14 de mai de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 10 (Final)


APROXIMAÇÃO II

“12QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU? 13E, SE PORVENTURA ACHÁ-LA, EM VERDADE VOS DIGO QUE MAIOR PRAZER TEM POR AQUELA DO QUE PELAS NOVENTA E NOVE QUE SE NÃO DESGARRARAM. 14ASSIM, TAMBÉM, NÃO É VONTADE DE VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS, QUE UM DESTES PEQUENINOS SE PERCA.” MATEUS 18:12-14

Às vezes, a gente engole sapo a vida inteira em razão de respostas inadequadas que recebemos, de frustrações e decepções por parte de pessoas que a gente sente que gosta.

Não tem outra, temos que ter tranquilidade na administração desse processo de pastoreio, e paciência, porque não temos conhecimento claro do que motivou o afastamento dessa criatura. Realmente buscar uma ovelha desgarrada, que na maioria das situações nós mesmos enxotamos ou nos descuidamos dela naquilo que era o mínimo que podíamos fazer, é situação realmente complexa. Mas à partir do momento em que investimos na compreensão, na linha de discernimento e depositamos amor sem afetação e sentimentalismo, a espiritualidade vai nos concedendo recursos e instrumentalidade para penetrarmos a fundo. E nessa hora também não é só penetrar, diagnosticar e descobrir. Por quê? Porque o grande desafio não é o diagnóstico.

O grande desafio é a terapia que nós queremos dar, a nossa medicação que nem sempre é compatível com a necessidade do outro. E que pode, inclusive, propiciar um efeito contrário na aplicação. É necessário da nossa parte essa condição de trabalhar a criatura com naturalidade. Quantas vezes conseguimos observar em conversas que está relativamente fácil resolver o problema dessa criatura.

Mas para ela, puxa vida, ainda vai demorar muito tempo. Para ela, essa solução fácil que nós visualizamos agora ainda é um desafio insuperável. Disso aprendemos que a primeira coisa para chegarmos a esse grau de compreensão e de cooperação legítima é tirarmos de cabeça a proposta de querermos que a pessoa se mude na nossa frente, naquela hora. Vamos com calma.

Quantas experiências frustradas, e por tão longo tempo, nós tivemos que passar para chegarmos até aqui, e os espíritos amigos nos acompanharam o tempo todo, sem agonia? Quantas vezes eles acharam que nossa mudança seria em determinado tempo, e não foi? Que seria na outra etapa, e não foi? E não foi, e agora é que estamos mudando. E olhe lá, se estamos de fato mudando.

Mediante um laboratório que, às vezes, nos machuca, traz desconforto e nos faz chorar, estamos sendo chamados a um processo de auto-conhecimento para alcançarmos a capacidade de visualização das necessidades dos nossos semelhantes. 

Para amar e conseguir exercer a caridade em sua expressão legítima nós temos que ter elevada dose de compreensão do patamar em que o outro está vivendo. Não estamos estudando o evangelho para lidarmos com pedras, nós vamos lidar é com a sensibilidade dos outros. Logo, aproximar, ensinar, transmitir e cooperar envolve um alto grau de sensibilidade, saber o que se passa no coração das pessoas, saber entender a carência e a necessidade delas.

E olha que, por mais que a gente progrida nessa área da capacidade do diagnóstico, por mais que a gente ouça um relato, observe e analise a gente não vê tudo.

A vida no plano físico é heterogênea e situamo-nos em um mundo que tem de tudo. Mesmo junto ao nosso coração identificamos aqueles que parecem residir em regiões morais bem diferentes. Entes amados que desertam da estrada justa, amigos queridos que abraçam experiências perigosas, afetos da alma perdidos nos despenhadeiros da amargura. E como ajudar os que nos parecem mergulhados no erro?

Criticar e censurar é criar mais distância entre eles e desprezá-los é perdê-los. Comecemos por nos situar na posição deles, no campo dos problemas em que se encontram, e esperemos a chance para algo fazermos a eles, testemunhando-lhes o nosso apreço. No pensamento, guardemo-los todos em vibrações de entendimento e carinho. Na palavra, envolvamo-los na bênção do verbo nobre e na atitude amparemo-los quanto seja possível. Em todo processo de ação o nosso dever maior é fortalecê-los para o bem. Não esqueçamos de estender o coração e as mãos para ajudar aqueles que nos afiguram desnorteados, porque não existe na vida ninguém melhor do que ninguém.

Estamos todos no caminho da evolução e, segundo o mestre divino, com a medida com que tivermos medido nos hão de medir a nós. Precisamos de amor para criar e no exercício do amor em vez de você empurrar você aproxima. Se não chegarmos por adequação nós não descobrimos as carências da criatura e não a auxiliamos. A mudança é pela mente, sim, todavia devemos ganhar o coração da pessoa, porque quem não ganha o coração não ganhará o cérebro.

Se nós não formos no circuito mental do paciente, do educando, não o ajudamos. Em determinadas situações o nosso objetivo não deve ser oferecer remédio, mas oferecer uma motivação através de novas ideias com o qual ele possa trabalhar no plano íntimo. Para se ter uma noção, é muito fácil, por exemplo, num relacionamento de conflito familiar, uma mãe passar dez vezes pela sala de televisão e o filho estar lá, assistindo filme até tarde: "Eh, você não faz mais nada na vida?! Só fica nessa porcaria de televisão o dia inteiro?" Isso não aproxima ninguém, pelo contrário, é até capaz de criar uma distância maior.

Talvez um dia, em que ela não censurar, assentar-se perto dele, perguntar algo sobre o filme, tecer um comentário positivo, possa abrir um sinal de simpatia entre ambos porque, até então, o que pode estar vigorando é uma barreira grande entre os dois, uma contenda ostensiva, de forma velada no campo dos interesses. Temos que nos lembrar do evangelho, e na sua didática qual é o verdadeiro trabalho do educador? Estimular o indivíduo para que ele possa enveredar por um caminho melhor. E no começo desse processo muitas vezes nós temos que trabalhar com o interesse pessoal dele. Concorda comigo?

Vai ter casos em que vamos ter que lidar com as pessoas com base no interesse pessoal delas. Pode soar estranho isso, mas muitas vezes nós temos que agir com a própria vaidade do indivíduo, temos que trabalhar com o princípio da vaidade que ele tem. E o importante é ter em mente que a ação deve dirigir-se no sentido de encontrar estratégias que possam propiciar a sensibilização dele, atingir o seu coração em um grau de confiabilidade e segurança.

Precisamos ter esse tino, alcançar essa autoridade para despertar no ouvinte, em meio aos padrões que canalizamos, o interesse para que ele também se desperte.

É impossível ajudarmos eficientemente se não houver uma moldura de afetividade e valorização. É imprescindível saber vencer as resistências. Para todos que possuem um relacionamento difícil, seja a nível familiar, no campo do trabalho ou na área social a que vincule suas dificuldades, vai uma dica simples que costuma funcionar. Ao chegar em um ambiente e tiver lá, por exemplo, quatro pessoas, uma que te adora, outra mais ou menos, a terceira que é alguém que você não conhece e a quarta a que você não gosta, o que deve experimentar fazer? Essas quatro estão todas juntas e a solução mais adequada é você ir naquela complicada primeiro. Vai ser um pouco difícil, mas experimente fazer.

Chegue nela tranquilo, naturalmente, e diga algo como: "Tudo bem? Como vão as coisas?" Não haja forçado, mas tente abrir o coração dela. Deixe aquela pessoa que você mais gosta para o final. Aí, sim, você vai lá, abraça, beija, faça o que melhor entender. Sabe porque dessa dica? Porque se a gente vai primeiro naquele que adoramos, o da ponta pode pensar assim consigo: "Está vendo? Hipocrisia total, pura falsidade. Ele discrimina." E pode surgir uma antipatia velada até com o outro que recebeu o abraço. Então, precisamos agir de modo a não deixarmos que as resistências aumentem. Tenha certeza de uma coisa, muitos dos problemas que nós carreamos na vida, que nós temos que vencer, podem ser solucionados exatamente com esse discernimento no trato social. Com atitude simples dessa podemos vencer resistências de longo tempo.

Em tantas ocasiões, é atrás de uma criatura endurecida e complicada que vamos encontrar os mais legítimos expoentes da atividade doutrinária cristã. Já pensou nisso? Normalmente, os indivíduos mais endurecidos são os que apresentam maiores potenciais. E os espíritos de luz, em todos os planos do orbe, trabalham com esses que tem recursos e que são os grandes incompreendidos da evolução. É que quase sempre esses grandes desgarrados obtiveram a emersão, na intimidade deles, de ângulos que as noventa e nove não tiveram ainda, enxergaram e aprenderam coisas que as outras não alcançaram.

Quem não se lembra da alegria que o pai teve com o retorno do filho pródigo? Nós obtemos uma euforia pessoal diante das vitórias sobre nós próprios, e esse prazer é aquela euforia que nos visita o entendimento e o coração e define a verdadeira vitória em que somos convocados ao exercício, às vezes, do sacrifício na recomposição nossa do próprio destino. É muito gratificante isto.

Essa alegria representa a resposta da vida à nossa capacidade de amar. Afinal, tem muitos que estão reencarnando na busca dessa ovelha desgarrada, e quem sabe se a gente não é essa ovelha desgarrada que depois de tanta luta está sendo encontrada hoje?!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...