seus discípulos por ocasião da multiplicação dos pães: "Se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe." (Marcos 8:3) Dentro de nossas necessidades imediatas cada criatura vai a Jesus para se abastecer e voltar para sua casa.

É nas dificuldades provadas em comum, nas dores e nas experiências recebidas na mesma estrada de evolução redentora, que se olvidam as amarguras do passado longínquo, transformando-se todos os sentimentos inferiores em expressões regeneradas e santificantes. Os pais humanos recebem, muitas vezes, no instituto doméstico, por filhos e filhas, aqueles mesmos laços do passado, com os quais atendem ao resgate de antigas contas, purificando emoções, renovando impulsos, partilhando compromissos ou aprimorando relações afetivas de alma para alma. Os pais da terra não são criadores e, sim, zeladores das almas, que Deus lhes confia no sagrado instituto da família.

No âmbito familiar, os inimigos, nem sempre manifestos ostensivamente, agem e regam de modo a impedir, ainda que inconscientemente, que vivamos como gostaríamos, que sejamos compreendidos e amados. Nessa situação, se soubermos administrar com humildade e paciência, e embasados no conhecimento que ora detemos, a dificuldade será reduzida, quando não desativada.

Nós temos uma família terrena, carnal e que, por sua vez, nem sempre se liga pela afinidade. Para ser sincero, é difícil encontrarmos num lar indivíduos ligados em mesma pauta vibratória. Exemplo disto é que, não raro, durante o desprendimento temporário do espírito, por ocasião do sono físico, cada qual vai para determinado lugar. Logo, o confronto é lei no plano corpóreo e é componente fundamental e indutor do progresso. Mas uma coisa é fundamental para a gente ter em conta: o lar, de fato, é o centro que vai nos requerer sacrifício, mas também é, dentro de uma convivência positiva, um ambiente preparatório do espírito para ele poder lidar com todos os outros espíritos.

Ele é o ponto de onde vamos começar a partir para âmbitos de relações maiores. Pense comigo, se eu não consigo estabelecer um processo de convivência com quem convivo vinte e quatro horas por dia, como vou estabelecer uma associação vibratória com quem não conheço? Isso é coisa para pensar.

Sabe aquela passagem do evangelho em que alguém chamou Jesus porque a sua família estava do lado de fora e queria falar-lhe? Lembra-se? E o que ele respondeu a quem lhe falara? "Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; porque, qualquer que fizer a vontade de meu pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe". Fantástica esta colocação. Para quem prescinde de conhecimento espiritual Jesus estava se desfazendo da família, todavia, para quem já possui certo conhecimento, Jesus estava ampliando a família.

Verifica-se o abandono de uma verdade menor para a aceitação de uma maior. O lar continua sendo o núcleo, só que o que acontece é que o lar vai ter suas paredes derribadas para que ele se amplie. O lar de Jesus não se circunscrevia a Nazaré. Quando rezamos a oração do "pai nosso" a nossa família se dilata, ultrapassando as fronteiras, aquelas limitações do lar. Projetando-nos para fora dos aspectos familiares convencionais passamos a inter-relacionar no piso das dimensões vibratórias. E note que ao dizer "qualquer que fizer a vontade de meu pai" ele não faz distinção. Está ao alcance de todos, não é o participante deste ou daquele grupo religioso, dessa ou daquela filosofia, é qualquer.

Em suma, no plano espiritual os espíritos encontram-se pela afinidade, ligam-se por ela. A afinidade é lei no plano espiritual. No plano extra físico o grupo familiar obedece à afinidade, onde o liame é espontâneo. Todos temos uma família espiritual que existe e se multiplica, estejamos encarnados ou desencarnados.

Essa família é universal, onde Deus é Pai e nós somos irmãos uns dos outros, e que irá se afirmando pela sintonia, pela afinidade que se estabelece entre os seus participantes.

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