14 de jul de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 6

CREDES EM DEUS, CREDE TAMBÉM EM MIM

“TU CRÊS QUE HÁ UM SÓ DEUS; FAZES BEM. TAMBÉM OS DEMÔNIOS O CRÊEM, E ESTREMECEM.” TIAGO 2:19

“30AMARÁS, POIS, AO SENHOR TEU DEUS DE TODO O TEU CORAÇÃO, E DE TODA A TUA ALMA, E DE TODO O TEU ENTENDIMENTO, E DE TODAS AS TUAS FORÇAS; ESTE É O PRIMEIRO MANDAMENTO. 31E O SEGUNDO, SEMELHANTE A ESTE, É: AMARÁS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO. NÃO HÁ OUTRO MANDAMENTO MAIOR DO QUE ESTES.” MARCOS 12:30-31

“NÃO SE TURBE O VOSSO CORAÇÃO; CREDES EM DEUS, CREDE TAMBÉM EM MIM.” JOÃO 14:1

“SUA MÃE DISSE AOS SERVENTES: FAZEI TUDO QUANTO ELE VOS DISSER.” JOÃO 2:5

“VÓS SEREIS MEUS AMIGOS, SE FIZERDES O QUE EU VOS MANDO.” JOÃO 15:14

Todos os homens da Terra, sem exceção, até os próprios materialistas, creem em alguma coisa.

Isto é fato. Crer todos creem. Agora, aquele que apenas crê ele admite e vai depender sempre dos elementos externos nos quais coloca o objeto de sua crença.

Então, todos creem, porém, poucos são aqueles que se iluminam de fato. Já pensou nisso? Aquele que se ilumina vai além da crença, ele vibra e sente e é livre das influências exteriores exatamente por ter bastante luz em seu íntimo. E havendo luz dentro não existe escuridão em lugar algum, e vencemos corajosamente todas provações da vida. Podemos até dizer mais, aquele que se ilumina cumpre a missão da luz sobre o mundo. É por essa razão que não basta somente acreditar para que os sagrados deveres estejam totalmente cumpridos.

A obrigação primordial consiste no esforço, no amor ao trabalho, na serenidade diante das provas, no sacrifício pessoal, no saber entender o evangelho, buscando a luz divina para podermos executar positivamente os trabalhos que nos competem.

Qual é a primeira caridade? Vamos pensar para responder com clareza. Ela está contida no primeiro mandamento, não é mesmo? A primeira caridade começa e está embutida no primeiro mandamento: amar a Deus. Então, preste atenção, não temos que largar Deus, de forma alguma. O amar a Deus em todas as situações tem que vir em primeiro lugar. Mas não é apenas crer em Deus, é amar a Deus. Notou? Porque os espíritos perversos também sabem que Deus existe, e crença por crença existe tanto nos planos superiores quanto nos inferiores.

Além do que, nós sabemos que o amor a Deus não pode ficar circunscrito ao plano teórico, ele não pode ficar limitado a um plano contemplativo ou abstrato, ele precisa se manifestar através da realização junto às criaturas filhas dele.

Veja que coisa interessante. Nós já acreditamos e reverenciamos a Deus. Ótimo, ponto para nós. Temos que crer em Deus amando-o, porém, para que tenhamos paz temos que crer também em Jesus. Não foi o que disse o mestre? "Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim." (João 14:1)

Esse amor ao próximo define a manifestação crística, a ingestão crística, a expressão do Cristo em nós, a forma como esse amor se exterioriza, se dinamiza e circula no universo cumprindo seu papel. É amar a Deus vibrando e crer em Jesus operando. Jesus é o componente decodificador do criador. É o elemento número dois no contexto da trindade universal, representa o plano concreto, o amor no seu sentido operacional. Traduzindo, ele coloca no campo analítico de operação o que é intrínseco no criador. Constitui o caminho para se chegar ao Pai. No Pai reside todo o absoluto e em Jesus o absoluto transitório nosso. Está dando para ficar claro? O absoluto relativo da Terra é com Jesus.

Então, o absoluto universal é com Deus, a fonte irradiadora é Deus, mas como não é a teoria que nos leva, e, sim, o campo operacional, o que é feito, concluímos que em termos aplicativos, de técnica operacional, é com Jesus, não é com Deus. Então, crer em Jesus é isto, é integrar-se. Lembra quando ele falou: "Eu e o Pai somos um"? Jesus com Deus opera e nós com o Cristo realizamos.

Importa, dessa forma, saber o que estamos fazendo de nossa crença, pois não fomos trazidos à comunhão com Jesus somente para o ato de crer. Não vale apenas confiar em Jesus e não fazer nada. Crer em Jesus é crer não apenas no sentido único de acreditar. É crer operando com aquilo que ele está ensinando, é realizar com aquilo que ele nos propõe, é integrar-se em um trabalho com ele.

Não entre nessa de se iludir fixando-te exclusivamente em afirmações labiais de fé no Senhor, sem adesão do próprio esforço ao trabalho edificante que lhe foi reservado.

Não tem gente assim? Há quem admire a glória do evangelho, mas a admiração apenas pode transformar-se em êxtase inoperante. Há quem confie no mestre, mas a confiança estagnada pode ser força inerte. Ele disse que seremos seus amigos se fizermos o que ele manda. O conselho de Maria, sua mãe, dado aos serventes, logo no princípio de seus trabalhos, por ocasião da transformação da água em vinho, nas bodas de Caná, também foi no sentido de fazerem tudo o que ele disser. Então, vamos ficar atentos, lembrando que sempre podemos reverenciar o Cristo aqui e ali, dessa ou daquela forma, resultando invariavelmente alguma vantagem em semelhante norma externa. Todavia, para lhe usufruirmos a sublime intimidade no coração é forçoso ouvirmos a sua afirmação categórica: "Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando." (João 15:14)

O evangelho não nos convida à confiança preguiçosa nos poderes do Cristo, qual se estivéssemos assalariados para funcionar em lances de adoração vazia. De forma alguma, porque não basta acreditar nos fenômenos ou na palavra superior para que os sagrados deveres estejam totalmente cumpridos. Não basta crer intelectualmente no divino mestre, e ponto final. Necessário é aplicá-lo a nós próprios.

Ele mesmo não se limitou a induzir demonstrando a própria união com eterno, e consagrou-se a substancializá-lo na construção do bem de todos. Não podemos compreendê-lo sem a integração prática nos seus exemplos, cabe-nos, onde quer que estejamos, contribuir na extensão do reino de Deus. Outro ponto imprescindível a saber: pode ser muito alta a confiança de alguém no poder divino, no entanto, isso não lhe confere o direito de reclamar o bem que não fez.

Observamos em volta e notamos que hoje guardamos uma soma de conhecimento no que reporta aos valores espirituais que não trazidos das mais diversas fontes. O próprio evangelho, estudado à luz da reflexão profunda, nos oferece esclarecimento de que não devemos nutrir na intimidade o interesse ou objetivo exclusivo de querer resolver o nosso problema pessoal. Muitas criaturas envolvidas num reconforto material amplo, inclusive, já se perguntam se a vida se resume àquela faixa de ação rotineira ou existe algo além da estrutura enlaçada nos compromissos sociais e na busca das satisfações temporárias.

Sob a ótica de grande número de pessoas não vale mais aquela proposta de natureza egoística, puramente pessoal. A claridade que nos domina nos faz questionar acerca do que temos feito. Temos sentido pulsar no coração uma vontade de ser útil, uma proposta interior fundamentada no desejo de sermos úteis. Porque não dizer que percebemos que temos mesmo que oferecer alguma coisa à vida?! Não existem condições de nos projetamos no plano renovador de modo isolado, sozinho ou particular. Nossa caminhada envolve outros elementos.

Pelo levantamento de nossos potenciais podemos analisar até onde somos espíritos carentes e necessitados e onde se inicia a capacidade de cooperar como integrantes do batalhão socorrista. E vamos ficar tranquilos, porque cada qual receberá de Jesus o esclarecimento acerca do que lhe convém fazer. Aliás, uma coisa já podemos saber: a primeira mostra do desígnio da providência, seja onde for, aparece no dever a que somos chamados na construção do bem comum.

Portanto, sejamos leais ao encargo que nos compete. É possível muitas vezes que não correspondam aos nossos desejos, que a gente não goste tanto, mas lembremo-nos de que Jesus não nos situaria o esforço pessoal onde nosso concurso fosse desnecessário. É preciso que cada um trabalhe na posição adequada a que está ajustado, não se fazendo indiferente às ordenações da máquina de trabalho.

O Senhor nunca nos solicitou o impossível. Também nunca exigiu da criatura falível espetáculos de grandeza. É claro que não podemos garantir a felicidade de um mundo que se encontra de maneira constante sob impacto das lutas evolutivas que lhe orientam a marcha, no entanto, ninguém está impedido de cultivar a terra em que vive, amparando uma árvore ou alentando uma flor. Não podemos curar as chagas sociais indesejáveis, porém compreensíveis, de uma coletividade de espíritos imperfeitos que somos, em regime de correção e aperfeiçoamento, contudo, ninguém está impossibilitado de proceder honestamente e apoiar os semelhantes com a força moral do bom exemplo. Não podemos socorrer a todos os enfermes que choram na Terra, porém, ninguém está proibido de atenuar a provação de um amigo ou vizinho, propiciando-lhe a certeza de que o amor não desapareceu dos caminhos humanos.

Portanto, sob o pretexto de nada conseguir realizar contra o domínio das atribulações que circundam o planeta, não te afaste da prática do bem. Persevera no serviço e prossegue adiante com boa vontade, certo de que Jesus nos auxiliará no resto.

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