19 de jun de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 9 (Final)

DISTRIBUINDO PÃES

“E ORDENOU A MULTIDÃO QUE SE ASSENTASSE NO CHÃO. E, TOMANDO OS PÃES, E TENDO DADO GRAÇAS, PARTIU-OS, E DEU-OS AOS SEUS DISCÍPULOS, PARA QUE OS PUSESSEM DIANTE DELES, E PUSERAM-NOS DIANTE DA MULTIDÃO.” MARCOS 8:6

É importante observar que nesse deserto tem uma enormidade de participantes nas escalas evolucionais mais variadas. Tem os que estão vindo de longe, os que estão nas fileiras iniciais, outros nas intermediárias, e assim por diante.

Sete pães foram multiplicados. Sem entrarmos a fundo na questão numerológica, o sete para nós é número que apresenta uma carga informativa valiosa. A expressão setenária é o mecanismo que define a aproximação dos seres em vários estágios da evolução. O sétimo lance, ou o sétimo estágio, já é o limiar de um plano novo em uma nova oitava, que abre novo processo ascensional em várias etapas. É Similar ao que ocorre com as sete notas musicais.

Outro aspecto interessante é a indicativa de sete linhas vibracionais básicas que se irradiam para o padrão acolhedor de todos os circunstantes. É linha de ação e reação, de receptividade e de resposta. Esse sete definindo o atendimento a todos os ângulos. Deu para entender? Em outras palavras, os  sete pães estariam em condições de alimentar e de oferecer um plano metabólico adequado a cada indivíduo de cada grupo segundo o grau de entendimento e de posição no contexto evolucional. Cada pão vem atender determinadas necessidades relativas a cada grupo no contexto ascensional que vai do um ao sete, de acordo com o plano de compatibilidade e de adequação das criaturas.

Por exemplo, um ali vai ter que pegar o pão número sete, outro o da multiplicação do pão número um, e daí por diante. É como se aquele alimento atingisse a cada um de nós indistintamente. Corresponde ao pão que alimenta o que está chegando hoje como alimenta o que tem muita experiência. Ninguém fica sem o devido atendimento, ninguém se mantém sem ser abastecido.

A ordem de Jesus dada à multidão foi no sentido de que se assentasse no chão. É óbvio que muitos vão dizer que tratava-se da autoridade dele. Claro, isso não tem nem o que se questionar. Só que para além desse sentido de autoridade do mestre essa atitude também sugere algo mais, define a harmonização ambiente, a instauração da serenidade, a disciplina e a garantia da ordem, uma vez que as pessoas se assentam para se acomodarem. Então, assentar-se é acalmar os ânimos, predispor a multidão, serenar-se, indica que a primeira providência de cá para se receber a multiplicação de lá é no mínimo assentar-se.

No chão é como se a criatura fizesse um processo de ajuste. Não no sentido literal de largar as mochilas e as bolsas e assentar, e sim levá-la a um reconforto íntimo. Isto é, nós nos elevamos a partir de um ajuste, de uma acomodação. Representa colocar-se em uma condição receptiva. Porque nós todos estamos querendo um reconforto da parte de Deus e a misericórdia quer o estabelecimento de uma conexão vibracional de lá com a nossa postura, pois nada chega ao nosso contexto derramado do plano espiritual sem linhas de conexão.

Esse assentar-se é visando uma condição propícia para a alimentação adequada. A conexão que Jesus fez foi que se assentassem no chão. Sem querermos ser pretensiosos, é como se o mestre dissesse: Olha, eu por mim mesmo não multiplico, e também não sei o quanto a misericórdia do criador vai operar em favor de vocês, mas eu posso dar um reconforto e condições mínimas de poderem se alimentar. 

Essa atitude mostra que no auxílio aos outros o Senhor não prescindirá da cooperação, embora pequena, que deve encontrar em nós. Não vale rogar concessões do céu com palavras brilhantes e comovedoras, no entanto, alongando as mãos vazias, mas sim pedir a proteção apresentando possibilidades, ainda que diminutas, de nosso esforço. Às vezes, no plano prático da vida nós queremos propiciar uma alimentação substanciosa àqueles que queremos auxiliar, mas nem chegamos a preparar a mesa. Queremos de boca, só que não fazemos a nossa parte. Muitos pedem para os outros, só que não colocam nada da parte deles para que essa multiplicação possa ocorrer.

Nós não estamos aqui para discutir cientificamente o que aconteceu com os sete pães. Não é nosso interesse. Se trata-se apenas de uma figura ou se a multiplicação aconteceu mesmo e como é que ela se deu. Imagine você se este estudo tivesse por objetivo abordar o assunto unicamente sob o parâmetro científico. Nós iríamos entrar num mecanismo de como a multiplicação se processou e talvez inúmeras explicações surgissem. Alguém poderia dizer: "olha, foi pão mesmo e muito pão, encheu aquele deserto todo de pão", ou "caiu pão do céu, não se sabe como", ou "pode ter sido um pão partido em pedacinhos tão minúsculos, cuja bolota mínima tinha um poder sustentador inigualável". 

Ora, nenhum ponto ou outro está errado, uma vez que Jesus tinha plenas condições de trabalhar o laboratório do mundo invisível tornando os componentes visíveis e concretos e alimentícios, afinal, ele organizou e estruturou nosso orbe geologicamente. Logo, condições para isso os espíritos tem e nós temos hoje com os conhecimentos amplos muitas informações do que eles tem feito.

Não é nosso interesse ficar aqui analisando o texto exclusivamente dentro de sua fisionomia histórica. De forma alguma. Não estamos aqui para estudar a história do evangelho, muito menos estamos com a cabeça voltada para dois mil anos atrás. O que estamos fazendo é indo lá atrás e trazendo o evangelho para cá, para os dias de hoje, uma vez que nós estamos com esses pães multiplicados na mão, ou será que alguém tem dúvida quanto a isto? O Jesus da Galiléia e da Peréia está lá atrás na história, nós falamos agora é no Jesus íntimo.

A multiplicação foi feita pelo criador através de Jesus, pois a elaboração do pão pertence a Deus. E Jesus os multiplica. Ele tomou os sete pães, poucos pães, está certo, mas apresentou. Ainda que tivesse um pedaço apenas e temos a certeza de que nesse pedaço Jesus poderia operar. Outro ponto que não pode passar despercebido é que a multiplicação se efetiva na expressão "tendo dado graças".

Então, vamos compreender que em cima do mínimo que se tem é que nós vamos receber, e tanto é que o evangelho afirma que aquele que tem lhe será dado.

A pergunta que fica é "quantos pães tendes" e se tem sete pães tem alguma coisa. É precisamente com essa alguma coisa que a misericórdia divina funciona. Por isso, a gente precisa começar com o que tem. No mecanismo do plano ascensional funciona o sistema de aproveitamento de cada valor que vamos apresentando no plano prático da vida. Quando o mestre, à frente da multidão faminta, indagou das possibilidades dos discípulos para atendê-la, decerto procurava uma base a fim de materializar o socorro. E todos possuímos na medida em que oferecemos. Recebemos na pauta do que fazemos, não do que intencionamos. A cada um será dado conforme as suas obras.

O pão é assimilado por cada um em nível multiplicador. E apesar de Deus não ter espírito por medida, pois tudo vem em abundância, a nossa capacidade perceptiva depende do grau de reflexo que temos. Para simplificar, podemos dizer que onde atingimos e detectamos é que a resposta vem, e cada componente presente em nós pode ser estiolado, por impedimento, ou ampliado, por multiplicação. 

Se falamos em multiplicação logo a gente imagina uma linha quantitativa, pensamos em termos de quantidade. Só que não se trata apenas da linha quantitativa, a verdadeira multiplicação trabalha a linha qualitativa. O valor vibracional circulante, a carga de emoções constante na prática de ação no bem é que vai determinar o grau que tange a linha qualitativa, e que premia e eleva ou entristece e onera a criatura. Para se ter uma ideia, tem muita gente que soma os pães que dá aos outros: "Este ano eu dei cento e trinta e dois pães".

Às vezes, ele não deu nenhum efetivamente. Isso não acontece demais? Às vezes, um indivíduo deu a esmola, mas a caridade não circulou. Percebeu? Ele deu ao que pediu apenas para ficar livre e o que houve foi mera transferência de valores. Porque o pão é o instrumento universal da caridade, mas ele não é a caridade. A esmola dada representa o componente canalizador da caridade e toda a migalha de amor oferecida está registrada na lei em favor de quem a emite.

No plano perceptivo de conteúdo nós temos que saber onde é que nos situamos no texto. Como não há a mínima condição de estarmos na posição de Jesus, claro, onde nos situamos? Estamos entre os discípulos ou somos componentes necessitados da multidão? A maioria está na multidão, e quanto a isso não resta dúvida, não tem o que se questionar. A maioria das pessoas está na multidão, está naquela linha de introjetar o benefício, quer apenas gozar a vida.

Não somos totalmente diferentes. Apesar de querermos ser discípulos, apesar de nos mantermos interessados no exercício da tarefa que, aliás, é a melhor posição no contexto, como instrumentos do Cristo, somos também da multidão.

No meio desse mecanismo tem uns que estão começando a se questionar intimamente, já sentem uma pontinha de vontade se expressando: "Quem sabe eu posso até ajudar a distribuir". Pensam, analisam e se animam. Na hora que vai começar a distribuir: "Mas, vem cá, eu vou dar a troco de quê? O que eu vou ganhar?" E quando descobre que não vai ter pagamento sabe o que ela faz? Prefere ficar na multidão: só receber, receber e receber. Isto é, assim segue a vida, Deus lá em cima e nós aqui embaixo só pedindo. Só nos esquecemos que enquanto nos posicionamos no receber, isso significa tumulto, lutas íntimas e necessidade constante. A paz, a serenidade e a harmonia começam a aparecer quando começamos a soltar da nossa personalidade junto aos outros. Aí começa a mudar, de integrante da multidão a, quem sabe, discípulo.

O grande segredo da caminhada em um plano de libertação intrínseca é saber sair da multidão. Nós estamos, em tese, ajudando para aprender e aprendendo para ajudar.

Após ordenar a multidão que se assentasse, e tomar os pães, e dar graças, Jesus os partiu. E partindo os pães ele apresenta uma distribuição sem privilégios.

E deu graças à misericórdia superior pelas concessões oferecidas para que aquilo pudesse vir a atender. E em seguida o que fez? Deu aos discípulos, porque eles seriam os grandes canalizadores do processo, pois existe um plano de escalas distributivas. Isto é, Deus não vai chegar a alguém e perguntar a esse alguém o que ele quer. A gente pede e alguém vai vir representar o pensamento divino em resposta junto àquele que pediu. O Cristo atua nas criaturas e todos nós somos os distribuidores desse pão multiplicado e ampliado que dimana da misericórdia do criador. Ele vai ajudar através de quem se dispõe a tentar. Está dando para captar? No fundo, toda a nossa atividade filtrada no amor e no bem constitui a extensão da bondade e da misericórdia divina em favor de quem precisa, e nós é que somos os acionados.

Mas se não quisermos ir, se estivermos cansados ou indiferentes, e não sensibilizados, o que acontece? Outros irão, e perdemos a chance de melhorar nossa própria vida.

Como vimos, foram sete pães, mostrando as várias faixas de evolução do ser. Sete pães adequados aos diversos níveis da individualidade. Já os peixes, nas multiplicações, apresentam número menor, e sobre eles falaremos mais à frente.

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