23 de jun de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 1

LÁGRIMAS E DESCULPAS

“E AGORA POR QUE TE DETÉNS? LEVANTA-TE, E BATIZA-TE, E LAVA OS TEUS PECADOS, INVOCANDO O NOME DO SENHOR.” ATOS 22:16

“PORQUE NOUTRO TEMPO ÉREIS TREVAS, MAS AGORA SOIS LUZ NO SENHOR; ANDAI COMO FILHOS DA LUZ.” EFÉSIOS 5:8

A morte para uma soma enorme de criaturas no plano físico ainda é considerada um ponto final aos problemas. Na visão dessa massa a morte resolve tudo. Como que num passe de mágica acreditam que ela elimina, de um instante para outro, qualquer dificuldade, por mais complexa que ela possa ser.

Consideram que morreu, acabou. O túmulo chega mesmo a ser considerado como a representação e o repositório das últimas esperanças. E não é apenas isso, a questão vai mais além. Muitas pessoas acreditam serem privilegiadas da infinita bondade por haverem abraçadas atitudes de superfície nos templos religiosos, ou se consideram credoras da redenção celeste pela simples arregimentação de valores intelectivos. Esperam quase que ansiosamente a morte do corpo, suplicando a transferência para os mundos superiores tão-somente por haverem ouvido maravilhosas descrições dos mensageiros divinos.

No entanto, meu amigo, minha amiga, não acreditemos em comunhão com a divina majestade simplesmente porque nos façamos cuidadosos no culto externo da religião que afeiçoamos. A passagem pelo sepulcro por si só não nos coloca em terra milagreira, sempre nos achamos indissoluvelmente ligados às nossas próprias obras.

Em todos os ambientes deste mundo multidões imensas de seres humanos choram diante das mínimas contrariedades e dos menores dissabores que a vida lhes apresenta. Pode-se dizer com muita tranquilidade que nós humanos trazemos essa herança desde os primeiros dias da existência. É assim que crescemos, é assim que se dá com o bebê. Se ele sente frio, fome, sede, está sujinho de cocô ou molhado de xixi, não espera um segundo para começar a chorar.

O choro se faz imediato ao estabelecimento da necessidade. A plenos pulmões investe suas poucas energias no choro. Não é assim que se dá? Chora sem economias e uma mão mágica surge de algum lugar para satisfazer a sua singular necessidade. Muitas crescem assim. Deixam de ser bebês, todavia, exteriorizam as suas decepções, as suas mínimas contrariedades e os seus desgostos com choro, semblante fechado, cara de poucos amigos, porque no fundo se consideram, ainda, aqueles bebês com as suas dificuldades externadas. Clamam infundadamente por mãos mágicas para suprir-lhes os caprichos.

O ponteiro do relógio gira, a gente cresce e descobre, com decorrer do tempo, que a coisa não é tão assim. Eu não tenho nenhuma pretensão de desapontá-lo neste início de capítulo, mas a verdade é que a natureza não se perturba para satisfazer pontos de vista de quem quer que seja. E mais, a aflição não resolve problemas.

Tampouco vale a chuva de lágrimas despropositadas diante da insatisfação ou da falta cometida, pois elas não substituem o suor que se deve verter em benefício da própria felicidade. Quantas pessoas comumente ficam desesperadas, chateadas, frustradas e tristes por motivos que não são tão contundentes para tal. Por qualquer motivo mais ou menos e já começam a chorar. A criatura, às vezes, entra no quarto e se tranca por horas ou, quem sabe, por dias, e chora sem parar. Acredita que muito da sua vida perdeu o sentido em razão de certo acontecimento e só pensa em chorar. Aí eu sou obrigado a repetir o que acabei de dizer agora: lágrima não substitui o suor. Quando ela acaba de chorar, independente do tempo que durou o choro, ela estará na mesma situação. É que a felicidade é construída com suor, não com lágrima.

Não resta dúvida alguma que em certos momentos nós temos mesmo que chorar, porque o choro desonera, extravasa, desoprime. Sem contar que às vezes temos que chorar até para valorizarmos o suor e descobrir a duras penas que o suor é que propicia. Mas em hipótese alguma o choro pode nos paralisar.

São muitos os indivíduos que buscam o encarceramento orgânico para fugir sem resgatar. E outros tantos que se apegam à própria desdita como falsa justificativa para prosseguirem no sofrimento que lhes agrada. Você já pensou nisso? Parece que gostam de sofrer. Cultuam o sofrimento e sentem velado prazer nisso. Se analisarmos a questão, enquanto sofrem, ou pelo menos alimentam e se apegam ao sofrimento, sentem-se desonerados de certos compromissos para com a própria vida. Sem falar no outro grupo que sofre e realmente busca auxílio, só que engana-se quem pensa que quer o progresso. Esses não querem o progresso. Querem livrar-se da doença e dos problemas, mas não querem curar-se. Pode-se dizer que buscam fazer quando melhorarem as mesmas coisas que faziam antes do estabelecimento da dificuldade. Nada mais.

É importante fazermos um balanço pessoal vez por outra acerca das horas gastas com lamentações prejudiciais. Com certeza não são poucas. O desculpismo sempre foi a porta de escape dos que abandonam as próprias obrigações.

Muitos não querem fazer contato com as dificuldades e vão arrumando desculpas. É desculpa para todo o tipo e todo o gosto. E o pior de tudo, são tantas as evasivas, e tão veementes aparecem, que os ouvintes mais argutos terminam-se convencidos de que se encontram à frente de grandes sofredores ou de criaturas francamente incapazes, passando até mesmo a sustentá-las na fuga. Porém, uma coisa é certa, é inútil ficar assentado lamentando-se dos infortúnios, sejam eles reais ou imaginários. Não se pode fugir do ego infeliz. Não se pode escapar dos problemas e das obrigações indefinidamente, logo, não te percas desse modo na lamentação indébita. Multidões de convidados para a lavoura da luz, engodados de si próprios acordam para a verdade em momento tardio, atados às ruinosas consequências da própria leviandade, e não encontram outra providência senão a de esperarem por reencarnações outras.

Que tal aprendermos uma coisa juntos agora? Aprender, guardar e levar conosco daqui para a frente. A inércia é uma ilusão, o tédio é deserção e a preguiça é fuga que a lei pune com as aflições da retaguarda, pois o progresso é um comboio de rodas infatigáveis que releva para trás todos os que se rebelam contra os imperativos da frente. Acontece de quando fincamos o pé nos aspectos da retaguarda não estarmos querendo enxergar a realidade do progresso.

É certo que todos nós atravessamos obscuros labirintos antes de atingirmos adequado roteiro espiritual, e em múltiplas circunstâncias erros e enganos múltiplos nos povoaram a mente com remorsos e arrependimentos, mas isso não deve justificar o choro estanque. Vamos parar de moleza e deixemos de alegar tropeços e culpas, inibições e defeitos para a fuga das responsabilidades que nos competem.

Não aleguemos fraqueza, inaptidão, desalento ou penúria para desistirmos do lugar que nos cabe no edifício do bem. Até ontem podíamos ter estado em trevas, achando-nos na condição do viajante que jornadeia circulado de sombras, tropeçando aqui e ali, sem o preciso discernimento. Mas hoje, que tudo se faz claro em derredor, fujamos de dramatizar desencantos e fixar desacertos, queixas e recriminações que complicam e desajudam, ao invés de simplificar e ajudar.

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