11 de mai de 2013

Cap 34 - A Família e a Ovelha - Parte 9


APROXIMAÇÃO I

“12QUE VOS PARECE? SE ALGUM HOMEM TIVER CEM OVELHAS, E UMA DELAS SE DESGARRAR, NÃO IRÁ PELOS MONTES, DEIXANDO AS NOVENTA E NOVE, EM BUSCA DA QUE SE DESGARROU? 13E, SE PORVENTURA ACHÁ-LA, EM VERDADE VOS DIGO QUE MAIOR PRAZER TEM POR AQUELA DO QUE PELAS NOVENTA E NOVE QUE SE NÃO DESGARRARAM. 14ASSIM, TAMBÉM, NÃO É VONTADE DE VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS, QUE UM DESTES PEQUENINOS SE PERCA.” MATEUS 18:10-14

É preciso termos um pouco de paciência conosco, um espírito de identificação com a faixa em que estamos posicionados. Sabe porque eu estou dizendo isto? Porque todos nós temos em nossa linha de relação pessoas que só conversam detectando erros das outras.

Não é algo apenas deselegante, é também uma das coisas mais tristes que existe. Não tem ninguém que salva na ótica delas. A gente conversa com essas pessoas e chega a dar medo. É algo amplamente desagradável. O que acontece é que na hora em que a gente começa a pinçar um ponto negativo em alguém, e dar campo a isso, daqui a pouco a gente já não tem só alguns pontos, mas sim um painel inteiro das complicações dele. E o pior de tudo é que muitas vezes nós somos mais complicados do que ele naquilo que a gente está apontando.

Por outro lado, também, não quer dizer que eu vou ficar batendo palmas pelos erros do outro, e o outro vai ficar batendo palmas pelos erros que eu tenho. De certa forma é até importante saber, às vezes, que a pessoa tem falha, até para poder ajudá-la com mais consistência. Mas espera aí, se eu vou auxiliar criticando a minha crítica já tirou toda a minha humildade interior. Quando alguém tripudia em cima da dificuldade do outro ele está mostrando incapacidade, mostrando situações complexas de retaguarda. Aí já deixa mesmo de existir amor, porque o amor esquece, o amor deixa que tudo se encaminhe para um novo momento.

Nós sabemos que os que crescem em sabedoria não ficam apontando nossas falhas, mas sim buscam nos compreender e ajudar. Além do que, que coisa mais descabida, não temos autoridade para apontar o errado de maneira descaracterizada. Não é apontando erros que vamos ajudar quem quer que seja, embora seja essa a técnica comumente adotada dentro dos ambientes domésticos.

Relacionar fatores negativos é algo totalmente fora da didática que o evangelho propõe. Além do que, para fazer isso, para criticar, nós temos que ter um alto grau de interação com o outro coração. E ficamos querendo criar interação não na base da afinidade, mas da pancada, e todo aquele que tem por norma desautorizar, bombardear e maldizer ele não está apto ainda a determinadas faixas do seu crescimento espiritual. Até mesmo quando nos situamos em plano de autoridade em relação a outrem, seja filho, parente ou funcionário em condição de subalternidade, nós ganhamos autoridade em determinar limites quando compreendemos. Deu para perceber? Porque enquanto não compreendermos nós vamos ficar colocando limite para resguardar o nosso interesse pessoal e não para auxiliar o semelhante que está saindo fora de sua órbita. Então, fica um recado interessante: vamos tentar desativar os pontos de resistência. É o que Jesus disse no "não resistais". Se você notou qualquer coisa no semelhante que o desagrada, investe.

Todas as vezes que a gente levar alguma mágoa ou repulsa de uma pessoa, a primeira providência é tentar desativar isso. Não deixar crescer. O seu próprio eu não vai concordar muito e vai acabar dizendo: "que isso, deixa de ser bobo. Você é muito bobo, você é muito fácil de se levar e fica abrindo mão das coisas. Não abre mão não, não cede não." É assim que geralmente pensamos, essa é a tendência. Mas o importante é que quando adotarmos uma estratégia para o caso, que ela não seja elaborada em cima da emoção, mas sob uma clareza, uma lógica interior. É nesse sentido que precisamos passar a fazer.

A emoção não pode ter aquele cheiro de vingança. A nossa emoção ainda não é alguma coisa que define uma harmonização diante da lei, a bem da verdade ela tem um sentido que não é fácil. Nós somos humanos, somos todos suscetíveis de envolvimento, somos acentuadamente sensibilizados a cada momento.

Só para ser ter uma ideia, é muito comum nós ficarmos num plano de insistência em cima de uma pessoa, fruto de nossa emoção, para que ela acate a nossa vontade. E a não aceitação acaba por acionar em nós uma raiva muito grande. Porque queremos no fundo que o outro entenda, que ele aceite e viva segundo aquilo que nós já achamos que é o melhor, aquilo que aprendemos e achamos que é o ideal, e ponto final. Está certo que essa raiva começa a ser trabalhada de forma camuflada, de forma ressentida, mas a gente fica com muita raiva. Com a ampliação da visão tudo passa a ser um grande desafio para nós.

Nós temos que ter uma profunda noção de compreensão. Aquele que não compreende o semelhante não tem condições de viver com tranquilidade. Ele entra em desestrutura, em desajuste, porque coloca na cabeça que o certo é o que ele pensa. O certo para a outra pessoa é de acordo com o piso dele. E não é assim. A outra pessoa pode até estar equivocada, pode ter potencial para estar em melhor situação e não está. Poderia já ter obtido conquista que não conseguiu, ter dado passos além. E essa que deveria estar em ponto mais alto e não está pode, às vezes, ser a ovelha perdida. Que apontou um caminho para ela lá na frente e ela transviou-se desse caminho. A vida tem dessas coisas.

Trabalhar com aqueles indivíduos que estão no pleno usufruto de viverem como querem, não é competente e nem pertinente a nós querer alterar esse processo. Cada pessoa tem um grau de sensibilidade diferente, logo, se nós não tivermos um grau amplo de compreensão, sabendo conseguir entender as pessoas como elas são, nós ficamos desautorizados para cooperar com o semelhante.

É preciso fazer uma leitura da vida e a leitura e a compreensão crescem à medida que se observa com naturalidade e discernimento os acontecimentos. O assunto é da nossa alçada interior no trato mais feliz com o outro. É que o conhecimento e a verdade ocasionalmente abrem ângulos de nossa percepção consciencial que o nosso interlocutor não alcança. Surge um alcance na nossa linha perceptiva, ou de sensibilização, que não é o grau que a outra pessoa tem.

Vamos voltar a repetir uma coisa, é preciso uma alta dose de compreensão das pessoas.

Vamos imaginar o seguinte, para clarear: se eu não tentar descobrir, diante de uma pessoa que está dando cabeçada, o que está movendo essa criatura a esse estado de vida eu não tenho como atuar. Deu para entender? Ela pode pensar ou mesmo dizer: "Espera aí,  que conversa é essa? Você está querendo me dar lição de moral? Você não sabe nada do que está acontecendo comigo. Você só está me vendo bater com a cabeça na parede, mas por acaso você sabe porque eu estou fazendo isto?" Notou? Fica uma situação embaraçosa. Queremos avaliar o outro por nós mesmos, pela nossa ótica, e cada qual tem uma ótica totalmente diferente. E tem mais, quem pode garantir que a nossa ótica, que se aquela criatura fosse desse ou daquele jeito, seria melhor para ela?

Começa que os nossos componentes educacionais estão embasados em cima de determinadas experiências pessoais que nós tivemos e a outra criatura não teve. 

É por essa razão que temos que sofrer muitas vezes na intimidade dos lares para pode descobrir o que se passa na cabeça dos outros. Porque ajudar, de forma efetiva, que é a proposta que nós estamos elegendo, não é sair pregando para o mundo, mas sim ajudar na órbita em que estamos posicionados.

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