30 de abr de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 6


LAÇOS QUE NOS UNEM

As uniões conjugais na Terra, sejam elas legalizadas ou não, não se estabelecem sem vínculos graves no princípio da responsabilidade assumida em comum.

Em tantas ocasiões, por trás do anseio de união conjugal, vibra o passado, através de requisições dos amigos ou inimigos desencarnados. Já parou para pensou nisso? A inquietação afetiva pode expressar escuros labirintos da retaguarda e o matrimônio pode assumir aspectos variados, objetivando múltiplos fins, razão pela qual, ocasionalmente, o homem ou a mulher podem experimentar o casamento terrestre diversas vezes sem encontrar a companhia das almas afins com as quais realizariam a união ideal.

Isso porque, comumente, é preciso resgatar essa ou aquela dívida que contraímos com a energia sexual aplicada de maneira infeliz, ante os princípios de causa e efeito. O assunto envolve uma grande complexidade e grande número de paixões afetivas no mundo correspondem a autênticas obsessões ou psicoses, que só a realidade consegue tratar com êxito. Em casos especiais, em que casais não conseguem se harmonizar com o destino, verifica-se que a separação é um mal menor entre os que possa vir a ocorrer, mas cabe-nos saber que os devedores de hoje voltarão amanhã ao acerto das próprias contas.

O aborto é outra questão de grande abrangência. Já observou, por um ângulo, que o espírito que foi abortado, pode não ter sido por acaso, mas ter havido uma história menos feliz lá atrás? Em geral, ele ocorre pelo recuo inesperado dos pais terrestres, diante de obrigações assumidas ou dos excessos de leviandade e inconsciência criminosa das mães, despreparadas na responsabilidade e compreensão para este ministério divino. Todavia, toda falta pode ser reparada.

As mães que não completaram a obra de amor que o Pai lhes confiou junto dos filhos amados devem ser bastante fortes para recomeçarem os serviços imperfeitos. Quem abandonou os próprios filhos ontem pode afeiçoar-se hoje aos filhos alheios, necessitados de carinho. Uma das razões de existirem tantos casais humanos sem a coroa sagrada dos filhos é porque anularam no passado as próprias faculdades geradoras. Quando não procederam de semelhante modo no presente, sequiosos da satisfação egoísta, agiram assim no passado, determinando sérias anomalias na organização psíquica que lhes é peculiar. Em tantos casos, experimentam dolorosos períodos de solidão e sede afetiva, até que refaçam, dignamente, o patrimônio de veneração que nós devemos às leis de Deus.

Em todas as ocasiões, quando alguém abusa de uma função volta a vivenciá-la a fim de recuperá-la, mediante processos limitadores, inibitórios ou castradores.

Na Terra, é vulgar a fixação do assunto sexo ao equipamento genital do homem e da mulher. Embora Sigmund Freud haja definido o objetivo do impulso sexual como a procura de prazer, a assertiva é respeitável, em se nos reportando às experiências primárias do espírito, no mundo físico, porém é indispensável dilatar a definição para arredá-la do campo erótico em que foi circunscrita.

Considerando-se o incessante progresso dos homens, na busca da felicidade, os ideais lentamente vão suprindo, na área das emoções superiores, os prazeres que decorrem das sensações mais fortes. É preciso não esquecermos que o sexo é uma força de amor nas bases da vida, totalizando a glória da criação, e a sede real do sexo não se acha dessa maneira no veículo físico, mas sim na entidade espiritual, em sua estrutura complexa. A  alma, em se aperfeiçoando, busca sempre os prazeres mais nobres e os valores espirituais visam dar um sentido sublimado ao sexo. 

À medida que o espírito se eleva e enobrece, o uso do sexo passa por significativa alteração. O amor não é tão-somente a ventura rósea e doce do sexo perfeitamente atendido, é uma luz que brilha mais alto, inspirando a coragem da renúncia e do perdão incondicionais, em favor do ser e dos seres que amamos. 

O sublime amor do altar doméstico anda bem longe quando os casais perdem o gosto de conversar entre si.

De forma alguma devemos esquecer que o planeta Terra é, ainda, uma escola de lutas regeneradoras ou expiatórias, onde o ser humano pode consorciar-se várias vezes sem que a união matrimonial se efetue com a alma gêmea da sua, tantas vezes distante da esfera material. E cá prá nós, onde não prevalecem as afinidades do sentimento o casamento terrestre é um serviço redentor, e nada mais.

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