27 de mai de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 3

AS TRÊS ÁRVORES E O VINHO

“22E, COMENDO ELES, TOMOU JESUS PÃO, E, ABENÇOANDO-O, O PARTIU E DEU-LHO, E DISSE: TOMAI, COMEI, ISTO É O MEU CORPO. 23E, TOMANDO O CÁLICE, E DANDO GRAÇAS, DEU-LHO; E TODOS BEBERAM DELE. 24E DISSE-LHES: ISTO É O MEU SANGUE, O SANGUE DO NOVO TESTAMENTO, QUE POR MUITOS É DERRAMADO.” MARCOS 14:22-24  

“EU SOU A VIDEIRA VERDADEIRA, E MEU PAI É O LAVRADOR.” JOÃO-15:5

As três árvores presentes em toda a extensão do evangelho, as mais comuns àquela época e região, eram exatamente figueira, oliveira e videira. Como não pode ser diferente, definem símbolos que personificam a individualidade.

A figueira, para se ter uma ideia, por ser uma árvore rasteira, que se mantém muito próxima ao solo, apresenta aquele sentido de justiça. Você se lembra daquela passagem da figueira que secou? Pois então, ela não se desprendia da linha de justiça, pois a figueira tem esse sentido de justiça. Por se referir à justiça ela não tinha frutos, porque frutos não é com a justiça, frutos é com o amor.

Está percebendo? Ela tinha folhas, e tanto tinha que alguém a procurou, o que ela não apresentava era fruto. E o amor começa para além da justiça. Veja para você ver, quando Jesus procurou o figo na figueira, no caminho de Betânia, não era tempo de figos. Mas ele procurou figos porque a figueira apresentava uma estrutura de fidelidade que indicava que ela podia produzir fora do tempo. Está entendendo o que estamos falando? Havia mesmo esse indicativo.

A figueira que secou é o símbolo daquelas pessoas que apenas aparentam propensão para o bem, mas que, em realidade, nada de bom produzem. Simboliza, também, todos aqueles que, tendo meios de ser úteis, não o são. De forma que se muitas palavras sonoras proporcionam simplesmente a impressão daquela figueira condenada, o fruto revela a árvore e a obra fala do homem. E nós, por toda a folhagem exuberante que temos em nossas expressões informativas, nós já temos condições de oferecer alguma coisa. Estou certo? A figueira, também, em outra acepção, define o sentido informativo, é o componente que dá força, que sustenta. Buscar a figueira é alimentar-se, ingerir valores capazes de propiciar sustentação e crescimento do ser.

A oliveira, por sua vez, apresenta aquela capacidade de assimilação, faz referência à produção da luz. Porque ela produz um fruto chamado oliva ou azeitona que é praticamente transformado em óleo, e cuja a queima propicia luz, ou seja, mantém a candeia acesa. Então, no seu sentido intrínseco a oliveira produz o combustível da luz, define o plano de clareamento íntimo no campo dos corações. Simboliza a luta da renovação para a produção de luz em nós. Ao passo que o zambugeiro, a oliveira brava, é aquela em que sai alguma coisa, mas deixa a desejar, é a representação daquele elemento que opera a favor dos outros, mas faz reclamando, opera no campo do auxílio de má vontade.

A videira, como terceira árvore, faz a conjugação de todo esse processo. Cultivada no mundo inteiro em razão dos seus deliciosos frutos, as uvas, tem flores pequeninas, reunidas em cachos, e bagas ricas em açúcares, que fermentam com muita facilidade e propiciam a elaboração do vinho. Então, vamos notar o seguinte: se a figueira representa o sentido informativo, o alimentar-se, e a oliveira já denota o assimilar, a videira constitui a possibilidade da criatura em dinamizar esse valor em nome do Cristo. É a manifestação do testemunho pelo qual sentimos surgir o vinho, substrato abençoado do amor.

E para fecharmos este tópico, sem deixar dúvida, vamos fazer uma recapitulação. A informação nos chega, fracionada, oriunda do plano superior. É o pão que Jesus nos direciona, o conjunto de ensinamentos sob a tutela do amor.

Esse alimento chega e recolhemos o bolo alimentício, onde cada um assimila na medida de seus recursos. Como vimos, esse pão tem que ser digerido, ele está sujeito a uma metabolização, que é tirar da letra a essência, o valor espiritual que nos auxilie no crescimento. Agora, não basta apenas a gente comer do pão. A própria expressão já nos auxilia, se apenas comermos o pão ficamos empanzinados. Tampouco devemos guardá-lo na prateleira ou geladeira.

Não estamos falando essencialmente em amor? Pois é, não há como guardar amor. Ele tem que ser trabalhado, dinamizado. É por isso que o pão sem o vinho não resolve. Qualquer assimilação de conhecimento nobre é aquisição inapreciável, mas se mora estanque na alma de quem aprende assemelha-se a pão escondido aos que choram de fome. O que recebemos somos convocados a operacionalizar, exemplificar, tendo em vista que o cear sugere uma linha de interrelação.

Você já deve ter notado que Jesus oferece o vinho em alusão às mais expressivas manifestações do espírito em comunhão com Deus. Basta observarmos com atenção para vermos que o vinho surge da maceração, da dilaceração, do sacrifício da uva. Ele representa o sangue da imolação em nome do amor, simboliza o sacrifício da uva que acaba por ceder lugar ao substrato.

Em suma, o vinho indica o exercício de renúncia, e não é preciso ir longe para entender. Vamos relembrar, qual foi o primeiro sinal de Jesus no início de seu ministério? Você se lembra, foi precisamente transformar a água em vinho em um casamento em Caná. Ele deixou um ensinamento belíssimo ali, a definir para todos nós que a sua mensagem diz respeito ao sacrifício, que ela tange sacrifício. Assim, desde o início de seu apostolado ele desvenda às criaturas o roteiro máximo de elevação pelo sacrifício. E o vinho faz o papel que o sangue faz.

A videira simboliza sacrifício, a doação profunda, a renúncia do ser, o exercício de entregarmo-nos ao sacrifício pessoal para que alguém seja beneficiado em nome do amor no seu aspecto dinamizado. A ceia de Jesus foi a expansão do amor. Ele se doou. Sua cruz é resposta aos que procuram a sublimidade da ressurreição.

Ao distribuir o vinho na ceia, e definir que tratava-se do seu sangue, ele quis ensinar para todos nós que precisamos metabolizar o conhecimento que chega e apropriar os valores nutricionais do conhecimento no plano aplicativo da vida. 

Ceia sugere isso. A videira verdadeira é ele e nós somos as varas, diretamente vinculadas ao chamamento para a produção. Então, se já nos encontramos com ele não nos queixemos mais. Ontem nós poderíamos alegar fraqueza ou desconhecimento como pretexto para ferir ou repousar, fortalecendo o poder da inércia ou da sombra. Hoje, porém, é nosso dia de caminhar e servir.

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