30 de jun de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 3

POR QUÊ TRABALHAR?

“POR SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS. PORVENTURA COLHEM-SE UVAS DOS ESPINHEIROS, OU FIGOS DOS ABROLHOS?” MATEUS 7:16

“PORTANTO, PELOS SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS.” MATEUS 7:20

O movimento é inerente a toda extensão do universo, onde não existe vácuo e, muito menos, inércia e a vibração a tudo interpenetra e move. Assim, depreendemos que o movimento é a esteira que circula e o nosso grande desafio é transformar esse movimento em trabalho, sublimar esse movimento em um trabalho digno.

Se o trabalho consiste na aplicação de forças e faculdades humanas para o alcance de determinado fim, no plano em que nos situamos ele é o componente capaz de projetar. Porque o conhecimento aponta, o conhecimento mostra, abre e vislumbra, todavia, o que projeta efetivamente é o trabalho.

A meta de cada um de nós é alcançar um sistema de equilíbrio pessoal, uma realização que possa garantir reconforto e harmonia interior, e durante tempo considerável mantivemos aquela concepção de que essa segurança dependia do mundo exterior. Observamos em volta, notamos que o tempo que passa não oferece segurança a ninguém e entendemos que a coisa não é bem assim. Dinheiro e êxito nos negócios podem lhe assegurar determinadas expressões de uma pseudo segurança, e você pode achar que está perfeitamente seguro, perfeitamente protegido e pode, no fundo, não estar tão seguro como aparentemente acreditava. Porque na realidade a segurança tem um caráter acentuadamente intrínseco, ela depende especificamente do nosso campo interior.

A segurança vai sendo cada vez mais autêntica, suficiente e gostosa prá gente na medida em que começamos a ter essa segurança no campo seletivo do dia a dia. Encontramos, assim, um ponto de segurança por aquela parcela em que conseguimos ter a chance de operar. E a ação individual positiva e equilibrada vai dimensionando essa realização para novas possibilidades operacionais.

O trabalho, para se ter uma ideia, é condição de saúde e equilíbrio. Bem fixado nos objetivos ele é componente de segurança para aflito. Mais do que isso, ele é um ponto de referência sobre o qual nos edificamos. É instrumento de projeção. Vale lembrar que em tantas ocasiões propomos aos benfeitores espirituais a realização de determinados serviços que, acima de tudo, são oportunidades de trabalho que o Senhor nos oferece. Razão pela qual temos que recordar o exemplo do benfeitor excelso e não procurarmos segurança íntima fora do dever retamente cumprido, mesmo que isso nos custe o sacrifício.

Outra razão fundamental para o trabalho consiste no seguinte: Deus cria! Ele é o criador em toda a extensão universal. Dele dimanam as linhas abrangentes e direcionais do amor e do equilíbrio no universo. Até aí, tudo bem? Agora, se Deus é pai, como é que o pai se completa? Com o filho, claro. Ou seja, Deus sem ter filho seria incompleto. Então, Deus cria. Ele não faz, não opera. Deus não vai trabalhar na área operacional do universo porque isso não é com Ele. 

Ele apenas distribui os padrões. Até porque o crescimento de todos os seus filhos está exatamente nessa operacionalização. Se não houver isso não temos nem sequer campo de crescimento. Logo, todo o plano dinâmico no universo é operado pelos seres seus filhos, espíritos encarnados e desencarnados. Queiramos ou não, diante da grandeza do criador somos nós os seus instrumentos, a sua mão.

Assim é que funciona o mecanismo: o Pai dispõe e o filho opera, trabalha, realiza. Deus dispõe e nós temos que operar com aquilo que o criador dispõe. Deus não opera, não faz. Ele não vai atuar no nosso plano operacional, o fazer é com a gente. Somos nós os operários da grande obra porque não existe pai sem filho e aqui se opera sob a tutela da bondade do alto. Ao dizer "eu e o pai somos um" Jesus define que Deus dispõe e ele realiza. Existe pai e existe filho. O pai se completa com o filho. O filho é quem faz, o pai não faz. Ele cria e nós fazemos. Em todo universo quem faz somos nós e o mestre veio nos ensinar a fazer.

As linhas de procedimento religioso na atualidade não comportam mais essa ideia saturada de que estamos aqui e Deus está lá. Não dá para ficar nessa mais. Longe de fazermos uma dramatização, existe um mundo chorando à nossa volta e a cada momento somos solicitados a ajudar alguém de alguma maneira.

Basta alcançarmos a mínima sensibilização para nos certificarmos de que não podemos mais ser meros espectadores dos acontecimentos. O mundo de hoje, com todas as lutas que observamos, desde o nosso campo mais próximo aos mais distantes, podemos notar que todas as áreas estão visitadas por um chamamento.

Simplesmente não há como trabalhar no mundo de hoje sem uma ideia dentro de nós de cooperar com os outros. Não há como evoluir daqui para a frente só em campo teórico. É imprescindível ultrapassarmos a posição sistemática de eternos auxiliados para nos engajarmos na proposta de auxílio, num esforço de integração para além da consciência informativa, pela instauração de um sistema dinâmico de trabalho, realização e amor. Somos todos convocados a auxiliar na faixa de ação em que estamos situados, porque por menores sejam as nossas possibilidades encontramo-nos integrados em um território de cooperação.

O mundo é assim, tem uns gemendo e outros tentando tirar o gemido e auxiliar, uns chorando de dor e outros tentando cuidar da ferida, dentro das suas dificuldades. Não adianta fugir, negar ou tentar se esquivar, mais cedo ou mais tarde nós temos que entrar na luta para cooperar. Porque se não operamos tornamo-nos mendigos da evolução, e mais vale auxiliar hoje do que ser o auxiliado de amanhã.

Não existe aquele que não tenha alguma informação. Por menor que seja, ela é uma informação que nos convida à serenidade, ao equilíbrio e à capacidade de operar no bem, respeitar o semelhante e ajudar naquilo que for possível, em maior ou em menor escala. 

Cedamos algo de nós em favor dos outros pelo muito que outros fazem por nós, e sem reclamar. Basta a gente avaliar que se temos braços para ajudar e cabeça habilitada a refletir no bem alheio somos superiores ao homem poderoso com montanhas de dinheiro, mas sem a coragem de ajudar quem precisa.

A vida aqui na Terra passa rápida e constitui uma oportunidade vastíssima, cheia de portas e horizontes para a eterna luz. Tantos companheiros se conscientizam disso após longo tempo. Se o fruto revela a árvore, a obra fala do homem.

É muito importante conhecermos o frutos de nossa vida, o que nós estamos realmente exteriorizando no campo do destino, de modo a saber se beneficiam os nossos irmãos. Qualquer criatura que se consagre à verdade dará testemunho de nós, em qualquer lugar, pela substância de nossa colaboração no progresso comum. É algo para pensar.

26 de jun de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 2

A SALVAÇÃO

“ESTA É UMA PALAVRA FIEL, E DIGNA DE TODA A ACEITAÇÃO, QUE CRISTO JESUS VEIO AO MUNDO, PARA SALVAR OS PECADORES, DOS QUAIS EU SOU O PRINCIPAL.” I TIMÓTEO 1:15

“E DISSE-LHE JESUS: EM VERDADE TE DIGO QUE HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO.” LUCAS 23:43

Se for para darmos conceituação literal acerca do assunto podemos dizer que salvar significa livrar de ruína ou perigo.

De fato, salvação individual é assunto das religiões, pois o que a grande parte da humanidade está querendo é salvar a própria pele. E muitos acreditam que o meio dela ser obtida é livrando-se de todos os riscos na conquista da suprema tranquilidade. 

Nós também trazíamos essa ideia anterior de que ser salvo era sinônimo de ir para o céu depois de morrer, e inclusive considerávamos que essa salvação era sinônimo de salvaguardar-se dos pecados por meio de uma sistemática de vida restrita ao refreamento, ou seja, transitar pela vida sem fazer nada de complicado.

Nosso caso agora, que buscamos conhecer o evangelho com clareza e profundidade, mostra que essa ideia anterior já está ultrapassada, isso já era. A proposta hoje está para além disso. O evangelho tem nos mostrado que a meta não se resume meramente nessa busca de salvação pessoal, não é mais ver se passamos correndo pelo inferno ou pelo umbral na hora do desencarne ou da morte física. O código supremo de Jesus tem apresentado a mensagem de quem está se candidatando pela consciência desperta a um trabalho para além da salvação individual, a busca de aprendermos o amor pela instauração de um processo de cidadania universal que ultrapassa os limites da salvação pessoal.

E essa questão da salvação permanece no âmbito filosófico e religioso quando restrita ao plano histórico, ao passo que sob uma ótica mais elástica alcança cunho científico e libertador no plano prático da vida. Porque nenhuma das acepções alusivas ao verbo salvar exime o espírito da responsabilidade de se conduzir e se melhorar. Deu para perceber? A salvação por si só não interrompe ou finaliza nada. Quer exemplos? Imagine um navio que faz longa viagem cruzando os mares. Em determinada situação ele pode vir a ser salvo de risco iminente de acidente, no entanto não estará exonerado da viagem, que deverá continuar e na qual enfrentará naturalmente novos perigos. Um doente salvo da morte não se livra do imperativo de continuar seguindo nas tarefas da existência, onde deparará inevitavelmente novos desafios, sobrepujando percalços.

É digna de nota a afirmativa do apóstolo Paulo de que Jesus veio ao mundo salvar os pecadores. Só que é preciso reconhecer que salvar não é arrebatar os filhos de Deus da lama da Terra para que fulgurem, de imediato, entre os anjos do céu. Isso não existe, pois salvar, em sentido correto, não é divinizar, não é projetar ao céu, não é conferir a alguém certo título por meio de magia sublimatória, ou simplesmente fornecer passaporte para a intimidade com Deus.

Você se lembra da passagem do evangelho em que Jesus se depara na cruz ao lado do bom ladrão? Pois então, quando o mestre lhe diz que naquele dia estaria com ele no paraíso, para o religioso místico o ladrão já partiu dali direto com Jesus, um ao lado do outro rumo às alturas, fato que, aliás, seria uma condição totalmente fora da lógica que marca o texto evolucional. Então, temos que avaliar com tranquilidade que esse estar com ele no paraíso, dito por Jesus, é uma referência ao paraíso conceitual, ou seja, representa como que uma abertura dada a uma criatura, quando do desabafo dela, em que se lhe tira o peso do problema fornecendo-lhe perspectiva nova. Uma abertura de componentes de libertação, como se entregasse um mapa ou um aparelho de GPS àquele que se encontra perdido.

Sim. Jesus veio ao mundo salvar os pecadores, porém, como a redenção do espírito encarnado consiste no resgate de suas dívidas e, consequentemente, na aquisição de valores morais que o eleva a novos e sublimes horizontes no plano do infinito, e como a oportunidade de resgatar a culpa já é em si mesma um ato de misericórdia divina, o Cristo nos salvou ensinando-nos como nos erguer da treva para luz. Está acompanhando o raciocínio?

Salvação não é aquela que pretende investir-nos ingenuamente na posse de títulos angélicos quando somos, ainda, criaturas humanas com necessidade de aprender, evoluir, acertar e retificar-nos. Salvação, no verdadeiro sentido, é o auxílio do alto para que estejamos no conhecimento de nossas obrigações diante da lei e dispostos a cumpri-las. Em tempo algum salvar jamais significa situar alguém na redoma da preguiça à distância do suor na marcha evolutiva, tanto quanto triunfar não significa a deserção do combate. Imaginar salvação fora da auto-educação das nossas almas é uma ilusão incompatível com a   atualidade.

Salvar é educar e a educação do espírito é problema universal. A obra da salvação é obra de educação e o evangelho é a doutrina da educação. Educar é desenvolver os poderes do espírito aplicando-os na conquista de estados cada vez mais elevados. Salvar é subir, é gravitar de um céu para outro numa ascensão contínua e intérmina. E se a questão não é salvarmos o nosso espírito, temos a salvação por iluminação de nós mesmos a caminho de aquisições e realizações no infinito. Salvar é levantar, é iluminar, ajudar e enobrecer, salvar-se é educar-se alguém para ter condições plenas de ajudar a educar também os outros.

Quando nós de fato descobrimos o grande lance da vida nós começamos a lutar com carinho por uma sistemática que não fique circunscrita ao salvar-se. Alguém pode dizer após ter passado por momentos dificílimos: "Eis que eu me salvei!" Tudo bem, ótimo, mas e daí?

Entendeu a questão? Salvou prá quê? Essa é a grande interrogação. Com certeza foi para operar em favor de alguma coisa. Não é isso mesmo? Não demos agora a pouco o exemplo de um navio que estando para afundar foi salvo? Pois então, esse navio num risco iminente de naufragar foi salvo para quê? Para ser colocado no porto? Ficar inerte, parado? Deixar o navio que estava afundando ancorado para todo mundo ir vê-lo e admirar: "Nossa, foi salvo?!" Não. Pelo amor de Deus, não. 

Não se trata apenas de bater palma para o navio que estava para afundar e não afundou. O navio foi salvo para ser lançado no oceano outra vez. Com certeza. Por essa razão, o nosso propósito é nos projetarmos para além da salvação porque salvar tem objetivo, ninguém vai salvar nada que não tenha utilidade.

A ideia é salvar para poder operar, e a indagação é: o que fazer com o navio agora? Com o navio que não afundou? Qual vai ser a nova rota que ele vai percorrer agora? Não fica difícil a gente concluir que o seguidor do evangelho, sob a luz do esclarecimento, trabalha com a rota do componente salvo. O trabalho de agora em diante é saber a nossa capacitação em função da nossa manutenção de vida. O primeiro desafio é arregimentarmos conhecimento para nos salvarmos e, uma vez salvos, aprendermos como cooperar melhor com os outros.

23 de jun de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 1

LÁGRIMAS E DESCULPAS

“E AGORA POR QUE TE DETÉNS? LEVANTA-TE, E BATIZA-TE, E LAVA OS TEUS PECADOS, INVOCANDO O NOME DO SENHOR.” ATOS 22:16

“PORQUE NOUTRO TEMPO ÉREIS TREVAS, MAS AGORA SOIS LUZ NO SENHOR; ANDAI COMO FILHOS DA LUZ.” EFÉSIOS 5:8

A morte para uma soma enorme de criaturas no plano físico ainda é considerada um ponto final aos problemas. Na visão dessa massa a morte resolve tudo. Como que num passe de mágica acreditam que ela elimina, de um instante para outro, qualquer dificuldade, por mais complexa que ela possa ser.

Consideram que morreu, acabou. O túmulo chega mesmo a ser considerado como a representação e o repositório das últimas esperanças. E não é apenas isso, a questão vai mais além. Muitas pessoas acreditam serem privilegiadas da infinita bondade por haverem abraçadas atitudes de superfície nos templos religiosos, ou se consideram credoras da redenção celeste pela simples arregimentação de valores intelectivos. Esperam quase que ansiosamente a morte do corpo, suplicando a transferência para os mundos superiores tão-somente por haverem ouvido maravilhosas descrições dos mensageiros divinos.

No entanto, meu amigo, minha amiga, não acreditemos em comunhão com a divina majestade simplesmente porque nos façamos cuidadosos no culto externo da religião que afeiçoamos. A passagem pelo sepulcro por si só não nos coloca em terra milagreira, sempre nos achamos indissoluvelmente ligados às nossas próprias obras.

Em todos os ambientes deste mundo multidões imensas de seres humanos choram diante das mínimas contrariedades e dos menores dissabores que a vida lhes apresenta. Pode-se dizer com muita tranquilidade que nós humanos trazemos essa herança desde os primeiros dias da existência. É assim que crescemos, é assim que se dá com o bebê. Se ele sente frio, fome, sede, está sujinho de cocô ou molhado de xixi, não espera um segundo para começar a chorar.

O choro se faz imediato ao estabelecimento da necessidade. A plenos pulmões investe suas poucas energias no choro. Não é assim que se dá? Chora sem economias e uma mão mágica surge de algum lugar para satisfazer a sua singular necessidade. Muitas crescem assim. Deixam de ser bebês, todavia, exteriorizam as suas decepções, as suas mínimas contrariedades e os seus desgostos com choro, semblante fechado, cara de poucos amigos, porque no fundo se consideram, ainda, aqueles bebês com as suas dificuldades externadas. Clamam infundadamente por mãos mágicas para suprir-lhes os caprichos.

O ponteiro do relógio gira, a gente cresce e descobre, com decorrer do tempo, que a coisa não é tão assim. Eu não tenho nenhuma pretensão de desapontá-lo neste início de capítulo, mas a verdade é que a natureza não se perturba para satisfazer pontos de vista de quem quer que seja. E mais, a aflição não resolve problemas.

Tampouco vale a chuva de lágrimas despropositadas diante da insatisfação ou da falta cometida, pois elas não substituem o suor que se deve verter em benefício da própria felicidade. Quantas pessoas comumente ficam desesperadas, chateadas, frustradas e tristes por motivos que não são tão contundentes para tal. Por qualquer motivo mais ou menos e já começam a chorar. A criatura, às vezes, entra no quarto e se tranca por horas ou, quem sabe, por dias, e chora sem parar. Acredita que muito da sua vida perdeu o sentido em razão de certo acontecimento e só pensa em chorar. Aí eu sou obrigado a repetir o que acabei de dizer agora: lágrima não substitui o suor. Quando ela acaba de chorar, independente do tempo que durou o choro, ela estará na mesma situação. É que a felicidade é construída com suor, não com lágrima.

Não resta dúvida alguma que em certos momentos nós temos mesmo que chorar, porque o choro desonera, extravasa, desoprime. Sem contar que às vezes temos que chorar até para valorizarmos o suor e descobrir a duras penas que o suor é que propicia. Mas em hipótese alguma o choro pode nos paralisar.

São muitos os indivíduos que buscam o encarceramento orgânico para fugir sem resgatar. E outros tantos que se apegam à própria desdita como falsa justificativa para prosseguirem no sofrimento que lhes agrada. Você já pensou nisso? Parece que gostam de sofrer. Cultuam o sofrimento e sentem velado prazer nisso. Se analisarmos a questão, enquanto sofrem, ou pelo menos alimentam e se apegam ao sofrimento, sentem-se desonerados de certos compromissos para com a própria vida. Sem falar no outro grupo que sofre e realmente busca auxílio, só que engana-se quem pensa que quer o progresso. Esses não querem o progresso. Querem livrar-se da doença e dos problemas, mas não querem curar-se. Pode-se dizer que buscam fazer quando melhorarem as mesmas coisas que faziam antes do estabelecimento da dificuldade. Nada mais.

É importante fazermos um balanço pessoal vez por outra acerca das horas gastas com lamentações prejudiciais. Com certeza não são poucas. O desculpismo sempre foi a porta de escape dos que abandonam as próprias obrigações.

Muitos não querem fazer contato com as dificuldades e vão arrumando desculpas. É desculpa para todo o tipo e todo o gosto. E o pior de tudo, são tantas as evasivas, e tão veementes aparecem, que os ouvintes mais argutos terminam-se convencidos de que se encontram à frente de grandes sofredores ou de criaturas francamente incapazes, passando até mesmo a sustentá-las na fuga. Porém, uma coisa é certa, é inútil ficar assentado lamentando-se dos infortúnios, sejam eles reais ou imaginários. Não se pode fugir do ego infeliz. Não se pode escapar dos problemas e das obrigações indefinidamente, logo, não te percas desse modo na lamentação indébita. Multidões de convidados para a lavoura da luz, engodados de si próprios acordam para a verdade em momento tardio, atados às ruinosas consequências da própria leviandade, e não encontram outra providência senão a de esperarem por reencarnações outras.

Que tal aprendermos uma coisa juntos agora? Aprender, guardar e levar conosco daqui para a frente. A inércia é uma ilusão, o tédio é deserção e a preguiça é fuga que a lei pune com as aflições da retaguarda, pois o progresso é um comboio de rodas infatigáveis que releva para trás todos os que se rebelam contra os imperativos da frente. Acontece de quando fincamos o pé nos aspectos da retaguarda não estarmos querendo enxergar a realidade do progresso.

É certo que todos nós atravessamos obscuros labirintos antes de atingirmos adequado roteiro espiritual, e em múltiplas circunstâncias erros e enganos múltiplos nos povoaram a mente com remorsos e arrependimentos, mas isso não deve justificar o choro estanque. Vamos parar de moleza e deixemos de alegar tropeços e culpas, inibições e defeitos para a fuga das responsabilidades que nos competem.

Não aleguemos fraqueza, inaptidão, desalento ou penúria para desistirmos do lugar que nos cabe no edifício do bem. Até ontem podíamos ter estado em trevas, achando-nos na condição do viajante que jornadeia circulado de sombras, tropeçando aqui e ali, sem o preciso discernimento. Mas hoje, que tudo se faz claro em derredor, fujamos de dramatizar desencantos e fixar desacertos, queixas e recriminações que complicam e desajudam, ao invés de simplificar e ajudar.

19 de jun de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 9 (Final)

DISTRIBUINDO PÃES

“E ORDENOU A MULTIDÃO QUE SE ASSENTASSE NO CHÃO. E, TOMANDO OS PÃES, E TENDO DADO GRAÇAS, PARTIU-OS, E DEU-OS AOS SEUS DISCÍPULOS, PARA QUE OS PUSESSEM DIANTE DELES, E PUSERAM-NOS DIANTE DA MULTIDÃO.” MARCOS 8:6

É importante observar que nesse deserto tem uma enormidade de participantes nas escalas evolucionais mais variadas. Tem os que estão vindo de longe, os que estão nas fileiras iniciais, outros nas intermediárias, e assim por diante.

Sete pães foram multiplicados. Sem entrarmos a fundo na questão numerológica, o sete para nós é número que apresenta uma carga informativa valiosa. A expressão setenária é o mecanismo que define a aproximação dos seres em vários estágios da evolução. O sétimo lance, ou o sétimo estágio, já é o limiar de um plano novo em uma nova oitava, que abre novo processo ascensional em várias etapas. É Similar ao que ocorre com as sete notas musicais.

Outro aspecto interessante é a indicativa de sete linhas vibracionais básicas que se irradiam para o padrão acolhedor de todos os circunstantes. É linha de ação e reação, de receptividade e de resposta. Esse sete definindo o atendimento a todos os ângulos. Deu para entender? Em outras palavras, os  sete pães estariam em condições de alimentar e de oferecer um plano metabólico adequado a cada indivíduo de cada grupo segundo o grau de entendimento e de posição no contexto evolucional. Cada pão vem atender determinadas necessidades relativas a cada grupo no contexto ascensional que vai do um ao sete, de acordo com o plano de compatibilidade e de adequação das criaturas.

Por exemplo, um ali vai ter que pegar o pão número sete, outro o da multiplicação do pão número um, e daí por diante. É como se aquele alimento atingisse a cada um de nós indistintamente. Corresponde ao pão que alimenta o que está chegando hoje como alimenta o que tem muita experiência. Ninguém fica sem o devido atendimento, ninguém se mantém sem ser abastecido.

A ordem de Jesus dada à multidão foi no sentido de que se assentasse no chão. É óbvio que muitos vão dizer que tratava-se da autoridade dele. Claro, isso não tem nem o que se questionar. Só que para além desse sentido de autoridade do mestre essa atitude também sugere algo mais, define a harmonização ambiente, a instauração da serenidade, a disciplina e a garantia da ordem, uma vez que as pessoas se assentam para se acomodarem. Então, assentar-se é acalmar os ânimos, predispor a multidão, serenar-se, indica que a primeira providência de cá para se receber a multiplicação de lá é no mínimo assentar-se.

No chão é como se a criatura fizesse um processo de ajuste. Não no sentido literal de largar as mochilas e as bolsas e assentar, e sim levá-la a um reconforto íntimo. Isto é, nós nos elevamos a partir de um ajuste, de uma acomodação. Representa colocar-se em uma condição receptiva. Porque nós todos estamos querendo um reconforto da parte de Deus e a misericórdia quer o estabelecimento de uma conexão vibracional de lá com a nossa postura, pois nada chega ao nosso contexto derramado do plano espiritual sem linhas de conexão.

Esse assentar-se é visando uma condição propícia para a alimentação adequada. A conexão que Jesus fez foi que se assentassem no chão. Sem querermos ser pretensiosos, é como se o mestre dissesse: Olha, eu por mim mesmo não multiplico, e também não sei o quanto a misericórdia do criador vai operar em favor de vocês, mas eu posso dar um reconforto e condições mínimas de poderem se alimentar. 

Essa atitude mostra que no auxílio aos outros o Senhor não prescindirá da cooperação, embora pequena, que deve encontrar em nós. Não vale rogar concessões do céu com palavras brilhantes e comovedoras, no entanto, alongando as mãos vazias, mas sim pedir a proteção apresentando possibilidades, ainda que diminutas, de nosso esforço. Às vezes, no plano prático da vida nós queremos propiciar uma alimentação substanciosa àqueles que queremos auxiliar, mas nem chegamos a preparar a mesa. Queremos de boca, só que não fazemos a nossa parte. Muitos pedem para os outros, só que não colocam nada da parte deles para que essa multiplicação possa ocorrer.

Nós não estamos aqui para discutir cientificamente o que aconteceu com os sete pães. Não é nosso interesse. Se trata-se apenas de uma figura ou se a multiplicação aconteceu mesmo e como é que ela se deu. Imagine você se este estudo tivesse por objetivo abordar o assunto unicamente sob o parâmetro científico. Nós iríamos entrar num mecanismo de como a multiplicação se processou e talvez inúmeras explicações surgissem. Alguém poderia dizer: "olha, foi pão mesmo e muito pão, encheu aquele deserto todo de pão", ou "caiu pão do céu, não se sabe como", ou "pode ter sido um pão partido em pedacinhos tão minúsculos, cuja bolota mínima tinha um poder sustentador inigualável". 

Ora, nenhum ponto ou outro está errado, uma vez que Jesus tinha plenas condições de trabalhar o laboratório do mundo invisível tornando os componentes visíveis e concretos e alimentícios, afinal, ele organizou e estruturou nosso orbe geologicamente. Logo, condições para isso os espíritos tem e nós temos hoje com os conhecimentos amplos muitas informações do que eles tem feito.

Não é nosso interesse ficar aqui analisando o texto exclusivamente dentro de sua fisionomia histórica. De forma alguma. Não estamos aqui para estudar a história do evangelho, muito menos estamos com a cabeça voltada para dois mil anos atrás. O que estamos fazendo é indo lá atrás e trazendo o evangelho para cá, para os dias de hoje, uma vez que nós estamos com esses pães multiplicados na mão, ou será que alguém tem dúvida quanto a isto? O Jesus da Galiléia e da Peréia está lá atrás na história, nós falamos agora é no Jesus íntimo.

A multiplicação foi feita pelo criador através de Jesus, pois a elaboração do pão pertence a Deus. E Jesus os multiplica. Ele tomou os sete pães, poucos pães, está certo, mas apresentou. Ainda que tivesse um pedaço apenas e temos a certeza de que nesse pedaço Jesus poderia operar. Outro ponto que não pode passar despercebido é que a multiplicação se efetiva na expressão "tendo dado graças".

Então, vamos compreender que em cima do mínimo que se tem é que nós vamos receber, e tanto é que o evangelho afirma que aquele que tem lhe será dado.

A pergunta que fica é "quantos pães tendes" e se tem sete pães tem alguma coisa. É precisamente com essa alguma coisa que a misericórdia divina funciona. Por isso, a gente precisa começar com o que tem. No mecanismo do plano ascensional funciona o sistema de aproveitamento de cada valor que vamos apresentando no plano prático da vida. Quando o mestre, à frente da multidão faminta, indagou das possibilidades dos discípulos para atendê-la, decerto procurava uma base a fim de materializar o socorro. E todos possuímos na medida em que oferecemos. Recebemos na pauta do que fazemos, não do que intencionamos. A cada um será dado conforme as suas obras.

O pão é assimilado por cada um em nível multiplicador. E apesar de Deus não ter espírito por medida, pois tudo vem em abundância, a nossa capacidade perceptiva depende do grau de reflexo que temos. Para simplificar, podemos dizer que onde atingimos e detectamos é que a resposta vem, e cada componente presente em nós pode ser estiolado, por impedimento, ou ampliado, por multiplicação. 

Se falamos em multiplicação logo a gente imagina uma linha quantitativa, pensamos em termos de quantidade. Só que não se trata apenas da linha quantitativa, a verdadeira multiplicação trabalha a linha qualitativa. O valor vibracional circulante, a carga de emoções constante na prática de ação no bem é que vai determinar o grau que tange a linha qualitativa, e que premia e eleva ou entristece e onera a criatura. Para se ter uma ideia, tem muita gente que soma os pães que dá aos outros: "Este ano eu dei cento e trinta e dois pães".

Às vezes, ele não deu nenhum efetivamente. Isso não acontece demais? Às vezes, um indivíduo deu a esmola, mas a caridade não circulou. Percebeu? Ele deu ao que pediu apenas para ficar livre e o que houve foi mera transferência de valores. Porque o pão é o instrumento universal da caridade, mas ele não é a caridade. A esmola dada representa o componente canalizador da caridade e toda a migalha de amor oferecida está registrada na lei em favor de quem a emite.

No plano perceptivo de conteúdo nós temos que saber onde é que nos situamos no texto. Como não há a mínima condição de estarmos na posição de Jesus, claro, onde nos situamos? Estamos entre os discípulos ou somos componentes necessitados da multidão? A maioria está na multidão, e quanto a isso não resta dúvida, não tem o que se questionar. A maioria das pessoas está na multidão, está naquela linha de introjetar o benefício, quer apenas gozar a vida.

Não somos totalmente diferentes. Apesar de querermos ser discípulos, apesar de nos mantermos interessados no exercício da tarefa que, aliás, é a melhor posição no contexto, como instrumentos do Cristo, somos também da multidão.

No meio desse mecanismo tem uns que estão começando a se questionar intimamente, já sentem uma pontinha de vontade se expressando: "Quem sabe eu posso até ajudar a distribuir". Pensam, analisam e se animam. Na hora que vai começar a distribuir: "Mas, vem cá, eu vou dar a troco de quê? O que eu vou ganhar?" E quando descobre que não vai ter pagamento sabe o que ela faz? Prefere ficar na multidão: só receber, receber e receber. Isto é, assim segue a vida, Deus lá em cima e nós aqui embaixo só pedindo. Só nos esquecemos que enquanto nos posicionamos no receber, isso significa tumulto, lutas íntimas e necessidade constante. A paz, a serenidade e a harmonia começam a aparecer quando começamos a soltar da nossa personalidade junto aos outros. Aí começa a mudar, de integrante da multidão a, quem sabe, discípulo.

O grande segredo da caminhada em um plano de libertação intrínseca é saber sair da multidão. Nós estamos, em tese, ajudando para aprender e aprendendo para ajudar.

Após ordenar a multidão que se assentasse, e tomar os pães, e dar graças, Jesus os partiu. E partindo os pães ele apresenta uma distribuição sem privilégios.

E deu graças à misericórdia superior pelas concessões oferecidas para que aquilo pudesse vir a atender. E em seguida o que fez? Deu aos discípulos, porque eles seriam os grandes canalizadores do processo, pois existe um plano de escalas distributivas. Isto é, Deus não vai chegar a alguém e perguntar a esse alguém o que ele quer. A gente pede e alguém vai vir representar o pensamento divino em resposta junto àquele que pediu. O Cristo atua nas criaturas e todos nós somos os distribuidores desse pão multiplicado e ampliado que dimana da misericórdia do criador. Ele vai ajudar através de quem se dispõe a tentar. Está dando para captar? No fundo, toda a nossa atividade filtrada no amor e no bem constitui a extensão da bondade e da misericórdia divina em favor de quem precisa, e nós é que somos os acionados.

Mas se não quisermos ir, se estivermos cansados ou indiferentes, e não sensibilizados, o que acontece? Outros irão, e perdemos a chance de melhorar nossa própria vida.

Como vimos, foram sete pães, mostrando as várias faixas de evolução do ser. Sete pães adequados aos diversos níveis da individualidade. Já os peixes, nas multiplicações, apresentam número menor, e sobre eles falaremos mais à frente.

15 de jun de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 8

QUANTOS PÃES TENDES?

“1NAQUELES DIAS, HAVENDO UMA GRANDE MULTIDÃO, E NÃO TENDO QUE COMER, JESUS CHAMOU A SI OS SEUS DISCÍPULOS, E DISSE-LHES: 2TENHO COMPAIXÃO DA MULTIDÃO, PORQUE HÁ JÁ TRÊS DIAS QUE ESTÃO COMIGO, E NÃO TEM QUE COMER. 3E, SE OS DEIXAR IR EM JEJUM, PARA SUAS CASAS, DESFALECERÃO NO CAMINHO, PORQUE ALGUNS DELES VIERAM DE LONGE.” MARCOS 8:1-3

“5E PERGUNTOU-LHES: QUANTOS PÃES TENDES? E DISSERAM-LHE: SETE.” MARCOS 8:4

Jesus teve compaixão da multidão. Condoeu-se daquele povo todo. O bom samaritano também teve compaixão do viajante caído. O que nos mostra, de forma bem clara, que essa compaixão é necessária, porque se não houver compaixão não se consegue motivar a multidão, ou melhor, não se motiva uma criatura sequer.

Por isso, ensinar, transmitir e cooperar envolve um alto grau de sensibilidade, saber o que se passa no coração das pessoas para poder atender de forma eficiente. Nós estamos distantes de termos esse estado de alma relativo à multidão, só que o trabalho que nos espera pressupõe saber lidar com a sensibilidade dos outros. Não podemos nos impor a ninguém, devemos ganhar o coração da pessoa, porque quem não ganha o coração não ganhará o cérebro.

Jejum gera a fome e a fome significa carência. E para poder atender o carente Jesus apresentou para nós a compaixão da multidão, ele se condoeu do jejum deles.

Muito bem, para entendermos melhor a questão o que acontece com muitos de nós debaixo das paredes do ambiente doméstico? Dentro de casa, não raras vezes, costuma ter um indivíduo com o qual nós brigamos todo dia, e sabe por quê? Porque nós não descobrimos a carência dele. Afinal de contas, não sabemos as carências e não conhecemos as dificuldades daqueles que estão conosco, porque até então nós criamos resistência, quando na verdade devíamos saber aproximar, identificar a carência dele que, às vezes, nem é tão complexa como podemos conjecturar, e pode ser de uma palavra amiga. Precisamos trabalhar e melhorar os nossos sentimentos e, também, saber entender a carência e a necessidade dos outros. No exercício do amor em vez de empurrarmos nós nos aproximamos, porque se não chegarmos por uma linha de adequação nós não descobrimos as carências e não auxiliamos a outra criatura. É completamente impossível cooperar sem estabelecer uma simpatia vibracional.

Para prover aquela multidão que ali se encontrava o que o mestre apresentou? A especificação dele é nítida e simples: pães. Já falamos a respeito deles no início do capítulo e temos que nos fazer sensíveis a essa multidão para podermos chegar. O cordeiro divino não faz referência a nenhum elemento complexo para a cooperação, até pelo contrário, porque a alimentação fundamental da multidão é pão. É ele que alimenta a intimidade do ser, o pão do espírito.

E qual é a ideia do pão nessa linha de oferta? A ideia do pão aqui é no seu sentido positivo, indica a alimentação positiva e construtiva. Entendemos por pão o componente ou valor que vai ser ofertado e que é capaz de atender a necessidade do receptor. Ficou claro? Define o atendimento válido para o momento, o que temos de positividade para alimentar e suprir. Naquela situação foi pão, mas poderia haver outras coisas. O pão, no seu sentido espiritual, simboliza a essencialidade do amor, é o instrumento universal da caridade.

A fome não é carência e necessidade de toda ordem? Pois, então, é preciso de nossa parte certa capacidade de saber identificar o tipo de fome que está visitando a criatura. Sem dúvida alguma, uma vez que existem vários tipos de fome.

Ela pode ter fome de amor, de crescimento, de aprendizagem, fome de ação no bem, de trabalho. E o problema é que a gente fica querendo colocar nas pessoas aquilo nós sentimos, doar ao outro a nossa concepção fechada. A criatura está precisando de pão, em suas múltiplas expressões, e nós queremos tocar jiló nela, coisa que ela não gosta, que ela não metaboliza, não come. Não dá para desconsiderarmos essa necessidade. Está dando para acompanhar?

Esse pão que nós vamos ofertar é laborado. Por isso é que é pão. Não é aquele pão da padaria que você chega, paga e já leva ele prontinho, de sal ou doce, com creme ou sem creme, e que depois você come em pé ou sentado na mesa. Esse pão a que referimos não vem pronto, é resultado de elaboração. Desde o preparo do terreno, depois a semeadura, a germinação do trigo, a florescência, a frutificação, toda aquele engrenagem que nós sabemos. Logo, para oferecer pão a alguém tem que passar primeiro por uma elaboração de luta íntima.

A pergunta de Jesus continua no ar, ecoando no ouvido de todos os que já abriram a linha de percepção. Permanece viva para quem tem ouvidos de ouvir. Denuncia a necessidade de algum concurso efetivo para o serviço da multiplicação.

O que estamos estudando é bonito demais. Pense comigo, ele não teria conseguido tanto se não pudesse contar com recurso algum. Alimentou milhares de pessoas, mas não prescindiu das parcelas minúsculas que os apóstolos lhe ofereciam. Só nos mostra uma coisa: é infinita a bondade de Deus, todavia, algo deve surgir do nosso eu em nosso próprio favor. Não basta dobrar os joelhos em adoração vazia, ou rogar a intervenção do céu a nosso favor ou de outrem, utilizando frases lindas e bem conexas e não fazer nada. Antes de tudo, para que a resposta positiva se dê é necessário fazer da nossa parte tudo quanto nos seja possível.

Vamos avaliar o que temos feito das bagatelas de nosso caminho, dos recursos diminutos que a existência tem nos privilegiado. Se estamos sabendo aproveitar as oportunidades surgidas para fazermos algo de bom. Exame desse tipo é fundamental vez por outra. E não entre nessa de dizer que o que tem é muito pouco para ser oferecido. Que você quase não tem nada. Se não admite o poder e o valor dos recursos chamados menores no engrandecimento da vida, recorde que a segurança dos aparelhos delicados e complexos depende, quase sempre, de parafusos pequeninos ou de junturas extremamente singelas.

Experimente construir um palácio diante de vigorosa central elétrica e procure dotá-lo de luz e força sem a utilização da tomada. A usina mais poderosa do planeta não prescinde de tomada humilde para iluminar um aposento, tanto quanto a floresta, espetáculo imponente da natureza, não se agigantou sem o concurso de sementes pequeninas.

Uma coisa que aprendemos, e que é da maior valia: Jesus não fabricou pães. Ele não é dono de padaria. Ele multiplicou pães, que é bem diferente. E o fato é que comumente achamos que não temos que oferecer nada, que podemos chegar com a sacola ou a mochila vazia. Está percebendo? Tem gente que não quer que ele multiplique, tem gente que quer que ele fabrique. Ou seja, esses não fazem por onde conquistar.

Alguma coisa nós temos que ter e oferecer nesse mecanismo matemático. Não se pode fazer multiplicação usando o zero como um fator. Entendeu? Você pode multiplicar um número positivo por 0,02, por exemplo, mas experimente multiplicar por 0, por algo nulo. Nós todos queremos receber do plano celeste, não há dúvida, só que precisamos definir o que estamos fazendo para simplificar o trabalho da própria espiritualidade, porque os obreiros do plano superior movimentam-se e ajudam, devotados e operosos, contudo, em lhes suplicando o socorro, nosso ou alheio, não nos cabe olvidar o auxílio que podemos prestar por nós mesmos.

Em qualquer terreno de realização para a vida mais alta apresentemos a Jesus algumas migalhas de esforço próprio e estejamos convictos de que ele fará o resto.

Afinal, ele sempre aproveitou o mínimo para produzir o máximo. Quer exemplos? Com apenas três anos de apostolado ele acendeu luzes para milênios, congregando pequena assembleia de doze renovou o mundo e curando alguns doentes instituiu a medicina espiritual para todos os centros da Terra.

Tenha certeza, ele continua perguntando quantos pães temos, e temos que oferecer recursos que já conseguimos amontoar em nós mesmos para o progresso e a vitória do bem. Que respostas vamos dar? Que temos oferecido à obra dele?

11 de jun de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 7

NO DESERTO

“25OS SEUS DISCÍPULOS, OUVINDO ISTO, ADMIRARAM-SE MUITO, DIZENDO: QUEM PODERÁ POIS SALVAR-SE? 26E JESUS, OLHANDO PARA ELES, DISSE-LHES: AOS HOMENS É ISSO IMPOSSÍVEL, MAS A DEUS TUDO É POSSÍVEL.” MATEUS 19:25-26

“4E OS SEUS DISCÍPULOS RESPONDERAM: DE ONDE PODERÁ ALGUÉM SATISFAZÊ-LOS DE PÃO AQUI NO DESERTO? 5E PERGUNTOU-LHES: QUANTOS PÃES TENDES? E DISSERAM-LHE: SETE.” MARCOS 8:4-5

De um lado nós encontramos os discípulos, querendo aprender com o mestre e trazendo cada qual os seus graus de dificuldade. Repare que diante da situação que se apresentava enxergavam apenas barreiras e problemas. ("E os seus discípulos responderam: de onde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto?")

Duvidosos e receosos, eles questionaram como se resolveria o caso de todo aquele povo no deserto, e de onde poderia vir alguém para solucionar a questão, duvidando inclusive dele, de Jesus. Isso mesmo, você não leu errado, o texto é bastante claro, os discípulos, diante daquela adversidade, colocaram em dúvida até mesmo o próprio Jesus. Mas isso não é coisa para nos espantarmos, afinal, já estamos acostumados com isso. Assim é conosco também.

Em um lado da história temos nós mesmos com expressões ampliadas de negatividade. Basta nos defrontarmos com um obstáculo de maior vulto, ou simplesmente que esteja fora do padrão conhecido, e a nossa primeira reação no campo dos reflexos é de natureza negativa. Ficamos intranquilos, agitados, nervosos. Alguns vão mais além, se entristecem, perdem o sono, desesperam-se. É evidente que não podemos alimentar um otimismo para além do normal, ficar cultivando ilusões, mas também temos que saber desarticular o pessimismo que vem mantendo tantas criaturas paradas no tempo e no espaço.

Enquanto os discípulos ficavam intranquilos, preocupavam-se e receavam, Jesus, do outro lado, não entrava no mérito específico das necessidades. Percebeu? A preocupação dos discípulos era uma só, era unicamente com a questão exterior. O receio exclusivo deles era o tamanho do problema. Preocuparam-se em como alimentar a multidão, em como se poderia resolver aquela dificuldade exterior. O mestre, dentro do plano positivo, coerente e perfeitamente equilibrado, situou-se na diligência para o atendimento. Procurando recursos para solucionar as necessidades, e aplicando medidas concretas, ocupou-se em trabalhar com o que se tem. E tanto é assim que ele não perguntou quantos pães seriam necessários para o atendimento, e sim "quantos pães tendes". Lição para levarmos sempre conosco, mostra a necessidade de não identificarmos apenas os obstáculos, mas nos atentarmos para as possibilidades de solução. Mostra a importância de buscarmos as estratégias para sairmos das questões emaranhadas em que podemos vir a nos situar.

Essa é a grande beleza do evangelho. O seu lado consolador, esclarecedor, aplicativo e científico. Desse ensinamento fica um recado importantíssimo para todos nós, sem extremismo ou exagero de qualquer natureza. E sabe qual é? Que independente do tamanho do obstáculo, ou da complexidade da situação, perante a misericórdia de Deus soluções existem. Podemos estar diante de problemas complexos, complicados, de saneamento difícil à nossa linha perceptiva, mas na essencialidade das questões não conhecemos todo o alcance do processo. Concorda comigo, ou será que eu estou aqui fantasiando as coisas?

Repare para você ver. Um médico, por exemplo, por melhor que seja na sua linha de atuação, pode dispor no consultório de uma ficha ou do prontuário do paciente, mas quem é que tem neste mundo a ficha espiritual de quem quer que seja na mão? Ninguém. Resultado? Seja qual for a perturbação reinante, acalmemo-nos e esperemos, fazendo sempre o melhor que pudermos. E lembremos de que o Senhor supremo pede serenidade para poder exprimir-se com segurança.

Não vamos nos esquecer em momento algum das palavras do mestre maior que, certa feita, quando indagado pelos discípulos afirmou que "a Deus tudo é possível".

Aquela situação se passava no deserto e o deserto é sempre relativo a cada um de nós. Cada um tem o seu. Cada qual tem os seus momentos de solidão nesse ambiente insípido, estéril, totalmente árido e sem resposta. Outro ponto fantástico: Jesus, diante daquela multidão faminta, não pergunta aos seus companheiros quantos pães eram necessários. Não perguntou quantos pães necessitam, mas "quantos pães tendes". E ao perguntar "quantos pães tendes", no deserto, mostrou para o próprio discípulo que o deserto não é tão árido assim, que o deserto não é tão infrutífero como se imagina que seja. O que indica a preocupação dele no sentido de nos alertar para a necessidade de algo apresentarmos à divina providência como base para o socorro que pedimos.

Não tenha dúvida alguma, essa pergunta feita aos discípulos lá atrás está sendo feita hoje para nós aqui. Ela permanece viva ao nosso quadro perceptivo: "Quantos pães tendes?" E quem está perguntando é o próprio Cristo.

No plano íntimo de cada um surge: Fulano, o que você tem? Então, meu amigo, minha amiga, a questão é bem simples. Não tem essa de alguém desencarnar, chegar ao plano espiritual e dizer: "Olha, lá embaixo eu não pude fazer nada lá porque eu não tinha nada." Não, isso não vai atender. De forma alguma. E sabe porquê? Porque se alguém procurar no deserto íntimo vai achar.

Ninguém é tão destituído que não encontre nada no seu deserto de positivo para ser ofertado. Perguntemo-nos o que temos para apresentar, porque o mecanismo é multiplicativo, e nós temos. Se analisarmos com atenção vamos encontrar pães dentro de nós. Basta procurarmos com boa vontade e interesse que nós vamos encontrar alguma reserva que podemos utilizar e implementar. Vamos nos mexer, procurar e revirar, tentar ver o que temos, o que pode servir, por mínimo que seja, para ser multiplicado e atender em termos de amor.

8 de jun de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 6

O JEJUM

“2TENHO COMPAIXÃO DA MULTIDÃO, PORQUE HÁ JÁ TRÊS DIAS QUE ESTÃO COMIGO, E NÃO TEM QUE COMER. 3E, SE OS DEIXAR IR EM JEJUM, PARA SUAS CASAS, DESFALECERÃO NO CAMINHO, PORQUE ALGUNS DELES VIERAM DE LONGE.” MARCOS 8:2-3

O jejum significa abstinência, total ou parcial, de alimentação em determinados dias e por período de tempo específico. E sabemos que abster-se é deixar de, é privar-se, não fazer voluntariamente.

Repare que àquela época o jejum era praticado por grupos específicos. Quem jejuava eram os fariseus, João Batista e os seus discípulos. Os discípulos de Jesus não jejuavam. Jesus, além de não jejuar alimentava-se com pecadores e problemáticos de toda ordem.

Nos dias de hoje é comum vermos indivíduos vinculados a alguns segmentos religiosos praticando o jejum. Coisa que não deve ser difícil de entender, uma vez que estamos muito mais situados como discípulos de João do que de Jesus. Mas o jejum tem significado bem mais profundo do que o simples fato de privar-se da ingestão de certos alimentos físicos, pois esta privação, por si só, não torna um indivíduo melhor hoje do que era ontem. Além do que, se temos vida no aspecto psíquico, na acepção espiritual o legítimo jejum representa o exercício de nos abstermos de pensamentos negativos. Isto é, no plano essencial é aquele posicionamento onde devemos evitar nutrirmo-nos de pensamentos negativos, não alimentar o espírito com pensamentos de ordem inferior.

E dentro da linha de raciocínio lógico vamos mais à frente. Se quem está com Jesus não jejua, jejua quem se prepara para estar com ele. Está percebendo como a questão é interessante? Discípulos de Jesus não jejuam, jejua quem está se preparando para chegar nele, incluindo os que vem de longe. O que isso nos ensina? Que o jejum é uma preparação, diligência, tem sentido educacional, é um plano de elaboração. Sugere mudanças e alterações no campo mental, pressupõe o redirecionamento do plano psíquico para que a individualidade possa sentir a presença do Cristo em termos de harmonia e reconforto íntimos.

Então, o jejum de João Batista referia-se às mudanças interiores. Ele tinha um objetivo, a vivência de determinada privação e sacrifício com vistas à recomposição do campo mental. É o sacrifício que a criatura precisa fazer para receber os benefícios do Cristo e estar com ele. Indica que aquele que é capaz de jejuar sob a tutela de João acaba recebendo o pão da alma por parte de Jesus.

E quando Jesus, nesta passagem da multiplicação, menciona o jejum ("porque há já três dias que estão comigo, e não tem que comer. E, se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe.") ele está se referindo, de forma efetiva, àquela carência real que a pessoa já adotou para conseguir chegar nele, menciona que aquela multidão precisou viver um momento de sacrifício e de privação para poder eleger uma posição de enquadramento no que representa o retorno da lei em termos de amor.

O número três, que abordaremos de forma mais nítida em capítulo futuro, na sua parte de extensão tem um elevado significado para nós. Refere-se a uma projeção de encaminhamento. Constitui o mecanismo da ressurreição, o parâmetro da visão em um novo aspecto, em novos ângulos, é o número da conquista, o número que define alcance a patamar acima. Normalmente o terceiro dia sugere mudanças no campo concreto da individualidade, pontos de concretude.

Se o primeiro dia sugere o componente informativo, o segundo é o mecanismo metabólico desse valor e o terceiro é aquele momento exato dessa legítima conquista mediante a nossa ação, por aquilo que sai da gente. E notamos na narrativa evangélica de Marcos que, pelo fato de haver fome Jesus teve condições de gravar preciosos ensinamentos para os discípulos e para todos nós.

Assim, esses três dias de fome fazem referência àquelas experiências por nós vivenciadas para que realmente surjam os componentes da fome, para que dê-se a instauração da carência e possamos valorizar o alimento que nos vai ser canalizado. Em outras palavras, na multiplicação aquela multidão já tinha vivenciado o sistema de elaboração nessa ordem. Três dias de fome no deserto denota que já estavam optando por outro ângulo, abertos a ingestão de novos padrões.

O amor surge em cima do componente da espontaneidade. Ele é aquilo que se faz e que está para além do que é exigido. O tempo passa cada vez mais célere e nós temos que lutar muito nas linhas dos empurrões e das induções do cotidiano para conquistarmos essa autenticidade, essa autonomia e espontaneidade, pois o sacrifício e a disciplina antecedem a espontaneidade. Não tem como ser diferente, para chegarmos ao estágio do natural temos que viver o sacrifício. Sem disciplina jamais vamos conseguir alcançar a linha da espontaneidade.

Enquanto nos sentimos obrigados e coagidos a determinadas tarefas de cunho positivo provavelmente ainda estamos vinculados a João Batista, que é o instrumento da disciplina, e  provavelmente ainda tenhamos que nos refrear e jejuar. Jesus surge naturalmente, no plano da espontaneidade. No exercício do amor aplicado, se para a criatura fazer ela precisa sacrificar-se, se ela faz mas sente-se forçada, constrangida, é João. Se nem lembra do sacrifício, aí já é Jesus.

3 de jun de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 5

A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES

“1NAQUELES DIAS, HAVENDO UMA GRANDE MULTIDÃO, E NÃO TENDO QUE COMER, JESUS CHAMOU A SI OS SEUS DISCÍPULOS, E DISSE-LHES: 2TENHO COMPAIXÃO DA MULTIDÃO, PORQUE HÁ JÁ TRÊS DIAS QUE ESTÃO COMIGO, E NÃO TEM QUE COMER. 3E, SE OS DEIXAR IR EM JEJUM, PARA SUAS CASAS, DESFALECERÃO NO CAMINHO, PORQUE ALGUNS DELES VIERAM DE LONGE.” MARCOS 8:1-3

O evangelho é fonte e recurso inesgotável de ensinamentos para a nossa vida. Ele todo está repleto de símbolos, os quais necessitamos saber compreender e deles tirar o valor essencial, espiritual, aquela ressonância para a nossa caminhada.

Para momentos mais contundentes o texto sagrado apresenta diretriz para nós. Para se ter uma ideia, visando expulsar os vendilhões do templo Jesus fez um azorrague de cordéis. Ou seja, no âmbito reeducacional, para reeducar, o mestre fez azorrague de cordéis. E para alimentar, para nutrir, para dar suprimento alimentício ao metabolismo de crescimento efetivo ele multiplicou pães.

E esse pão que ele estava distribuindo na multiplicação tinha um recado nele. Isso é que é importante entender. Não dá para avançarmos no conhecimento sem essa noção. Nós precisamos compreender com clareza que a oferta que ele vai trabalhar na multiplicação tem um sabor acentuadamente intrínseco, moral, o legítimo pão que ele multiplica e direciona para nos abastecer é o pão do espírito.

"Naqueles dias, havendo uma grande multidão, e não tendo que comer, Jesus chamou a si os seus discípulos". Comecemos o estudo definindo uma coisa. Essa expressão "naqueles dias" indica uma circunstância de tempo que define anterioridade a algo. Não é isso mesmo? Usamos as expressões naqueles dias, naquele tempo, naquela época, naquela ocasião, quando nos referimos a um momento do passado que antecedeu uma situação. Trazido para os dias de hoje, porque é assim que o evangelho fica científico, ela define o momento propício para um atendimento, para uma realização, para o exercício de algum trabalho.

O evangelho, código que pressupõe a exteriorização do amor, nos convida à realização de um trabalho, ao exercício de uma atividade operacional que tem que se processar junto à multidão. Está começando a perceber a beleza do ensinamento?

A aplicação do evangelho sempre vai exigir uma multidão. Todo o processo aplicativo do evangelho presume a existência de uma multidão, afinal de contas, vivemos num sistema de interação. Ninguém vai aplicar o evangelho vivendo isolado, trancado num quarto. Sozinho em um apartamento, ou em qualquer outro ambiente, não há como ninguém crescer. As pessoas com as quais nos relacionamos representam degraus para o nosso crescimento, o piso seguro onde estruturamos todo o nosso reerguimento. A multidão, seja ela  maior ou menor, representa o componente que vai nos oferecer o plano de ascensão.

Apenas nos elevamos tendo como ponto de sustentação para a subida as criaturas com as quais nos interagimos.

O que estamos aprendendo com este estudo? Se o propósito finalístico é aplicarmos o evangelho na abrangência maior do amor, qual o objetivo inicial para que essa aplicação se dê? Analisando com calma não fica difícil descobrir. O texto mostra que Jesus visualiza uma grande multidão. Isto quer dizer que se ele vê a multidão ele a vê em um sentido completo, ampliado. Se vê a multidão ele vê a todos, sem discriminação, sua percepção alcança a todos, ninguém fica de fora. Ele não seleciona quem quer ver e quem não merece ser visto.

Quanto a nós, como aprendizes que buscamos seguir-lhe os passos, com a luz do esclarecimento que nos chega, estamos aprendendo também a visualizar a multidão em uma proposta nova de fazer o bem sem olhar a quem. Porque por enquanto a multidão que nós vemos não é grande, é relativa. Sob nosso foco perceptivo ela costuma de ser de poucas pessoas que elegemos no plano do interesse pessoal, num procedimento discriminatório no campo de acepção de pessoas.

O plano operacional do amor se processa sempre junto à multidão, pois nos encontramos todos conjugados uns aos outros, queiramos admitir isso ou não. E multidão tem de tudo, não é mesmo? A nos ensinar o quê? Que precisamos saber nos relacionar com todos à nossa volta. Com pequenos e grandes, com sábios e não sábios, saudáveis e doentes, com indivíduos equilibrados e indivíduos em desajuste. Aliás, tem aí um ponto muito interessante: quem não souber se relacionar com as criaturas em desajuste não caminha daqui para frente.

Porque multidão tem de tudo. Inclusive os que vieram de longe. E por falar nisso, quem são esses que vieram de longe? Quem são, dentro dessa multidão, esses que estão vindo de muito mais distância? Representam aquelas entidades cansadas, são aquelas almas saturadas, combalidas, desgastadas, sofridas, ansiosas por reconforto e paz. Não é um longe no sentido físico, geográfico, não é uma distância medida em quilômetros. É aquela distância percorrida por muitas criaturas sob a tutela da determinação pessoal, que percorreram longa jornada na estrada evolutiva para se adequarem, enfim, à realidade crística. Que tiveram que sofrer muito para abandonar as ilusões e descobrir a realidade da vida e buscar o caminho do evangelho.

O mestre não chama os deveres do discípulo para si, como o professor não pode chamar a si os deveres do aluno, sob pena de subtrair-lhe a preciosidade da lição. O mestre chama a si os seus discípulos, o que é diferente. Pelos conhecimentos que temos recebido, Jesus, dois milênios após, está embutido em nossa própria intimidade. Isso mesmo, o cristo se encontra dentro da gente, o cristo íntimo. Então, no fundo somos nós mesmos que estamos falando nesse sentido. É como se fosse o cristo íntimo, dentro de nós, conhecedor da extensão das nossas necessidades, das nossas dificuldades, das nossas carências, da nossa fome, da nossa fragilidade, do nosso jejum, nos chamando a ele próprio, à responsabilidade aplicativa do evangelho. Ele nos chamando ao plano operacional, à vivência dos seus ensinamentos junto à multidão, porque quem chama, chama para algo, ninguém chama à toa. E esse chamar tem um sentido de despertar. Afinal, nós estamos imbuídos de uma responsabilidade operacional. Ou não? Nós não somos aqueles que ficam parados.

"E, se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho." É fato que todos buscamos aprender a ver a multidão, todavia, a multidão inicial que intimamente nos interessa é a de nosso ambiente familiar. Dois, três ou quatro no nosso plano cármico, carecedores do nosso atendimento, que apresentam as necessidades básicas e fundamentais do nosso passado. A multidão maior que deve ser trabalhada prioritariamente é a nossa, dentro dessas necessidades imediatas, razão pela qual a criatura vai a Jesus para se abastecer e aprende, no meio desse abastecimento, que tem que voltar para sua casa.

Vai a Jesus para aprender e volta para sua casa para aplicar. Pois o lar é o começo, é no ambiente doméstico que as lições tem que ser inicialmente vividas.

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