24 de mai de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 2

O PÃO

“E JESUS LHES DISSE: EU SOU O PÃO DA VIDA; AQUELE QUE VEM A MIM NÃO TERÁ FOME, E QUEM CRÊ EM MIM NUNCA TERÁ SEDE.” JOÃO 6:35

“E, COMENDO ELES, TOMOU JESUS PÃO E, ABENÇOANDO-O,  O PARTIU E DEU-LHO, E DISSE: TOMAI, COMEI, ISTO É O MEU CORPO.” MARCOS 14:22

Para iniciar este estudo acerca do pão, uma coisa interessante que vale a pena ser dita é que ele, antes de qualquer coisa, é sinônimo de simplicidade e universalidade.

Veja para você ver, todos os povos, e em todos os tempos, tem a sua comida típica e os seus pratos nacionais. Cada qual com sua riqueza e seus hábitos e costumes. Todavia, em todos eles o pão constitui o alimento popular. Mesmo quando varie nos ingredientes que o compõe e nos métodos de confecção, ele é sempre o mesmo. Constituído de farinha amassada e levemente fermentada, depois de submetida ao calor do forno se transforma em fator de sustento para o mundo inteiro.

Em outras palavras, pão é invariavelmente pão, seja nas avenidas luxuosas ou nas comunidades carentes, na escola ou no hospital, na casa de ricos ou de pobres. Pão é sempre pão. Isso é ensinamento de grande valia, uma vez que o pão é símbolo de grandiosidade no círculo do evangelho. Lembra-te dele e não deixa em hipótese alguma a vaidade crescer dentro de ti. Não te considere em condições excepcionais na vida e jamais te situes acima de quem quer que seja.

Abraça nos deveres diários o caminho da tua ascensão e recorda o mestre Jesus, o enviado divino e governador espiritual da Terra, que apesar da grandeza não achou para si outra imagem mais nobre e alta que a do pão puro e simples.

A verdadeira eucaristia não é a do pão e do vinho materiais como pretende a igreja de Roma. Como vimos, na ceia, identificação legítima e total do discípulo com Jesus, o pão e o vinho que o mestre distribuía apresentava um recado embutido neles. E nós precisamos compreender esses símbolos e deles tirar ressonância para nossa caminhada. Jesus disse ser o "pão da vida". Ele se compara ao pão.

É que como de costume, usando processo eminentemente pedagógico, recorre às analogias para gravar seus ensinamentos. Utilizando a boa didática ele parte do concreto, do objetivo, do material, do conhecido, do palpável e utiliza um elemento físico como instrumento para ensinar valores de alta expressão espiritual. É que para ensinar algo, até então desconhecido, precisa-se iniciar a análise por um componente conhecido. E que sabedoria profunda em tão singela semelhança. Vamos analisar juntos: o pão é alimento por excelência, e através do pão material ele, por analogia, refere-se ao seu corpo, mas corpo doutrinário, o conteúdo que consubstancia os seus ensinos, a essência do conhecimento. Vale-se daquele alimento básico do corpo para distribuir elementos espirituais a cada um. Assim, a doutrina de Jesus é pão do espírito.

Se é certo que nosso físico definha por falta de alimento adequado à sua natureza, nosso espírito também fraqueja e sucumbe às tentações se não for convenientemente sustentado. Existe vida animal e existe vida espiritual. Há pão para o corpo e há pão para o espírito. Assim como o corpo precisa de alimento para entreter a vida física, assim também a alma tem absoluta necessidade de substância para conservar e intensificar a vida psíquica, e o espírito precisa alimentar-se como sucede com o corpo. Em suma, a alma e o corpo dependem de pão para manter a vida. E Jesus é o pão da vida. Ele se apresenta figuradamente como o pão que desce do céu para alimentar e nutrir as almas, pois estas, como o corpo, devem ser fortalecidas no conhecimento da verdade que emana da revelação divina, nele mesmo personificada. Pode-se dizer que o pão do céu é para o espírito o que o pão da terra é para o corpo.

O pão nosso de cada dia, o pão mantenedor da vida, no campo biológico é o pão material e os assemelhados que alimentam, e no plano espiritual é o conhecimento espiritual que nos visita o entendimento, corporificado no Cristo.

O que nutre o corpo é o que é gerado da terra, o que sustenta o espírito é o que desce do céu. Vida, no sentido espiritual, reconforto vibratório e consciencial, depende do suprimento inesgotável do Cristo, pois todos necessitamos de chamamento ao evangelho, todos atravessamos períodos de fome das informações superiores. As necessidades do espírito se harmonizam com o infinito.

Se o pão é o alimento do corpo, o amor é o alimento das almas. Porque o alimento das almas, na face positiva de crescimento, é o amor, o que nutre o espírito é o amor. Logo, o pão que Jesus distribuiu na ceia, o seu corpo, elaborado pela essência do amor, comida básica da vida, é alimento para o espírito, capaz de suprir efetivamente a fome de equilíbrio e felicidade que  sentimos.

Este pão da vida sustenta para a eternidade, nos projeta para a vida eterna, garantindo-nos elemento suficiente para nossa caminhada. Mediante a sua ingestão passamos a usufruir o bem estar por direito. Obtendo-o semeamos e colhemos por direito, não apenas por misericórdia.

Se o pão é esse conhecimento, o ensinamento não é apresentado integralmente, de uma só vez, por inteiro, mas em parcelas, em frações. Cada fatia, cada parcela de valores é distribuída a cada um conforme a sua capacidade de assimilar. Isso é bonito da gente saber. Cada qual recebe a luz espiritual segundo a própria capacidade, isto é, recebemos na medida que temos de metabolizar o valor. É como o pão mesmo. Um consegue comer somente um pedacinho, outro já metaboliza uma quantidade maior. É por aí que a coisa funciona. Do rio de graças da vida que jorra abundantemente cada alma somente retira a porção de riquezas que possa perceber e utilizar. Passa o rio dos dons divinos em todos os continentes da vida, alcançando a todos, todavia, cada ser lhe recolhe as águas segundo o recipiente que se faz portador.

O conforto espiritual não é como o pão do mundo que passa, mecanicamente, de mão em mão para saciar a fome do corpo, mas sim como o sol que é o mesmo para todos, porém, penetra somente os lugares onde não se haja feito reduto fechado para as sombras. Então, nós temos nesse aspecto a presença de dois componentes presentes, dois verbos mais precisamente, a definir que não basta apenas estar presente à ceia, é preciso tomar o pão e comê-lo. Pão esse que deve ser obtido pelo suor, pelo esforço na aquisição do alimento. E tomar significa exatamente pegar ou segurar, sugere um processo de adesão, de iniciativa.

Esse corpo do Cristo tem que ser ingerido e não só trabalhado sob o aspecto periférico.

Conhecer a doutrina de Jesus apenas na letra, na forma, na estrutura, representa para o espírito precisamente aquilo que para o corpo representa a ingestão do alimento. O principal vem depois: a digestão, a assimilação. Ingerir é buscar compreender aquela essência canalizada, pois somente assim nos apropriamos da substância nutritiva contida na mensagem que alimenta os seres.

Comer define a alimentação dessas parcelas e nós ingerimos. Este estudo, por exemplo, é campo alimentício de valores do pão da vida que é Jesus, e estamos ingerindo o pão. Essa necessidade de edificação espiritual permanece viva e imperiosa e o serviço de aquisição desses valores é alimento vivo e imperecível da alma, ao passo que o próprio Jesus define o "fazei isso em memória de mim". Agora, saibamos que esse pão está sujeito a uma metabolização.

Jesus exige que a nossa razão funcione, que nós assimilemos o pão fornecido. De outra sorte, não haverá aproveitamento. Muitos infelizmente arrebatam o pão da vida e engolem. Não mastigam, não digerem, não assimilam, não aproveitam.

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