21 de jul de 2013

Cap 36 - O Valor do Trabalho - Parte 8 (Final)

O TRABALHO, AS OBRAS E O SERVIÇO

“E JESUS LHES RESPONDEU: MEU PAI TRABALHA ATÉ AGORA, E EU TRABALHO TAMBÉM.” JOÃO 5:17

“45E, LEVANTANDO-SE DA ORAÇÃO, VEIO PARA OS SEUS DISCÍPULOS, E ACHOU-OS DORMINDO DE TRISTEZA. 46E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:46

“CONHEÇO AS TUAS OBRAS, E O TEU TRABALHO, E A TUA PACIÊNCIA, E QUE NÃO PODES SOFRER OS MAUS; E PUSESTE À PROVA OS QUE DIZEM SER APÓSTOLOS, E O NÃO SÃO, E TU OS ACHASTE MENTIROSOS.” APOCALIPSE 2:2

“EU CONHEÇO AS TUAS OBRAS, E O TEU AMOR, E O TEU SERVIÇO, E A TUA FÉ, E A TUA PACIÊNCIA, E QUE AS TUAS ULTIMAS OBRAS SÃO MAIS DO QUE AS PRIMEIRAS.” APOCALIPSE 2:19

“E SOFRESTE, E TENS PACIÊNCIA; E TRABALHASTE PELO MEU NOME, E NÃO TE CANSASTE.” APOCALIPSE 2:3

É muito comum associarmos trabalho com obra, ou mesmo entendê-los como sendo a mesma coisa, quando na verdade não é. Quando se conjuga as duas expressões, como no exemplo do apocalipse, "conheço as tuas obras e o teu trabalho" (Apocalipse 2:2), aí nós temos mesmo que fazer a necessária distinção.

O trabalho, no singular, define que ele é permanente, é contínuo, fator que não cessa. Podemos dizer com tranquilidade que ele é a força motriz do universo, o componente que impulsiona o universo e como ação atuante vamos notar que ele é ativo, constitui o mecanismo operacional, é a sistemática.

O trabalho é sempre instrutor do aperfeiçoamento. Em todos os lugares do vale humano existem recursos de ação e aprimoramento para quem deseja seguir adiante. E acontece, também, dele ter a sua consolidação vários anos depois, quando começa, então, a oferecer a sua resposta, a aparecer os seus frutos.

Para clarear melhor o que estamos dizendo, vamos observar que em qualquer tempo sempre vamos encontrar Jesus operando. Aliás, o evangelho estabelece incessante trabalho aos que lhes esposam os princípios. Não se trata de um código moral voltado àqueles que querem salvar a própria pele, até pelo contrário, ele é direcionado aos que querem fazer, razão pela qual seus seguidores não devem se acomodar porque não são aprendizes de falso repouso.

Não estamos matriculados em uma escola implementada e, sim, em uma escola em implementação. O evangelho de Lucas, para se ter uma ideia, nos conta que os discípulos, em determinada situação, dormiam de tristeza enquanto o mestre orava fervorosamente no horto e o Senhor naquela ocasião ensinou que não há justificativa para a inatividade nem mesmo diante do choque ocasionado pelas grandes dores. Então, se queremos realmente evoluir não temos como fugir do trabalho. Não dá. Isso é imperativo para todos, sem exceção. Até os companheiros que exterminaram intentos nobres e votos edificantes, tanto quanto os que desprezaram projetos superiores e abandonaram as suas atividades voltarão, mais tarde, ao labor reconstrutivo, retomando o serviço que a vida lhes assinala no ponto justo em que praticaram a deserção.

E você observou que os versículos que acima referenciamos fazem referência ao trabalho, no singular, e às obras, no plural? Isso mesmo. Está certo. São obras, no plural, porque são relativas. Elas são instrumentos para operacionalidade do trabalho, elementos adequados para que o trabalho possa operar.

São os componentes que nós temos objetivado a laborar, constituem o objeto do trabalho, a consequência deste. Por exemplo, se eu tenho uma reunião para participar, essa é a obra. Terminou a reunião, acabou a obra. Percebeu? Bem ou mal, ela está acabada. Assim, podemos dizer que não existe obra sem trabalho, embora possa haver trabalho sem uma obra efetiva. As obras definem a linha concreta que dimana da gente, não podem ter sentido finalístico porque apresentam para nós uma expressão didática do nosso avanço. Agora, só não podemos esquecer a necessidade de construirmos obras que nos projetem para os planos espirituais, que venham promover o nosso crescimento.

Outra coisa interessante: todas as obras, em qualquer parâmetro, no seu aspecto estrutural, elas são sempre relativas. E pela lei da transformação a obra pode desaparecer no tempo. Não pode? Por exemplo, nas civilizações nós não encontramos uma série de ruínas? Aliás, nem precisamos ir longe. Basta olharmos a nossa própria história pessoal. Quantas ruínas! E em cima delas, outras construções. Às vezes, nós estamos construindo hoje no mesmo local em que construímos ontem. Não tem disso? Renovar significa jogar a obra para baixo para fazer outra, para a construção de outra. Hoje o nosso trabalho é derrubar para construir outra, para que o trabalho se sublime sempre e cada vez mais.

E mais um ponto importantíssimo que não pode passar em branco: não tem como a gente carregar as obras conosco. Porque os resultados finalísticos, os resultados materiais das obras mais cedo ou mais tarde se diluem. Então, quem quiser carregar as obras consigo no bolso ou na sacola vai sofrer, porque mais hoje mais amanhã elas vão se diluir. Nós costumamos achar que levamos necessariamente conosco aquilo que foi feito, porém, longe de querer desanimar você, no plano profundo do espírito nós não levamos o que foi feito, embora tenhamos realmente que apresentar algo no plano utilitarista da vida, apresentar algo no campo horizontal dos interesses humanos. Está dando para perceber?

Em outras palavras, nós levamos, sim, o substrato essencial que circula em nossa intimidade relativamente à obra que operamos. Deu para entender ou está complicado? Nós levamos conosco a faixa vibracional que circulou à época, quando da realização da obra, e que vai permanecer, seja positiva ou negativamente. Os construtores, todos eles, em geral, apresentam na intimidade mental toda a elaboração e concretude das obras levadas a efeito. Dessa forma, nós levamos conosco toda a experiência nossa no fazer, e mais, nós vamos prestar contas pela maneira como agimos e realizamos cada atitude.

E de tudo que foi dito até agora neste tópico fica um recado: mais vale o trabalho, às vezes, do que a obra, mais vale o esforço e a dedicação do que o resultado final.

É aí que entra a nossa cota de serviço. Porque uma coisa que temos buscado aprender é a maneira como estamos fazendo as obras. Está dando para acompanhar? A forma, ou melhor, a vibração que nós implementamos no trabalho é que apresenta a tonalidade mais ou menos crística dessa ação. O que queremos dizer com isso? Que o serviço define a representação da nossa parte de esforço.

Já reparou que muitos trabalham inconformados, ao passo que outros trabalham com júbilo? Pois então, nós somos aferidos por aquilo que fazemos e como fazemos. No plano superior não se especificará o teor do trabalho sem a consideração devida dos valores morais despendidos, de maneira que não basta produzir, é preciso imprimir às obras o cunho de espiritualidade. Por esse motivo o serviço efetivo tem que apresentar um sentido reeducacional. Cada qual tem a sua tarefa intransferível na vida, e disso todos sabemos, agora o que precisa ficar claro é que o objetivo fundamental na vertical da realização, que tem que vir primeiro, sempre antes do objetivo operacional na horizontal, é a reeducação.

O mérito das obras está no esforço que empregamos para realizá-las, como também na pureza das intenções propulsoras de nossos atos. O serviço é como nós temos operado, significa aquele trabalho que realizamos visando o nosso próprio reerguimento pessoal, sem a preocupação com o resultado que pertence a Deus. É exatamente isso. A nossa preocupação, vamos corrigir, a nossa ocupação deve ser com o trabalho, não com o resultado. No que diz respeito ao resultado, o próprio nome já diz, é resultado. Não depende da gente.

Logo, qualquer qualquer trabalho digno que propusermos a fazer tem que ser conduzido, em termos de obra operada, dentro de um plano em que oferecemos o melhor na elaboração da obra e o fazemos com fidelidade e equilíbrio em função da fonte a que estamos ajustados. É imperioso darmos o nosso melhor. O próprio Cristo não recomenda o "sede perfeitos?" É exatamente nessa condição de perfectibilidade que vamos discernir se a obra é mais de Deus ou mais nossa. Todavia, não quer dizer que tenhamos que ficar apreensivos, ansiosos, suando frio ou sofrendo debaixo do perfeccionismo nas nossas ações. Nada disto. Precisamos, sim, de uma dose de paciência pessoal, sabendo que o que conta de verdade é a proposta de lisura que estamos adotando em cada ação, tornando-nos mais autênticos e fieis na execução desse trabalho.

O trabalho, como vimos, ele é contínuo. E dentro da nossa linha motora operacional ele esgota. Isto é óbvio, afinal tudo tem um limite. Diz o apocalipse assim: "E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste" (Apocalipse 2:3). Mas o cansaço que nos derruba é o cansaço da nossa briga vinte e quatro horas contra o mundo e contra muita gente.

Agora, é interessante nós entendermos porque Deus descansou no sétimo dia. Ele mostrou o seguinte: Parou de trabalhar? Não. O que ocorre é que passa-se a trabalhar em um mecanismo não desgastante. Quando nós estamos trabalhando dentro de uma sincronia das peças a gente repousa meia hora e fica inteiro de novo. Não acontece? Porque não houve desgaste. Repare para você ver que aquele que não procede dessa forma e, ainda, é inconformado com a vida ele é uma criatura que anda sempre cansada. É claro que não podemos nos esquecer que se oferecermos ao repouso restaurativo mais tempo que o indispensável cairemos na preguiça que nos desgasta as forças, mas também vamos lembrar que o verdadeiro trabalho é aquele que realmente reserva para nós grande júbilo interior. E quanto mais autêntico é o trabalho menos cansaço ele oferece. Podemos até completar dizendo que quanto mais se utiliza o trabalho nas faixas do amor mais descanso ele proporciona.

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