19 de mai de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 1


A CEIA

“23E, TOMANDO O CÁLICE, E DANDO GRAÇAS, DEU-LHO; E TODOS BEBERAM DELE. 24E DISSE-LHES: ISTO É O MEU SANGUE, O SANGUE DO NOVO TESTAMENTO, QUE POR MUITOS É DERRAMADO.” MARCOS 14:23-24 

“EIS QUE ESTOU À PORTA, E BATO; SE ALGUÉM OUVIR A MINHA VOZ, E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA, E COM ELE CEAREI, E ELE COMIGO.” APOCALIPSE 3:20

A vida, em suas expressões, necessita e sugere o quê? Ela necessita de recurso mantenedor, sugere recursos de manutenção dessa própria vida no plano energético, porque não tem como manter vida se não tiver alimentação.

Nós a mantemos por meio da alimentação e não existe vida sem alimento. Ela é sempre mantida por alimento específico e alimento é toda substância que ingerida alimenta e nutre. É mantimento, aquilo que sustenta, faz subsistir. E metabolizar é o conjunto de mecanismos químicos necessários ao organismo para formação, desenvolvimento e renovação das estruturas íntimas e produção de energia necessária às manifestações interiores e exteriores da vida.

Em se tratando do plano biológico, físico, a vida é mantida por alimento material, tangível, portador de componentes capazes de assegurar o entretenimento do aparelho celular, onde não podemos prescindir do pão ou similar.

Toda nutrição deve conter a substância mantenedora da vida. No plano intrínseco, íntimo, espiritual, a gente tem que ter a ingestão da alimentação também, por se tratar de um sistema de vida. Neste aspecto a vida também é cultivada e mantida mediante um processo de alimentação por meio do fluxo mental, pelo pensamento. Em outras palavras, temos que alimentar nossa própria estrutura interior, e mais do que pão do corpo necessitamos de pão do espírito, uma vez que há em nossos dias momentos de exaustão das reservas mais íntimas.

A expressão "novo testamento" indica que houve, antes, um outro testamento, que a partir deste novo ficou sendo o velho. Entre ambos vigora uma grande distância evolutiva. O primeiro se reporta ao pacto mosaico firmado com o povo judeu, o qual encerrava o conceito humano do Deus único, a quem se denominou Jeová. Sua base era sobrepor o monoteísmo ao politeísmo e para alcançar tal objetivo justificava-se a violência, cerceando a liberdade em todos os ângulos, ditando regras e preceitos acompanhados de ameaças e severos castigos aos infratores. Por meio desse tudo se impunha pela força e pelo terror.

Por outro lado, o "novo testamento" encerra um ideal e programa totalmente oposto. Fundado no amor, a ninguém constrange, por não pretender impor dogmas nem princípios rígidos, mas revelar à humanidade as leis divinas, naturais, que regem os seus destinos. É um pacto social, de caráter universitário. Apresenta Deus não mais como potência vingadora que destroi e aniquila, fomentando lutas cruentas, mas como poder que edifica, orienta e conduz.

O onipotente não é mais o marechal de campo e, sim, o Pai que recebe em seus braços, com bondade e doçura, os filhos transviados. E o intérprete de sua vontade não é a casta sacerdotal fanática, vaidosa e particularista, é o seu cristo bem amado. A ele delegou poderes de firmar com os homens de todas as raças, nações e povos o "novo testamento", não mais provocando a efusão de sangue alheio, mas dando o seu próprio, como penhor de renúncia e sacrifício em favor daqueles que, mergulhados nas trevas da ignorância e do pecado, necessitam de luz e redenção. Abolida foi por isso o emprego de toda violência na implantação da fé oriunda do "novo testamento". Enquanto o velho agitava os ânimos, originando lutas fraticidas, o novo desperta os sentimentos altruístas, gerando apóstolos capazes de sacrificar a própria vida pela causa da verdade que ilumina e também da justiça que reabilita e santifica.

Onde sopra o espírito do "novo testamento" vigora a liberdade, contrastando com o do velho, que sufocava os corações e enegrecia o entendimento. Segundo o "novo testamento", Deus é o pai comum e os homens são todos irmãos, portanto iguais perante a soberana justiça, sujeitos aos mesmos deveres e participantes dos mesmos direitos. Só o caráter e a virtude assinala o grau evolutivo que distingue os homens entre si. Nenhum distintivo, título ou marca vigora entre eles. Uma só distinção revela os que se acham sob o manto do "novo testamento", o amor recíproco, expresso no desejo de servir e na disposição de renunciar, sempre que dessa renúncia resulte um bem para outrem.

No "eis que estou à porta, e bato" é Jesus que está à nossa porta. Porta do nosso coração, que só se abre por dentro. Ele não desrespeita o livre arbítrio de quem quer que seja, e esse bater mostra o chamado para abrirmos a porta íntima para a entrada dele em nossa casa mental. É óbvio que o batido é suave, agora, por outro lado a amplitude dessa batida é condizente ao nível da resistência. "Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa".

O "entrarei" está sempre presente e com essa entrada a cada momento nós penetramos em ângulos novos no campo revelador. Em determinados aspectos nós já estamos em relação com ele e nessa entrada ele está definindo uma nova projeção de vida no campo de uma operação mais essencial, mais substanciosa, com a finalidade de nos dar forças para cooperarmos efetivamente no grande lance proposto pela espiritualidade maior sob a tutela dele.

A ceia é a refeição da noite e cear é o ato de ingestão.  E quando se fala em cear nós vamos encontrar o quê? Vamos encontrar nesse cear um processo de relação com a base da vida, porque se não tem alimentação não tem vida. Está dando para entender? É alimentar-se, metabolizar componentes que mantém a vida e a euforia pessoal. Refere-se a um processo de relação com a base da vida, aquela posição nossa de investimento na fé, o alcance aos ângulos novos do plano revelador a cada momento, quando passamos a obter valores mais avançados da revelação pela ingestão de padrões novos do evangelho, bebendo e ingerindo com suavidade os recursos capazes de propiciar uma caminhada mais feliz. Essa é a proposta que estamos tentando fazer com o estudo.

É por isso que Jesus disse: "A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou." E vamos lá, qual é a comida básica do universo? Acho que ninguém tem dúvida, é o amor. E que amor? O amor sozinho? O amor que faz aquilo que quer, que bem entende? Isso é um ponto importante a entender. Se falamos em amor tem que ter relação, pelo menos duas: amar a Deus e ao próximo. Então, cear é deglutir, ingerir, é metabolizar os componentes que mantém a vida. É trabalhar na linha das estratégias que possam garantir a vida.

Mas não é vida no sentido de respirar, nem tão pouco de pensar, mantendo o perispírito estruturado na vida espiritual. Não. É a vida no que respeita a algo íntimo, a essência daquela euforia pessoal. É aquela posição nossa na vida em que podemos estar sobrecarregados de muitas coisas, mas permanecemos em projeção, alegres, harmônicos. E quanto entramos no ponto de cear nós estamos investindo na fé e na elaboração de novas metodologias com vistas ao próprio futuro, pois essa vida tem que ter um regime constante de crescimento.

Na ceia nós estamos dentro de casa e o que acontece? Ele está com a gente. Nós abrimos a porta, e ao abrir a porta ceamos com o Cristo num plano de ressonância conjugada. Essa expressão "com ele cearei e ele comigo" representa que aquele que abriu está ceando com Jesus por uma questão de perfeita ressonância, em um perfeito quadro vibracional conjugado. Ceamos com ele e ele conosco. Ele ceia conosco alimentando-nos com parcelas do seu corpo doutrinário. Ele apresenta constante condição de valores operacionais para nós e recebemos dele fluxo constante de recursos novos. Ele ceia conosco dando-nos forças para marcharmos, para cooperarmos no plano do amor dinamizado.

E nós ceamos com ele porque ingerimos alimento que dimana dele. Esse cear apresenta linha de interrelação. É o convívio com o mestre, não no seu sentido religioso, mas no seu sentido científico de vida, e o fazer isso em sua memória sugere para nós a importância dessa ingestão diária. Então, nós temos que laborar, marchar com ele, pois na medida em que vamos ingerindo novos padrões informativos do evangelho passamos a ter valores cada vez mais avançados no campo das percepções. O alimento chega e o alimento fundamental do universo é o amor, alimento das almas. Não estamos falando do alimento físico. Pela ceia nós entramos em relação com o Cristo e entrar em relação com o Cristo é acatar, é recolher o bolo alimentício, mas não para guardá-lo na despensa ou na geladeira, mas sim para lhe dar movimento, dinâmica.

Nós sabemos que a ceia é tomada geralmente à noite. E no âmbito das cogitações alguém pode perguntar, como, inclusive, já perguntou: "Marco Antônio, espera aí. Porque é que Jesus colocou a expressão cearei? Tinha que ser ceia? Porque ele não colocou eu almoçarei? Ou farei o lanche da tarde? Porque tinha que ser exatamente a ceia?" Bem, vamos lá, que essa pergunta é muito interessante.

Para início de conversa, a ceia ocorre à noite, certo? E Nicodemos também foi estar com Jesus à noite, correto? Vamos observar o seguinte: o que interessa para nós é que quem vai estar com Jesus, e quem vai receber Jesus está sempre na hora da ceia, porque está de noite. Está dando para acompanhar? Porque quem está de dia já está com ele. Ele não é a luz do mundo? Pois, então, na essência, estar com Jesus não tem esse negócio de estar de noite, não.

A bem da verdade, essa ceia não tem um horário específico, não. Mas o que podemos notar é que sempre que Jesus aparece na nossa vida é porque a gente estava nas trevas, e chegou a luz e a luz clareou. Ficou claro agora? A ceia, talvez, não seja nessa acepção cronológica tradicional, mas uma referência à nossa treva íntima e à nossa abertura pessoal. Em outras palavras, cear não depende da hora, é toda hora. Cada momento é um momento específico, porque nós podemos estar alimentados em uma determinada condição e podemos não estar alimentados para outro tipo de padrão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...