31 de jul de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 2

TUDO RESIDE EM DEUS

“TODA A BOA DÁDIVA E TODO O DOM PERFEITO VEM DO ALTO, DESCENDO DO PAI DAS LUZES, EM QUEM NÃO HÁ MUDANÇA NEM SOMBRA DE VARIAÇÃO.” TIAGO 1:17

“CONHEÇO AS TUAS OBRAS; EIS QUE DIANTE DE TI PUS UMA PORTA ABERTA, E NINGUÉM A PODE FECHAR; TENDO POUCA FORÇA, GUARDASTE A MINHA PALAVRA, E NÃO NEGASTE O MEU NOME.” APOCALIPSE 3:8

A submissão a Deus é algo lindo demais quando compreendemos que nos submetemos a ele em função da sua grandeza.

O próprio Jesus disse não poder fazer coisa alguma, que o Pai que permanecia nele é quem fazia as obras. Logo, do excelso trono é que nasce o eterno manancial que tanto sustenta o anjo na altura como alimenta o verme no abismo.

Para podermos atuar com paz, equilíbrio e segurança nós temos que ser profundamente obedientes ao pensamento divino. Imagine o seguinte, imagine uma criatura extremamente evoluída e assessorada por um espírito de alta luminosidade. Francisco Cândido Xavier, o querido Chico Xavier, é um exemplo perfeito. Ele podia fazer, como fez, muito por nós porque ele recebia, entre outros, de Emmanuel. Então, vamos ao ponto aonde queremos chegar, o Emmanuel é o maior? Não. Ele, por sua vez, também recebia de cima, e de cima, e de cima...

Percebeu onde queremos chegar? Quando o espírito vence o orbe, no que se refere aos grandes baluartes que gerenciam a vida no planeta, ele parte para outras escalas no universo, vinculadas ao gerenciamento de nossa atividade aqui. Ou seja, por enquanto nós estamos numa morada estreita e não temos como aspirar muita coisa além do mundo terrestre, mas quando penetrarmos o terreno adentro de uma nova era que já chega estaremos cogitando de outras frentes administrativas da nossa casa. E tudo procede e advém da estrutura suprema do criador.

Ao dizer "tudo posso naquele que me fortalece" Jesus Cristo queria dizer que por si só ele não tinha tanta capacidade. Com isso, não estamos querendo nos desprestigiar, mas entender que todos nós estamos nas mãos das forças superiores. O mestre definiu bem que a obra é do criador, que não era ele que fazia, e sim o Pai que operava a obra por meio dele. O homem deve, portanto, colocar-se, invariavelmente, na condição de colaborador de Deus, e consciente de que está agindo sob o poder divino será naturalmente simples e humilde. Agora, a questão é que muitas vezes nós, quem sabe até hoje, achamos que estamos servindo a Deus, quando na verdade estamos servindo a nós mesmos.

Nesta época tumultuada que o mundo atravessa uma luz vai surgindo aos poucos, vai clareando os corações sequiosos de esclarecimento. Essa luz é aquela convicção de que os problemas jamais se resolverão pela força, que não podemos trabalhar com violência, pois qualquer violência tem um preço. Que quando fazemos algum trabalho com violência, essa violência mostra parcela do nosso egoísmo e que se começarmos a usar apenas a força daqui a pouco vamos estar cercados de forças contrárias iguais, porque é da lei. É da lei que cada força usada na ação implica em outra correspondente ao nível da reação.

Sendo assim, não adianta nada usar tal recurso. É necessário seguirmos por outro caminho além daqueles já palmilhados. Caminho esse, aliás, quase nunca escolhido por nós, razão pela qual o julgamos incapaz de nos conduzir a uma situação melhor. É preciso paciência e visualização de estratégias para que a gente possa quebrar esse casulo que tem prendido muitas criaturas em situações difíceis e complexas por longo tempo. O bom senso indica para projetarmo-nos no plano elaborador e geratriz da força, mas sem trabalharmos com ela.

A sagrada escritura, mais especificamente o apocalipse, diz assim: "Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome." (Apocalipse 3:8) É isto aí, vamos pensar no que significa essa pouca força. Mostra que na medida em que avançamos em força a nossa força se perde para a força maior do criador. Está percebendo? É preferível o trabalho realizado com a força que é universal, aquela que tem a sua fundamentação básica e segura no amor. Porque esta não machuca, não constrange, não coage. É assim que funciona. Repare que se a barra está pesada, se a luta está difícil, quando nós temos pouca força quem resolve são eles, os espíritos superiores.

Nós citamos agora a pouco o exemplo do Chico Xavier. Alguém poderia lhe dizer: "Nossa, Chico, você é uma pessoa formidável, você tem uma mediunidade e um poder fantástico." E o Chico, por sua vez, com toda a sua simplicidade, poderia responder que muito do seu trabalho era feito em razão da assistência do Emmanuel. O Emmanuel, também, poderia falar que os seus recursos vinham mais de cima, e por aí adiante. Então, no fundo, dentro dessa escala vai se chegar ao criador, ao Pai celestial, que é onde residem todos os recursos.

Agora, não significa que com essa pouca força nós vamos vir a nos enfraquecer.

Para ser mais preciso, a nossa força diminui porque passamos a operar com outras forças. 

E se formos analisar mais a fundo, de nós mesmos nada podemos, mas tudo podemos naquele que nos fortalece. Deu uma ideia? Pode até parecer meio contraditório, mas essa pouca força indica que apesar dela diminuir a criatura cresce em poder. E essa pouca força pode também ser compreendida como sendo pouca resistência. Outro ponto interessante é que a nós cabe guardar a palavra e não negar o nome, o que significa a nossa permanência na aplicabilidade do conhecimento dentro do padrão de coerência com o que recebemos.

25 de jul de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 1

A DIMENSÃO DE DEUS

Em uma grande imensidão o planeta Terra move-se compassado e constante e a matéria vibra nas mais diversificadas expressões.

É muito interessante observar que a harmonia existente em todo o mecanismo do universo apresenta combinações e desígnios determinados, o que revela a existência de um poder inteligente por trás de tudo. Analise comigo, é algo bonito de se pensar. Algo gerou movimento e forneceu o primeiro impulso vibratório do universo.

Isso é óbvio e bem tranquilo, e não há o que se discutir. O universo não poderia ter originado a si mesmo. Está certo que sabemos que a energia faz movimento, todavia a matéria não tem características de espontaneidade. Uma das coisas que aprendemos na física é que não existe efeito sem causa. Logo, o próprio universo apresenta uma causa, afinal, não tem como nós atribuirmos a formação inicial do universo ao acaso. Isso seria algo muito insensato. O acaso não pode, de forma alguma, produzir os efeitos que a inteligência produz.

Onde queremos chegar neste início? No início de tudo, que é Deus. Naquele ponto em que duvidar da existência de Deus é o mesmo que negar que todo efeito apresenta uma causa. Ora, ora, nenhum homem de bom senso pode considerar o acaso como sendo um ser inteligente. Não tem jeito. Afinal, o acaso não é nada, e não acreditar em Deus é acreditar que o nada possa fazer algo.

E um acaso inteligente, por outro lado, já deixaria de ser acaso. Sendo assim, não podendo nenhum ser humano criar o que a natureza produz, a causa inicial é uma inteligência superior à humanidade. Procurando pela causa de tudo que não é obra do homem, a razão por si só dirá acerca da prova da existência de Deus. Porque não sendo possível o universo ter criado a si mesmo, e não podendo ser obra do acaso, há de ser obra dele. E se o poder de uma inteligência é julgado pelas obras, e se pelas obras se conhece o autor, basta ver a obra e procurar pelo autor. A própria inteligência humana tem uma causa.

Essa coisa de ateísmo ou de incredulidade absoluta no fundo não existe. Não passa de conversa e de mero jogo de palavras. É que no íntimo todos os espíritos se identificam com a ideia de Deus. Trata-se de algo inato, como é inato o instinto de preservação. Nós já renascemos trazendo conosco essa ideia da concepção divina, já existe em cada um de nós esse sentimento instintivo da essência de Deus. Esse sentimento íntimo que trazemos acerca da existência de Deus não pode ser fruto da educação, pois se assim fosse não existiria nos selvagens, como existe. E se esse sentimento da existência de um ser supremo fosse tão somente produto de um ensinamento, ele com certeza não seria universal como é, e não existiria senão naqueles que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas. 

Deus é amor absoluto, ao passo que nós somos o amor em crescimento. Ele constitui a perfeição suprema, enquanto nós estamos matriculados, ainda, na escola viva do "sede perfeitos". Ele é a inteligência suprema e nós somos os princípios inteligentes em desenvolvimento. Então, tem uma coisa interessante: à medida que vai se abrindo a nossa linha de abrangência perceptiva a nossa proposta acerca da perfeição se amplia, porque ela sempre está limitada à concepção que nós temos de Deus, dentro da nossa ótica. Não é isso?

O conhecimento e a identificação com o criador será atingida e sentida pela humanidade. Nós aprendemos muito acerca de Deus com a vinda do Cristo entre nós. Ele nos apresentou Deus numa nova dimensão, não aquele Deus filosófico, estático, mas o Deus dinâmico, misericordioso. Antes de Jesus nós não tínhamos essa ideia. E o que é bonito é que a cada passo que nós damos no plano do crescimento mais a nossa consciência se abre acerca da grandeza de Deus.

Embora não seja possível compreender a fundo a natureza divina, à medida que o homem se eleva além da matéria consegue entender melhor algumas de suas perfeições. É que muitas questões estão bem acima da inteligência do homem mais inteligente, e cuja linguagem, restrita às ideias e sensações, não podem exprimir de forma adequada. Nós não sabemos tudo o que é Deus, e estamos longe de saber, mas por outro lado sabemos o que ele não pode deixar de ser. Por exemplo, ele é eterno e eterno não tem nem princípio nem fim. Porque se Deus tivesse tido princípio ele teria saído do nada ou, então, ele também teria sido criado por um ser anterior a ele. Assim, fica fácil entender que tudo reside na sabedoria divina e que a sua possibilidade alcança o impossível. 

Não se pode entender Deus dentro das propriedades que conhecemos acerca da matéria, sem que ele fique rebaixado ante a nossa compreensão. A sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria. Se assim não fosse ele não seria imutável, uma vez que estaria sujeito às transformações da matéria. E ele é imutável.

Se estivesse sujeito a mudanças todas as leis que regem o universo não teriam estabilidade. Ele é único, porque se muitos deuses existissem não haveria unidade de vistas e de poder na ordenação do universo. E por ser único Ele é onipotente. Caso não dispusesse do poder soberano algo com certeza haveria mais poderoso ou tão poderoso quanto ele. Sem contar que se assim não fosse ele não teria feito todas as coisas, e as que não houvessem sido feitas por ele seriam obras de outro Deus. Em suma, Deus existe, e saber isto para nós já está de bom tamanho, já é o essencial. Ele tem os seus mistérios e pôs limites às nossas restritas investigações. Não vamos ficar nessa de querer entrar num labirinto de onde não podemos sair, uma vez que não há como penetrar o impenetrável. Sua inteligência suprema está revelada em suas obras.

É verdade que todos trazemos dentro de nós as raízes da divindade. Não deve ser novidade para ninguém, uma vez que o próprio Jesus disse com muita propriedade "vós sois deuses". Agora, a grande questão nessa afirmação é que por mais que a gente cresça, por mais que a gente avance, tanto na horizontal como na vertical da evolução, esse deus presente em nós nunca vai ter uma expressão maiúscula.

Seremos sempre "deuses", no minúsculo. Crescer é imperativo que não se discute.

Jesus também disse "sede perfeito", outro imperativo que não tem como desaparecer da nossa vida. Agora, temos que ter em conta que nunca iremos chegar naquele ponto de estarmos perfeitos ou de sermos perfeitos. Nunca. Não vamos. Porque por mais que possamos nos aperfeiçoar haverá sempre o "sede" na frente. Deu para captar? Então, se algum dia você se propuser de fato a ser perfeito você já declarou nula a sua proposta, e fim de conversa. Porque você vai ficar igual a Deus e aí não tem como. Como se diz no ditado popular, aí é "viajar na maionese".

E veja que interessante estes dois versículos: "E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém." (Apocalipse 1:6) "Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus." (Mateus 10:32). Vamos explicar porque demos estes dois exemplos. Note a seguinte expressão: "Seu pai".

Que pai? O pai de Jesus, certo? Até aí está claro. O mestre tantas vezes se expressou desta forma porque ele tinha Deus em uma concepção demasiadamente diferente da nossa. Notou? Ele tem Deus numa concepção diferente da que temos. Nós estamos, de fato, tentando pegar essa paternidade dele.

O pai de Jesus expressa aquela ótica muito para além daquela que temos do criador, muito para além das convenções que cultivamos. É como se o mestre quisesse dizer que nós iremos depois entender Deus para além daquele que é o nosso Deus, e que tem sido a inspiração do nosso aperfeiçoamento. Afinal, nós não temos ainda facilidade para depreender a própria concepção da divindade.

Nós sabemos de alguns atributos de Deus. Sabemos de alguns, mas tem muitos atributos Dele que nós não conhecemos ainda. Sendo assim, na hora em que a gente evolui, que a gente dá um passo à frente, nós passamos a ter uma ideia do Pai numa dimensão maior, mais ampliada. Não acontece isso? A cada dia que passa nós vamos observando e aprendendo cada vez mais acerca Dele.

21 de jul de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 8 (Final)

O TRABALHO, AS OBRAS E O SERVIÇO

“E JESUS LHES RESPONDEU: MEU PAI TRABALHA ATÉ AGORA, E EU TRABALHO TAMBÉM.” JOÃO 5:17

“45E, LEVANTANDO-SE DA ORAÇÃO, VEIO PARA OS SEUS DISCÍPULOS, E ACHOU-OS DORMINDO DE TRISTEZA. 46E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:46

“CONHEÇO AS TUAS OBRAS, E O TEU TRABALHO, E A TUA PACIÊNCIA, E QUE NÃO PODES SOFRER OS MAUS; E PUSESTE À PROVA OS QUE DIZEM SER APÓSTOLOS, E O NÃO SÃO, E TU OS ACHASTE MENTIROSOS.” APOCALIPSE 2:2

“EU CONHEÇO AS TUAS OBRAS, E O TEU AMOR, E O TEU SERVIÇO, E A TUA FÉ, E A TUA PACIÊNCIA, E QUE AS TUAS ULTIMAS OBRAS SÃO MAIS DO QUE AS PRIMEIRAS.” APOCALIPSE 2:19

“E SOFRESTE, E TENS PACIÊNCIA; E TRABALHASTE PELO MEU NOME, E NÃO TE CANSASTE.” APOCALIPSE 2:3

É muito comum associarmos trabalho com obra, ou mesmo entendê-los como sendo a mesma coisa, quando na verdade não é. Quando se conjuga as duas expressões, como no exemplo do apocalipse, "conheço as tuas obras e o teu trabalho" (Apocalipse 2:2), aí nós temos mesmo que fazer a necessária distinção.

O trabalho, no singular, define que ele é permanente, é contínuo, fator que não cessa. Podemos dizer com tranquilidade que ele é a força motriz do universo, o componente que impulsiona o universo e como ação atuante vamos notar que ele é ativo, constitui o mecanismo operacional, é a sistemática.

O trabalho é sempre instrutor do aperfeiçoamento. Em todos os lugares do vale humano existem recursos de ação e aprimoramento para quem deseja seguir adiante. E acontece, também, dele ter a sua consolidação vários anos depois, quando começa, então, a oferecer a sua resposta, a aparecer os seus frutos.

Para clarear melhor o que estamos dizendo, vamos observar que em qualquer tempo sempre vamos encontrar Jesus operando. Aliás, o evangelho estabelece incessante trabalho aos que lhes esposam os princípios. Não se trata de um código moral voltado àqueles que querem salvar a própria pele, até pelo contrário, ele é direcionado aos que querem fazer, razão pela qual seus seguidores não devem se acomodar porque não são aprendizes de falso repouso.

Não estamos matriculados em uma escola implementada e, sim, em uma escola em implementação. O evangelho de Lucas, para se ter uma ideia, nos conta que os discípulos, em determinada situação, dormiam de tristeza enquanto o mestre orava fervorosamente no horto e o Senhor naquela ocasião ensinou que não há justificativa para a inatividade nem mesmo diante do choque ocasionado pelas grandes dores. Então, se queremos realmente evoluir não temos como fugir do trabalho. Não dá. Isso é imperativo para todos, sem exceção. Até os companheiros que exterminaram intentos nobres e votos edificantes, tanto quanto os que desprezaram projetos superiores e abandonaram as suas atividades voltarão, mais tarde, ao labor reconstrutivo, retomando o serviço que a vida lhes assinala no ponto justo em que praticaram a deserção.

E você observou que os versículos que acima referenciamos fazem referência ao trabalho, no singular, e às obras, no plural? Isso mesmo. Está certo. São obras, no plural, porque são relativas. Elas são instrumentos para operacionalidade do trabalho, elementos adequados para que o trabalho possa operar.

São os componentes que nós temos objetivado a laborar, constituem o objeto do trabalho, a consequência deste. Por exemplo, se eu tenho uma reunião para participar, essa é a obra. Terminou a reunião, acabou a obra. Percebeu? Bem ou mal, ela está acabada. Assim, podemos dizer que não existe obra sem trabalho, embora possa haver trabalho sem uma obra efetiva. As obras definem a linha concreta que dimana da gente, não podem ter sentido finalístico porque apresentam para nós uma expressão didática do nosso avanço. Agora, só não podemos esquecer a necessidade de construirmos obras que nos projetem para os planos espirituais, que venham promover o nosso crescimento.

Outra coisa interessante: todas as obras, em qualquer parâmetro, no seu aspecto estrutural, elas são sempre relativas. E pela lei da transformação a obra pode desaparecer no tempo. Não pode? Por exemplo, nas civilizações nós não encontramos uma série de ruínas? Aliás, nem precisamos ir longe. Basta olharmos a nossa própria história pessoal. Quantas ruínas! E em cima delas, outras construções. Às vezes, nós estamos construindo hoje no mesmo local em que construímos ontem. Não tem disso? Renovar significa jogar a obra para baixo para fazer outra, para a construção de outra. Hoje o nosso trabalho é derrubar para construir outra, para que o trabalho se sublime sempre e cada vez mais.

E mais um ponto importantíssimo que não pode passar em branco: não tem como a gente carregar as obras conosco. Porque os resultados finalísticos, os resultados materiais das obras mais cedo ou mais tarde se diluem. Então, quem quiser carregar as obras consigo no bolso ou na sacola vai sofrer, porque mais hoje mais amanhã elas vão se diluir. Nós costumamos achar que levamos necessariamente conosco aquilo que foi feito, porém, longe de querer desanimar você, no plano profundo do espírito nós não levamos o que foi feito, embora tenhamos realmente que apresentar algo no plano utilitarista da vida, apresentar algo no campo horizontal dos interesses humanos. Está dando para perceber?

Em outras palavras, nós levamos, sim, o substrato essencial que circula em nossa intimidade relativamente à obra que operamos. Deu para entender ou está complicado? Nós levamos conosco a faixa vibracional que circulou à época, quando da realização da obra, e que vai permanecer, seja positiva ou negativamente. Os construtores, todos eles, em geral, apresentam na intimidade mental toda a elaboração e concretude das obras levadas a efeito. Dessa forma, nós levamos conosco toda a experiência nossa no fazer, e mais, nós vamos prestar contas pela maneira como agimos e realizamos cada atitude.

E de tudo que foi dito até agora neste tópico fica um recado: mais vale o trabalho, às vezes, do que a obra, mais vale o esforço e a dedicação do que o resultado final.

É aí que entra a nossa cota de serviço. Porque uma coisa que temos buscado aprender é a maneira como estamos fazendo as obras. Está dando para acompanhar? A forma, ou melhor, a vibração que nós implementamos no trabalho é que apresenta a tonalidade mais ou menos crística dessa ação. O que queremos dizer com isso? Que o serviço define a representação da nossa parte de esforço.

Já reparou que muitos trabalham inconformados, ao passo que outros trabalham com júbilo? Pois então, nós somos aferidos por aquilo que fazemos e como fazemos. No plano superior não se especificará o teor do trabalho sem a consideração devida dos valores morais despendidos, de maneira que não basta produzir, é preciso imprimir às obras o cunho de espiritualidade. Por esse motivo o serviço efetivo tem que apresentar um sentido reeducacional. Cada qual tem a sua tarefa intransferível na vida, e disso todos sabemos, agora o que precisa ficar claro é que o objetivo fundamental na vertical da realização, que tem que vir primeiro, sempre antes do objetivo operacional na horizontal, é a reeducação.

O mérito das obras está no esforço que empregamos para realizá-las, como também na pureza das intenções propulsoras de nossos atos. O serviço é como nós temos operado, significa aquele trabalho que realizamos visando o nosso próprio reerguimento pessoal, sem a preocupação com o resultado que pertence a Deus. É exatamente isso. A nossa preocupação, vamos corrigir, a nossa ocupação deve ser com o trabalho, não com o resultado. No que diz respeito ao resultado, o próprio nome já diz, é resultado. Não depende da gente.

Logo, qualquer qualquer trabalho digno que propusermos a fazer tem que ser conduzido, em termos de obra operada, dentro de um plano em que oferecemos o melhor na elaboração da obra e o fazemos com fidelidade e equilíbrio em função da fonte a que estamos ajustados. É imperioso darmos o nosso melhor. O próprio Cristo não recomenda o "sede perfeitos?" É exatamente nessa condição de perfectibilidade que vamos discernir se a obra é mais de Deus ou mais nossa. Todavia, não quer dizer que tenhamos que ficar apreensivos, ansiosos, suando frio ou sofrendo debaixo do perfeccionismo nas nossas ações. Nada disto. Precisamos, sim, de uma dose de paciência pessoal, sabendo que o que conta de verdade é a proposta de lisura que estamos adotando em cada ação, tornando-nos mais autênticos e fieis na execução desse trabalho.

O trabalho, como vimos, ele é contínuo. E dentro da nossa linha motora operacional ele esgota. Isto é óbvio, afinal tudo tem um limite. Diz o apocalipse assim: "E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste" (Apocalipse 2:3). Mas o cansaço que nos derruba é o cansaço da nossa briga vinte e quatro horas contra o mundo e contra muita gente.

Agora, é interessante nós entendermos porque Deus descansou no sétimo dia. Ele mostrou o seguinte: Parou de trabalhar? Não. O que ocorre é que passa-se a trabalhar em um mecanismo não desgastante. Quando nós estamos trabalhando dentro de uma sincronia das peças a gente repousa meia hora e fica inteiro de novo. Não acontece? Porque não houve desgaste. Repare para você ver que aquele que não procede dessa forma e, ainda, é inconformado com a vida ele é uma criatura que anda sempre cansada. É claro que não podemos nos esquecer que se oferecermos ao repouso restaurativo mais tempo que o indispensável cairemos na preguiça que nos desgasta as forças, mas também vamos lembrar que o verdadeiro trabalho é aquele que realmente reserva para nós grande júbilo interior. E quanto mais autêntico é o trabalho menos cansaço ele oferece. Podemos até completar dizendo que quanto mais se utiliza o trabalho nas faixas do amor mais descanso ele proporciona.

17 de jul de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 7

O PAGAMENTO VEM DEPOIS

“9E NÃO NOS CANSEMOS DE FAZER BEM, PORQUE A SEU TEMPO CEIFAREMOS, SE NÃO HOUVERMOS DESFALECIDO. 10ENTÃO, ENQUANTO TEMOS TEMPO, FAÇAMOS BEM A TODOS, MAS PRINCIPALMENTE AOS DOMÉSTICOS DA FÉ.” GÁLATAS 6:9-10

A gente tem tripudiado demais em cima da evolução, tem tripudiado tanto, até mesmo em cima dos anos que passam. 

Ficamos muito ansiosos em querer salvar a própria pele, em conseguir sair do sofrimento que nos alcança, mantemo-nos em uma busca personalística que envolve apenas o nosso bem estar e nos esquecemos que o investimento de lá para cá, do plano superior para o nosso, se dá de forma diferente.

Não objetiva apenas atender aos nossos desejos, e sim fazer de qualquer um de nós um instrumento positivo da vontade do criador. Precisa haver uma confiança por parte do nosso coração de que toda a oportunidade realizadora que recebemos tem sentido estrutural de mudança interior. O tempo é um componente fantástico que nos é concedido para a grande luta. Não podemos esquecer que temos que investir naquilo que o nosso sentimento e nossa razão está aceitando. Deus julga as intenções, óbvio, mas recompensa segundo as obras.

Logo, não dá para desconsiderar que a resposta que buscamos em termos de felicidade, amor, grandiosidade e júbilo interior não é resultante unicamente de um cumprimento fechado da lei por aquilo que a consciência já determina com clareza de realização. Afinal, fazer apenas aquilo que nos é cobrado não basta mais.

O mestre Jesus faz o bem despreocupado de considerações. Seu evangelho de luz nos ensina isso. Ele alivia sem paga, acende esperança sem que os homens lhe peçam, perdoa espontaneamente aos que injuriam e apedrejam sem aguardar-lhes retratação. Acordemos para as nossas responsabilidades, não podemos ignorar que a permanência na Terra decorre da necessidade de trabalho proveitoso e não do uso de vantagens efêmeras que muitas vezes nos anulam a capacidade de servir. Precisamos trabalhar sem cansaço pela nossa ascensão.

O reconhecimento que devemos buscar antes de tudo é o da própria consciência.

Não a importa a ingratidão que recebamos, não temos que nos preocupar com isso, todo aplauso externo é ilusório. Se a força humana torturou o Cristo com certeza não deixará de nos torturar também. É ilógico querermos disputar a estima de um mundo em transição que mais tarde será compelido a regenerar-se para obter a redenção. Acontece de em algumas situações atravessarmos grandes ou pequenos períodos de dificuldades, no entanto, mesmo em circunstâncias difíceis urge endereçarmos aos outros à nossa volta o melhor ao nosso alcance, porque segundo as leis da vida vamos colher aquilo que tivermos semeado.

É importante descobrirmos a necessidade de servirmos ao bem simplificando o nosso caminho. A vitória real é a vitória de todos. Convictos de que não precisamos gastar possibilidades da existência em expectativa e tensão, o discípulo do evangelho não pode se preocupar senão com a vontade de Deus, com o seu trabalho sob as vistas do Pai eterno e com a aprovação da consciência.

O lema deve ser avançar sempre, sem cessar, pois é preferível que a morte nos surpreenda em serviço a esperarmos por ela inertes em uma poltrona de luxo.

Se estivermos em Cristo tudo o que necessitamos será feito em nosso favor no momento oportuno e nossas forças sempre voltarão ao centro de nossa atividade amanhã. Vamos com atenção, enquanto houver crime, sofrimento, ignorância e miséria no mundo não podemos encontrar sobre a Terra a luz do reino do céu.

Tantas vezes nos entregamos a melancólicas reflexões em torno das transformações espirituais que inutilmente intentamos. Em muitas ocasiões, em meio ao trabalho que nos absorve, costumamos interromper as próprias atividades indagando de nós mesmos se vale a pena continuarmos o esforço renovador.

Ainda assim, vamos perseverar nos bons propósitos e colaborar, quanto possível, pela consecução dos objetivos de fraternidade e aprimoramento que devemos todos visar. Cabe-nos entender que a recompensa de semelhante trabalhador não pode ser aguardada no imediatismo do planeta. Ora, é da lei que a colheita não precede à sementeira, tanto quanto o telhado não se antepõe ao alicerce. Reconhecendo que o domicílio de seus seguidores não se ergue sobre o chão do mundo, Jesus prometeu que lhes prepararia lugar na vida mais alta.

Logo, a criatura que realmente ama em nome do Cristo semeia para a colheita na eternidade, lançando sem cansaço sementes com vistas a um futuro mais feliz.

Vamos parar de moleza e trabalhar na sementeira do bem à maneira de servidores provisoriamente distanciados do verdadeiro lar, olhando a estrada com atenção para não cairmos. 

Diante das palavras sábias do carpinteiro divino ("Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também." João 5:17), uma pergunta apenas é suficiente para nos dar o reconforto devido: Se o mestre, há milênios, trabalha por nós, para que tenhamos o pequenino clarão de conhecimento com que hoje tentamos dissipar as sombras que ainda trazemos, porque desanimar na obra de amparo aos que amamos, se apenas agora começamos a servir no terreno da luz?

14 de jul de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 6

CREDES EM DEUS, CREDE TAMBÉM EM MIM

“TU CRÊS QUE HÁ UM SÓ DEUS; FAZES BEM. TAMBÉM OS DEMÔNIOS O CRÊEM, E ESTREMECEM.” TIAGO 2:19

“30AMARÁS, POIS, AO SENHOR TEU DEUS DE TODO O TEU CORAÇÃO, E DE TODA A TUA ALMA, E DE TODO O TEU ENTENDIMENTO, E DE TODAS AS TUAS FORÇAS; ESTE É O PRIMEIRO MANDAMENTO. 31E O SEGUNDO, SEMELHANTE A ESTE, É: AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO. NÃO HÁ OUTRO MANDAMENTO MAIOR DO QUE ESTES.” MARCOS 12:30-31

“NÃO SE TURBE O VOSSO CORAÇÃO; CREDES EM DEUS, CREDE TAMBÉM EM MIM.” JOÃO 14:1

“SUA MÃE DISSE AOS SERVENTES: FAZEI TUDO QUANTO ELE VOS DISSER.” JOÃO 2:5

“VÓS SEREIS MEUS AMIGOS, SE FIZERDES O QUE EU VOS MANDO.” JOÃO 15:14

Todos os homens da Terra, sem exceção, até os próprios materialistas, creem em alguma coisa.

Isto é fato. Crer todos creem. Agora, aquele que apenas crê ele admite e vai depender sempre dos elementos externos nos quais coloca o objeto de sua crença.

Então, todos creem, porém, poucos são aqueles que se iluminam de fato. Já pensou nisso? Aquele que se ilumina vai além da crença, ele vibra e sente e é livre das influências exteriores exatamente por ter bastante luz em seu íntimo. E havendo luz dentro não existe escuridão em lugar algum, e vencemos corajosamente todas provações da vida. Podemos até dizer mais, aquele que se ilumina cumpre a missão da luz sobre o mundo. É por essa razão que não basta somente acreditar para que os sagrados deveres estejam totalmente cumpridos.

A obrigação primordial consiste no esforço, no amor ao trabalho, na serenidade diante das provas, no sacrifício pessoal, no saber entender o evangelho, buscando a luz divina para podermos executar positivamente os trabalhos que nos competem.

Qual é a primeira caridade? Vamos pensar para responder com clareza. Ela está contida no primeiro mandamento, não é mesmo? A primeira caridade começa e está embutida no primeiro mandamento: amar a Deus. Então, preste atenção, não temos que largar Deus, de forma alguma. O amar a Deus em todas as situações tem que vir em primeiro lugar. Mas não é apenas crer em Deus, é amar a Deus. Notou? Porque os espíritos perversos também sabem que Deus existe, e crença por crença existe tanto nos planos superiores quanto nos inferiores.

Além do que, nós sabemos que o amor a Deus não pode ficar circunscrito ao plano teórico, ele não pode ficar limitado a um plano contemplativo ou abstrato, ele precisa se manifestar através da realização junto às criaturas filhas dele.

Veja que coisa interessante. Nós já acreditamos e reverenciamos a Deus. Ótimo, ponto para nós. Temos que crer em Deus amando-o, porém, para que tenhamos paz temos que crer também em Jesus. Não foi o que disse o mestre? "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim." (João 14:1)

Esse amor ao próximo define a manifestação crística, a ingestão crística, a expressão do Cristo em nós, a forma como esse amor se exterioriza, se dinamiza e circula no universo cumprindo seu papel. É amar a Deus vibrando e crer em Jesus operando. Jesus é o componente decodificador do criador. É o elemento número dois no contexto da trindade universal, representa o plano concreto, o amor no seu sentido operacional. Traduzindo, ele coloca no campo analítico de operação o que é intrínseco no criador. Constitui o caminho para se chegar ao Pai. No Pai reside todo o absoluto e em Jesus o absoluto transitório nosso. Está dando para ficar claro? O absoluto relativo da Terra é com Jesus.

Então, o absoluto universal é com Deus, a fonte irradiadora é Deus, mas como não é a teoria que nos leva, e, sim, o campo operacional, o que é feito, concluímos que em termos aplicativos, de técnica operacional, é com Jesus, não é com Deus. Então, crer em Jesus é isto, é integrar-se. Lembra quando ele falou: "Eu e o Pai somos um"? Jesus com Deus opera e nós com o Cristo realizamos.

Importa, dessa forma, saber o que estamos fazendo de nossa crença, pois não fomos trazidos à comunhão com Jesus somente para o ato de crer. Não vale apenas confiar em Jesus e não fazer nada. Crer em Jesus é crer não apenas no sentido único de acreditar. É crer operando com aquilo que ele está ensinando, é realizar com aquilo que ele nos propõe, é integrar-se em um trabalho com ele.

Não entre nessa de se iludir fixando-te exclusivamente em afirmações labiais de fé no Senhor, sem adesão do próprio esforço ao trabalho edificante que lhe foi reservado.

Não tem gente assim? Há quem admire a glória do evangelho, mas a admiração apenas pode transformar-se em êxtase inoperante. Há quem confie no mestre, mas a confiança estagnada pode ser força inerte. Ele disse que seremos seus amigos se fizermos o que ele manda. O conselho de Maria, sua mãe, dado aos serventes, logo no princípio de seus trabalhos, por ocasião da transformação da água em vinho, nas bodas de Caná, também foi no sentido de fazerem tudo o que ele disser. Então, vamos ficar atentos, lembrando que sempre podemos reverenciar o Cristo aqui e ali, dessa ou daquela forma, resultando invariavelmente alguma vantagem em semelhante norma externa. Todavia, para lhe usufruirmos a sublime intimidade no coração é forçoso ouvirmos a sua afirmação categórica: "Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando." (João 15:14)

O evangelho não nos convida à confiança preguiçosa nos poderes do Cristo, qual se estivéssemos assalariados para funcionar em lances de adoração vazia. De forma alguma, porque não basta acreditar nos fenômenos ou na palavra superior para que os sagrados deveres estejam totalmente cumpridos. Não basta crer intelectualmente no divino mestre, e ponto final. Necessário é aplicá-lo a nós próprios.

Ele mesmo não se limitou a induzir demonstrando a própria união com eterno, e consagrou-se a substancializá-lo na construção do bem de todos. Não podemos compreendê-lo sem a integração prática nos seus exemplos, cabe-nos, onde quer que estejamos, contribuir na extensão do reino de Deus. Outro ponto imprescindível a saber: pode ser muito alta a confiança de alguém no poder divino, no entanto, isso não lhe confere o direito de reclamar o bem que não fez.

Observamos em volta e notamos que hoje guardamos uma soma de conhecimento no que reporta aos valores espirituais que não trazidos das mais diversas fontes. O próprio evangelho, estudado à luz da reflexão profunda, nos oferece esclarecimento de que não devemos nutrir na intimidade o interesse ou objetivo exclusivo de querer resolver o nosso problema pessoal. Muitas criaturas envolvidas num reconforto material amplo, inclusive, já se perguntam se a vida se resume àquela faixa de ação rotineira ou existe algo além da estrutura enlaçada nos compromissos sociais e na busca das satisfações temporárias.

Sob a ótica de grande número de pessoas não vale mais aquela proposta de natureza egoística, puramente pessoal. A claridade que nos domina nos faz questionar acerca do que temos feito. Temos sentido pulsar no coração uma vontade de ser útil, uma proposta interior fundamentada no desejo de sermos úteis. Porque não dizer que percebemos que temos mesmo que oferecer alguma coisa à vida?! Não existem condições de nos projetamos no plano renovador de modo isolado, sozinho ou particular. Nossa caminhada envolve outros elementos.

Pelo levantamento de nossos potenciais podemos analisar até onde somos espíritos carentes e necessitados e onde se inicia a capacidade de cooperar como integrantes do batalhão socorrista. E vamos ficar tranquilos, porque cada qual receberá de Jesus o esclarecimento acerca do que lhe convém fazer. Aliás, uma coisa já podemos saber: a primeira mostra do desígnio da providência, seja onde for, aparece no dever a que somos chamados na construção do bem comum.

Portanto, sejamos leais ao encargo que nos compete. É possível muitas vezes que não correspondam aos nossos desejos, que a gente não goste tanto, mas lembremo-nos de que Jesus não nos situaria o esforço pessoal onde nosso concurso fosse desnecessário. É preciso que cada um trabalhe na posição adequada a que está ajustado, não se fazendo indiferente às ordenações da máquina de trabalho.

O Senhor nunca nos solicitou o impossível. Também nunca exigiu da criatura falível espetáculos de grandeza. É claro que não podemos garantir a felicidade de um mundo que se encontra de maneira constante sob impacto das lutas evolutivas que lhe orientam a marcha, no entanto, ninguém está impedido de cultivar a terra em que vive, amparando uma árvore ou alentando uma flor. Não podemos curar as chagas sociais indesejáveis, porém compreensíveis, de uma coletividade de espíritos imperfeitos que somos, em regime de correção e aperfeiçoamento, contudo, ninguém está impossibilitado de proceder honestamente e apoiar os semelhantes com a força moral do bom exemplo. Não podemos socorrer a todos os enfermes que choram na Terra, porém, ninguém está proibido de atenuar a provação de um amigo ou vizinho, propiciando-lhe a certeza de que o amor não desapareceu dos caminhos humanos.

Portanto, sob o pretexto de nada conseguir realizar contra o domínio das atribulações que circundam o planeta, não te afaste da prática do bem. Persevera no serviço e prossegue adiante com boa vontade, certo de que Jesus nos auxiliará no resto.

10 de jul de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 5

O TRABALHO É O MELHOR CAMPO

“48E QUANDO O VIRAM, MARAVILHARAM-SE, E DISSE-LHE SUA MÃE: FILHO, POR QUE FIZESTE ASSIM PARA CONOSCO? EIS QUE TEU PAI E EU ANSIOSOS TE PROCURÁVAMOS. 49E ELE LHES DISSE: POR QUE É QUE ME PROCURÁVEIS? NÃO SABEIS QUE ME CONVÉM TRATAR DOS NEGÓCIOS DE MEU PAI?” LUCAS 2:48-49

“TRABALHAI, NÃO PELA COMIDA QUE PERECE, MAS PELA COMIDA QUE PERMANECE PARA A VIDA ETERNA, A QUAL O FILHO DO HOMEM VOS DARÁ; PORQUE A ESTE O PAI, DEUS, O SELOU.” JOÃO 6:27

É fácil notar que o homem do mundo está constantemente preocupado com os negócios referentes aos seus interesses efêmeros.

Você concorda comigo ou acha que eu estou exagerando? Ele está sempre decidido a conquistar o mundo, arregimentar cada vez mais, mas quase nunca está disposto a conquistar-se para a esfera mais elevada. Atitude esta que constitui grande equívoco, porque deveria ele entender a iluminação de si mesmo como sendo o melhor negócio da Terra. E olha que estamos falando isso sem o mínimo traço de rigidez ou fanatismo. É só a pura verdade. O trabalho básico dos tempos modernos deve ser a iluminação interior do homem, que deve ter a iluminação interior como o seu trabalho imediato. Sabe por quê?

Simples, porque esse representa o interesse da providência divina a nosso respeito.

Pense comigo, o problema é de iluminação íntima na marcha para Deus e o reino do céu no coração deve ser o tema central de nossa vida. Tudo mais é acessório. 

Para que isso ocorra é preciso avançarmos no conhecimento superior, ainda que a marcha nos custe suor e lágrimas. Esse desafio a que nos referimos é fascinante, não existe aventura mais apaixonante no curso da existência do que esta, o de atuarmos como sócio da vida material que se une à energia espiritual e à verdade divina. Trata-se de experiência maravilhosa e transformadora a de tornarmo-nos o canal vivo da luz espiritual para tantos irmãos que se encontram na escuridão do espírito. E só sente isso quem vibra, quem se ilumina, quem ama.

O tempo passa. Em sem ritmo inalterável ele segue, resoluto e imperturbável. Se você acha que a solução do céu às suas rogativas está demorando, recorde o que dissemos antes, que a inércia não soluciona nada. Assim, após haver rogado o favor da infinita bondade lembre-se que a hora de crise é a hora de luta, e também ocasião propícia para os melhores testemunhos de fé. Você não é o único a defrontar-se com tal situação, todos nós, sem exceção, passamos por isso. Para qualquer um de nós chega sempre o minuto das grandes hesitações.

Todos somos surpreendidos pelo dia nublado da incerteza em que nos reconhecemos perplexos e inseguros. Só não podemos esquecer que a hora da incerteza é o instante da prece, e que quando a sombra chega é momento de se fazer luz.

O mundo é de luta e ninguém é diferente de ninguém. Todos nós buscamos, cada qual a seu modo, a mesma coisa: reconforto, equilíbrio e harmonia. Quando investimos com carinho, abnegação, sacrifício e determinação naquilo que aceitamos fazer, nós aprendemos pelo trabalho e não mais debaixo das lágrimas, tristeza e frustração. Isto é algo muito importante para nós nos dias atuais, estamos aprendendo algo novo agora, aprendendo a trabalhar para nos realizar.

E olha que é melhor aprendermos trabalhando hoje do que termos que sofrer amanhã o resultado da nossa falta de trabalho. Tudo pode se transformar em algo bem positivo em nossa caminhada. Pela vitória em cada etapa, antes de resolvermos o nosso problema pessoal nós entramos num terreno que nos abre uma oportunidade ampla de cooperação. No momento em que elegemos uma proposta de crescimento consciente notamos que a aprendizagem, que era totalmente efetuada pelo impacto de fora para dentro, em cima das dificuldades cerceantes sobre nós, passa a se fazer de forma mais suave e tranquila, mediante o processo de crescimento pela própria tarefa que se desenvolve.

O plano aplicativo nos terrenos do bem é hoje o melhor campo e constitui o ponto positivo para se revolver problemas. Guarde uma coisa: o trabalho é o preço da caminhada libertadora e santificante pelo qual sombras pretéritas são saneadas e dissipadas. Pode soar aparentemente estranho para alguns, mas operando no bem nós liquidamos muita coisa do nosso passado complicado no encaminhamento da vida sem saber. É pela linha horizontal que estamos tentando resolver o problema particular da nossa vida. Se nós, necessitados que somos, não trabalharmos como cooperadores ou doadores nós ficamos presos e amarrados às nossas carências e não avançamos. Em outras palavras, quanto mais nos recolhemos a nós próprios mais apertado fica o cerco. E não se trata de uma teoria que eu estou inventando. Não, nada disso, é da lei! Repare que Jesus opera com aqueles que estão se recompondo na evolução.

Será que deu uma ideia para você de como funciona o mecanismo? Em vez de ter que vir o anjo aqui para poder ensinar e auxiliar, o que está auxiliando é aquele que deve. Pois ele está se limpando, está se higienizando. Ele está se recompondo no seu campo cármico, auxiliando em nome do Cristo e purificando-se na esteira da evolução. Deu para perceber? Somente o trabalho digno confere ao espírito o merecimento indispensável a qualquer direito novo, razão pela qual temos que fazer algo pelo bem alheio para encontrarmos o nosso, ajudarmos para sermos ajudado, consolarmos para termos consolo. 

E tem mais uma coisa: a fixação de tudo o que recebemos depende da capacidade pessoal de transferir, a concessão de tudo o que recebemos é sempre relativa, é sempre para o trabalho. Enquanto o conhecimento nos propicia luz, no plano interior, o trabalho é capaz de dinamizar essa luz no plano prático.

O trabalho em favor dos outros nos coloca em patamares de melhor compreensão da vida. É certo que o trabalho nos planos do amor muitas vezes não subtrai o peso daquele que o realiza, todavia propicia o aumento da resistência no campo da força. É comum de acontecer. No sufoco nós queremos a retirada do problema e os espíritos nos dão recursos para o vivermos de forma positiva.

É importante entrarmos no campo positivo da vida, pois enquanto estivermos trabalhando um componente, seja ele qual for, na sua linha individual, na sua linha singular, fechada, tudo fica muito difícil. Sem dúvida alguma, somente pela cooperação encontramos a verdadeira segurança íntima. Recebido o trabalho que a confiança celeste nos permite efetuar usemos a oportunidade em favor de nossa elevação. E vamos ficar tranquilos, porque seguindo esta linha com o decorrer do tempo vamos começando a sanear e respaldar o território marcado por vários problemas. À partir do momento em que passamos a dar efetivamente em favor dos que circulam em nossa órbita daqui a pouco vamos estar sendo perfeitamente atendidos dentro de um suprimento da misericórdia.

E outra coisa da maior transcendência: o reino divino está dentro de nós, porém o caminho para o reino de Deus, que está dentro de nós, passa pelo irmão em necessidade que está fora de nós. Resultado? Todo trabalho é de ordem pessoal, mas a ser operado em regime social. Porque se trabalhamos sozinhos com certeza podemos até aprender a viver, só que a felicidade não está no viver, está no conviver. Pelo viver nós elegemos estratégias interiores e valores pessoais e pelo conviver aprendemos a aplicar as luzes que incrustamos interiormente.

O conviver define que a evolução se faz aqui dentro, dentro da gente, no entanto, ela opera no campo interpessoal sempre. Isto é, o ponto fundamental da realização é o mundo íntimo e o laboratório para que isso se dê é o mundo exterior.

Em outras palavras, nós operamos e, consequentemente, trabalhamos o íntimo. Deu para perceber? Opera-se e trabalha-se o íntimo com essa operação. Logo, vamos operar fora de nós no campo horizontal da vida, só que visando o nosso crescimento íntimo com segurança. Não basta apenas fazer, é preciso imprimir à ação o cunho de espiritualidade. O que fazemos aos outros é instrumento que a espiritualidade nos concede para podermos trabalhar o nosso interior.

7 de jul de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 4

ESPERAS RECÍPROCAS

“PORQUE DIZ: OUVI-TE EM TEMPO ACEITÁVEL E SOCORRI-TE NO DIA DA SALVAÇÃO; EIS AQUI AGORA O TEMPO ACEITÁVEL, EIS AQUI AGORA O DIA DA SALVAÇÃO”. II CORÍNTIOS 6:2

Desde as eras mais remotas os agrupamentos religiosos trabalham pela obtenção dos favores celestes. Isso acontece desde que o mundo é mundo.

No entanto, se temos confiança em Deus, ele também confia em nós para que possamos refletir o seu pensamento junto aos corações em sofrimentos maiores que os nossos. Se esperamos por Ele é natural que Ele igualmente espere por nós. Se exigimos o amparo do Senhor, em nosso benefício, é perfeitamente justo que o Senhor nos solicite algum amparo em favor dos que se afligem junto de nós.

Há uma recíproca. Os homens esperam por Jesus e Jesus espera igualmente pelos homens, e criatura alguma pode duvidar dessa expectativa a nosso respeito.

Pedimos ao alto, lançamos nossas orações ao céu, pedimos aos espíritos amigos e benfeitores que nos socorram, nos amparem, nos ajudem, mas eles, por sua vez, também estão pedindo de nós outros uma resposta. Nós temos a nossa base de expectativa, eles também tem. Compreendamos que se na extinção de nossos problemas pequeninos requisitamos o máximo de proteção ao Senhor, é natural que o Senhor nos peça o mínimo de concurso na supressão dos grandes infortúnios que abatem o próximo. Se analisarmos bem, na essencialidade não somos nós que esperamos pela luz divina, mas é a luz divina, força do céu ao nosso lado, que permanece esperando por nós. Antes de querermos o amparo superior o criador espera de nós cooperação divina.

E toda essa espera tem um fundamento. Ela não se dá à toa. O que ocorre é que de cima para baixo não existe apenas auxílio, mas sobretudo investimento e a espiritualidade vem investindo em nós muito mais do que a gente pensa. Ela vem investindo de forma ampla para que adentremos na grande tarefa de ajudar. Esse investimento objetiva fazer de qualquer de nós um instrumento útil da vontade de Deus, pois estamos aqui para refletir o pensamento divino segundo a nossa capacidade no contexto em que estamos situados.

Não é algo difícil de ser compreendido, toda criatura recebe do supremo Senhor o dom de servir como um ministério essencialmente divino. Para resumir, Deus nos aguarda nos outros, todos os seres humanos estão convocados a um piso de trabalho em novas bases. Ao renascer não recebemos o corpo só para repousar. E também não nos querem os benfeitores do plano espiritual para eternos necessitados da casa de Deus e, sim, para algo operante, para sermos companheiros dos gloriosos serviços do bem.

É considerável o número de pessoas que se dizem interessadas na lavoura do bem. Em todos os lugares e nos mais diversos grupos os interessados aparecem.

Sentem-se chamados de alguma forma, no entanto, para começar esperam por algo primeiro. Alegam que não podem iniciar de imediato. Você sabe, querer elas até querem, mas esperam a execução de negócios imaginários, a aquisição de algum poder, a solução de certos problemas, a realização de objetivos imprescindíveis, a posse do dinheiro fácil, a chegada de prêmios fortuitos.

Querem fazer, todavia alegam que precisam esperar. E o tempo passa e elas esperam, esperam e esperam. Quantos desses, nessa espera toda, e complicando a própria jornada terrena observam-se, de surpresa, em presença da morte, quando menos contavam com semelhante visita?! Quantos esperam em demasia e acabam por nada fazer? Sem contar que muitos se despertam tão somente no instante da morte corporal, em meio a esperanças perdidas e soluços tardios.

De fato realizar, crescer, ascender, evoluir não é e nunca foi tarefa fácil. Todos nós hoje, que nos achamos transformados ao clarão da verdade, podemos caminhar por trilha nova renascidos na alvorada do conhecimento superior para o trabalho da luz.

Sem dúvida alguma, porque se já sentimos o coração chamado à verdade pelo esclarecimento do evangelho vamos compreender que a salvação já terá efetivamente chegado para nós. E, acima de tudo, não fiquemos detidos em frases de choro ou em lamentação indevida perdendo mais tempo sobre o tempo já perdido. Vamos reconhecer, com o apóstolo Paulo, que o tempo sobremodo oportuno para a nossa salvação, ou melhor, para a correção dos nossos erros e aproveitamento da nossa vida chama-se agora. Isso mesmo, o momento não é outro, é agora!

Se formos ficar esperando por melhores condições para podermos servir é bem provável que nem cheguemos a começar.

Se formos esperar o saneamento completo do nosso psiquismo no campo dos débitos ou a resolução de todos os problemas que nos afligem no momento para começarmos as obras, com certeza vamos esperar indefinidamente e nem iniciemos nada.

Uma coisa é certa, a nossa ligação com o Cristo e a comunhão com a divina luz não dependem do modo de se interpretar as revelações do céu. Ninguém pode alegar desconhecimento acerca do propósito divino. Afinal de contas, o dever, por ser mais duro, constitui invariavelmente a vontade do Senhor e a consciência, sentinela vigilante do eterno, a menos esteja o homem dormindo ao nível do bruto, permanece apta a discernir o que constituiu obrigação e o que representa fuga.

É óbvio que temos que estar bem para fazermos. Sem estar bem vai ser muito difícil alguém cooperar bem com os outros, mas temos que começar a despertar o nosso campo de cooperação. Se falamos em espera, sabemos que a melhor maneira de esperar é fazer. Esperar fazendo, porque aquele que não espera operando quase sempre se decepciona, e todos nós temos ideia disso, todos nós já passamos por alguma experiência desse tipo em que a espera por algo, sem ação alguma, só na base da ansiedade vazia, acabou em frustração. Iniciemos as obras portando as nossas deficiências, e colocando a vontade divina acima de nossos desejos a vontade divina nos aproveitará sempre. Pois na hora em que trabalhamos interiormente de forma satisfatória é como se nós estivéssemos à mercê da destinação inteligente e sábia do criador.

O mundo está aí, como uma bola gigante que não se cansa de girar. Para tanta gente descrente ele oferece frustração, dor em demasia, desespero, crueldade e aparente desigualdade. Conversamos um pouco com algumas pessoas e elas de imediato reclamam do mundo. Fazer o quê? Enquanto muitos esperam o apocalipse desabar acima das cabeças humanas nós temos o trabalho à disposição.

Percebeu? O mundo também nos oferece a capacidade de entender, de auxiliar, de exercer a compaixão. Disponibiliza infinitas oportunidades de trabalho a todos que desejam. Logo, não vamos esquecer que o chão para semear, a ignorância para ser instruída, a lágrima para ser enxugada, a esperança para ser reerguida, a dor para ser consolada são apelos silentes que o céu envia sem palavras ao mundo inteiro. E o grande desafio daqui para a frente não é o gênero de tarefa, e sim a compreensão da oportunidade recebida.

Em outras palavras, onde quer que a vida nos situe aí recolheremos todo dia múltiplas ocasiões de fazer o bem. Isso é que é bonito de se ter em conta. Em qualquer posição e em qualquer tempo estamos continuamente cercados pelas possibilidades de serviço com o Salvador. Basta avaliarmos as nossas disposições.

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