4 de mai de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 7


A OVELHA DESGARRADA

“5JESUS ENVIOU ESTES DOZE, E LHES ORDENOU, DIZENDO: NÃO IREIS PELO CAMINHO DOS GENTIOS, NEM ENTRAREIS EM CIDADE DE SAMARITANOS; 6MAS IDE ANTES ÀS OVELHAS PERDIDAS DA CASA DE ISRAEL;” MATEUS 10:5-6  

“E ELE, RESPONDENDO, DISSE: EU NÃO FUI ENVIADO SENÃO ÀS OVELHAS PERDIDAS DA CASA DE ISRAEL.” MATEUS 15:24  

“QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12  

“27E, DEPOIS DISTO, SAIU, E VIU UM PUBLICANO, CHAMADO LEVI, ASSENTADO NA RECEBEDORIA, E DISSE-LHE: SEGUE-ME. 28E ELE, DEIXANDO TUDO, LEVANTOU-SE E O SEGUIU.” LUCAS 5:27-28

A ovelha desgarrada é referência ao judeu no passado e em razão da complexidade da questão nós abordaremos esse aspecto futuramente. Por ora, vamos nos ater ao fato de que por não terem se integrado ao imperativo da evolução no planeta de origem esses foram transmigrados para a Terra. E interessante é que todo o sistema de melhoramento veio em função dessa ovelha desgarrada, Jesus veio aqui atrás dessa ovelha perdida da casa de Israel.

Foram eles que trouxeram Jesus para nós. Eles vieram para cá dentro de uma estrutura de justiça para recompor o destino e caindo aqui trouxeram Jesus. O mestre divino veio arregimentá-las. A sua prioridade era com os caídos, tanto que na orientação aos discípulos os direcionava "antes às ovelhas perdidas da casa de Israel". E afirmava que não veio senão para elas, pois as outras de algum modo estavam ajustadas.

Em uma acepção mais abrangente, desgarradas são as ovelhas que representam aqueles indivíduos desafiadores, estejam eles dentro do lar, de um grupo qualquer, de um ambiente de trabalho e que complicam e complicam.

Agora, o que temos que ter em conta é que a ovelha reporta aos ângulos do sentimento da individualidade. Será que está dando para acompanhar? Ovelha diz mais respeito ao sentimento, a começar pela sua própria expressão de feminilidade, uma vez que ela é a fêmea do carneiro. É aquela que doa, que se oferece à tosquia ou oferece valores aos próprios elementos que naturalmente cuidam dela. A ovelha oferece a lã, que é o componente doado por alguém e que acoberta, envolve, agasalha, e a lã oferecida pela ovelha envolve e aquece.

É por isso que é ovelha, pois é preciso que exista uma linha de ressonância ou de relação, uma interação ampla por parte do sentimento. Além do que, ovelha sugere mansuetude, uma vez que não há como deixar-se guiar nutrindo sentimentos de rebeldia e prepotência. Todos sabemos que o componente que nos incita à doação é o sentimento. Quanto à ovelha negra, é àquela que em um grupo se sobressai pelas suas qualidades negativas e procedimento indevido.

Na passagem do evangelho em que Jesus chamou o publicano Levi, diz o texto que este "deixando tudo, levantou-se e o seguiu". ("E, depois disto, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me. E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu." Lucas 5:27-28) Alguém ao lê-la pode simplesmente perguntar: "Espera aí, mas como é que Levi fez? Deixou a coletoria aberta, entregue às traças, e saiu? O texto não diz que ele fechou a porta?"

Bem, vamos com calma. Fique tranquilo, que ele deve ter tomado a providência necessária, afinal de contas, como é que alguém que segue Jesus pode ter um comportamento com tamanha expressão de irresponsabilidade? Pode isso? Claro que não, não tem cabimento. No entanto, não é nosso objetivo ficar aqui analisando se ele fechou a porta ou não fechou. Nosso interesse está para além disso, o que nos interessa no estudo em questão é o sentido essencial do ensinamento. O deixar tudo que nos importa é no sentido íntimo, intrínseco. Ou seja, porque é que tem que deixar tudo? Analise comigo, se quem senta se acomoda, aquele que está na recebedoria está preocupado apenas em receber ou está disposto a oferecer algo? O que você acha?

Então, na acepção espiritual recebedoria diz respeito à acomodação da criatura em pontos de culto ao egoísmo contumaz, em que ela utiliza de forma viciosa os serviços dos outros para si, o que é totalmente o contrário de seguir Jesus. E se a criatura não deixa tudo ela fica como está e não se levanta. Logo, esse "deixando tudo" significa a descarga, a desvinculação daquelas estruturas mentais dos interesses e dos objetivos que ele, por sua vez, nutria.

E dentro do sentido essencial e intrínseco que nos importa, no ensinamento da ovelha desgarrada, o indivíduo deixa as noventa e nove porque ele não é dono delas, embora no sentido prático tenha uma responsabilidade para com elas, como o Levi tinha responsabilidade com a repartição na qual servia. Às vezes acontece realmente de nós termos de nos desvincular de muita coisa, deixando tudo aqui, para penetrarmos em um ângulo novo que, quem sabe, descuidamos.

Pode mesmo ter sido por descuido nosso, e tanto descuidamos que ela saiu, se desgarrou. Porém, uma coisa na qual temos que nos atentar é que existem pais e mães que vivem praticamente em função desses elementos complicados, razão pela qual precisamos ponderar acerca de nossas atitudes. Busquemos essa ovelha desgarrada, trabalhemos com esse coração que merece um empenho maior e uma atenção redobrada, mas, pelo amor de Deus, não podemos deixar cair a estrutura de um ambiente, de um lar, em função de alguém que, apesar de estar desgarrado, pretende permanecer desgarrado.

Deu para pegar a lógica da questão? Nós largamos as noventa e nove, mas não nos dissociamos delas. Em hipótese alguma nós devemos deixar as noventa e nove à bancarrota, à míngua, deixá-las desabrigadas e desamparadas para buscar uma que se perdeu. Tem muita gente que faz isso, em função de uma individualidade dentro de casa, como um filho, e por tratar-se de uma ovelha desgarrada, abandona os três ou quatro componentes da casa.

Na acepção íntima, temos também ovelhas dentro da intimidade, que é onde funciona, efetivamente, o evangelho. São ângulos que já dominamos e que estão alicerçados sob nosso campo operacional com segurança. Só que a cada momento somos testados em nossas próprias reservas interiores e vez por outra vamos atrás daquela que se desgarrou. De fato, temos que operar constantemente porque essas noventa e nove, inclusive com essa que retorna, formam caracteres íntimos que estão em processo amplo de reciclagem, de crescimento. Esse acervo, ou esse aprisco, vai se reciclando a cada instante.

São caracteres da personalidade que tem que se ajustar aos novos momentos, aos novos sentidos da própria vida. Eles vão criando uma espécie de conceito e a estruturação desses conceitos não se faz apenas em cima de uma linha que chegou e assimilamos intelectivamente, não. Nós temos muitos conceitos que são formados aos poucos como se dá com medicação contínua ou produto em gotas. O padrão vem lentamente e com regularidade e vai se formando o conceito. A gente vai lentamente formando. E como nossa mente é muito fértil, não criamos só conceitos, podemos entrar nos chamados pré-conceitos, e isso é que é duro.

É fato que podemos encaminhar a nossa luta em cima de um padrão determinado. Não podemos? Claro que podemos, porque a nossa inteligência que se abre em termos de razão pode laborar em cima de um determinado caractere, de um determinado tópico. Todavia, vamos notar que o êxito, no que se refere a uma proposta mais ampliada, estará sempre na dependência de uma reformulação abrangente. Hoje, constantemente somos convocados ao redirecionamento nos padrões e reflexos que revestem a nossa caminhada. Por mais zelosos que sejamos, e por mais durões que possamos ser no campo reeducacional, temos várias facetas da personalidade que são imperfeitas, frágeis ainda, dentro do patamar em que estamos, e suscetíveis de serem mudadas.

Nos dias atuais não tem como alguém encontrar um pouso de felicidade apenas encasulado em suas próprias convicções, em suas próprias conceituações. Nós temos que nos integrar a um processo em que somos convocados a esse tipo de atividade, de redirecionar e reformular os padrões já sedimentados. E, às vezes, podemos ter uma conceituação que é redimensionada em determinado momento exatamente com essa fuga e esse retorno.

Nossa visão se altera a cada instante e não dá mais para permanecermos enclausurados em conceitos ultrapassados. A cada momento somos conduzidos a posições em que os padrões, que até então eram suficientes, deixam de ser suficientes, e eles vão sendo exigidos em alterações redirecionadas. Conclusão: é necessário que permaneçamos, tanto nas áreas da razão como do sentimento, matriculados em uma escola de renovação e de mudanças.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...