31 de mai de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 4

O SANGUE E A RENÚNCIA

“22E, COMENDO ELES, TOMOU JESUS PÃO, E, ABENÇOANDO-O, O PARTIU E DEU-LHO, E DISSE: TOMAI, COMEI, ISTO É O MEU CORPO. 23E, TOMANDO O CÁLICE, E DANDO GRAÇAS, DEU-LHO; E TODOS BEBERAM DELE. 24E DISSE-LHES: ISTO É O MEU SANGUE, O SANGUE DO NOVO TESTAMENTO, QUE POR MUITOS É DERRAMADO.” MARCOS 14:22-24

“13E UM DOS ANCIÃOS ME FALOU, DIZENDO: ESTES QUE ESTÃO VESTIDOS DE VESTES BRANCAS, QUEM SÃO, E DE ONDE VIERAM? 14E EU DISSE-LHE: SENHOR, TU SABES. E ELE DISSE-ME: ESTES SÃO OS QUE VIERAM DA GRANDE TRIBULAÇÃO, E LAVARAM AS SUAS VESTES E AS BRANQUEARAM NO SANGUE DO CORDEIRO.” APOCALIPSE 7:13-14

O cordeiro divino faz uma analogia do vinho com o sangue. É que, simbolizado pelo vinho o sangue tem a capacidade de direcionar os valores recebidos, ele faz a função de distribuição dos recursos apropriados no grande processo metabólico.

O sangue é o componente circulador, tem o papel da dinâmica, apresenta o sentido de aplicabilidade. A corrente sanguínea é o elemento captador e transferidor dos recursos para o campo somático. Sendo assim, a questão é nos alimentarmos com o pão e dinamizá-lo com o sangue, consubstanciado na figura do vinho.

No plano físico o pão material é ingerido e metabolizado e o sangue leva o alimento pelos capilares e artérias a todo nosso equipamento. Aqui não é diferente, o estudo é o momento em que nós passamos a ingerir o pão, ao passo que a laboração aplicativa e o funcionamento dinâmico do sangue, pela ingestão do vinho, já é o trabalho operacional de cada um, é o movimento, a prática, a ação.

Como vimos, Jesus oferece o vinho em alusão às mais expressivas manifestações do espírito em comunhão com Deus. Ceia é um chamado, pois no palco terreno surge sempre a oportunidade da ação e do testemunho para que esse pão possa ser metabolizado e distribuído a todas as áreas que compõe o corpo.

O sangue mostra o sentido da vitalidade a nível prático, operacional, e o vinho, esse tomar o cálice, é uma referência aos valores quando laborados na vida diária. E estaremos ingerindo o cálice toda vez que nos propusermos à realização de algum trabalho em nome dele, praticando os seus ensinos, acolhidos como parcelas benditas do pão da vida. No momento em que ensinou Jesus sabia que aquela era a última ceia, no entanto, ao invés de afligir-se ele apontou padrões relativos à vida espiritual. Esse sangue é derramado por muitos, não por todos, porque para alguns a sua mensagem ainda não tem significação alguma, mas aumentará progressivamente, e continuamente, até chegar ao ponto de haver somente um rebanho e um só pastor.

O sangue também apresenta outro aspecto importante: a limpeza. À primeira vista, essa limpeza pode parecer algo meio difícil de se compreender. Como que o sangue, com toda a sua vermelhidão, toda a sua força na cor, na sua ostensibilidade, se é que podemos dizer assim, pode ser um instrumento trazido para a limpeza? Mas é isso mesmo. O sangue do qual estamos tratando aqui, e que está circulando de forma muito viva, é um elemento de limpeza figuradamente falando.

Então, vamos ter em conta que quando se fala em sangue é que a solução de determinada questão tem que ser na base do sangue. Deu para entender? O sangue derramado diz respeito à reencarnação consciente, o fato que nós estamos aqui para resolver problemas, define complicações criadas pelas reencarnações. Sangue como limpeza quando não há soluções senão pela reencarnação. Notou? Tem inúmeros casos na nossa família em que estão sendo lavadas as sujidades da nossa alma no sangue do sacrifício daquele determinado grupo encarnado. São questões relacionadas com a encarnação. Determinadas limpezas se dão pelo sangue, com as mesmas dificuldades de antes, os mesmos anseios, mesmos dilemas, mesmos problemas. É mais ou menos assim.

"E um dos anciãos me falou, dizendo: estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do cordeiro." (Apocalipse 7:13-14) Esse sangue, como acabamos de dizer, não é propriamente sangue derramado dentro de uma ótica ostensiva. Essa limpeza, esse branquear as vestes, quer dizer sacrificar-se. Uma colocação mostrando principalmente a oportunidade que cada de nós tem recebido de usufruir de um corpo no plano da reencarnação.

Você pode perguntar: Porque a limpeza básica e fundamental tem que ser feita através do sangue? O que acontece é que o processo reencarnatório, elaborado num sistema de esquecimento, de prostração do nosso plano de relembranças, onde não nos lembramos do passado, pelo que se tem aprendido, nos leva a concluir que dentro do contexto de realização nós vamos incorporar em nossa atividade uma grande parcela de espontaneidade. Está dando para acompanhar? Toda a manifestação básica do amor em sua essencialidade tem que partir de uma proposta eminentemente pessoal, em cima da espontaneidade. Vai ser muito difícil laborar o amor dentro do impacto da multidão: "Estou fazendo assim porque todo mundo faz." Realmente não é assim.

A espontaneidade é o fator que tem que estar presente no crescimento. É por esta razão que os momentos mais definitivos, os mais amplos de nossa escolha estão vinculados à experiência física, à experiência no campo humano. Vamos reparar que pela vinda do Cristo ele entra diretamente no coração de cada um de nós, seja a curto, médio ou longo prazo, na limpeza consciente dos erros.

Esse é o sangue resultante da maceração do interesse pessoal que nós temos que lutar bastante para conquistar pelo menos uma parcela desse valor. Por isso, aquele que muito sofre é aquele que, em tese, tem uma capacidade maior de amar.

E uma outra coisa: viver bem, na acepção legítima de felicidade, harmonia e bem estar, é algo para além do limite da justiça. Ninguém consegue ser efetivamente feliz apenas porque faz aquilo que é obrigado a fazer. Evangelho é a essência do amor e ele se manifesta ao capacitarmos à abnegação e compreensão na eleição de uma nova postura de vida. A harmonia íntima está diretamente ligada ao exercício de doação, de operação e de testemunho. Jesus, para vir a nós, aniquilou a si próprio ingressando no mundo como filho sem berço.

No momento do calvário atravessa as ruas de Jerusalém como se estivesse diante da humanidade inteira, sem queixar-se, ensinando a virtude da renúncia por amor do reino de Deus. Portanto, renúncia é sinônimo de sacrifício, é esforço, é deixarmos o nosso interesse pessoal. Só que não é deixar no sentido de ficar sem. Entendeu? Renúncia é deixar algo em favor de algo, é deixar algo para conquistar algo. Visto de forma mais abrangente não se trata de tosar a vida, ficar sem, e sim de incorporar componentes novos. É expressivo saber renunciar e entender a grandeza da lei de elevação pelo sacrifício.

Repare no mundo natural: a sangria estimula a produção de células vitais na medula óssea. A poda oferece beleza, novidade e abundância nas árvores. O homem que pratica verdadeiramente o bem vive no seio de vibrações construtivas e santificantes da gratidão, da felicidade e da alegria. Todos os homens sabem conservar, nisso são experientes.  Raros são aqueles que sabem privar-se.

Todos nós caminhamos para uma vida maior e na construção do reino de Deus chega sempre o instante de separação em que é necessário saber suportar com sincero desprendimento. Poucos sabem partir, por algum tempo, do lar tranquilo ou dos braços adorados de uma grande afeição por amor ao evangelho.

Você se lembra do "misericórdia quero, e não sacrifício"? Pois então, a tarefa que nos compete tange amor, não sacrifício, e tanger amor é operar sem avaliar sacrifício. Ninguém se edificará sem conhecer essa virtude de renunciar com alegria em obediência à vontade de Deus. O sacrifício envolve um espírito de doação, e não de revolta no sacrifício. É sabendo nos apequenar, componente difícil por sinal, que nós vamos tendo condições de promover a nossa projeção.

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