7 de jul de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 4

ESPERAS RECÍPROCAS

“PORQUE DIZ: OUVI-TE EM TEMPO ACEITÁVEL E SOCORRI-TE NO DIA DA SALVAÇÃO; EIS AQUI AGORA O TEMPO ACEITÁVEL, EIS AQUI AGORA O DIA DA SALVAÇÃO”. II CORÍNTIOS 6:2

Desde as eras mais remotas os agrupamentos religiosos trabalham pela obtenção dos favores celestes. Isso acontece desde que o mundo é mundo.

No entanto, se temos confiança em Deus, ele também confia em nós para que possamos refletir o seu pensamento junto aos corações em sofrimentos maiores que os nossos. Se esperamos por Ele é natural que Ele igualmente espere por nós. Se exigimos o amparo do Senhor, em nosso benefício, é perfeitamente justo que o Senhor nos solicite algum amparo em favor dos que se afligem junto de nós.

Há uma recíproca. Os homens esperam por Jesus e Jesus espera igualmente pelos homens, e criatura alguma pode duvidar dessa expectativa a nosso respeito.

Pedimos ao alto, lançamos nossas orações ao céu, pedimos aos espíritos amigos e benfeitores que nos socorram, nos amparem, nos ajudem, mas eles, por sua vez, também estão pedindo de nós outros uma resposta. Nós temos a nossa base de expectativa, eles também tem. Compreendamos que se na extinção de nossos problemas pequeninos requisitamos o máximo de proteção ao Senhor, é natural que o Senhor nos peça o mínimo de concurso na supressão dos grandes infortúnios que abatem o próximo. Se analisarmos bem, na essencialidade não somos nós que esperamos pela luz divina, mas é a luz divina, força do céu ao nosso lado, que permanece esperando por nós. Antes de querermos o amparo superior o criador espera de nós cooperação divina.

E toda essa espera tem um fundamento. Ela não se dá à toa. O que ocorre é que de cima para baixo não existe apenas auxílio, mas sobretudo investimento e a espiritualidade vem investindo em nós muito mais do que a gente pensa. Ela vem investindo de forma ampla para que adentremos na grande tarefa de ajudar. Esse investimento objetiva fazer de qualquer de nós um instrumento útil da vontade de Deus, pois estamos aqui para refletir o pensamento divino segundo a nossa capacidade no contexto em que estamos situados.

Não é algo difícil de ser compreendido, toda criatura recebe do supremo Senhor o dom de servir como um ministério essencialmente divino. Para resumir, Deus nos aguarda nos outros, todos os seres humanos estão convocados a um piso de trabalho em novas bases. Ao renascer não recebemos o corpo só para repousar. E também não nos querem os benfeitores do plano espiritual para eternos necessitados da casa de Deus e, sim, para algo operante, para sermos companheiros dos gloriosos serviços do bem.

É considerável o número de pessoas que se dizem interessadas na lavoura do bem. Em todos os lugares e nos mais diversos grupos os interessados aparecem.

Sentem-se chamados de alguma forma, no entanto, para começar esperam por algo primeiro. Alegam que não podem iniciar de imediato. Você sabe, querer elas até querem, mas esperam a execução de negócios imaginários, a aquisição de algum poder, a solução de certos problemas, a realização de objetivos imprescindíveis, a posse do dinheiro fácil, a chegada de prêmios fortuitos.

Querem fazer, todavia alegam que precisam esperar. E o tempo passa e elas esperam, esperam e esperam. Quantos desses, nessa espera toda, e complicando a própria jornada terrena observam-se, de surpresa, em presença da morte, quando menos contavam com semelhante visita?! Quantos esperam em demasia e acabam por nada fazer? Sem contar que muitos se despertam tão somente no instante da morte corporal, em meio a esperanças perdidas e soluços tardios.

De fato realizar, crescer, ascender, evoluir não é e nunca foi tarefa fácil. Todos nós hoje, que nos achamos transformados ao clarão da verdade, podemos caminhar por trilha nova renascidos na alvorada do conhecimento superior para o trabalho da luz.

Sem dúvida alguma, porque se já sentimos o coração chamado à verdade pelo esclarecimento do evangelho vamos compreender que a salvação já terá efetivamente chegado para nós. E, acima de tudo, não fiquemos detidos em frases de choro ou em lamentação indevida perdendo mais tempo sobre o tempo já perdido. Vamos reconhecer, com o apóstolo Paulo, que o tempo sobremodo oportuno para a nossa salvação, ou melhor, para a correção dos nossos erros e aproveitamento da nossa vida chama-se agora. Isso mesmo, o momento não é outro, é agora!

Se formos ficar esperando por melhores condições para podermos servir é bem provável que nem cheguemos a começar.

Se formos esperar o saneamento completo do nosso psiquismo no campo dos débitos ou a resolução de todos os problemas que nos afligem no momento para começarmos as obras, com certeza vamos esperar indefinidamente e nem iniciemos nada.

Uma coisa é certa, a nossa ligação com o Cristo e a comunhão com a divina luz não dependem do modo de se interpretar as revelações do céu. Ninguém pode alegar desconhecimento acerca do propósito divino. Afinal de contas, o dever, por ser mais duro, constitui invariavelmente a vontade do Senhor e a consciência, sentinela vigilante do eterno, a menos esteja o homem dormindo ao nível do bruto, permanece apta a discernir o que constituiu obrigação e o que representa fuga.

É óbvio que temos que estar bem para fazermos. Sem estar bem vai ser muito difícil alguém cooperar bem com os outros, mas temos que começar a despertar o nosso campo de cooperação. Se falamos em espera, sabemos que a melhor maneira de esperar é fazer. Esperar fazendo, porque aquele que não espera operando quase sempre se decepciona, e todos nós temos ideia disso, todos nós já passamos por alguma experiência desse tipo em que a espera por algo, sem ação alguma, só na base da ansiedade vazia, acabou em frustração. Iniciemos as obras portando as nossas deficiências, e colocando a vontade divina acima de nossos desejos a vontade divina nos aproveitará sempre. Pois na hora em que trabalhamos interiormente de forma satisfatória é como se nós estivéssemos à mercê da destinação inteligente e sábia do criador.

O mundo está aí, como uma bola gigante que não se cansa de girar. Para tanta gente descrente ele oferece frustração, dor em demasia, desespero, crueldade e aparente desigualdade. Conversamos um pouco com algumas pessoas e elas de imediato reclamam do mundo. Fazer o quê? Enquanto muitos esperam o apocalipse desabar acima das cabeças humanas nós temos o trabalho à disposição.

Percebeu? O mundo também nos oferece a capacidade de entender, de auxiliar, de exercer a compaixão. Disponibiliza infinitas oportunidades de trabalho a todos que desejam. Logo, não vamos esquecer que o chão para semear, a ignorância para ser instruída, a lágrima para ser enxugada, a esperança para ser reerguida, a dor para ser consolada são apelos silentes que o céu envia sem palavras ao mundo inteiro. E o grande desafio daqui para a frente não é o gênero de tarefa, e sim a compreensão da oportunidade recebida.

Em outras palavras, onde quer que a vida nos situe aí recolheremos todo dia múltiplas ocasiões de fazer o bem. Isso é que é bonito de se ter em conta. Em qualquer posição e em qualquer tempo estamos continuamente cercados pelas possibilidades de serviço com o Salvador. Basta avaliarmos as nossas disposições.

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