10 de jul de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 5

O TRABALHO É O MELHOR CAMPO

“48E QUANDO O VIRAM, MARAVILHARAM-SE, E DISSE-LHE SUA MÃE: FILHO, POR QUE FIZESTE ASSIM PARA CONOSCO? EIS QUE TEU PAI E EU ANSIOSOS TE PROCURÁVAMOS. 49E ELE LHES DISSE: POR QUE É QUE ME PROCURÁVEIS? NÃO SABEIS QUE ME CONVÉM TRATAR DOS NEGÓCIOS DE MEU PAI?” LUCAS 2:48-49

“TRABALHAI, NÃO PELA COMIDA QUE PERECE, MAS PELA COMIDA QUE PERMANECE PARA A VIDA ETERNA, A QUAL O FILHO DO HOMEM VOS DARÁ; PORQUE A ESTE O PAI, DEUS, O SELOU.” JOÃO 6:27

É fácil notar que o homem do mundo está constantemente preocupado com os negócios referentes aos seus interesses efêmeros.

Você concorda comigo ou acha que eu estou exagerando? Ele está sempre decidido a conquistar o mundo, arregimentar cada vez mais, mas quase nunca está disposto a conquistar-se para a esfera mais elevada. Atitude esta que constitui grande equívoco, porque deveria ele entender a iluminação de si mesmo como sendo o melhor negócio da Terra. E olha que estamos falando isso sem o mínimo traço de rigidez ou fanatismo. É só a pura verdade. O trabalho básico dos tempos modernos deve ser a iluminação interior do homem, que deve ter a iluminação interior como o seu trabalho imediato. Sabe por quê?

Simples, porque esse representa o interesse da providência divina a nosso respeito.

Pense comigo, o problema é de iluminação íntima na marcha para Deus e o reino do céu no coração deve ser o tema central de nossa vida. Tudo mais é acessório. 

Para que isso ocorra é preciso avançarmos no conhecimento superior, ainda que a marcha nos custe suor e lágrimas. Esse desafio a que nos referimos é fascinante, não existe aventura mais apaixonante no curso da existência do que esta, o de atuarmos como sócio da vida material que se une à energia espiritual e à verdade divina. Trata-se de experiência maravilhosa e transformadora a de tornarmo-nos o canal vivo da luz espiritual para tantos irmãos que se encontram na escuridão do espírito. E só sente isso quem vibra, quem se ilumina, quem ama.

O tempo passa. Em sem ritmo inalterável ele segue, resoluto e imperturbável. Se você acha que a solução do céu às suas rogativas está demorando, recorde o que dissemos antes, que a inércia não soluciona nada. Assim, após haver rogado o favor da infinita bondade lembre-se que a hora de crise é a hora de luta, e também ocasião propícia para os melhores testemunhos de fé. Você não é o único a defrontar-se com tal situação, todos nós, sem exceção, passamos por isso. Para qualquer um de nós chega sempre o minuto das grandes hesitações.

Todos somos surpreendidos pelo dia nublado da incerteza em que nos reconhecemos perplexos e inseguros. Só não podemos esquecer que a hora da incerteza é o instante da prece, e que quando a sombra chega é momento de se fazer luz.

O mundo é de luta e ninguém é diferente de ninguém. Todos nós buscamos, cada qual a seu modo, a mesma coisa: reconforto, equilíbrio e harmonia. Quando investimos com carinho, abnegação, sacrifício e determinação naquilo que aceitamos fazer, nós aprendemos pelo trabalho e não mais debaixo das lágrimas, tristeza e frustração. Isto é algo muito importante para nós nos dias atuais, estamos aprendendo algo novo agora, aprendendo a trabalhar para nos realizar.

E olha que é melhor aprendermos trabalhando hoje do que termos que sofrer amanhã o resultado da nossa falta de trabalho. Tudo pode se transformar em algo bem positivo em nossa caminhada. Pela vitória em cada etapa, antes de resolvermos o nosso problema pessoal nós entramos num terreno que nos abre uma oportunidade ampla de cooperação. No momento em que elegemos uma proposta de crescimento consciente notamos que a aprendizagem, que era totalmente efetuada pelo impacto de fora para dentro, em cima das dificuldades cerceantes sobre nós, passa a se fazer de forma mais suave e tranquila, mediante o processo de crescimento pela própria tarefa que se desenvolve.

O plano aplicativo nos terrenos do bem é hoje o melhor campo e constitui o ponto positivo para se revolver problemas. Guarde uma coisa: o trabalho é o preço da caminhada libertadora e santificante pelo qual sombras pretéritas são saneadas e dissipadas. Pode soar aparentemente estranho para alguns, mas operando no bem nós liquidamos muita coisa do nosso passado complicado no encaminhamento da vida sem saber. É pela linha horizontal que estamos tentando resolver o problema particular da nossa vida. Se nós, necessitados que somos, não trabalharmos como cooperadores ou doadores nós ficamos presos e amarrados às nossas carências e não avançamos. Em outras palavras, quanto mais nos recolhemos a nós próprios mais apertado fica o cerco. E não se trata de uma teoria que eu estou inventando. Não, nada disso, é da lei! Repare que Jesus opera com aqueles que estão se recompondo na evolução.

Será que deu uma ideia para você de como funciona o mecanismo? Em vez de ter que vir o anjo aqui para poder ensinar e auxiliar, o que está auxiliando é aquele que deve. Pois ele está se limpando, está se higienizando. Ele está se recompondo no seu campo cármico, auxiliando em nome do Cristo e purificando-se na esteira da evolução. Deu para perceber? Somente o trabalho digno confere ao espírito o merecimento indispensável a qualquer direito novo, razão pela qual temos que fazer algo pelo bem alheio para encontrarmos o nosso, ajudarmos para sermos ajudado, consolarmos para termos consolo. 

E tem mais uma coisa: a fixação de tudo o que recebemos depende da capacidade pessoal de transferir, a concessão de tudo o que recebemos é sempre relativa, é sempre para o trabalho. Enquanto o conhecimento nos propicia luz, no plano interior, o trabalho é capaz de dinamizar essa luz no plano prático.

O trabalho em favor dos outros nos coloca em patamares de melhor compreensão da vida. É certo que o trabalho nos planos do amor muitas vezes não subtrai o peso daquele que o realiza, todavia propicia o aumento da resistência no campo da força. É comum de acontecer. No sufoco nós queremos a retirada do problema e os espíritos nos dão recursos para o vivermos de forma positiva.

É importante entrarmos no campo positivo da vida, pois enquanto estivermos trabalhando um componente, seja ele qual for, na sua linha individual, na sua linha singular, fechada, tudo fica muito difícil. Sem dúvida alguma, somente pela cooperação encontramos a verdadeira segurança íntima. Recebido o trabalho que a confiança celeste nos permite efetuar usemos a oportunidade em favor de nossa elevação. E vamos ficar tranquilos, porque seguindo esta linha com o decorrer do tempo vamos começando a sanear e respaldar o território marcado por vários problemas. À partir do momento em que passamos a dar efetivamente em favor dos que circulam em nossa órbita daqui a pouco vamos estar sendo perfeitamente atendidos dentro de um suprimento da misericórdia.

E outra coisa da maior transcendência: o reino divino está dentro de nós, porém o caminho para o reino de Deus, que está dentro de nós, passa pelo irmão em necessidade que está fora de nós. Resultado? Todo trabalho é de ordem pessoal, mas a ser operado em regime social. Porque se trabalhamos sozinhos com certeza podemos até aprender a viver, só que a felicidade não está no viver, está no conviver. Pelo viver nós elegemos estratégias interiores e valores pessoais e pelo conviver aprendemos a aplicar as luzes que incrustamos interiormente.

O conviver define que a evolução se faz aqui dentro, dentro da gente, no entanto, ela opera no campo interpessoal sempre. Isto é, o ponto fundamental da realização é o mundo íntimo e o laboratório para que isso se dê é o mundo exterior.

Em outras palavras, nós operamos e, consequentemente, trabalhamos o íntimo. Deu para perceber? Opera-se e trabalha-se o íntimo com essa operação. Logo, vamos operar fora de nós no campo horizontal da vida, só que visando o nosso crescimento íntimo com segurança. Não basta apenas fazer, é preciso imprimir à ação o cunho de espiritualidade. O que fazemos aos outros é instrumento que a espiritualidade nos concede para podermos trabalhar o nosso interior.

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