30 de jun de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 3

POR QUÊ TRABALHAR?

“POR SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS. PORVENTURA COLHEM-SE UVAS DOS ESPINHEIROS, OU FIGOS DOS ABROLHOS?” MATEUS 7:16

“PORTANTO, PELOS SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS.” MATEUS 7:20

O movimento é inerente a toda extensão do universo, onde não existe vácuo e, muito menos, inércia e a vibração a tudo interpenetra e move. Assim, depreendemos que o movimento é a esteira que circula e o nosso grande desafio é transformar esse movimento em trabalho, sublimar esse movimento em um trabalho digno.

Se o trabalho consiste na aplicação de forças e faculdades humanas para o alcance de determinado fim, no plano em que nos situamos ele é o componente capaz de projetar. Porque o conhecimento aponta, o conhecimento mostra, abre e vislumbra, todavia, o que projeta efetivamente é o trabalho.

A meta de cada um de nós é alcançar um sistema de equilíbrio pessoal, uma realização que possa garantir reconforto e harmonia interior, e durante tempo considerável mantivemos aquela concepção de que essa segurança dependia do mundo exterior. Observamos em volta, notamos que o tempo que passa não oferece segurança a ninguém e entendemos que a coisa não é bem assim. Dinheiro e êxito nos negócios podem lhe assegurar determinadas expressões de uma pseudo segurança, e você pode achar que está perfeitamente seguro, perfeitamente protegido e pode, no fundo, não estar tão seguro como aparentemente acreditava. Porque na realidade a segurança tem um caráter acentuadamente intrínseco, ela depende especificamente do nosso campo interior.

A segurança vai sendo cada vez mais autêntica, suficiente e gostosa prá gente na medida em que começamos a ter essa segurança no campo seletivo do dia a dia. Encontramos, assim, um ponto de segurança por aquela parcela em que conseguimos ter a chance de operar. E a ação individual positiva e equilibrada vai dimensionando essa realização para novas possibilidades operacionais.

O trabalho, para se ter uma ideia, é condição de saúde e equilíbrio. Bem fixado nos objetivos ele é componente de segurança para aflito. Mais do que isso, ele é um ponto de referência sobre o qual nos edificamos. É instrumento de projeção. Vale lembrar que em tantas ocasiões propomos aos benfeitores espirituais a realização de determinados serviços que, acima de tudo, são oportunidades de trabalho que o Senhor nos oferece. Razão pela qual temos que recordar o exemplo do benfeitor excelso e não procurarmos segurança íntima fora do dever retamente cumprido, mesmo que isso nos custe o sacrifício.

Outra razão fundamental para o trabalho consiste no seguinte: Deus cria! Ele é o criador em toda a extensão universal. Dele dimanam as linhas abrangentes e direcionais do amor e do equilíbrio no universo. Até aí, tudo bem? Agora, se Deus é pai, como é que o pai se completa? Com o filho, claro. Ou seja, Deus sem ter filho seria incompleto. Então, Deus cria. Ele não faz, não opera. Deus não vai trabalhar na área operacional do universo porque isso não é com Ele. 

Ele apenas distribui os padrões. Até porque o crescimento de todos os seus filhos está exatamente nessa operacionalização. Se não houver isso não temos nem sequer campo de crescimento. Logo, todo o plano dinâmico no universo é operado pelos seres seus filhos, espíritos encarnados e desencarnados. Queiramos ou não, diante da grandeza do criador somos nós os seus instrumentos, a sua mão.

Assim é que funciona o mecanismo: o Pai dispõe e o filho opera, trabalha, realiza. Deus dispõe e nós temos que operar com aquilo que o criador dispõe. Deus não opera, não faz. Ele não vai atuar no nosso plano operacional, o fazer é com a gente. Somos nós os operários da grande obra porque não existe pai sem filho e aqui se opera sob a tutela da bondade do alto. Ao dizer "eu e o pai somos um" Jesus define que Deus dispõe e ele realiza. Existe pai e existe filho. O pai se completa com o filho. O filho é quem faz, o pai não faz. Ele cria e nós fazemos. Em todo universo quem faz somos nós e o mestre veio nos ensinar a fazer.

As linhas de procedimento religioso na atualidade não comportam mais essa ideia saturada de que estamos aqui e Deus está lá. Não dá para ficar nessa mais. Longe de fazermos uma dramatização, existe um mundo chorando à nossa volta e a cada momento somos solicitados a ajudar alguém de alguma maneira.

Basta alcançarmos a mínima sensibilização para nos certificarmos de que não podemos mais ser meros espectadores dos acontecimentos. O mundo de hoje, com todas as lutas que observamos, desde o nosso campo mais próximo aos mais distantes, podemos notar que todas as áreas estão visitadas por um chamamento.

Simplesmente não há como trabalhar no mundo de hoje sem uma ideia dentro de nós de cooperar com os outros. Não há como evoluir daqui para a frente só em campo teórico. É imprescindível ultrapassarmos a posição sistemática de eternos auxiliados para nos engajarmos na proposta de auxílio, num esforço de integração para além da consciência informativa, pela instauração de um sistema dinâmico de trabalho, realização e amor. Somos todos convocados a auxiliar na faixa de ação em que estamos situados, porque por menores sejam as nossas possibilidades encontramo-nos integrados em um território de cooperação.

O mundo é assim, tem uns gemendo e outros tentando tirar o gemido e auxiliar, uns chorando de dor e outros tentando cuidar da ferida, dentro das suas dificuldades. Não adianta fugir, negar ou tentar se esquivar, mais cedo ou mais tarde nós temos que entrar na luta para cooperar. Porque se não operamos tornamo-nos mendigos da evolução, e mais vale auxiliar hoje do que ser o auxiliado de amanhã.

Não existe aquele que não tenha alguma informação. Por menor que seja, ela é uma informação que nos convida à serenidade, ao equilíbrio e à capacidade de operar no bem, respeitar o semelhante e ajudar naquilo que for possível, em maior ou em menor escala. 

Cedamos algo de nós em favor dos outros pelo muito que outros fazem por nós, e sem reclamar. Basta a gente avaliar que se temos braços para ajudar e cabeça habilitada a refletir no bem alheio somos superiores ao homem poderoso com montanhas de dinheiro, mas sem a coragem de ajudar quem precisa.

A vida aqui na Terra passa rápida e constitui uma oportunidade vastíssima, cheia de portas e horizontes para a eterna luz. Tantos companheiros se conscientizam disso após longo tempo. Se o fruto revela a árvore, a obra fala do homem.

É muito importante conhecermos o frutos de nossa vida, o que nós estamos realmente exteriorizando no campo do destino, de modo a saber se beneficiam os nossos irmãos. Qualquer criatura que se consagre à verdade dará testemunho de nós, em qualquer lugar, pela substância de nossa colaboração no progresso comum. É algo para pensar.

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