8 de jun de 2013

Cap 35 - A Multiplicação dos Pães (2ª edição) - Parte 6

O JEJUM

“2TENHO COMPAIXÃO DA MULTIDÃO, PORQUE HÁ JÁ TRÊS DIAS QUE ESTÃO COMIGO, E NÃO TEM QUE COMER. 3E, SE OS DEIXAR IR EM JEJUM, PARA SUAS CASAS, DESFALECERÃO NO CAMINHO, PORQUE ALGUNS DELES VIERAM DE LONGE.” MARCOS 8:2-3

O jejum significa abstinência, total ou parcial, de alimentação em determinados dias e por período de tempo específico. E sabemos que abster-se é deixar de, é privar-se, não fazer voluntariamente.

Repare que àquela época o jejum era praticado por grupos específicos. Quem jejuava eram os fariseus, João Batista e os seus discípulos. Os discípulos de Jesus não jejuavam. Jesus, além de não jejuar alimentava-se com pecadores e problemáticos de toda ordem.

Nos dias de hoje é comum vermos indivíduos vinculados a alguns segmentos religiosos praticando o jejum. Coisa que não deve ser difícil de entender, uma vez que estamos muito mais situados como discípulos de João do que de Jesus. Mas o jejum tem significado bem mais profundo do que o simples fato de privar-se da ingestão de certos alimentos físicos, pois esta privação, por si só, não torna um indivíduo melhor hoje do que era ontem. Além do que, se temos vida no aspecto psíquico, na acepção espiritual o legítimo jejum representa o exercício de nos abstermos de pensamentos negativos. Isto é, no plano essencial é aquele posicionamento onde devemos evitar nutrirmo-nos de pensamentos negativos, não alimentar o espírito com pensamentos de ordem inferior.

E dentro da linha de raciocínio lógico vamos mais à frente. Se quem está com Jesus não jejua, jejua quem se prepara para estar com ele. Está percebendo como a questão é interessante? Discípulos de Jesus não jejuam, jejua quem está se preparando para chegar nele, incluindo os que vem de longe. O que isso nos ensina? Que o jejum é uma preparação, diligência, tem sentido educacional, é um plano de elaboração. Sugere mudanças e alterações no campo mental, pressupõe o redirecionamento do plano psíquico para que a individualidade possa sentir a presença do Cristo em termos de harmonia e reconforto íntimos.

Então, o jejum de João Batista referia-se às mudanças interiores. Ele tinha um objetivo, a vivência de determinada privação e sacrifício com vistas à recomposição do campo mental. É o sacrifício que a criatura precisa fazer para receber os benefícios do Cristo e estar com ele. Indica que aquele que é capaz de jejuar sob a tutela de João acaba recebendo o pão da alma por parte de Jesus.

E quando Jesus, nesta passagem da multiplicação, menciona o jejum ("porque há já três dias que estão comigo, e não tem que comer. E, se os deixar ir em jejum, para suas casas, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe.") ele está se referindo, de forma efetiva, àquela carência real que a pessoa já adotou para conseguir chegar nele, menciona que aquela multidão precisou viver um momento de sacrifício e de privação para poder eleger uma posição de enquadramento no que representa o retorno da lei em termos de amor.

O número três, que abordaremos de forma mais nítida em capítulo futuro, na sua parte de extensão tem um elevado significado para nós. Refere-se a uma projeção de encaminhamento. Constitui o mecanismo da ressurreição, o parâmetro da visão em um novo aspecto, em novos ângulos, é o número da conquista, o número que define alcance a patamar acima. Normalmente o terceiro dia sugere mudanças no campo concreto da individualidade, pontos de concretude.

Se o primeiro dia sugere o componente informativo, o segundo é o mecanismo metabólico desse valor e o terceiro é aquele momento exato dessa legítima conquista mediante a nossa ação, por aquilo que sai da gente. E notamos na narrativa evangélica de Marcos que, pelo fato de haver fome Jesus teve condições de gravar preciosos ensinamentos para os discípulos e para todos nós.

Assim, esses três dias de fome fazem referência àquelas experiências por nós vivenciadas para que realmente surjam os componentes da fome, para que dê-se a instauração da carência e possamos valorizar o alimento que nos vai ser canalizado. Em outras palavras, na multiplicação aquela multidão já tinha vivenciado o sistema de elaboração nessa ordem. Três dias de fome no deserto denota que já estavam optando por outro ângulo, abertos a ingestão de novos padrões.

O amor surge em cima do componente da espontaneidade. Ele é aquilo que se faz e que está para além do que é exigido. O tempo passa cada vez mais célere e nós temos que lutar muito nas linhas dos empurrões e das induções do cotidiano para conquistarmos essa autenticidade, essa autonomia e espontaneidade, pois o sacrifício e a disciplina antecedem a espontaneidade. Não tem como ser diferente, para chegarmos ao estágio do natural temos que viver o sacrifício. Sem disciplina jamais vamos conseguir alcançar a linha da espontaneidade.

Enquanto nos sentimos obrigados e coagidos a determinadas tarefas de cunho positivo provavelmente ainda estamos vinculados a João Batista, que é o instrumento da disciplina, e  provavelmente ainda tenhamos que nos refrear e jejuar. Jesus surge naturalmente, no plano da espontaneidade. No exercício do amor aplicado, se para a criatura fazer ela precisa sacrificar-se, se ela faz mas sente-se forçada, constrangida, é João. Se nem lembra do sacrifício, aí já é Jesus.

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