27 de abr de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 5


A DIVERSIDADE E O GRUPO MAIOR

Já tivemos a oportunidade de observar que no plano espiritual a linha de aglutinação dos seres se dá em termos de sintonia e afinidade. Mais afinidade que sintonia, para ser mais preciso.

E quando se trata de imersão na vida física a história muda, passa a vigorar uma proposta de acentuada heterogeneidade. Ou seja, aqui embaixo o plano de realização se processa em meio à chamada lei dos contrários, onde a heterogeneidade é que mantém o processo experimental. Ela é uma constante no universo, e porque temos o campo para operar, fazer e auxiliar para crescer, cabe a cada um de nós saber viver vencendo os desafios que chegam, e saber viver com sabedoria junto de todos, sejam parentes difíceis, chefes exigentes ou quaisquer outros com quem nos defrontamos no dia a dia.

Sem heterogeneidade não existe progresso espiritual. Basta reparar que na diversidade está a unidade e que da combinação de sons divergentes resultam melodias sublimes. Se reencarnássemos em ambientes totalmente livres das influências não teríamos condição de progresso, se houvesse uma unicidade vigorante no nosso plano de ação a gente não teria como avançar. Porque o avanço de cada um de nós no contexto da vida é decorrente desse plano diversificado.

Para se ter uma ideia, essa diversificação nos pisos evolucionais é que define a razão do laboratório que é a família. Veja para você ver, se em nossa casa todos os integrantes pensassem de maneira igual a relação não propiciaria frutos positivos e até poderia resultar em certa desagregação. E a gente custa a entender isso. Os pais, vez por outra, ficam apavorados porque seus filhos não pensam exatamente como eles gostariam que pensassem. Nas atividades diversas que todos nós elegemos e participamos a questão não é diferente, nelas vigoram vários fatores que estão conjugados e que constituem a unidade.

Esses múltiplos fatores constituem a razão da nossa vinculação a esses núcleos, e vamos observar que na hora em que penetramos com mais aprofundamento em certas questões aparecem o quê? Diferenças da maior expressão. Não acontece? Alguém apresenta uma ótica em determinado terreno que outro indivíduo tem totalmente diferente. Uma ótica que nunca passou pela cabeça desse segundo, porque ele tinha um outro ângulo de percepção. Todavia, nessas coletividades vigoram caracteres fortes, vigorosos, que mantém a unidade. Entre eles, por exemplo, o desejo de crescer e de aprender. Então, o interessante é que nesses grupos sociais as diferenças vão sendo apuradas na medida em que vai se dando a aproximação no campo da análise.

Você se lembra, na parte anterior, quando demos o exemplo do grupo com trinta e que podemos estar vinculados a três? Pois então, a nossa faixa de investimento é com os três, só que a forma de ajudar os três é trabalhando com os trinta. Na hora em que trabalhamos com os trinta nós passamos a universalizar um caso que nós tínhamos como um caso restrito. Para clarear mais: o caso, na essência, é particular, mas no plano terapêutico ele tem que ser global. 

Para isso temos que possuir uma visão abrangente, ampliada desse sistema, quando saímos do nosso eu, do nosso mundinho fechado, e abrimos o coração para a grande expressão em que se laboram valores da grandeza de Deus em função de todas as pessoas e de todos os seres, indistintamente. Porque ficamos, ainda, presos no plano individualista, não lançamos mão da faixa egocêntrica. Estamos falando de algo importante, pois na hora em que abrimos essa faixa de ação outros valores se integram e encontramos forças para levar a questão adiante. Quando começamos a trabalhar um campo novo na faixa positiva dos acontecimentos é como se nós passássemos a sintonizar com novas luzes.

É interessante observar que se nós participamos de alguma reunião espiritual em que entramos em relação com determinadas frentes superiores, é muito difícil ter apenas um espírito vinculado a esse núcleo, por mais elevado que ele seja.

Como se dá no plano físico a que estamos ajustados, ocorre normalmente no outro plano da vida o agrupamento de espíritos. E no caso da manifestação de uma entidade somente, o que pode ocorrer é que um tenha sido designado para tal. Vamos tentar clarear mais. Quem sabe a história do apóstolo Paulo sabe que ele foi, e é, componente fundamental na irradiação de padrões do evangelho. Mas o trabalho feito não foi elaborado unicamente por ele. E se ele não tivesse tido o concurso de companheiros abnegados como Áquila e Prisca? E se não tivesse tido o auxílio de Ananias? Não é isso? E se não tivesse Gamaliel, lá do Sinédrio? Se não houvesse Abgail, se não tivesse o Estevão? Percebeu?

Sabe porque estamos dizendo isto? É porque a gente acha, tantas vezes, que na elaboração de um projeto ou tarefa alguém pode fazê-lo sozinho. Realizá-lo dissociado da colaboração de outros. Que nada. Todos nós, espíritos encarnados ou desencarnados, estamos conjugados com centenas de outros elementos num fluxo normal. E à medida em que nós, que estamos aqui atrás, conseguimos avançar, a gente começa a receber influências maiores das faixas lá da frente.

Quando Jesus perguntou quem era sua mãe e quem eram seus irmãos,  ele se referia a quê? Ele estava se referindo à precariedade dos laços de sangue e estabelecendo a fórmula do amor, que não deve ficar circunscrita ao ambiente familiar, mas ligada a plano universal, em cujas estradas devemos observar e ajudar fraternalmente a todos os necessitados. Todos, sem exceção, desde os aparentemente mais felizes aos mais desvalidos da sorte. Outra coisa interessante é que quando alguém está ligado ao ponto geratriz do amor, que é Deus, ele aceita as lideranças vigorantes como sendo componentes de evolução no plano didático de harmonia do universo. Está dando para entender?

Às vezes, elegemos uma determinada entidade espiritual como sendo o líder. Vamos pegar o Chico Xavier como exemplo. Ele não tinha o Emmanuel como mentor? Pois, então. E o Emmanuel podia pensar: "Eu, o líder? Coitado!" Deu prá clarear? Inicialmente, ele podia ser o que tinha certas responsabilidades, mas também estava, por sua vez, debaixo de uma tutela maior. É assim o mecanismo. Todos nós estamos. Note que na faixa aplicativa que nos é competente podemos estar liderando inúmeras pessoas que estão nos observando, mas estamos relacionados com núcleos de comando acima de nós, a quem devemos obediência. E a consciência sobre esse mecanismo, o fato de saber que não estamos desamparados em tempo algum, nós dá uma tranquilidade extraordinária. Nos dá, entre outras coisas, aquela capacidade de sermos bons discípulos, pois existe em todo lugar uma cadeia de reflexos. O dia em que desmontar o sistema hierárquico no universo, o universo cai sobre si próprio.

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