11 de jun de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 7

NO DESERTO

“25OS SEUS DISCÍPULOS, OUVINDO ISTO, ADMIRARAM-SE MUITO, DIZENDO: QUEM PODERÁ POIS SALVAR-SE? 26E JESUS, OLHANDO PARA ELES, DISSE-LHES: AOS HOMENS É ISSO IMPOSSÍVEL, MAS A DEUS TUDO É POSSÍVEL.” MATEUS 19:25-26

“4E OS SEUS DISCÍPULOS RESPONDERAM: DE ONDE PODERÁ ALGUÉM SATISFAZÊ-LOS DE PÃO AQUI NO DESERTO? 5E PERGUNTOU-LHES: QUANTOS PÃES TENDES? E DISSERAM-LHE: SETE.” MARCOS 8:4-5

De um lado nós encontramos os discípulos, querendo aprender com o mestre e trazendo cada qual os seus graus de dificuldade. Repare que diante da situação que se apresentava enxergavam apenas barreiras e problemas. ("E os seus discípulos responderam: de onde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto?")

Duvidosos e receosos, eles questionaram como se resolveria o caso de todo aquele povo no deserto, e de onde poderia vir alguém para solucionar a questão, duvidando inclusive dele, de Jesus. Isso mesmo, você não leu errado, o texto é bastante claro, os discípulos, diante daquela adversidade, colocaram em dúvida até mesmo o próprio Jesus. Mas isso não é coisa para nos espantarmos, afinal, já estamos acostumados com isso. Assim é conosco também.

Em um lado da história temos nós mesmos com expressões ampliadas de negatividade. Basta nos defrontarmos com um obstáculo de maior vulto, ou simplesmente que esteja fora do padrão conhecido, e a nossa primeira reação no campo dos reflexos é de natureza negativa. Ficamos intranquilos, agitados, nervosos. Alguns vão mais além, se entristecem, perdem o sono, desesperam-se. É evidente que não podemos alimentar um otimismo para além do normal, ficar cultivando ilusões, mas também temos que saber desarticular o pessimismo que vem mantendo tantas criaturas paradas no tempo e no espaço.

Enquanto os discípulos ficavam intranquilos, preocupavam-se e receavam, Jesus, do outro lado, não entrava no mérito específico das necessidades. Percebeu? A preocupação dos discípulos era uma só, era unicamente com a questão exterior. O receio exclusivo deles era o tamanho do problema. Preocuparam-se em como alimentar a multidão, em como se poderia resolver aquela dificuldade exterior. O mestre, dentro do plano positivo, coerente e perfeitamente equilibrado, situou-se na diligência para o atendimento. Procurando recursos para solucionar as necessidades, e aplicando medidas concretas, ocupou-se em trabalhar com o que se tem. E tanto é assim que ele não perguntou quantos pães seriam necessários para o atendimento, e sim "quantos pães tendes". Lição para levarmos sempre conosco, mostra a necessidade de não identificarmos apenas os obstáculos, mas nos atentarmos para as possibilidades de solução. Mostra a importância de buscarmos as estratégias para sairmos das questões emaranhadas em que podemos vir a nos situar.

Essa é a grande beleza do evangelho. O seu lado consolador, esclarecedor, aplicativo e científico. Desse ensinamento fica um recado importantíssimo para todos nós, sem extremismo ou exagero de qualquer natureza. E sabe qual é? Que independente do tamanho do obstáculo, ou da complexidade da situação, perante a misericórdia de Deus soluções existem. Podemos estar diante de problemas complexos, complicados, de saneamento difícil à nossa linha perceptiva, mas na essencialidade das questões não conhecemos todo o alcance do processo. Concorda comigo, ou será que eu estou aqui fantasiando as coisas?

Repare para você ver. Um médico, por exemplo, por melhor que seja na sua linha de atuação, pode dispor no consultório de uma ficha ou do prontuário do paciente, mas quem é que tem neste mundo a ficha espiritual de quem quer que seja na mão? Ninguém. Resultado? Seja qual for a perturbação reinante, acalmemo-nos e esperemos, fazendo sempre o melhor que pudermos. E lembremos de que o Senhor supremo pede serenidade para poder exprimir-se com segurança.

Não vamos nos esquecer em momento algum das palavras do mestre maior que, certa feita, quando indagado pelos discípulos afirmou que "a Deus tudo é possível".

Aquela situação se passava no deserto e o deserto é sempre relativo a cada um de nós. Cada um tem o seu. Cada qual tem os seus momentos de solidão nesse ambiente insípido, estéril, totalmente árido e sem resposta. Outro ponto fantástico: Jesus, diante daquela multidão faminta, não pergunta aos seus companheiros quantos pães eram necessários. Não perguntou quantos pães necessitam, mas "quantos pães tendes". E ao perguntar "quantos pães tendes", no deserto, mostrou para o próprio discípulo que o deserto não é tão árido assim, que o deserto não é tão infrutífero como se imagina que seja. O que indica a preocupação dele no sentido de nos alertar para a necessidade de algo apresentarmos à divina providência como base para o socorro que pedimos.

Não tenha dúvida alguma, essa pergunta feita aos discípulos lá atrás está sendo feita hoje para nós aqui. Ela permanece viva ao nosso quadro perceptivo: "Quantos pães tendes?" E quem está perguntando é o próprio Cristo.

No plano íntimo de cada um surge: Fulano, o que você tem? Então, meu amigo, minha amiga, a questão é bem simples. Não tem essa de alguém desencarnar, chegar ao plano espiritual e dizer: "Olha, lá embaixo eu não pude fazer nada lá porque eu não tinha nada." Não, isso não vai atender. De forma alguma. E sabe porquê? Porque se alguém procurar no deserto íntimo vai achar.

Ninguém é tão destituído que não encontre nada no seu deserto de positivo para ser ofertado. Perguntemo-nos o que temos para apresentar, porque o mecanismo é multiplicativo, e nós temos. Se analisarmos com atenção vamos encontrar pães dentro de nós. Basta procurarmos com boa vontade e interesse que nós vamos encontrar alguma reserva que podemos utilizar e implementar. Vamos nos mexer, procurar e revirar, tentar ver o que temos, o que pode servir, por mínimo que seja, para ser multiplicado e atender em termos de amor.

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