31 de mai de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 4

O SANGUE E A RENÚNCIA

“22E, COMENDO ELES, TOMOU JESUS PÃO, E, ABENÇOANDO-O, O PARTIU E DEU-LHO, E DISSE: TOMAI, COMEI, ISTO É O MEU CORPO. 23E, TOMANDO O CÁLICE, E DANDO GRAÇAS, DEU-LHO; E TODOS BEBERAM DELE. 24E DISSE-LHES: ISTO É O MEU SANGUE, O SANGUE DO NOVO TESTAMENTO, QUE POR MUITOS É DERRAMADO.” MARCOS 14:22-24

“13E UM DOS ANCIÃOS ME FALOU, DIZENDO: ESTES QUE ESTÃO VESTIDOS DE VESTES BRANCAS, QUEM SÃO, E DE ONDE VIERAM? 14E EU DISSE-LHE: SENHOR, TU SABES. E ELE DISSE-ME: ESTES SÃO OS QUE VIERAM DA GRANDE TRIBULAÇÃO, E LAVARAM AS SUAS VESTES E AS BRANQUEARAM NO SANGUE DO CORDEIRO.” APOCALIPSE 7:13-14

O cordeiro divino faz uma analogia do vinho com o sangue. É que, simbolizado pelo vinho o sangue tem a capacidade de direcionar os valores recebidos, ele faz a função de distribuição dos recursos apropriados no grande processo metabólico.

O sangue é o componente circulador, tem o papel da dinâmica, apresenta o sentido de aplicabilidade. A corrente sanguínea é o elemento captador e transferidor dos recursos para o campo somático. Sendo assim, a questão é nos alimentarmos com o pão e dinamizá-lo com o sangue, consubstanciado na figura do vinho.

No plano físico o pão material é ingerido e metabolizado e o sangue leva o alimento pelos capilares e artérias a todo nosso equipamento. Aqui não é diferente, o estudo é o momento em que nós passamos a ingerir o pão, ao passo que a laboração aplicativa e o funcionamento dinâmico do sangue, pela ingestão do vinho, já é o trabalho operacional de cada um, é o movimento, a prática, a ação.

Como vimos, Jesus oferece o vinho em alusão às mais expressivas manifestações do espírito em comunhão com Deus. Ceia é um chamado, pois no palco terreno surge sempre a oportunidade da ação e do testemunho para que esse pão possa ser metabolizado e distribuído a todas as áreas que compõe o corpo.

O sangue mostra o sentido da vitalidade a nível prático, operacional, e o vinho, esse tomar o cálice, é uma referência aos valores quando laborados na vida diária. E estaremos ingerindo o cálice toda vez que nos propusermos à realização de algum trabalho em nome dele, praticando os seus ensinos, acolhidos como parcelas benditas do pão da vida. No momento em que ensinou Jesus sabia que aquela era a última ceia, no entanto, ao invés de afligir-se ele apontou padrões relativos à vida espiritual. Esse sangue é derramado por muitos, não por todos, porque para alguns a sua mensagem ainda não tem significação alguma, mas aumentará progressivamente, e continuamente, até chegar ao ponto de haver somente um rebanho e um só pastor.

O sangue também apresenta outro aspecto importante: a limpeza. À primeira vista, essa limpeza pode parecer algo meio difícil de se compreender. Como que o sangue, com toda a sua vermelhidão, toda a sua força na cor, na sua ostensibilidade, se é que podemos dizer assim, pode ser um instrumento trazido para a limpeza? Mas é isso mesmo. O sangue do qual estamos tratando aqui, e que está circulando de forma muito viva, é um elemento de limpeza figuradamente falando.

Então, vamos ter em conta que quando se fala em sangue é que a solução de determinada questão tem que ser na base do sangue. Deu para entender? O sangue derramado diz respeito à reencarnação consciente, o fato que nós estamos aqui para resolver problemas, define complicações criadas pelas reencarnações. Sangue como limpeza quando não há soluções senão pela reencarnação. Notou? Tem inúmeros casos na nossa família em que estão sendo lavadas as sujidades da nossa alma no sangue do sacrifício daquele determinado grupo encarnado. São questões relacionadas com a encarnação. Determinadas limpezas se dão pelo sangue, com as mesmas dificuldades de antes, os mesmos anseios, mesmos dilemas, mesmos problemas. É mais ou menos assim.

"E um dos anciãos me falou, dizendo: estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do cordeiro." (Apocalipse 7:13-14) Esse sangue, como acabamos de dizer, não é propriamente sangue derramado dentro de uma ótica ostensiva. Essa limpeza, esse branquear as vestes, quer dizer sacrificar-se. Uma colocação mostrando principalmente a oportunidade que cada de nós tem recebido de usufruir de um corpo no plano da reencarnação.

Você pode perguntar: Porque a limpeza básica e fundamental tem que ser feita através do sangue? O que acontece é que o processo reencarnatório, elaborado num sistema de esquecimento, de prostração do nosso plano de relembranças, onde não nos lembramos do passado, pelo que se tem aprendido, nos leva a concluir que dentro do contexto de realização nós vamos incorporar em nossa atividade uma grande parcela de espontaneidade. Está dando para acompanhar? Toda a manifestação básica do amor em sua essencialidade tem que partir de uma proposta eminentemente pessoal, em cima da espontaneidade. Vai ser muito difícil laborar o amor dentro do impacto da multidão: "Estou fazendo assim porque todo mundo faz." Realmente não é assim.

A espontaneidade é o fator que tem que estar presente no crescimento. É por esta razão que os momentos mais definitivos, os mais amplos de nossa escolha estão vinculados à experiência física, à experiência no campo humano. Vamos reparar que pela vinda do Cristo ele entra diretamente no coração de cada um de nós, seja a curto, médio ou longo prazo, na limpeza consciente dos erros.

Esse é o sangue resultante da maceração do interesse pessoal que nós temos que lutar bastante para conquistar pelo menos uma parcela desse valor. Por isso, aquele que muito sofre é aquele que, em tese, tem uma capacidade maior de amar.

E uma outra coisa: viver bem, na acepção legítima de felicidade, harmonia e bem estar, é algo para além do limite da justiça. Ninguém consegue ser efetivamente feliz apenas porque faz aquilo que é obrigado a fazer. Evangelho é a essência do amor e ele se manifesta ao capacitarmos à abnegação e compreensão na eleição de uma nova postura de vida. A harmonia íntima está diretamente ligada ao exercício de doação, de operação e de testemunho. Jesus, para vir a nós, aniquilou a si próprio ingressando no mundo como filho sem berço.

No momento do calvário atravessa as ruas de Jerusalém como se estivesse diante da humanidade inteira, sem queixar-se, ensinando a virtude da renúncia por amor do reino de Deus. Portanto, renúncia é sinônimo de sacrifício, é esforço, é deixarmos o nosso interesse pessoal. Só que não é deixar no sentido de ficar sem. Entendeu? Renúncia é deixar algo em favor de algo, é deixar algo para conquistar algo. Visto de forma mais abrangente não se trata de tosar a vida, ficar sem, e sim de incorporar componentes novos. É expressivo saber renunciar e entender a grandeza da lei de elevação pelo sacrifício.

Repare no mundo natural: a sangria estimula a produção de células vitais na medula óssea. A poda oferece beleza, novidade e abundância nas árvores. O homem que pratica verdadeiramente o bem vive no seio de vibrações construtivas e santificantes da gratidão, da felicidade e da alegria. Todos os homens sabem conservar, nisso são experientes.  Raros são aqueles que sabem privar-se.

Todos nós caminhamos para uma vida maior e na construção do reino de Deus chega sempre o instante de separação em que é necessário saber suportar com sincero desprendimento. Poucos sabem partir, por algum tempo, do lar tranquilo ou dos braços adorados de uma grande afeição por amor ao evangelho.

Você se lembra do "misericórdia quero, e não sacrifício"? Pois então, a tarefa que nos compete tange amor, não sacrifício, e tanger amor é operar sem avaliar sacrifício. Ninguém se edificará sem conhecer essa virtude de renunciar com alegria em obediência à vontade de Deus. O sacrifício envolve um espírito de doação, e não de revolta no sacrifício. É sabendo nos apequenar, componente difícil por sinal, que nós vamos tendo condições de promover a nossa projeção.

27 de mai de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 3

AS TRÊS ÁRVORES E O VINHO

“22E, COMENDO ELES, TOMOU JESUS PÃO, E, ABENÇOANDO-O, O PARTIU E DEU-LHO, E DISSE: TOMAI, COMEI, ISTO É O MEU CORPO. 23E, TOMANDO O CÁLICE, E DANDO GRAÇAS, DEU-LHO; E TODOS BEBERAM DELE. 24E DISSE-LHES: ISTO É O MEU SANGUE, O SANGUE DO NOVO TESTAMENTO, QUE POR MUITOS É DERRAMADO.” MARCOS 14:22-24  

“EU SOU A VIDEIRA VERDADEIRA, E MEU PAI É O LAVRADOR.” JOÃO-15:5

As três árvores presentes em toda a extensão do evangelho, as mais comuns àquela época e região, eram exatamente figueira, oliveira e videira. Como não pode ser diferente, definem símbolos que personificam a individualidade.

A figueira, para se ter uma ideia, por ser uma árvore rasteira, que se mantém muito próxima ao solo, apresenta aquele sentido de justiça. Você se lembra daquela passagem da figueira que secou? Pois então, ela não se desprendia da linha de justiça, pois a figueira tem esse sentido de justiça. Por se referir à justiça ela não tinha frutos, porque frutos não é com a justiça, frutos é com o amor.

Está percebendo? Ela tinha folhas, e tanto tinha que alguém a procurou, o que ela não apresentava era fruto. E o amor começa para além da justiça. Veja para você ver, quando Jesus procurou o figo na figueira, no caminho de Betânia, não era tempo de figos. Mas ele procurou figos porque a figueira apresentava uma estrutura de fidelidade que indicava que ela podia produzir fora do tempo. Está entendendo o que estamos falando? Havia mesmo esse indicativo.

A figueira que secou é o símbolo daquelas pessoas que apenas aparentam propensão para o bem, mas que, em realidade, nada de bom produzem. Simboliza, também, todos aqueles que, tendo meios de ser úteis, não o são. De forma que se muitas palavras sonoras proporcionam simplesmente a impressão daquela figueira condenada, o fruto revela a árvore e a obra fala do homem. E nós, por toda a folhagem exuberante que temos em nossas expressões informativas, nós já temos condições de oferecer alguma coisa. Estou certo? A figueira, também, em outra acepção, define o sentido informativo, é o componente que dá força, que sustenta. Buscar a figueira é alimentar-se, ingerir valores capazes de propiciar sustentação e crescimento do ser.

A oliveira, por sua vez, apresenta aquela capacidade de assimilação, faz referência à produção da luz. Porque ela produz um fruto chamado oliva ou azeitona que é praticamente transformado em óleo, e cuja a queima propicia luz, ou seja, mantém a candeia acesa. Então, no seu sentido intrínseco a oliveira produz o combustível da luz, define o plano de clareamento íntimo no campo dos corações. Simboliza a luta da renovação para a produção de luz em nós. Ao passo que o zambugeiro, a oliveira brava, é aquela em que sai alguma coisa, mas deixa a desejar, é a representação daquele elemento que opera a favor dos outros, mas faz reclamando, opera no campo do auxílio de má vontade.

A videira, como terceira árvore, faz a conjugação de todo esse processo. Cultivada no mundo inteiro em razão dos seus deliciosos frutos, as uvas, tem flores pequeninas, reunidas em cachos, e bagas ricas em açúcares, que fermentam com muita facilidade e propiciam a elaboração do vinho. Então, vamos notar o seguinte: se a figueira representa o sentido informativo, o alimentar-se, e a oliveira já denota o assimilar, a videira constitui a possibilidade da criatura em dinamizar esse valor em nome do Cristo. É a manifestação do testemunho pelo qual sentimos surgir o vinho, substrato abençoado do amor.

E para fecharmos este tópico, sem deixar dúvida, vamos fazer uma recapitulação. A informação nos chega, fracionada, oriunda do plano superior. É o pão que Jesus nos direciona, o conjunto de ensinamentos sob a tutela do amor.

Esse alimento chega e recolhemos o bolo alimentício, onde cada um assimila na medida de seus recursos. Como vimos, esse pão tem que ser digerido, ele está sujeito a uma metabolização, que é tirar da letra a essência, o valor espiritual que nos auxilie no crescimento. Agora, não basta apenas a gente comer do pão. A própria expressão já nos auxilia, se apenas comermos o pão ficamos empanzinados. Tampouco devemos guardá-lo na prateleira ou geladeira.

Não estamos falando essencialmente em amor? Pois é, não há como guardar amor. Ele tem que ser trabalhado, dinamizado. É por isso que o pão sem o vinho não resolve. Qualquer assimilação de conhecimento nobre é aquisição inapreciável, mas se mora estanque na alma de quem aprende assemelha-se a pão escondido aos que choram de fome. O que recebemos somos convocados a operacionalizar, exemplificar, tendo em vista que o cear sugere uma linha de interrelação.

Você já deve ter notado que Jesus oferece o vinho em alusão às mais expressivas manifestações do espírito em comunhão com Deus. Basta observarmos com atenção para vermos que o vinho surge da maceração, da dilaceração, do sacrifício da uva. Ele representa o sangue da imolação em nome do amor, simboliza o sacrifício da uva que acaba por ceder lugar ao substrato.

Em suma, o vinho indica o exercício de renúncia, e não é preciso ir longe para entender. Vamos relembrar, qual foi o primeiro sinal de Jesus no início de seu ministério? Você se lembra, foi precisamente transformar a água em vinho em um casamento em Caná. Ele deixou um ensinamento belíssimo ali, a definir para todos nós que a sua mensagem diz respeito ao sacrifício, que ela tange sacrifício. Assim, desde o início de seu apostolado ele desvenda às criaturas o roteiro máximo de elevação pelo sacrifício. E o vinho faz o papel que o sangue faz.

A videira simboliza sacrifício, a doação profunda, a renúncia do ser, o exercício de entregarmo-nos ao sacrifício pessoal para que alguém seja beneficiado em nome do amor no seu aspecto dinamizado. A ceia de Jesus foi a expansão do amor. Ele se doou. Sua cruz é resposta aos que procuram a sublimidade da ressurreição.

Ao distribuir o vinho na ceia, e definir que tratava-se do seu sangue, ele quis ensinar para todos nós que precisamos metabolizar o conhecimento que chega e apropriar os valores nutricionais do conhecimento no plano aplicativo da vida. 

Ceia sugere isso. A videira verdadeira é ele e nós somos as varas, diretamente vinculadas ao chamamento para a produção. Então, se já nos encontramos com ele não nos queixemos mais. Ontem nós poderíamos alegar fraqueza ou desconhecimento como pretexto para ferir ou repousar, fortalecendo o poder da inércia ou da sombra. Hoje, porém, é nosso dia de caminhar e servir.

24 de mai de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 2

O PÃO

“E JESUS LHES DISSE: EU SOU O PÃO DA VIDA; AQUELE QUE VEM A MIM NÃO TERÁ FOME, E QUEM CRÊ EM MIM NUNCA TERÁ SEDE.” JOÃO 6:35

“E, COMENDO ELES, TOMOU JESUS PÃO E, ABENÇOANDO-O,  O PARTIU E DEU-LHO, E DISSE: TOMAI, COMEI, ISTO É O MEU CORPO.” MARCOS 14:22

Para iniciar este estudo acerca do pão, uma coisa interessante que vale a pena ser dita é que ele, antes de qualquer coisa, é sinônimo de simplicidade e universalidade.

Veja para você ver, todos os povos, e em todos os tempos, tem a sua comida típica e os seus pratos nacionais. Cada qual com sua riqueza e seus hábitos e costumes. Todavia, em todos eles o pão constitui o alimento popular. Mesmo quando varie nos ingredientes que o compõe e nos métodos de confecção, ele é sempre o mesmo. Constituído de farinha amassada e levemente fermentada, depois de submetida ao calor do forno se transforma em fator de sustento para o mundo inteiro.

Em outras palavras, pão é invariavelmente pão, seja nas avenidas luxuosas ou nas comunidades carentes, na escola ou no hospital, na casa de ricos ou de pobres. Pão é sempre pão. Isso é ensinamento de grande valia, uma vez que o pão é símbolo de grandiosidade no círculo do evangelho. Lembra-te dele e não deixa em hipótese alguma a vaidade crescer dentro de ti. Não te considere em condições excepcionais na vida e jamais te situes acima de quem quer que seja.

Abraça nos deveres diários o caminho da tua ascensão e recorda o mestre Jesus, o enviado divino e governador espiritual da Terra, que apesar da grandeza não achou para si outra imagem mais nobre e alta que a do pão puro e simples.

A verdadeira eucaristia não é a do pão e do vinho materiais como pretende a igreja de Roma. Como vimos, na ceia, identificação legítima e total do discípulo com Jesus, o pão e o vinho que o mestre distribuía apresentava um recado embutido neles. E nós precisamos compreender esses símbolos e deles tirar ressonância para nossa caminhada. Jesus disse ser o "pão da vida". Ele se compara ao pão.

É que como de costume, usando processo eminentemente pedagógico, recorre às analogias para gravar seus ensinamentos. Utilizando a boa didática ele parte do concreto, do objetivo, do material, do conhecido, do palpável e utiliza um elemento físico como instrumento para ensinar valores de alta expressão espiritual. É que para ensinar algo, até então desconhecido, precisa-se iniciar a análise por um componente conhecido. E que sabedoria profunda em tão singela semelhança. Vamos analisar juntos: o pão é alimento por excelência, e através do pão material ele, por analogia, refere-se ao seu corpo, mas corpo doutrinário, o conteúdo que consubstancia os seus ensinos, a essência do conhecimento. Vale-se daquele alimento básico do corpo para distribuir elementos espirituais a cada um. Assim, a doutrina de Jesus é pão do espírito.

Se é certo que nosso físico definha por falta de alimento adequado à sua natureza, nosso espírito também fraqueja e sucumbe às tentações se não for convenientemente sustentado. Existe vida animal e existe vida espiritual. Há pão para o corpo e há pão para o espírito. Assim como o corpo precisa de alimento para entreter a vida física, assim também a alma tem absoluta necessidade de substância para conservar e intensificar a vida psíquica, e o espírito precisa alimentar-se como sucede com o corpo. Em suma, a alma e o corpo dependem de pão para manter a vida. E Jesus é o pão da vida. Ele se apresenta figuradamente como o pão que desce do céu para alimentar e nutrir as almas, pois estas, como o corpo, devem ser fortalecidas no conhecimento da verdade que emana da revelação divina, nele mesmo personificada. Pode-se dizer que o pão do céu é para o espírito o que o pão da terra é para o corpo.

O pão nosso de cada dia, o pão mantenedor da vida, no campo biológico é o pão material e os assemelhados que alimentam, e no plano espiritual é o conhecimento espiritual que nos visita o entendimento, corporificado no Cristo.

O que nutre o corpo é o que é gerado da terra, o que sustenta o espírito é o que desce do céu. Vida, no sentido espiritual, reconforto vibratório e consciencial, depende do suprimento inesgotável do Cristo, pois todos necessitamos de chamamento ao evangelho, todos atravessamos períodos de fome das informações superiores. As necessidades do espírito se harmonizam com o infinito.

Se o pão é o alimento do corpo, o amor é o alimento das almas. Porque o alimento das almas, na face positiva de crescimento, é o amor, o que nutre o espírito é o amor. Logo, o pão que Jesus distribuiu na ceia, o seu corpo, elaborado pela essência do amor, comida básica da vida, é alimento para o espírito, capaz de suprir efetivamente a fome de equilíbrio e felicidade que  sentimos.

Este pão da vida sustenta para a eternidade, nos projeta para a vida eterna, garantindo-nos elemento suficiente para nossa caminhada. Mediante a sua ingestão passamos a usufruir o bem estar por direito. Obtendo-o semeamos e colhemos por direito, não apenas por misericórdia.

Se o pão é esse conhecimento, o ensinamento não é apresentado integralmente, de uma só vez, por inteiro, mas em parcelas, em frações. Cada fatia, cada parcela de valores é distribuída a cada um conforme a sua capacidade de assimilar. Isso é bonito da gente saber. Cada qual recebe a luz espiritual segundo a própria capacidade, isto é, recebemos na medida que temos de metabolizar o valor. É como o pão mesmo. Um consegue comer somente um pedacinho, outro já metaboliza uma quantidade maior. É por aí que a coisa funciona. Do rio de graças da vida que jorra abundantemente cada alma somente retira a porção de riquezas que possa perceber e utilizar. Passa o rio dos dons divinos em todos os continentes da vida, alcançando a todos, todavia, cada ser lhe recolhe as águas segundo o recipiente que se faz portador.

O conforto espiritual não é como o pão do mundo que passa, mecanicamente, de mão em mão para saciar a fome do corpo, mas sim como o sol que é o mesmo para todos, porém, penetra somente os lugares onde não se haja feito reduto fechado para as sombras. Então, nós temos nesse aspecto a presença de dois componentes presentes, dois verbos mais precisamente, a definir que não basta apenas estar presente à ceia, é preciso tomar o pão e comê-lo. Pão esse que deve ser obtido pelo suor, pelo esforço na aquisição do alimento. E tomar significa exatamente pegar ou segurar, sugere um processo de adesão, de iniciativa.

Esse corpo do Cristo tem que ser ingerido e não só trabalhado sob o aspecto periférico.

Conhecer a doutrina de Jesus apenas na letra, na forma, na estrutura, representa para o espírito precisamente aquilo que para o corpo representa a ingestão do alimento. O principal vem depois: a digestão, a assimilação. Ingerir é buscar compreender aquela essência canalizada, pois somente assim nos apropriamos da substância nutritiva contida na mensagem que alimenta os seres.

Comer define a alimentação dessas parcelas e nós ingerimos. Este estudo, por exemplo, é campo alimentício de valores do pão da vida que é Jesus, e estamos ingerindo o pão. Essa necessidade de edificação espiritual permanece viva e imperiosa e o serviço de aquisição desses valores é alimento vivo e imperecível da alma, ao passo que o próprio Jesus define o "fazei isso em memória de mim". Agora, saibamos que esse pão está sujeito a uma metabolização.

Jesus exige que a nossa razão funcione, que nós assimilemos o pão fornecido. De outra sorte, não haverá aproveitamento. Muitos infelizmente arrebatam o pão da vida e engolem. Não mastigam, não digerem, não assimilam, não aproveitam.

19 de mai de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 1


A CEIA

“23E, TOMANDO O CÁLICE, E DANDO GRAÇAS, DEU-LHO; E TODOS BEBERAM DELE. 24E DISSE-LHES: ISTO É O MEU SANGUE, O SANGUE DO NOVO TESTAMENTO, QUE POR MUITOS É DERRAMADO.” MARCOS 14:23-24 

“EIS QUE ESTOU À PORTA, E BATO; SE ALGUÉM OUVIR A MINHA VOZ, E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA, E COM ELE CEAREI, E ELE COMIGO.” APOCALIPSE 3:20

A vida, em suas expressões, necessita e sugere o quê? Ela necessita de recurso mantenedor, sugere recursos de manutenção dessa própria vida no plano energético, porque não tem como manter vida se não tiver alimentação.

Nós a mantemos por meio da alimentação e não existe vida sem alimento. Ela é sempre mantida por alimento específico e alimento é toda substância que ingerida alimenta e nutre. É mantimento, aquilo que sustenta, faz subsistir. E metabolizar é o conjunto de mecanismos químicos necessários ao organismo para formação, desenvolvimento e renovação das estruturas íntimas e produção de energia necessária às manifestações interiores e exteriores da vida.

Em se tratando do plano biológico, físico, a vida é mantida por alimento material, tangível, portador de componentes capazes de assegurar o entretenimento do aparelho celular, onde não podemos prescindir do pão ou similar.

Toda nutrição deve conter a substância mantenedora da vida. No plano intrínseco, íntimo, espiritual, a gente tem que ter a ingestão da alimentação também, por se tratar de um sistema de vida. Neste aspecto a vida também é cultivada e mantida mediante um processo de alimentação por meio do fluxo mental, pelo pensamento. Em outras palavras, temos que alimentar nossa própria estrutura interior, e mais do que pão do corpo necessitamos de pão do espírito, uma vez que há em nossos dias momentos de exaustão das reservas mais íntimas.

A expressão "novo testamento" indica que houve, antes, um outro testamento, que a partir deste novo ficou sendo o velho. Entre ambos vigora uma grande distância evolutiva. O primeiro se reporta ao pacto mosaico firmado com o povo judeu, o qual encerrava o conceito humano do Deus único, a quem se denominou Jeová. Sua base era sobrepor o monoteísmo ao politeísmo e para alcançar tal objetivo justificava-se a violência, cerceando a liberdade em todos os ângulos, ditando regras e preceitos acompanhados de ameaças e severos castigos aos infratores. Por meio desse tudo se impunha pela força e pelo terror.

Por outro lado, o "novo testamento" encerra um ideal e programa totalmente oposto. Fundado no amor, a ninguém constrange, por não pretender impor dogmas nem princípios rígidos, mas revelar à humanidade as leis divinas, naturais, que regem os seus destinos. É um pacto social, de caráter universitário. Apresenta Deus não mais como potência vingadora que destroi e aniquila, fomentando lutas cruentas, mas como poder que edifica, orienta e conduz.

O onipotente não é mais o marechal de campo e, sim, o Pai que recebe em seus braços, com bondade e doçura, os filhos transviados. E o intérprete de sua vontade não é a casta sacerdotal fanática, vaidosa e particularista, é o seu cristo bem amado. A ele delegou poderes de firmar com os homens de todas as raças, nações e povos o "novo testamento", não mais provocando a efusão de sangue alheio, mas dando o seu próprio, como penhor de renúncia e sacrifício em favor daqueles que, mergulhados nas trevas da ignorância e do pecado, necessitam de luz e redenção. Abolida foi por isso o emprego de toda violência na implantação da fé oriunda do "novo testamento". Enquanto o velho agitava os ânimos, originando lutas fraticidas, o novo desperta os sentimentos altruístas, gerando apóstolos capazes de sacrificar a própria vida pela causa da verdade que ilumina e também da justiça que reabilita e santifica.

Onde sopra o espírito do "novo testamento" vigora a liberdade, contrastando com o do velho, que sufocava os corações e enegrecia o entendimento. Segundo o "novo testamento", Deus é o pai comum e os homens são todos irmãos, portanto iguais perante a soberana justiça, sujeitos aos mesmos deveres e participantes dos mesmos direitos. Só o caráter e a virtude assinala o grau evolutivo que distingue os homens entre si. Nenhum distintivo, título ou marca vigora entre eles. Uma só distinção revela os que se acham sob o manto do "novo testamento", o amor recíproco, expresso no desejo de servir e na disposição de renunciar, sempre que dessa renúncia resulte um bem para outrem.

No "eis que estou à porta, e bato" é Jesus que está à nossa porta. Porta do nosso coração, que só se abre por dentro. Ele não desrespeita o livre arbítrio de quem quer que seja, e esse bater mostra o chamado para abrirmos a porta íntima para a entrada dele em nossa casa mental. É óbvio que o batido é suave, agora, por outro lado a amplitude dessa batida é condizente ao nível da resistência. "Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa".

O "entrarei" está sempre presente e com essa entrada a cada momento nós penetramos em ângulos novos no campo revelador. Em determinados aspectos nós já estamos em relação com ele e nessa entrada ele está definindo uma nova projeção de vida no campo de uma operação mais essencial, mais substanciosa, com a finalidade de nos dar forças para cooperarmos efetivamente no grande lance proposto pela espiritualidade maior sob a tutela dele.

A ceia é a refeição da noite e cear é o ato de ingestão.  E quando se fala em cear nós vamos encontrar o quê? Vamos encontrar nesse cear um processo de relação com a base da vida, porque se não tem alimentação não tem vida. Está dando para entender? É alimentar-se, metabolizar componentes que mantém a vida e a euforia pessoal. Refere-se a um processo de relação com a base da vida, aquela posição nossa de investimento na fé, o alcance aos ângulos novos do plano revelador a cada momento, quando passamos a obter valores mais avançados da revelação pela ingestão de padrões novos do evangelho, bebendo e ingerindo com suavidade os recursos capazes de propiciar uma caminhada mais feliz. Essa é a proposta que estamos tentando fazer com o estudo.

É por isso que Jesus disse: "A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou." E vamos lá, qual é a comida básica do universo? Acho que ninguém tem dúvida, é o amor. E que amor? O amor sozinho? O amor que faz aquilo que quer, que bem entende? Isso é um ponto importante a entender. Se falamos em amor tem que ter relação, pelo menos duas: amar a Deus e ao próximo. Então, cear é deglutir, ingerir, é metabolizar os componentes que mantém a vida. É trabalhar na linha das estratégias que possam garantir a vida.

Mas não é vida no sentido de respirar, nem tão pouco de pensar, mantendo o perispírito estruturado na vida espiritual. Não. É a vida no que respeita a algo íntimo, a essência daquela euforia pessoal. É aquela posição nossa na vida em que podemos estar sobrecarregados de muitas coisas, mas permanecemos em projeção, alegres, harmônicos. E quanto entramos no ponto de cear nós estamos investindo na fé e na elaboração de novas metodologias com vistas ao próprio futuro, pois essa vida tem que ter um regime constante de crescimento.

Na ceia nós estamos dentro de casa e o que acontece? Ele está com a gente. Nós abrimos a porta, e ao abrir a porta ceamos com o Cristo num plano de ressonância conjugada. Essa expressão "com ele cearei e ele comigo" representa que aquele que abriu está ceando com Jesus por uma questão de perfeita ressonância, em um perfeito quadro vibracional conjugado. Ceamos com ele e ele conosco. Ele ceia conosco alimentando-nos com parcelas do seu corpo doutrinário. Ele apresenta constante condição de valores operacionais para nós e recebemos dele fluxo constante de recursos novos. Ele ceia conosco dando-nos forças para marcharmos, para cooperarmos no plano do amor dinamizado.

E nós ceamos com ele porque ingerimos alimento que dimana dele. Esse cear apresenta linha de interrelação. É o convívio com o mestre, não no seu sentido religioso, mas no seu sentido científico de vida, e o fazer isso em sua memória sugere para nós a importância dessa ingestão diária. Então, nós temos que laborar, marchar com ele, pois na medida em que vamos ingerindo novos padrões informativos do evangelho passamos a ter valores cada vez mais avançados no campo das percepções. O alimento chega e o alimento fundamental do universo é o amor, alimento das almas. Não estamos falando do alimento físico. Pela ceia nós entramos em relação com o Cristo e entrar em relação com o Cristo é acatar, é recolher o bolo alimentício, mas não para guardá-lo na despensa ou na geladeira, mas sim para lhe dar movimento, dinâmica.

Nós sabemos que a ceia é tomada geralmente à noite. E no âmbito das cogitações alguém pode perguntar, como, inclusive, já perguntou: "Marco Antônio, espera aí. Porque é que Jesus colocou a expressão cearei? Tinha que ser ceia? Porque ele não colocou eu almoçarei? Ou farei o lanche da tarde? Porque tinha que ser exatamente a ceia?" Bem, vamos lá, que essa pergunta é muito interessante.

Para início de conversa, a ceia ocorre à noite, certo? E Nicodemos também foi estar com Jesus à noite, correto? Vamos observar o seguinte: o que interessa para nós é que quem vai estar com Jesus, e quem vai receber Jesus está sempre na hora da ceia, porque está de noite. Está dando para acompanhar? Porque quem está de dia já está com ele. Ele não é a luz do mundo? Pois, então, na essência, estar com Jesus não tem esse negócio de estar de noite, não.

A bem da verdade, essa ceia não tem um horário específico, não. Mas o que podemos notar é que sempre que Jesus aparece na nossa vida é porque a gente estava nas trevas, e chegou a luz e a luz clareou. Ficou claro agora? A ceia, talvez, não seja nessa acepção cronológica tradicional, mas uma referência à nossa treva íntima e à nossa abertura pessoal. Em outras palavras, cear não depende da hora, é toda hora. Cada momento é um momento específico, porque nós podemos estar alimentados em uma determinada condição e podemos não estar alimentados para outro tipo de padrão.

14 de mai de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 10 (Final)


APROXIMAÇÃO II

“12QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU? 13E, SE PORVENTURA ACHÁ-LA, EM VERDADE VOS DIGO QUE MAIOR PRAZER TEM POR AQUELA DO QUE PELAS NOVENTA E NOVE QUE SE NÃO DESGARRARAM. 14ASSIM, TAMBÉM, NÃO É VONTADE DE VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS, QUE UM DESTES PEQUENINOS SE PERCA.” MATEUS 18:12-14

Às vezes, a gente engole sapo a vida inteira em razão de respostas inadequadas que recebemos, de frustrações e decepções por parte de pessoas que a gente sente que gosta.

Não tem outra, temos que ter tranquilidade na administração desse processo de pastoreio, e paciência, porque não temos conhecimento claro do que motivou o afastamento dessa criatura. Realmente buscar uma ovelha desgarrada, que na maioria das situações nós mesmos enxotamos ou nos descuidamos dela naquilo que era o mínimo que podíamos fazer, é situação realmente complexa. Mas à partir do momento em que investimos na compreensão, na linha de discernimento e depositamos amor sem afetação e sentimentalismo, a espiritualidade vai nos concedendo recursos e instrumentalidade para penetrarmos a fundo. E nessa hora também não é só penetrar, diagnosticar e descobrir. Por quê? Porque o grande desafio não é o diagnóstico.

O grande desafio é a terapia que nós queremos dar, a nossa medicação que nem sempre é compatível com a necessidade do outro. E que pode, inclusive, propiciar um efeito contrário na aplicação. É necessário da nossa parte essa condição de trabalhar a criatura com naturalidade. Quantas vezes conseguimos observar em conversas que está relativamente fácil resolver o problema dessa criatura.

Mas para ela, puxa vida, ainda vai demorar muito tempo. Para ela, essa solução fácil que nós visualizamos agora ainda é um desafio insuperável. Disso aprendemos que a primeira coisa para chegarmos a esse grau de compreensão e de cooperação legítima é tirarmos de cabeça a proposta de querermos que a pessoa se mude na nossa frente, naquela hora. Vamos com calma.

Quantas experiências frustradas, e por tão longo tempo, nós tivemos que passar para chegarmos até aqui, e os espíritos amigos nos acompanharam o tempo todo, sem agonia? Quantas vezes eles acharam que nossa mudança seria em determinado tempo, e não foi? Que seria na outra etapa, e não foi? E não foi, e agora é que estamos mudando. E olhe lá, se estamos de fato mudando.

Mediante um laboratório que, às vezes, nos machuca, traz desconforto e nos faz chorar, estamos sendo chamados a um processo de auto-conhecimento para alcançarmos a capacidade de visualização das necessidades dos nossos semelhantes. 

Para amar e conseguir exercer a caridade em sua expressão legítima nós temos que ter elevada dose de compreensão do patamar em que o outro está vivendo. Não estamos estudando o evangelho para lidarmos com pedras, nós vamos lidar é com a sensibilidade dos outros. Logo, aproximar, ensinar, transmitir e cooperar envolve um alto grau de sensibilidade, saber o que se passa no coração das pessoas, saber entender a carência e a necessidade delas.

E olha que, por mais que a gente progrida nessa área da capacidade do diagnóstico, por mais que a gente ouça um relato, observe e analise a gente não vê tudo.

A vida no plano físico é heterogênea e situamo-nos em um mundo que tem de tudo. Mesmo junto ao nosso coração identificamos aqueles que parecem residir em regiões morais bem diferentes. Entes amados que desertam da estrada justa, amigos queridos que abraçam experiências perigosas, afetos da alma perdidos nos despenhadeiros da amargura. E como ajudar os que nos parecem mergulhados no erro?

Criticar e censurar é criar mais distância entre eles e desprezá-los é perdê-los. Comecemos por nos situar na posição deles, no campo dos problemas em que se encontram, e esperemos a chance para algo fazermos a eles, testemunhando-lhes o nosso apreço. No pensamento, guardemo-los todos em vibrações de entendimento e carinho. Na palavra, envolvamo-los na bênção do verbo nobre e na atitude amparemo-los quanto seja possível. Em todo processo de ação o nosso dever maior é fortalecê-los para o bem. Não esqueçamos de estender o coração e as mãos para ajudar aqueles que nos afiguram desnorteados, porque não existe na vida ninguém melhor do que ninguém.

Estamos todos no caminho da evolução e, segundo o mestre divino, com a medida com que tivermos medido nos hão de medir a nós. Precisamos de amor para criar e no exercício do amor em vez de você empurrar você aproxima. Se não chegarmos por adequação nós não descobrimos as carências da criatura e não a auxiliamos. A mudança é pela mente, sim, todavia devemos ganhar o coração da pessoa, porque quem não ganha o coração não ganhará o cérebro.

Se nós não formos no circuito mental do paciente, do educando, não o ajudamos. Em determinadas situações o nosso objetivo não deve ser oferecer remédio, mas oferecer uma motivação através de novas ideias com o qual ele possa trabalhar no plano íntimo. Para se ter uma noção, é muito fácil, por exemplo, num relacionamento de conflito familiar, uma mãe passar dez vezes pela sala de televisão e o filho estar lá, assistindo filme até tarde: "Eh, você não faz mais nada na vida?! Só fica nessa porcaria de televisão o dia inteiro?" Isso não aproxima ninguém, pelo contrário, é até capaz de criar uma distância maior.

Talvez um dia, em que ela não censurar, assentar-se perto dele, perguntar algo sobre o filme, tecer um comentário positivo, possa abrir um sinal de simpatia entre ambos porque, até então, o que pode estar vigorando é uma barreira grande entre os dois, uma contenda ostensiva, de forma velada no campo dos interesses. Temos que nos lembrar do evangelho, e na sua didática qual é o verdadeiro trabalho do educador? Estimular o indivíduo para que ele possa enveredar por um caminho melhor. E no começo desse processo muitas vezes nós temos que trabalhar com o interesse pessoal dele. Concorda comigo?

Vai ter casos em que vamos ter que lidar com as pessoas com base no interesse pessoal delas. Pode soar estranho isso, mas muitas vezes nós temos que agir com a própria vaidade do indivíduo, temos que trabalhar com o princípio da vaidade que ele tem. E o importante é ter em mente que a ação deve dirigir-se no sentido de encontrar estratégias que possam propiciar a sensibilização dele, atingir o seu coração em um grau de confiabilidade e segurança.

Precisamos ter esse tino, alcançar essa autoridade para despertar no ouvinte, em meio aos padrões que canalizamos, o interesse para que ele também se desperte.

É impossível ajudarmos eficientemente se não houver uma moldura de afetividade e valorização. É imprescindível saber vencer as resistências. Para todos que possuem um relacionamento difícil, seja a nível familiar, no campo do trabalho ou na área social a que vincule suas dificuldades, vai uma dica simples que costuma funcionar. Ao chegar em um ambiente e tiver lá, por exemplo, quatro pessoas, uma que te adora, outra mais ou menos, a terceira que é alguém que você não conhece e a quarta a que você não gosta, o que deve experimentar fazer? Essas quatro estão todas juntas e a solução mais adequada é você ir naquela complicada primeiro. Vai ser um pouco difícil, mas experimente fazer.

Chegue nela tranquilo, naturalmente, e diga algo como: "Tudo bem? Como vão as coisas?" Não haja forçado, mas tente abrir o coração dela. Deixe aquela pessoa que você mais gosta para o final. Aí, sim, você vai lá, abraça, beija, faça o que melhor entender. Sabe porque dessa dica? Porque se a gente vai primeiro naquele que adoramos, o da ponta pode pensar assim consigo: "Está vendo? Hipocrisia total, pura falsidade. Ele discrimina." E pode surgir uma antipatia velada até com o outro que recebeu o abraço. Então, precisamos agir de modo a não deixarmos que as resistências aumentem. Tenha certeza de uma coisa, muitos dos problemas que nós carreamos na vida, que nós temos que vencer, podem ser solucionados exatamente com esse discernimento no trato social. Com atitude simples dessa podemos vencer resistências de longo tempo.

Em tantas ocasiões, é atrás de uma criatura endurecida e complicada que vamos encontrar os mais legítimos expoentes da atividade doutrinária cristã. Já pensou nisso? Normalmente, os indivíduos mais endurecidos são os que apresentam maiores potenciais. E os espíritos de luz, em todos os planos do orbe, trabalham com esses que tem recursos e que são os grandes incompreendidos da evolução. É que quase sempre esses grandes desgarrados obtiveram a emersão, na intimidade deles, de ângulos que as noventa e nove não tiveram ainda, enxergaram e aprenderam coisas que as outras não alcançaram.

Quem não se lembra da alegria que o pai teve com o retorno do filho pródigo? Nós obtemos uma euforia pessoal diante das vitórias sobre nós próprios, e esse prazer é aquela euforia que nos visita o entendimento e o coração e define a verdadeira vitória em que somos convocados ao exercício, às vezes, do sacrifício na recomposição nossa do próprio destino. É muito gratificante isto.

Essa alegria representa a resposta da vida à nossa capacidade de amar. Afinal, tem muitos que estão reencarnando na busca dessa ovelha desgarrada, e quem sabe se a gente não é essa ovelha desgarrada que depois de tanta luta está sendo encontrada hoje?!

11 de mai de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 9


APROXIMAÇÃO I

“12QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU? 13E, SE PORVENTURA ACHÁ-LA, EM VERDADE VOS DIGO QUE MAIOR PRAZER TEM POR AQUELA DO QUE PELAS NOVENTA E NOVE QUE SE NÃO DESGARRARAM. 14ASSIM, TAMBÉM, NÃO É VONTADE DE VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS, QUE UM DESTES PEQUENINOS SE PERCA.” MATEUS 18:10-14

É preciso termos um pouco de paciência conosco, um espírito de identificação com a faixa em que estamos posicionados. Sabe porque eu estou dizendo isto? Porque todos nós temos em nossa linha de relação pessoas que só conversam detectando erros das outras.

Não é algo apenas deselegante, é também uma das coisas mais tristes que existe. Não tem ninguém que salva na ótica delas. A gente conversa com essas pessoas e chega a dar medo. É algo amplamente desagradável. O que acontece é que na hora em que a gente começa a pinçar um ponto negativo em alguém, e dar campo a isso, daqui a pouco a gente já não tem só alguns pontos, mas sim um painel inteiro das complicações dele. E o pior de tudo é que muitas vezes nós somos mais complicados do que ele naquilo que a gente está apontando.

Por outro lado, também, não quer dizer que eu vou ficar batendo palmas pelos erros do outro, e o outro vai ficar batendo palmas pelos erros que eu tenho. De certa forma é até importante saber, às vezes, que a pessoa tem falha, até para poder ajudá-la com mais consistência. Mas espera aí, se eu vou auxiliar criticando a minha crítica já tirou toda a minha humildade interior. Quando alguém tripudia em cima da dificuldade do outro ele está mostrando incapacidade, mostrando situações complexas de retaguarda. Aí já deixa mesmo de existir amor, porque o amor esquece, o amor deixa que tudo se encaminhe para um novo momento.

Nós sabemos que os que crescem em sabedoria não ficam apontando nossas falhas, mas sim buscam nos compreender e ajudar. Além do que, que coisa mais descabida, não temos autoridade para apontar o errado de maneira descaracterizada. Não é apontando erros que vamos ajudar quem quer que seja, embora seja essa a técnica comumente adotada dentro dos ambientes domésticos.

Relacionar fatores negativos é algo totalmente fora da didática que o evangelho propõe. Além do que, para fazer isso, para criticar, nós temos que ter um alto grau de interação com o outro coração. E ficamos querendo criar interação não na base da afinidade, mas da pancada, e todo aquele que tem por norma desautorizar, bombardear e maldizer ele não está apto ainda a determinadas faixas do seu crescimento espiritual. Até mesmo quando nos situamos em plano de autoridade em relação a outrem, seja filho, parente ou funcionário em condição de subalternidade, nós ganhamos autoridade em determinar limites quando compreendemos. Deu para perceber? Porque enquanto não compreendermos nós vamos ficar colocando limite para resguardar o nosso interesse pessoal e não para auxiliar o semelhante que está saindo fora de sua órbita. Então, fica um recado interessante: vamos tentar desativar os pontos de resistência. É o que Jesus disse no "não resistais". Se você notou qualquer coisa no semelhante que o desagrada, investe.

Todas as vezes que a gente levar alguma mágoa ou repulsa de uma pessoa, a primeira providência é tentar desativar isso. Não deixar crescer. O seu próprio eu não vai concordar muito e vai acabar dizendo: "que isso, deixa de ser bobo. Você é muito bobo, você é muito fácil de se levar e fica abrindo mão das coisas. Não abre mão não, não cede não." É assim que geralmente pensamos, essa é a tendência. Mas o importante é que quando adotarmos uma estratégia para o caso, que ela não seja elaborada em cima da emoção, mas sob uma clareza, uma lógica interior. É nesse sentido que precisamos passar a fazer.

A emoção não pode ter aquele cheiro de vingança. A nossa emoção ainda não é alguma coisa que define uma harmonização diante da lei, a bem da verdade ela tem um sentido que não é fácil. Nós somos humanos, somos todos suscetíveis de envolvimento, somos acentuadamente sensibilizados a cada momento.

Só para ser ter uma ideia, é muito comum nós ficarmos num plano de insistência em cima de uma pessoa, fruto de nossa emoção, para que ela acate a nossa vontade. E a não aceitação acaba por acionar em nós uma raiva muito grande. Porque queremos no fundo que o outro entenda, que ele aceite e viva segundo aquilo que nós já achamos que é o melhor, aquilo que aprendemos e achamos que é o ideal, e ponto final. Está certo que essa raiva começa a ser trabalhada de forma camuflada, de forma ressentida, mas a gente fica com muita raiva. Com a ampliação da visão tudo passa a ser um grande desafio para nós.

Nós temos que ter uma profunda noção de compreensão. Aquele que não compreende o semelhante não tem condições de viver com tranquilidade. Ele entra em desestrutura, em desajuste, porque coloca na cabeça que o certo é o que ele pensa. O certo para a outra pessoa é de acordo com o piso dele. E não é assim. A outra pessoa pode até estar equivocada, pode ter potencial para estar em melhor situação e não está. Poderia já ter obtido conquista que não conseguiu, ter dado passos além. E essa que deveria estar em ponto mais alto e não está pode, às vezes, ser a ovelha perdida. Que apontou um caminho para ela lá na frente e ela transviou-se desse caminho. A vida tem dessas coisas.

Trabalhar com aqueles indivíduos que estão no pleno usufruto de viverem como querem, não é competente e nem pertinente a nós querer alterar esse processo. Cada pessoa tem um grau de sensibilidade diferente, logo, se nós não tivermos um grau amplo de compreensão, sabendo conseguir entender as pessoas como elas são, nós ficamos desautorizados para cooperar com o semelhante.

É preciso fazer uma leitura da vida e a leitura e a compreensão crescem à medida que se observa com naturalidade e discernimento os acontecimentos. O assunto é da nossa alçada interior no trato mais feliz com o outro. É que o conhecimento e a verdade ocasionalmente abrem ângulos de nossa percepção consciencial que o nosso interlocutor não alcança. Surge um alcance na nossa linha perceptiva, ou de sensibilização, que não é o grau que a outra pessoa tem.

Vamos voltar a repetir uma coisa, é preciso uma alta dose de compreensão das pessoas.

Vamos imaginar o seguinte, para clarear: se eu não tentar descobrir, diante de uma pessoa que está dando cabeçada, o que está movendo essa criatura a esse estado de vida eu não tenho como atuar. Deu para entender? Ela pode pensar ou mesmo dizer: "Espera aí,  que conversa é essa? Você está querendo me dar lição de moral? Você não sabe nada do que está acontecendo comigo. Você só está me vendo bater com a cabeça na parede, mas por acaso você sabe porque eu estou fazendo isto?" Notou? Fica uma situação embaraçosa. Queremos avaliar o outro por nós mesmos, pela nossa ótica, e cada qual tem uma ótica totalmente diferente. E tem mais, quem pode garantir que a nossa ótica, que se aquela criatura fosse desse ou daquele jeito, seria melhor para ela?

Começa que os nossos componentes educacionais estão embasados em cima de determinadas experiências pessoais que nós tivemos e a outra criatura não teve. 

É por essa razão que temos que sofrer muitas vezes na intimidade dos lares para pode descobrir o que se passa na cabeça dos outros. Porque ajudar, de forma efetiva, que é a proposta que nós estamos elegendo, não é sair pregando para o mundo, mas sim ajudar na órbita em que estamos posicionados.

7 de mai de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 8


IRÁ PELOS MONTES

“QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12

Nós temos muita ovelha desgarrada dentro de casa que vivemos a vida inteira com ela, correndo atrás, e não conseguimos pegá-la. É o que mais ocorre.

E quando pensamos nessa desgarrada  a gente logo imagina gente fugindo da gente. Só que é uma distância em outros parâmetros, não tem nada a ver com questões geográficas, mas sim uma pessoa distanciada no campo do afeto, em uma representação na linha vibracional, e cujo desafio passa a ser reaproximá-la dentro deste campo. Sem contar quantas vezes não somos nós também essa ovelha desgarrada, por uma rebeldia aos desígnios superiores.

São inúmeras as ocasiões em que esquecemos das outras para ficarmos agindo exclusivamente em função de uma. Possivelmente porque esse agrupamento que fica marginalizado nós nem temos tantos compromissos com ele, mas é preciso não perdemos a linha de simpatia e identidade com esse grupo.

A proposta de arregimentar essa ovelha não é na base da força, da intolerância ou daquelas estratégias puramente sistematizadas. Porque não funciona. Ela tem que envolver um circuito de valores de ordem afetiva, uma certa intimidade e quebra de resistência entre os seres. É um processo em que o plano de simpatia tem que ser formalizado, onde temos que manipular fórmulas eficientes para tentar ver se conseguimos transformar a repulsão em atração. Só que quase sempre, quando tentamos fazer isso, nós acabamos por querer escravizar a pessoa, sem entender que amar não é exigir que o outro nos ame.

Outro detalhe: tem pessoas que nós influenciamos ontem, que foram influenciadas por nós no passado para entrar em áreas que, até então, nutríamos, em ilusões que mantínhamos como propostas acentuadamente positivas, e que hoje conseguimos nos desvencilhar, conseguimos nos safar daqueles situações que agora enxergamos como enganos e negatividade, e elas não.

Permanecem lá, ainda, na canoa furada em que entraram por nossa influência, possivelmente levadas inicialmente por um impacto, por uma linha de indução ou pela curiosidade despertada, e que continuam naquela posição conforme o grau de intensidade que nós aplicamos lá atrás. Ou seja, nós conseguimos acordar e nos desvencilhar daquilo, sair fora, e elas ainda continuam naquela linha que lhes foi mostrada. E se complicaram em razão disso. E no fim das contas, quem é que vai ter que buscar e reerguer esses elementos? Bom, quem vai ter que buscar é o Cristo, todavia nós é que somos os instrumentos usados nessa busca. Não fomos nós que ajudamos a enfiar determinada situação na cabeça delas com nossas ideias? Pois então, agora nós é que vamos buscar.

É importante demais saber como é que se dá essa busca, como é que ela ocorre.

O ensinamento é muito claro nesse ponto: "irá pelos montes". Não é pelos vales, porque tem diferença. Logo, aí já se define como se dá a busca dessa ovelha que desgarrou. A nossa linha aplicativa, de ação, tem que ser uma expressão genuína daquilo que vem de cima, nós temos que caminhar nas elevações que o evangelho propõe. O seguidor do Cristo é aquele que mais nitidamente tem que estar em relação com as faixas superiores. Para exercer plenamente a sua condição de servo uma coisa tem que estar bem nítida na sua cabeça, ele tem que estar de olho no patamar de cima. Está dando para perceber?

Se ele vai pelos montes, e montes não é referência ao sentido literal da mensagem didática, e sim ao sentido intrínseco do conteúdo didático, em hipótese alguma ele abandona as noventa e nove. Monte representa subida, indicam aqueles momentos de elevação que elegemos no espírito. Os montes citados na sagrada escritura, aquelas elevações geográficas, vieram pelo tempo e chegam até nós. Dentro de nós, existem vales, depressões e elevações.

Deu para ter uma ideia? A busca, então, tem que ser pelo monte, porque se aquele que vai buscar gravitar usando os valores de baixo ele perde segurança. Sem contar que de cima ele consegue uma visualização melhor, mais ampla. De cima ele tem a consciência de que está tentando dar o passo correto, ele dá conta de fazer um ajuste nas suas emissões mentais com os padrões visualizados sem se estabilizar. Ele pode até descer, mas não se desestabiliza.

O texto faz a revelação e a nós compete fazer a aplicação conforme o que nos é apresentado. Agir segundo os padrões superiores. Porque se o indivíduo vai procurar a que desgarrou pelos vales, pelas regiões baixas, ele vai movido pela paixão, pelo medo, pela preocupação, pela dificuldade de toda ordem, em função das deficiências dele próprio. Não sendo pelos montes, essa busca passa a ser o reflexo do pensamento do plano efetivo do amor no seu sentido, ainda, ligado às relações humanas. Sem ser pelos montes nós corremos o risco de agir utilizando puramente os padrões de fisionomia de vida da nossa retaguarda, acabamos deixando escapar dificuldades incrustadas no nosso subconsciente.

É algo para ser ponderado e definido, para que o êxito se dê. Mas nada de inquietação, vamos com calma que a gente vence. Fazendo o que é certo não vai ser complicado, seguindo a orientação superior a gente vai ter condições de acertar.

4 de mai de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 7


A OVELHA DESGARRADA

“5JESUS ENVIOU ESTES DOZE, E LHES ORDENOU, DIZENDO: NÃO IREIS PELO CAMINHO DOS GENTIOS, NEM ENTRAREIS EM CIDADE DE SAMARITANOS; 6MAS IDE ANTES ÀS OVELHAS PERDIDAS DA CASA DE ISRAEL;” MATEUS 10:5-6  

“E ELE, RESPONDENDO, DISSE: EU NÃO FUI ENVIADO SENÃO ÀS OVELHAS PERDIDAS DA CASA DE ISRAEL.” MATEUS 15:24  

“QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

“27E, DEPOIS DISTO, SAIU, E VIU UM PUBLICANO, CHAMADO LEVI, ASSENTADO NA RECEBEDORIA, E DISSE-LHE: SEGUE-ME. 28E ELE, DEIXANDO TUDO, LEVANTOU-SE E O SEGUIU.” LUCAS 5:27-28

A ovelha desgarrada é referência ao judeu no passado e em razão da complexidade da questão nós abordaremos esse aspecto futuramente. Por ora, vamos nos ater ao fato de que por não terem se integrado ao imperativo da evolução no planeta de origem esses foram transmigrados para a Terra. E interessante é que todo o sistema de melhoramento veio em função dessa ovelha desgarrada, Jesus veio aqui atrás dessa ovelha perdida da casa de Israel.

Foram eles que trouxeram Jesus para nós. Eles vieram para cá dentro de uma estrutura de justiça para recompor o destino e caindo aqui trouxeram Jesus. O mestre divino veio arregimentá-las. A sua prioridade era com os caídos, tanto que na orientação aos discípulos os direcionava "antes às ovelhas perdidas da casa de Israel". E afirmava que não veio senão para elas, pois as outras de algum modo estavam ajustadas.

Em uma acepção mais abrangente, desgarradas são as ovelhas que representam aqueles indivíduos desafiadores, estejam eles dentro do lar, de um grupo qualquer, de um ambiente de trabalho e que complicam e complicam.

Agora, o que temos que ter em conta é que a ovelha reporta aos ângulos do sentimento da individualidade. Será que está dando para acompanhar? Ovelha diz mais respeito ao sentimento, a começar pela sua própria expressão de feminilidade, uma vez que ela é a fêmea do carneiro. É aquela que doa, que se oferece à tosquia ou oferece valores aos próprios elementos que naturalmente cuidam dela. A ovelha oferece a lã, que é o componente doado por alguém e que acoberta, envolve, agasalha, e a lã oferecida pela ovelha envolve e aquece.

É por isso que é ovelha, pois é preciso que exista uma linha de ressonância ou de relação, uma interação ampla por parte do sentimento. Além do que, ovelha sugere mansuetude, uma vez que não há como deixar-se guiar nutrindo sentimentos de rebeldia e prepotência. Todos sabemos que o componente que nos incita à doação é o sentimento. Quanto à ovelha negra, é àquela que em um grupo se sobressai pelas suas qualidades negativas e procedimento indevido.

Na passagem do evangelho em que Jesus chamou o publicano Levi, diz o texto que este "deixando tudo, levantou-se e o seguiu". ("E, depois disto, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me. E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu." Lucas 5:27-28) Alguém ao lê-la pode simplesmente perguntar: "Espera aí, mas como é que Levi fez? Deixou a coletoria aberta, entregue às traças, e saiu? O texto não diz que ele fechou a porta?"

Bem, vamos com calma. Fique tranquilo, que ele deve ter tomado a providência necessária, afinal de contas, como é que alguém que segue Jesus pode ter um comportamento com tamanha expressão de irresponsabilidade? Pode isso? Claro que não, não tem cabimento. No entanto, não é nosso objetivo ficar aqui analisando se ele fechou a porta ou não fechou. Nosso interesse está para além disso, o que nos interessa no estudo em questão é o sentido essencial do ensinamento. O deixar tudo que nos importa é no sentido íntimo, intrínseco. Ou seja, porque é que tem que deixar tudo? Analise comigo, se quem senta se acomoda, aquele que está na recebedoria está preocupado apenas em receber ou está disposto a oferecer algo? O que você acha?

Então, na acepção espiritual recebedoria diz respeito à acomodação da criatura em pontos de culto ao egoísmo contumaz, em que ela utiliza de forma viciosa os serviços dos outros para si, o que é totalmente o contrário de seguir Jesus. E se a criatura não deixa tudo ela fica como está e não se levanta. Logo, esse "deixando tudo" significa a descarga, a desvinculação daquelas estruturas mentais dos interesses e dos objetivos que ele, por sua vez, nutria.

E dentro do sentido essencial e intrínseco que nos importa, no ensinamento da ovelha desgarrada, o indivíduo deixa as noventa e nove porque ele não é dono delas, embora no sentido prático tenha uma responsabilidade para com elas, como o Levi tinha responsabilidade com a repartição na qual servia. Às vezes acontece realmente de nós termos de nos desvincular de muita coisa, deixando tudo aqui, para penetrarmos em um ângulo novo que, quem sabe, descuidamos.

Pode mesmo ter sido por descuido nosso, e tanto descuidamos que ela saiu, se desgarrou. Porém, uma coisa na qual temos que nos atentar é que existem pais e mães que vivem praticamente em função desses elementos complicados, razão pela qual precisamos ponderar acerca de nossas atitudes. Busquemos essa ovelha desgarrada, trabalhemos com esse coração que merece um empenho maior e uma atenção redobrada, mas, pelo amor de Deus, não podemos deixar cair a estrutura de um ambiente, de um lar, em função de alguém que, apesar de estar desgarrado, pretende permanecer desgarrado.

Deu para pegar a lógica da questão? Nós largamos as noventa e nove, mas não nos dissociamos delas. Em hipótese alguma nós devemos deixar as noventa e nove à bancarrota, à míngua, deixá-las desabrigadas e desamparadas para buscar uma que se perdeu. Tem muita gente que faz isso, em função de uma individualidade dentro de casa, como um filho, e por tratar-se de uma ovelha desgarrada, abandona os três ou quatro componentes da casa.

Na acepção íntima, temos também ovelhas dentro da intimidade, que é onde funciona, efetivamente, o evangelho. São ângulos que já dominamos e que estão alicerçados sob nosso campo operacional com segurança. Só que a cada momento somos testados em nossas próprias reservas interiores e vez por outra vamos atrás daquela que se desgarrou. De fato, temos que operar constantemente porque essas noventa e nove, inclusive com essa que retorna, formam caracteres íntimos que estão em processo amplo de reciclagem, de crescimento. Esse acervo, ou esse aprisco, vai se reciclando a cada instante.

São caracteres da personalidade que tem que se ajustar aos novos momentos, aos novos sentidos da própria vida. Eles vão criando uma espécie de conceito e a estruturação desses conceitos não se faz apenas em cima de uma linha que chegou e assimilamos intelectivamente, não. Nós temos muitos conceitos que são formados aos poucos como se dá com medicação contínua ou produto em gotas. O padrão vem lentamente e com regularidade e vai se formando o conceito. A gente vai lentamente formando. E como nossa mente é muito fértil, não criamos só conceitos, podemos entrar nos chamados pré-conceitos, e isso é que é duro.

É fato que podemos encaminhar a nossa luta em cima de um padrão determinado. Não podemos? Claro que podemos, porque a nossa inteligência que se abre em termos de razão pode laborar em cima de um determinado caractere, de um determinado tópico. Todavia, vamos notar que o êxito, no que se refere a uma proposta mais ampliada, estará sempre na dependência de uma reformulação abrangente. Hoje, constantemente somos convocados ao redirecionamento nos padrões e reflexos que revestem a nossa caminhada. Por mais zelosos que sejamos, e por mais durões que possamos ser no campo reeducacional, temos várias facetas da personalidade que são imperfeitas, frágeis ainda, dentro do patamar em que estamos, e suscetíveis de serem mudadas.

Nos dias atuais não tem como alguém encontrar um pouso de felicidade apenas encasulado em suas próprias convicções, em suas próprias conceituações. Nós temos que nos integrar a um processo em que somos convocados a esse tipo de atividade, de redirecionar e reformular os padrões já sedimentados. E, às vezes, podemos ter uma conceituação que é redimensionada em determinado momento exatamente com essa fuga e esse retorno.

Nossa visão se altera a cada instante e não dá mais para permanecermos enclausurados em conceitos ultrapassados. A cada momento somos conduzidos a posições em que os padrões, que até então eram suficientes, deixam de ser suficientes, e eles vão sendo exigidos em alterações redirecionadas. Conclusão: é necessário que permaneçamos, tanto nas áreas da razão como do sentimento, matriculados em uma escola de renovação e de mudanças.

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