3 de jun de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 5

A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES

“1NAQUELES DIAS, HAVENDO UMA GRANDE MULTIDÃO, E NÃO TENDO QUE COMER, JESUS CHAMOU A SI OS SEUS DISCÍPULOS, E DISSE-LHES: 2TENHO COMPAIXÃO DA MULTIDÃO, PORQUE HÁ JÁ TRÊS DIAS QUE ESTÃO COMIGO, E NÃO TEM QUE COMER. 3E, SE OS DEIXAR IR EM JEJUM, PARA SUAS CASAS, DESFALECERÃO NO CAMINHO, PORQUE ALGUNS DELES VIERAM DE LONGE.” MARCOS 8:1-3

O evangelho é fonte e recurso inesgotável de ensinamentos para a nossa vida. Ele todo está repleto de símbolos, os quais necessitamos saber compreender e deles tirar o valor essencial, espiritual, aquela ressonância para a nossa caminhada.

Para momentos mais contundentes o texto sagrado apresenta diretriz para nós. Para se ter uma ideia, visando expulsar os vendilhões do templo Jesus fez um azorrague de cordéis. Ou seja, no âmbito reeducacional, para reeducar, o mestre fez azorrague de cordéis. E para alimentar, para nutrir, para dar suprimento alimentício ao metabolismo de crescimento efetivo ele multiplicou pães.

E esse pão que ele estava distribuindo na multiplicação tinha um recado nele. Isso é que é importante entender. Não dá para avançarmos no conhecimento sem essa noção. Nós precisamos compreender com clareza que a oferta que ele vai trabalhar na multiplicação tem um sabor acentuadamente intrínseco, moral, o legítimo pão que ele multiplica e direciona para nos abastecer é o pão do espírito.

"Naqueles dias, havendo uma grande multidão, e não tendo que comer, Jesus chamou a si os seus discípulos". Comecemos o estudo definindo uma coisa. Essa expressão "naqueles dias" indica uma circunstância de tempo que define anterioridade a algo. Não é isso mesmo? Usamos as expressões naqueles dias, naquele tempo, naquela época, naquela ocasião, quando nos referimos a um momento do passado que antecedeu uma situação. Trazido para os dias de hoje, porque é assim que o evangelho fica científico, ela define o momento propício para um atendimento, para uma realização, para o exercício de algum trabalho.

O evangelho, código que pressupõe a exteriorização do amor, nos convida à realização de um trabalho, ao exercício de uma atividade operacional que tem que se processar junto à multidão. Está começando a perceber a beleza do ensinamento?

A aplicação do evangelho sempre vai exigir uma multidão. Todo o processo aplicativo do evangelho presume a existência de uma multidão, afinal de contas, vivemos num sistema de interação. Ninguém vai aplicar o evangelho vivendo isolado, trancado num quarto. Sozinho em um apartamento, ou em qualquer outro ambiente, não há como ninguém crescer. As pessoas com as quais nos relacionamos representam degraus para o nosso crescimento, o piso seguro onde estruturamos todo o nosso reerguimento. A multidão, seja ela  maior ou menor, representa o componente que vai nos oferecer o plano de ascensão.

Apenas nos elevamos tendo como ponto de sustentação para a subida as criaturas com as quais nos interagimos.

O que estamos aprendendo com este estudo? Se o propósito finalístico é aplicarmos o evangelho na abrangência maior do amor, qual o objetivo inicial para que essa aplicação se dê? Analisando com calma não fica difícil descobrir. O texto mostra que Jesus visualiza uma grande multidão. Isto quer dizer que se ele vê a multidão ele a vê em um sentido completo, ampliado. Se vê a multidão ele vê a todos, sem discriminação, sua percepção alcança a todos, ninguém fica de fora. Ele não seleciona quem quer ver e quem não merece ser visto.

Quanto a nós, como aprendizes que buscamos seguir-lhe os passos, com a luz do esclarecimento que nos chega, estamos aprendendo também a visualizar a multidão em uma proposta nova de fazer o bem sem olhar a quem. Porque por enquanto a multidão que nós vemos não é grande, é relativa. Sob nosso foco perceptivo ela costuma de ser de poucas pessoas que elegemos no plano do interesse pessoal, num procedimento discriminatório no campo de acepção de pessoas.

O plano operacional do amor se processa sempre junto à multidão, pois nos encontramos todos conjugados uns aos outros, queiramos admitir isso ou não. E multidão tem de tudo, não é mesmo? A nos ensinar o quê? Que precisamos saber nos relacionar com todos à nossa volta. Com pequenos e grandes, com sábios e não sábios, saudáveis e doentes, com indivíduos equilibrados e indivíduos em desajuste. Aliás, tem aí um ponto muito interessante: quem não souber se relacionar com as criaturas em desajuste não caminha daqui para frente.

Porque multidão tem de tudo. Inclusive os que vieram de longe. E por falar nisso, quem são esses que vieram de longe? Quem são, dentro dessa multidão, esses que estão vindo de muito mais distância? Representam aquelas entidades cansadas, são aquelas almas saturadas, combalidas, desgastadas, sofridas, ansiosas por reconforto e paz. Não é um longe no sentido físico, geográfico, não é uma distância medida em quilômetros. É aquela distância percorrida por muitas criaturas sob a tutela da determinação pessoal, que percorreram longa jornada na estrada evolutiva para se adequarem, enfim, à realidade crística. Que tiveram que sofrer muito para abandonar as ilusões e descobrir a realidade da vida e buscar o caminho do evangelho.

O mestre não chama os deveres do discípulo para si, como o professor não pode chamar a si os deveres do aluno, sob pena de subtrair-lhe a preciosidade da lição. O mestre chama a si os seus discípulos, o que é diferente. Pelos conhecimentos que temos recebido, Jesus, dois milênios após, está embutido em nossa própria intimidade. Isso mesmo, o cristo se encontra dentro da gente, o cristo íntimo. Então, no fundo somos nós mesmos que estamos falando nesse sentido. É como se fosse o cristo íntimo, dentro de nós, conhecedor da extensão das nossas necessidades, das nossas dificuldades, das nossas carências, da nossa fome, da nossa fragilidade, do nosso jejum, nos chamando a ele próprio, à responsabilidade aplicativa do evangelho. Ele nos chamando ao plano operacional, à vivência dos seus ensinamentos junto à multidão, porque quem chama, chama para algo, ninguém chama à toa. E esse chamar tem um sentido de despertar. Afinal, nós estamos imbuídos de uma responsabilidade operacional. Ou não? Nós não somos aqueles que ficam parados.

"E, se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho." É fato que todos buscamos aprender a ver a multidão, todavia, a multidão inicial que intimamente nos interessa é a de nosso ambiente familiar. Dois, três ou quatro no nosso plano cármico, carecedores do nosso atendimento, que apresentam as necessidades básicas e fundamentais do nosso passado. A multidão maior que deve ser trabalhada prioritariamente é a nossa, dentro dessas necessidades imediatas, razão pela qual a criatura vai a Jesus para se abastecer e aprende, no meio desse abastecimento, que tem que voltar para sua casa.

Vai a Jesus para aprender e volta para sua casa para aplicar. Pois o lar é o começo, é no ambiente doméstico que as lições tem que ser inicialmente vividas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...