15 de jun de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 8

QUANTOS PÃES TENDES?

“1NAQUELES DIAS, HAVENDO UMA GRANDE MULTIDÃO, E NÃO TENDO QUE COMER, JESUS CHAMOU A SI OS SEUS DISCÍPULOS, E DISSE-LHES: 2TENHO COMPAIXÃO DA MULTIDÃO, PORQUE HÁ JÁ TRÊS DIAS QUE ESTÃO COMIGO, E NÃO TEM QUE COMER. 3E, SE OS DEIXAR IR EM JEJUM, PARA SUAS CASAS, DESFALECERÃO NO CAMINHO, PORQUE ALGUNS DELES VIERAM DE LONGE.” MARCOS 8:1-3

“5E PERGUNTOU-LHES: QUANTOS PÃES TENDES? E DISSERAM-LHE: SETE.” MARCOS 8:4

Jesus teve compaixão da multidão. Condoeu-se daquele povo todo. O bom samaritano também teve compaixão do viajante caído. O que nos mostra, de forma bem clara, que essa compaixão é necessária, porque se não houver compaixão não se consegue motivar a multidão, ou melhor, não se motiva uma criatura sequer.

Por isso, ensinar, transmitir e cooperar envolve um alto grau de sensibilidade, saber o que se passa no coração das pessoas para poder atender de forma eficiente. Nós estamos distantes de termos esse estado de alma relativo à multidão, só que o trabalho que nos espera pressupõe saber lidar com a sensibilidade dos outros. Não podemos nos impor a ninguém, devemos ganhar o coração da pessoa, porque quem não ganha o coração não ganhará o cérebro.

Jejum gera a fome e a fome significa carência. E para poder atender o carente Jesus apresentou para nós a compaixão da multidão, ele se condoeu do jejum deles.

Muito bem, para entendermos melhor a questão o que acontece com muitos de nós debaixo das paredes do ambiente doméstico? Dentro de casa, não raras vezes, costuma ter um indivíduo com o qual nós brigamos todo dia, e sabe por quê? Porque nós não descobrimos a carência dele. Afinal de contas, não sabemos as carências e não conhecemos as dificuldades daqueles que estão conosco, porque até então nós criamos resistência, quando na verdade devíamos saber aproximar, identificar a carência dele que, às vezes, nem é tão complexa como podemos conjecturar, e pode ser de uma palavra amiga. Precisamos trabalhar e melhorar os nossos sentimentos e, também, saber entender a carência e a necessidade dos outros. No exercício do amor em vez de empurrarmos nós nos aproximamos, porque se não chegarmos por uma linha de adequação nós não descobrimos as carências e não auxiliamos a outra criatura. É completamente impossível cooperar sem estabelecer uma simpatia vibracional.

Para prover aquela multidão que ali se encontrava o que o mestre apresentou? A especificação dele é nítida e simples: pães. Já falamos a respeito deles no início do capítulo e temos que nos fazer sensíveis a essa multidão para podermos chegar. O cordeiro divino não faz referência a nenhum elemento complexo para a cooperação, até pelo contrário, porque a alimentação fundamental da multidão é pão. É ele que alimenta a intimidade do ser, o pão do espírito.

E qual é a ideia do pão nessa linha de oferta? A ideia do pão aqui é no seu sentido positivo, indica a alimentação positiva e construtiva. Entendemos por pão o componente ou valor que vai ser ofertado e que é capaz de atender a necessidade do receptor. Ficou claro? Define o atendimento válido para o momento, o que temos de positividade para alimentar e suprir. Naquela situação foi pão, mas poderia haver outras coisas. O pão, no seu sentido espiritual, simboliza a essencialidade do amor, é o instrumento universal da caridade.

A fome não é carência e necessidade de toda ordem? Pois, então, é preciso de nossa parte certa capacidade de saber identificar o tipo de fome que está visitando a criatura. Sem dúvida alguma, uma vez que existem vários tipos de fome.

Ela pode ter fome de amor, de crescimento, de aprendizagem, fome de ação no bem, de trabalho. E o problema é que a gente fica querendo colocar nas pessoas aquilo nós sentimos, doar ao outro a nossa concepção fechada. A criatura está precisando de pão, em suas múltiplas expressões, e nós queremos tocar jiló nela, coisa que ela não gosta, que ela não metaboliza, não come. Não dá para desconsiderarmos essa necessidade. Está dando para acompanhar?

Esse pão que nós vamos ofertar é laborado. Por isso é que é pão. Não é aquele pão da padaria que você chega, paga e já leva ele prontinho, de sal ou doce, com creme ou sem creme, e que depois você come em pé ou sentado na mesa. Esse pão a que referimos não vem pronto, é resultado de elaboração. Desde o preparo do terreno, depois a semeadura, a germinação do trigo, a florescência, a frutificação, toda aquele engrenagem que nós sabemos. Logo, para oferecer pão a alguém tem que passar primeiro por uma elaboração de luta íntima.

A pergunta de Jesus continua no ar, ecoando no ouvido de todos os que já abriram a linha de percepção. Permanece viva para quem tem ouvidos de ouvir. Denuncia a necessidade de algum concurso efetivo para o serviço da multiplicação.

O que estamos estudando é bonito demais. Pense comigo, ele não teria conseguido tanto se não pudesse contar com recurso algum. Alimentou milhares de pessoas, mas não prescindiu das parcelas minúsculas que os apóstolos lhe ofereciam. Só nos mostra uma coisa: é infinita a bondade de Deus, todavia, algo deve surgir do nosso eu em nosso próprio favor. Não basta dobrar os joelhos em adoração vazia, ou rogar a intervenção do céu a nosso favor ou de outrem, utilizando frases lindas e bem conexas e não fazer nada. Antes de tudo, para que a resposta positiva se dê é necessário fazer da nossa parte tudo quanto nos seja possível.

Vamos avaliar o que temos feito das bagatelas de nosso caminho, dos recursos diminutos que a existência tem nos privilegiado. Se estamos sabendo aproveitar as oportunidades surgidas para fazermos algo de bom. Exame desse tipo é fundamental vez por outra. E não entre nessa de dizer que o que tem é muito pouco para ser oferecido. Que você quase não tem nada. Se não admite o poder e o valor dos recursos chamados menores no engrandecimento da vida, recorde que a segurança dos aparelhos delicados e complexos depende, quase sempre, de parafusos pequeninos ou de junturas extremamente singelas.

Experimente construir um palácio diante de vigorosa central elétrica e procure dotá-lo de luz e força sem a utilização da tomada. A usina mais poderosa do planeta não prescinde de tomada humilde para iluminar um aposento, tanto quanto a floresta, espetáculo imponente da natureza, não se agigantou sem o concurso de sementes pequeninas.

Uma coisa que aprendemos, e que é da maior valia: Jesus não fabricou pães. Ele não é dono de padaria. Ele multiplicou pães, que é bem diferente. E o fato é que comumente achamos que não temos que oferecer nada, que podemos chegar com a sacola ou a mochila vazia. Está percebendo? Tem gente que não quer que ele multiplique, tem gente que quer que ele fabrique. Ou seja, esses não fazem por onde conquistar.

Alguma coisa nós temos que ter e oferecer nesse mecanismo matemático. Não se pode fazer multiplicação usando o zero como um fator. Entendeu? Você pode multiplicar um número positivo por 0,02, por exemplo, mas experimente multiplicar por 0, por algo nulo. Nós todos queremos receber do plano celeste, não há dúvida, só que precisamos definir o que estamos fazendo para simplificar o trabalho da própria espiritualidade, porque os obreiros do plano superior movimentam-se e ajudam, devotados e operosos, contudo, em lhes suplicando o socorro, nosso ou alheio, não nos cabe olvidar o auxílio que podemos prestar por nós mesmos.

Em qualquer terreno de realização para a vida mais alta apresentemos a Jesus algumas migalhas de esforço próprio e estejamos convictos de que ele fará o resto.

Afinal, ele sempre aproveitou o mínimo para produzir o máximo. Quer exemplos? Com apenas três anos de apostolado ele acendeu luzes para milênios, congregando pequena assembleia de doze renovou o mundo e curando alguns doentes instituiu a medicina espiritual para todos os centros da Terra.

Tenha certeza, ele continua perguntando quantos pães temos, e temos que oferecer recursos que já conseguimos amontoar em nós mesmos para o progresso e a vitória do bem. Que respostas vamos dar? Que temos oferecido à obra dele?

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