7 de mai de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 8


IRÁ PELOS MONTES

“QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU?” MATEUS 18:12

Nós temos muita ovelha desgarrada dentro de casa que vivemos a vida inteira com ela, correndo atrás, e não conseguimos pegá-la. É o que mais ocorre.

E quando pensamos nessa desgarrada  a gente logo imagina gente fugindo da gente. Só que é uma distância em outros parâmetros, não tem nada a ver com questões geográficas, mas sim uma pessoa distanciada no campo do afeto, em uma representação na linha vibracional, e cujo desafio passa a ser reaproximá-la dentro deste campo. Sem contar quantas vezes não somos nós também essa ovelha desgarrada, por uma rebeldia aos desígnios superiores.

São inúmeras as ocasiões em que esquecemos das outras para ficarmos agindo exclusivamente em função de uma. Possivelmente porque esse agrupamento que fica marginalizado nós nem temos tantos compromissos com ele, mas é preciso não perdemos a linha de simpatia e identidade com esse grupo.

A proposta de arregimentar essa ovelha não é na base da força, da intolerância ou daquelas estratégias puramente sistematizadas. Porque não funciona. Ela tem que envolver um circuito de valores de ordem afetiva, uma certa intimidade e quebra de resistência entre os seres. É um processo em que o plano de simpatia tem que ser formalizado, onde temos que manipular fórmulas eficientes para tentar ver se conseguimos transformar a repulsão em atração. Só que quase sempre, quando tentamos fazer isso, nós acabamos por querer escravizar a pessoa, sem entender que amar não é exigir que o outro nos ame.

Outro detalhe: tem pessoas que nós influenciamos ontem, que foram influenciadas por nós no passado para entrar em áreas que, até então, nutríamos, em ilusões que mantínhamos como propostas acentuadamente positivas, e que hoje conseguimos nos desvencilhar, conseguimos nos safar daqueles situações que agora enxergamos como enganos e negatividade, e elas não.

Permanecem lá, ainda, na canoa furada em que entraram por nossa influência, possivelmente levadas inicialmente por um impacto, por uma linha de indução ou pela curiosidade despertada, e que continuam naquela posição conforme o grau de intensidade que nós aplicamos lá atrás. Ou seja, nós conseguimos acordar e nos desvencilhar daquilo, sair fora, e elas ainda continuam naquela linha que lhes foi mostrada. E se complicaram em razão disso. E no fim das contas, quem é que vai ter que buscar e reerguer esses elementos? Bom, quem vai ter que buscar é o Cristo, todavia nós é que somos os instrumentos usados nessa busca. Não fomos nós que ajudamos a enfiar determinada situação na cabeça delas com nossas ideias? Pois então, agora nós é que vamos buscar.

É importante demais saber como é que se dá essa busca, como é que ela ocorre.

O ensinamento é muito claro nesse ponto: "irá pelos montes". Não é pelos vales, porque tem diferença. Logo, aí já se define como se dá a busca dessa ovelha que desgarrou. A nossa linha aplicativa, de ação, tem que ser uma expressão genuína daquilo que vem de cima, nós temos que caminhar nas elevações que o evangelho propõe. O seguidor do Cristo é aquele que mais nitidamente tem que estar em relação com as faixas superiores. Para exercer plenamente a sua condição de servo uma coisa tem que estar bem nítida na sua cabeça, ele tem que estar de olho no patamar de cima. Está dando para perceber?

Se ele vai pelos montes, e montes não é referência ao sentido literal da mensagem didática, e sim ao sentido intrínseco do conteúdo didático, em hipótese alguma ele abandona as noventa e nove. Monte representa subida, indicam aqueles momentos de elevação que elegemos no espírito. Os montes citados na sagrada escritura, aquelas elevações geográficas, vieram pelo tempo e chegam até nós. Dentro de nós, existem vales, depressões e elevações.

Deu para ter uma ideia? A busca, então, tem que ser pelo monte, porque se aquele que vai buscar gravitar usando os valores de baixo ele perde segurança. Sem contar que de cima ele consegue uma visualização melhor, mais ampla. De cima ele tem a consciência de que está tentando dar o passo correto, ele dá conta de fazer um ajuste nas suas emissões mentais com os padrões visualizados sem se estabilizar. Ele pode até descer, mas não se desestabiliza.

O texto faz a revelação e a nós compete fazer a aplicação conforme o que nos é apresentado. Agir segundo os padrões superiores. Porque se o indivíduo vai procurar a que desgarrou pelos vales, pelas regiões baixas, ele vai movido pela paixão, pelo medo, pela preocupação, pela dificuldade de toda ordem, em função das deficiências dele próprio. Não sendo pelos montes, essa busca passa a ser o reflexo do pensamento do plano efetivo do amor no seu sentido, ainda, ligado às relações humanas. Sem ser pelos montes nós corremos o risco de agir utilizando puramente os padrões de fisionomia de vida da nossa retaguarda, acabamos deixando escapar dificuldades incrustadas no nosso subconsciente.

É algo para ser ponderado e definido, para que o êxito se dê. Mas nada de inquietação, vamos com calma que a gente vence. Fazendo o que é certo não vai ser complicado, seguindo a orientação superior a gente vai ter condições de acertar.

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