31 de ago de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 9

A GRATIDÃO

“MAS, BUSCAI PRIMEIRO O REINO DE DEUS, E A SUA JUSTIÇA, E TODAS ESTAS COISAS VOS SERÃO ACRESCENTADAS.” MATEUS 6:33

“VENHA O TEU REINO, SEJA FEITA A TUA VONTADE, ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU;” MATEUS 6:10

“POR ISSO, TENDO RECEBIDO UM REINO QUE NÃO PODE SER ABALADO, RETENHAMOS A GRAÇA, PELA QUAL SIRVAMOS A DEUS AGRADAVELMENTE, COM REVERÊNCIA E PIEDADE;” HEBREUS 12:28

Ao Pai nós devemos gratidão, respeito e obediência. Alguém tem dúvida disso? 

Todavia, pelo uso da relativa liberdade que desfrutamos podemos alimentar uma vontade que se contrapõe à vontade d'Aquele que criou e mantém a mecânica celeste. Mas é assim mesmo, porque é do querer do próprio criador que assim seja, de modo que a criatura humana pode agir, embora dentro de determinados limites, em contradição com o Pai celestial. Desse proceder, porém, resulta uma desarmonia cujo efeito é a dor, e não tem como ser diferente.

E essa dor cessará, desde que se restabeleça o ritmo desfeito no interior das almas. 

Esse é o motivo pelo qual o sábio mestre Jesus nos aconselha a harmonizarmos a nossa vontade com a vontade de Deus. Há razões bem fundamentadas para que nos submetamos de boa vontade à vontade divina. Esta vontade é a que nos convém porque satisfaz e assegura a nossa felicidade, naquilo que vemos e no que não vemos, no que compreendemos e no que não compreendemos. Deveria ser assim. Só que, infelizmente, o homem se esquece dessa advertência e procura, em vão, fazer com a que a sua vontade própria prevaleça. Ele acha que está com a razão em todas as conjunturas em que se encontra. Grande engano. Acaba por se contrariar e sofre sempre que não consegue realizar os seus planos, os quais se lhe afiguram como sendo os melhores e mais acertados. Passa a considerar certos acontecimentos que ocorrem em sua vida como sendo verdadeiramente injustos.

Quanta ignorância o homem carrega consigo. Sua ótica restrita não consegue alcançar o porque desses casos. Diante da situação tantas vezes se revolta. Entra num círculo vicioso e o que acontece? Apenas agrava a situação penosa em que se envolve.

Por outro lado, aqueles que estão começando a colocar o pensamento e a vontade divina acima das circunstâncias humanas estão aprendendo a fazer o que está presente no capítulo seis do evangelho de Mateus: "buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo mais será acrescentado". Quer dizer, estão atendendo a um chamamento divino dentro de um acontecimento que se faz, seja a nível de pagamento ou de testemunho. Portanto, meu amigo, minha amiga, temos que ser simples, mas temos também que ter graus de autoridade.

Temos que ter identificação com o plano maior, que é a ação de graça. Ação de graça mostra que a vida da criatura é um constante tributo à grandeza de Deus. Mas não um tributo naquele sentido beato, naquele sentido místico, no sentido de prática de ritos exteriores, e sim num sentido de que Deus está glorificado na obra, glorificado na ação, no trabalho, e não no seu sentido puramente de expressão filosófica. Ação de graças representa um tributo a Deus e para isso nós temos que testemunhar Jesus Cristo. Em outras palavras, significa atestar no plano prático diário aquilo que Jesus nos ensinou, mostrar, por uma linha aplicativa, a submissão plena à vontade do Pai.

Ação de graças é a vontade superior a qual temos que nos ajustar com carinho e conhecimento para não tomarmos o rumo errado. Repare que dentre as sentenças de que se compõem o pai nosso encontramos: "Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu". Diante da onipotência de Deus aprendemos que para a nossa felicidade cumpre subordinarmos a nossa vontade à vontade Dele. Só assim conseguiremos estabelecer a harmonia interna tal como já está, pela forças naturais, estabelecida a harmonia dos mundos e astros.

A harmonia da justiça divina distribui a cada um aquilo que de direito lhe cabe, consoante o emprego que tem dado às suas faculdades na órbita do livre-arbítrio conquistado. Assim, tanto no plano físico, como no espiritual, prevalece a sabedoria divina pairando sobre as paixões e as veleidades humanas. 

É preciso, pois, aprendermos a glorificar as tribulações também, evitando lamentá-las. 

Basta nos recordarmos que a tribulação produz a fortaleza e a paciência, e em verdade ninguém encontra o tesouro da experiência preso no pântano da ociosidade.

Ação de graças equivale entregar-se a um processo de identificação com o plano superior. E sem ela nós não avançamos e ficamos presos à retaguarda. Pense nisso. Quanto mais presos à retaguarda mais chumbados à vida física nós ficamos e menos expressões espirituais nós passamos a ter em nossa vida.

A questão é simples assim. Agora, outro detalhe interessante: você agradece o que recebe só com palavras? Pense bem para dar a resposta certa. Creio que não. Geralmente você mostra que está agradecido transformando o sentimento em obras. Aí, sim, você agradece de forma efetiva. Não é por aí? Você agradece ao Pai vivenciando algo que você já adquiriu. Isso é da maior transcendência para nós, porque sem gratidão ninguém chega a lugar algum de forma segura. Somente sendo gratos pelas benesses que recebemos tornamo-nos credores de novas dádivas. De modo que temos que cultivar nossos sonhos e propostas, mas também sabermos nos contentar com o que temos.

E vamos notar outra coisa. Na hora em que as nossas lágrimas começarem a deixar de ter aquela acidez ou aquele amargor dos nossos próprios padrões pessoais, na hora em que não apresentarem resistência e começarem a ter o sentido maior de gratidão, de alegria, de ver um coração bem, feliz, é um sinal claro que nós estamos começando a mudar o direcionamento das nossas antenas. É um sinal de que estamos sintonizando com as faixas superiores da vida.

Será que deu para você entender? E para ajudar no esclarecimento lembre que ninguém é tão sacrificado pelo dever que não possa, de quando em quando, levantar os olhos ao céu ou dizer uma frase positiva em sinal de agradecimento pelo que tem recebido, embora não possa perceber as bênçãos de imediato.

28 de ago de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 8

OS PÉS

“5DEPOIS DEITOU ÁGUA NUMA BACIA, E COMEÇOU A LAVAR OS PÉS AOS DISCÍPULOS, E A ENXUGAR-LHOS COM A TOALHA COM QUE ESTAVA CINGIDO. 6APROXIMOU-SE, POIS, DE SIMÃO PEDRO, QUE LHE DISSE: SENHOR, TU LAVAS-ME OS PÉS A MIM? 7RESPONDEU JESUS, E DISSE-LHE: O QUE EU FAÇO NÃO O SABES TU AGORA, MAS TU O SABERÁ DEPOIS. 8DISSE-LHE PEDRO: NUNCA ME LAVARÁS OS PÉS. RESPONDEU-LHE JESUS: SE EU TE NÃO LAVAR, NÃO TENS PARTE COMIGO." JOÃO 13:5-8

“E OS SEUS PÉS, SEMELHANTES A LATÃO RELUZENTE, COMO SE TIVESSEM SIDO REFINADOS NUMA FORNALHA, E A SUA VOZ COMO A VOZ DE MUITAS ÁGUAS.” APOCALIPSE 1:15

“E EU, QUANDO VI, CAÍ A SEUS PÉS COMO MORTO; E ELE PÔS SOBRE MIM A SUA DESTRA, DIZENDO-ME: NÃO TEMAS; EU SOU O PRIMEIRO E O ÚLTIMO;” APOCALIPSE 1:17

Os pés tem um significado especial na simbologia do evangelho. Para início de conversa, os pés nos dão uma ideia de piso, pensamos neles e imaginamos a base.

Isso mesmo, no sentido espiritual os pés fazem referência à base da vida, base sobre a qual se elabora uma edificação. Eles definem para nós estrutura de edificação, uma vez que não se edifica nada sem uma base sólida. Também sugerem equilíbrio, solidez e segurança. Não tem como laborar a nossa estrutura íntima de forma segura, firme e consistente sem a edificação clara das bases. Não tem como. Não se edifica uma árvore frondosa sem a consolidação das raízes, não se levanta uma construção sem um alicerce seguro.

Pés representam aquele instrumento que nos mantém em contato direto com o mundo e que precisam estar seguros para poderem aguentar o peso da grande caminhada com destino à redenção. Não há como laborarmos uma estrutura segura e firme sem a edificação clara das bases. E não precisamos ir longe para constatar que todo o processo edificativo nosso se alicerça no campo mental.

Jesus, quando veio aqui, deixou para nós o grande ensinamento de que não adianta visualizarmos uma grandeza lá na frente sem o começo pelo alicerce inicial. Sendo assim, quem quiser realizar alguma coisa tem que começar a trabalhar, tem que estruturar-se interiormente, tem que trabalhar o campo mental.

"Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? Respondeu Jesus, e disse-lhe: o que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberá depois. Disse-lhe Pedro: nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: se eu te não lavar, não tens parte comigo." (João 13:5-8)

Esta passagem do evangelho é de uma beleza extraordinária. Antes de qualquer coisa, nós vemos com muita naturalidade uma demonstração singular de humildade, afinal, a humildade é a base de tudo, pois na coletividade cristã o maior para Deus será sempre aquele que se fizer o menor de todos. Mas o ensinamento tem, ainda, um alcance muito maior e pela mensagem permanente do evangelho o Cristo continua lavando os pés de todos os seguidores sinceros de sua doutrina sublime de amor e perdão. Jesus, com muita tranquilidade, lavou os pés dos seus discípulos deixando para nós a lição de que essa parte do corpo, numa referência profunda ao campo mental, tem que permanecer limpa. E ao contato de Jesus e de seus ensinamentos o homem sente que pisará sob novas bases. Aliás, sem essa realização maravilhosa de lavar os pés a criatura não tem como participar do banquete da vida real.

O apocalipse fala em pés reluzentes ("E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha". Apocalipse 1:15) Reluzentes. Pensando bem, é muito interessante essa colocação. Vamos reparar que num aspecto figurado esses pés reluzentes dizem respeito àqueles padrões da nossa intimidade que não apresentam nenhuma sujidade. E em razão disso caracterizam-se por apresentar uma alta capacidade de refletir a luz.

O próprio Jesus sugeriu que quando entrássemos em uma casa, e não fôssemos recebidos, que retornasse a paz para nós, isto é, que não nos permitíssemos entrar na pauta das vibrações negativas, sacudindo para isso a poeira dos pés. Logo, manter os pés reluzentes é fator primordial, porque tem muita gente trançando pela vida afora com os pés sem reluzir e, mais ainda, sujos de poeira. E uma das maneiras complicadas de poluir esses pés é trabalhar o terreno da inconformação, pois a pessoa inconformada anda com os pés sujos.

"E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: não temas; eu sou o primeiro e o último." (Apocalipse 1:17) Vamos observar o seguinte, cair aos pés de Jesus significa entrar na pauta vibracional de relação com ele. Deu para perceber? Para se ter uma ideia, Pilatos, por exemplo, esteve diante dele e não caiu. Outros que o julgaram, e que estiveram diante dele, como também aqueles que o crucificaram, não caíram. Estes, entre muitos outros presentes na história do evangelho, não caíram. Então, o procedimento de cair aos pés de Jesus é resultante de uma sensibilização do ser, embora nem sempre haja, por parte da criatura que cai, um processo de adesão em termos finalísticos a um terreno novo. Isso é muito interessante de ter-se em conta. E outro detalhe que não é difícil entendermos é que determinadas quedas se dão em termos de humildade. Talvez a criatura até pudesse ficar de pé. Agora, a grande parte das nossas quedas é resultante mesmo de um processo de desequilíbrio da nossa parte.

Cair aos pés está na pauta vibracional de revelação. Muitas vezes a criatura sente a incapacidade de defrontar a luz e acaba por se lançar aos pés. Aos pés de Jesus.

Isso acontece demais. Com muitos de nós. Observe em quantas ocasiões nós temos que nos contentar, nas questões espirituais, com uma relação com os pés. Está dando para captar? Quantas situações nós temos que nos contentar com aquela parte vibracional que nos é possível. Por mais que a gente tente se elevar nós alcançamos, quem sabe, os pés. E vamos notar nessa passagem do apocalipse que antes de cair o evangelista João vê o rosto. Como se fosse um esplendor se abrindo acerca das condições que ele poderia alcançar na vanguarda.

E essa inclinação a que estamos nos referindo, esse cair aos pés, não apresenta um sentido de humilhação. Longe disso. Essa inclinação não é uma inclinação de submissão no seu aspecto negativo. Não é uma inclinação que tange a humilhação. É uma atitude que representa aquele grau maior ou menor de humildade em que você se entrega. Cair aos pés de Jesus denota uma proposta de reverência, uma capacidade de curvar-se diante daquele que apresenta valores capazes de nos ajudar. É no sentido daqueles que já se abrem para uma proposta nova e que vão se prostrar aos pés daqueles que realmente já estão em condições de disseminar a mensagem nova do próprio evangelho.

A gente sabe disso. A coisa mais gostosa que tem é quando nós somos capazes de nos curvar ante uma criatura que apresenta valores, que conhece, que pode envergar os elementos capazes de nos ajudar. Quando a gente lê uma obra, por exemplo, e o autor é seguro a gente se curva diante da obra. Não se curva? Sendo assim, cair aos pés mostra que apesar da distância vibracional entre os dois, o que cai tem consciência de que qualquer edificação começa de baixo, e não de cima. Então, ele se curva para poder nascer numa nova base.

Isso é bonito demais de entender. E analisando com profundidade nós observamos que aquele que se curva é aquele que cresce. Porque ele está aprendendo que para poder crescer tem que ser criança, e criança está embaixo, não em cima.

21 de ago de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 7

INSTRUÇÃO AOS DISCÍPULOS

“9NÃO POSSUAIS OURO, NEM PRATA, NEM COBRE, EM VOSSOS CINTOS, 10NEM ALFORJES PARA O CAMINHO, NEM DUAS TÚNICAS, NEM ALPARCAS, NEM BORDÃO; PORQUE DIGNO É O OPERÁRIO DO SEU ALIMENTO. 11E, EM QUALQUER CIDADE OU ALDEIA EM QUE ENTRARDES, PROCURAI SABER QUEM NELA SEJA DIGNO, E HOSPEDAI-VOS AÍ, ATÉ QUE VOS RETIREIS. 12E, QUANDO ENTRARDES NALGUMA CASA, SAUDAI-A;” MATEUS 10:9-12

É fato que todos nós crescemos condicionados aos padrões materiais do mundo. Condicionamento esse que nos faz sempre desejar receber algo em troca dos benefícios concedidos, mesmo que esse recebimento se resuma a uma simples palavra de agradecimento.

Ao instruir seus discípulos ao trabalho em nome do amor o mestre desvincula o trabalho espiritual de qualquer recompensa, seja financeira ou de qualquer outra espécie. Ensina para nós que toda a doação deve ser espontânea e sem exigência, de modo a fazermos sem esperar qualquer tipo de recompensa ou agradecimento.

No contexto vivencial da humanidade, ou melhor dizendo no plano físico em que nos ajustamos, os bens materiais são valores necessários. Por serem imprescindíveis deles necessitamos. O que pesa, na verdade, é o apego e a forma de utilização desses bens. Alforjes, túnicas, alparcatas e bordão simbolizam suprimentos dos viajantes em trânsito de um lugar para o outro. Sem dúvida alguma necessitamos dos recursos materiais para a caminhada, até mesmo pelo fato de estarmos integrados ao plano reencarnatório. O que não podemos, de forma alguma, é superestimarmos esses valores ou investirmos nos componentes materiais acima do que é justo e necessário, de forma a colocarmos em plano secundário o trabalho espiritual que temos que desenvolver.

O mestre assinala que não devemos alimentar preferência ou ter preocupação quanto ao local onde o bem deva ser realizado. A bem da verdade, em todos os lugares existem espíritos necessitados, sejam nos ambientes pobres ou prósperos, em pequenas ou grandes localidades. Quando identificados com a mensagem do Cristo somos convocados a agir sem discriminações, colocando-nos à disposição do próximo segundo determinações do plano superior. Cidade é constituída por aglomeração humana de certa importância, localizada em área geograficamente circunscrita, organizada e com infra-estrutura essencial à sobrevivência e facilidades da vida dos habitantes. Aldeia é povoação de pequenas proporções, rural e menor que uma vila. Se na dinamização e distribuição dos recursos espirituais somos sempre convocados a sair de nós mesmos, na busca de solução e superação dos problemas que nos são inerentes necessitamos entrar território adentro da aldeia íntima, selecionando os conceitos, pensamentos e tendência, sem desconsiderarmos a vigilância.

A pessoa identificada com o evangelho vive em uma constante dinâmica. É preciso entrar e saber se retirar. Seja para auxiliar o próximo ou superar os problemas que surgem é imperioso procurar novas experiências. Quando uma situação é resolvida é preciso que saibamos nos desligar dela, retendo apenas o aprendizado decorrente, aprendizado esse que servirá de base para a vivência de novas experiências. E quando entrarmos em alguma casa, que nós saibamos saudá-la, isto é, que entremos em relação ou sintonia com alguém. E é evidente que essa sintonia será maior ou menor dependendo dos laços de simpatia.

Não resta dúvida alguma, a palavra casa tem dois sentidos: o de habitação ou abrigo material e o de casa mental. Esta última é a referência à residência íntima em que nos abrigamos durante todas as horas do dia. Cada um de nós está sempre entrando e saindo da casa mental das pessoas, seja durante simples conversa, uma palestra, um estudo ou na permuta de vibrações, ideias e sentimentos. Saudar a casa é felicitar, testemunhar respeito, louvar o que se nota de positivo, de criativo ou de edificante nas pessoas. Agora, não há dúvida de que a saudação indicada por Jesus vai além das convenções sociais, porque utiliza os ingredientes do amor e do respeito. Logo, essa saudação pode simbolizar um bálsamo que alivia dores, um esclarecimento que conforta e elucida corações ou um apaziguamento que estimula a concórdia e harmonia.

A gente tem que entender que na vida não existe ganhos e perdas. O que existe é ação e reação, causa e efeito. É da lei que a doação do bem produz invariavelmente o recebimento do bem. As ações, sejam elas boas ou más, voltam para nós sempre, acrescidas das vibrações de natureza semelhante. Até para ajudar nós precisamos entender o mecanismo das leis. Ainda que estejamos bem intencionados não devemos menosprezar, de forma alguma, a ponderação no ato de ajudar, evitando nos guiar por impulsos ou emoções intempestivas.

A ausência de esclarecimento e de controle emocional impõem restrições ao exercício da caridade.

O benfeitor esclarecido sabe operar com humildade, sem efetivar exigências ou constrangimentos, garantindo em quaisquer circunstâncias a paz que cultiva nas bases do entendimento e da compreensão. Pense comigo, sempre entramos nas casas mentais alheias e devemos, também, sabermos nos retirar física ou vibratoriamente do ambiente. Medida esta aconselhável quando as paixões são exacerbadas e existe o risco de conflitos desagregadores.

Por isso o emissário divino nos sugere sacudirmos o pó dos pés e retornarmos com a nossa própria paz. Recuar e afastar, nesta situação, é medida de bom senso, ainda que se entenda que as melhores disposições de auxílio ou cooperação foram adiadas. Precisamos parar de investir na luta em nome do cordeiro travestido com pele de lobo. Quando isso ocorre nós perdemos a nossa paz. Aliás, o que acontece em muitas das casas em que entramos é que geralmente não levamos a paz e o que é pior, muitas vezes saímos dela em pé de guerra.

Esta é uma poesia singela redigida por mim no dia 02/08/2013, provavelmente escrita sob alguma influência superior. Decidi colocá-la no final desta parte por achá-la interessante. É simples, curta e no fundo do coração eu espero que goste:

Levanta os teus pés e segue adiante
Como quem avança célere a um futuro melhor.
Estende as mãos ao que suplica amparo
Lembrando que o tempo ensina e, não raro,
Tens ao redor de teus pés a resposta brilhante
Que a natureza deposita em resposta ao que faz.
Se busca o conforto e a harmonia interna
Acende a luz no coração palpitante.
Qual viajante noturno que não dispensa a lanterna
Nas estradas difíceis e turvas da própria redenção
Mantém sempre contigo, bem próximo da mão
O evangelho do Cristo como a espada da paz.

O tempo é o sinal e o aviso é prudente.
Sem perda de força conserva a esperança.
Na vida o que importa é o que levamos na mente
Refletindo nos atos do mais puro amor.
Quem dera poder transitar por qualquer ambiente
Sorrindo e criando o melhor que puder.
Seja ao velho, ao novo, ao maduro e à criança.
A simpatia é o termômetro do sagrado ardor
Que o céu direciona sob o manto da luz.
Como é bela a existência de quem sonha e produz
Sob a bênção e o amparo do Cristo Jesus.

17 de ago de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 6

A DUALIDADE E A TRINDADE

O um está presente em todo o universo. É a soma clássica do amor em toda a sua grandeza.

E no momento em que aprendemos a realidade do crescimento consciente, Deus deixa de ser um Deus de lá, ou melhor, entendemos que Deus é um pai que está lá, mas ligado ao filho que está aqui. Não é isso mesmo? Em outras palavras, o amor, que reside em Deus, no Pai, apenas é dinamizado quando Deus, que é criador, sugere criatura, ou o Pai, que é o amplo Pai do universo, sugere filho. Pois somente existe Pai se existe filho e a dissociação entre Pai e filho ocasiona alienação.

Está acompanhando? Pelos descendentes é que vamos ver o que era estático se transformar em dinâmico, e o dinâmico já sugere o número dois, o segundo elemento. 

O dois é o filho, são as criaturas. O dois é sempre dinâmico, é a capacidade prática em Cristo. Então, Deus é a unidade, unidade essa que irradia o conhecimento, que irradia a luz, que irradia o amor. E essa linha que parte dele, em toda extensão do universo, vai encontrar um plano dinâmico na linha de dualidade.

O um é o Pai, dentro de uma linha acentuadamente teórica. A gente, no plano espiritual, faz cursos e a maioria nem imagina isso. Estuda acerca da lei de cooperação, da lei de trabalho, da lei de amor, da lei de caridade. Tudo, de certa forma teórico, tudo em Deus. Aí a gente vai pro dois e realiza aqui embaixo no plano material. E na hora em que nós nos movimentamos com a instrumentalidade que possuímos o que era teórico começa a se tornar prático, ou seja, vamos ver a transubstanciação desse elemento teórico se tornando prático pelo filho que opera. O filho, para que a gente não esqueça, é o segundo componente. O filho é o número dois, o filho é o componente operante, porque o número um não opera, o número um dispõe, o número um irradia.

O número um representa a unidade e a unidade significa harmonia, paz e equilíbrio.

Mas não podemos trabalhar somente em função da unidade porque ela tem um caráter estático e o encontro a essa unidade, de cá para lá, vai depender de uma linha dinamizada. Percebeu? O ponto básico que nos liga teoricamente com a divindade é o ponto um. O ponto dois é sempre o laboratório experimental em meio ao sufoco do desconhecimento mais amplo da realidade que vivemos.

Se a incorporação dos padrões superiores se desse sem a linha dinâmica operacional em face dos contrários com certeza nós não teríamos movimento no universo, mas sim um universo estático. Para que haja dinâmica no universo essa unidade se transforma em dualidade, só que ao criar a dualidade tem-se tanto o componente positivo quanto o componente negativo. 

E o que abre a perspectiva de dinamismo, de forma a projetar os seres cada vez mais para pisos novos e novas posições é exatamente esse ângulo da lei dos contrários, definindo exatamente o movimento. Em outras palavras, podemos dizer que pela busca por equilíbrio essa unidade se dinamiza, transferindo-se para a expressão dualística, uma dualidade, onde prepondera nessa dualidade o bem e o mal, o amor e o ódio, a luz e a treva, o positivo e o negativo, etc.

Então, o bem está aqui e o mal está aqui, o dia está aqui e a noite está aqui, a luz está aqui e a treva está aqui, a verdade está aqui e a mentira, também, está aqui.

E essa dualidade dentro de nós é que mantém o equilíbrio. Se pensarmos bem, pela luz nós entramos em relação com a luz maior, no plano de sintonia vibracional dos semelhantes, e pela sombra que trazemos, resultado das experiências vivenciadas, somos capazes de nos sensibilizar com o carente, com o necessitado.

Porém, temos que ter o cuidado devido, pois à medida em que avançamos na busca do um é como se o dois começasse a empavonar-se, razão das quedas e da dualidade. Padrões negativos são necessários ao desenvolvimento dos positivos, e enquanto o lado positivo é eterno, imortal e não desaparece, os demais componentes tem vida relativa, os padrões negativos são sempre relativos.

E vamos reprisar o seguinte: o um define a unidade. A pessoa obtém o conhecimento no um. E a unidade se dinamiza na dualidade. Ou seja, a pessoa, com o conhecimento no um, exerce esse conhecimento no dois, e o três, como sendo sua extensão, define a projeção de encaminhamento. Está acompanhando?

O um se dinamiza no dois e sublima no três, através dos lances: um, dois e três. O três embute o um e o dois. O três significa a apropriação do um e do dois, corresponde ao somatório, o um de antes acrescido do dois recente. A pessoa, com conhecimento no um, o exerce no dois e sai no três, que é o um renovado. O três é o um acrescido de valores, representa o processo de santificação.

A unidade está no um e o indivíduo entra no plano aplicativo no dois. Mas se volta para o um ele não progride. O indivíduo sai do um com projetos e programas e no dois é que ele realiza, concretiza. O dois é o plano material. De forma que não se volta para o um. Quem volta para o um não progrediu nada.

O certo é ir para o três. O três é a aplicação da teoria, é a filosofia que temos que aplicar na vida prática. Mas aplicar mantendo-nos ligados na unidade irradiadora em Deus. O três equivale ao mecanismo da ressurreição, é a visão em novo aspecto, em novos ângulos. A Terra não é o terceiro planeta do sistema à toa.

O três já apresenta mudanças no campo concreto da individualidade, mudanças de concretude, de solidez.

O pai celestial direciona recursos. Ele é o centro irradiador. Dele dimanam valores que nós não acessamos com facilidade ainda. O filho é o segundo componente, é o instrumento realizador. E o espírito é a chegada desse filho no plano de elaboração reeducacional e de crescimento. O terceiro componente da unidade é o espírito santo. É o grande anseio do crescimento. No plano em que operamos, como filho, melhoramos o espírito em termos de santificação e nos aproximamos do criador. Afinal, se nós não operamos nessa diversidade presente no dois, nessas linhas antagônicas da existência, com o objetivo de nos espiritualizarmos, de nos santificarmos, o que acontece? Nós simplesmente jornadeamos a esmo e perdemos até o rumo da proposta de crescimento.

E nesse fluxo e refluxo do bem e do mal nós vamos notando que o mal vai desaparecendo e o bem vai crescendo em nossa vida, progressivamente, e vamos caminhando para onde? Para a unidade, que está em Deus. Deu para entender?

Cada vez que eu saio do um e vou para o dois eu volto. Só que eu vou fazendo esse bem se estender. Na hora em que eu vou lá no um e volto esse bem vai alcançando um tamanho maior. No segundo lance o bem já ficou maior e vai crescendo esse bem no fluxo normal, dando um dimensionamento novo ao positivo que está na unidade. Então, da dualidade, dessa aplicação feliz, eu crio a trindade. Certo? Eu vou lá atrás, ao um, e saio do bem, porque o bem é teórico. E no plano aplicativo ele sai da teoria, sai da ante-sala e entra no plano corporificado. Ele passa a ficar incrustado em mim. Deu para entender isso?

Vibra uma chama dentro de cada um de nós que constitui o objetivo fundamental da nossa vida, que é a renovação constante. A obrigação de nos retificarmos, a obrigação de nos educarmos, aliada ao dever primordial de servir.

E nós abrimos em nosso campo mental uma proposta. Qual proposta? A de crescermos para nos engrandecer? Não! A de crescermos para servir eficientemente. E dentro dessa ótica, que deve ser linha básica e fundamental de encaminhamento na evolução, nós podemos operar com as mais diversas expressões. É por essa proposta bem acesa e definida que vamos conseguindo encontrar a segurança que almejamos dentro dessas linhas antagônicas que surgem.

Dos dez mandamentos sete tem natureza cerceadora, em que se trabalha objetivando cercear as dificuldades íntimas, ao passo que três mandamentos positivos constituem o terreno que se abre à evolução consciente do ser e projetam a criatura na sua capacidade de amar. Se estamos falando no três nós temos após a linha dos sete negativos a abertura de um campo para a operacionalização da linha trina. Três mandamentos que nos projetam em uma linha de realização com o criador, três mandamentos positivos que visam projetar rumo ao infinito. Representam, simultaneamente, uma linha trina que visa a projetar a criatura em sua capacidade de amar, objetivando projetá-la. São eles: amar a Deus, honrar pai e mãe e guardar o sábado. Assim, os dez mandamentos contém, embutidos, a linha trina da evolução em busca da unidade.

No amar a Deus Jesus acrescenta "e ao próximo como a si mesmo". De forma que eu tenho que ir caminhando na linha vertical do amor a Deus e ao próximo, também, na horizontal da aplicação. Guardar o sábado, que não é o sábado dia de semana, mas diz respeito a operação do trabalho sem as resistências pessoais. E honrar pai e mãe que é saber valorizar a vontade divina.

Aceitar honrando as manifestações da nossa própria vida. Tem que honrar pai e mãe. O pai oferece o componente germinativo para que os valores concretos surjam na vida, logo, honrar a Deus, de onde dimana tudo. E também honrar a mãe natureza, natureza essa extrínseca ou intrínseca da realidade de vida. A mãe como sendo tudo aquilo gestado no plano concreto da vida, pois a mãe passa por uma gestação. Nela residem todos os componentes criados e estruturados. Percebeu? Não há como honrar a Deus e ficar, por outro lado, reclamando de tudo que vem para a gente. Honrar a mãe é não se indispor quanto às realidades concretas da nossa vida e do ambiente em que estamos ajustados.

11 de ago de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 5

A SANTIFICAÇÃO E A UNIDADE

“E AO ANJO DA IGREJA QUE ESTÁ EM FILADÉLFIA ESCREVE: ISTO DIZ O QUE É SANTO, O QUE É VERDADEIRO, O QUE TEM A CHAVE DE DAVI; O QUE ABRE, E NINGUÉM FECHA; E FECHA, E NINGUÉM ABRE:” APOCALIPSE 3:7

O nosso trabalho aqui, como em outras frentes, no que reporta ao estudo do evangelho, não é um trabalho que tem por objetivo fabricar santos. De forma alguma. Nós não estamos aqui para sermos santos, não.

Estamos reunidos, de alguma maneira, para captar informações didáticas de aplicabilidade no nosso dia a dia. É o que estamos buscando fazer. Sendo assim, este é um estudo que visa abrir para todos nós, indistintamente, uma visão nova da grande luz. E como estudiosos, na grande tarefa em que nos engajamos, nós não somos santos, o que somos é espíritos com a responsabilidade de nos santificar. E como em todos os núcleos, independente da escola religiosa, ninguém vai acompanhar quem quer que seja após os estudos ou as reuniões. Nem os espíritos vão ficar atrás de fulano ou Beltrano para saber se eles estão cumprindo o que aprenderam, para ver se realmente estão aprendendo. Afinal de contas, esse é assunto do amplo livre arbítrio de cada um.

Não há dúvida que passou da hora de pararmos de trabalhar e caminhar com base nos engodos e equívocos. Infelizmente, trazemos noções e conceitos muito distorcidos ao longo do tempo no que se refere a questões espirituais. Para ser ter ideia, a nossa pequenez espiritual quase sempre caracteriza ou define o santo como sendo aquele que pode irradiar benesses ou direcionar dádivas para nós de forma gratuita. "Eu sou devoto de santo tal", diz alguém, "é com ele que eu preciso mudar, ou vou conseguir isso ou aquilo", e faz um punhado de propostas e projetos para oferecer ao santo motivo para que ele o ajude.

É assim para a grande massa de pessoas. Mas para nós, que estamos trabalhando uma proposta nova de redenção espiritual e edificação de estado de alma em bases novas, o termo "santo" tem um sentido bem diverso. Santo é aquele que naturalmente lança padrões no contexto em que estamos posicionados e que podemos a cada momento alcançar. E que nos auxilia a criar um estado mais harmônico de alma. Nós estamos visualizando o santo que trabalha, aquele que faz o papel de intermediário da própria divindade, que consegue fazer refletir com toda a autenticidade e autoridade as ondas que são emitidas pelo alto, aquelas ondas que advém dos planos superiores da vida.

Santo, pois, é aquele que incorpora determinados caracteres informativos. Ele é decorrente de uma postura vivenciada, mediante processo de testemunho pleno de uma vida pautada em cima dos padrões que assimilou de cima. É aquele componente irradiador de valores positivos mais adequados e também mais úteis.

Ele irradia caracteres que assimilados nos colocam em condições de receber aquilo que no fundo nos dispomos a recolher e isto é que é muito importante entender. Também estamos atrás de alcançarmos essa posição. E a melhor coisa que tem, e temos aprendido isso, é a gente conseguir ser instrumento fiel, pois o instrumento fiel é o primeiro a receber a luz para transportar para os outros. É passar a estar dentro do banho de luz. E no que diz respeito a lugares, lugar santo, na acepção espiritual, é a ótica que temos do que há de mais nobre e sublime.

Nós podemos, com a clareza que possuímos, dentro de uma linha de verificação, de um plano de exame pessoal, definir aquilo que tem caráter de santificação, aquilo que sob nossa ótica é santo. Está dando para perceber? Certas palavras e colocações são santas dentro da nossa observação. Tanto é assim que é muito difícil conciliarmos, afinizarmos e entrosarmos com uma proposta de melhoria íntima, mediante a adoção dessa proposta, se nós não a considerarmos uma proposta lícita, uma proposta válida. Quando a gente lê um texto ou uma obra de natureza moral, por exemplo, que tenha um conteúdo moral adequado, a gente sente que vigora um aspecto santo nessa informação  e que nós adotamos, assimilamos. E essa capacidade seletiva de discernimento, de definir o que é verdadeiro e o que não é, vem na base da nossa aplicação a cada momento em que estamos recebendo o valor. Vai nos dando certa autoridade no campo seletivo, razão pela qual nós temos que ter uma soma informativa suficiente para discernir e selecionar de maneira adequada.

E existem três componentes presentes no universo: a unidade, a dualidade e a trindade.

Não é isso? De certa forma, não aprendemos assim? O número um é aquela unidade que traz dentro de um plano filosófico toda uma síntese da vida, toda a síntese do amor na sua grandeza em Deus. É o número básico fundamental do equilíbrio do universo em Deus. A unidade é o elemento básico, é o Pai, o criador, representa o conhecimento teórico em Deus. O componente número um, que é Deus, é o plano vibracional reinante em todo o universo em nome do amor.

Está presente em todos os contingentes, em todas as linhas, em todos os ângulos do plano operacional do universo. A unidade é toda condensação dos componentes ou caracteres positivos do universo que se concentram no direcionamento da divindade. Então, o bem, o amor, a vida, o espírito, todos esses valores estão vinculados, ou melhor dizendo, estão posicionados no plano positivo da vida, e tudo converge para o um, razão pela qual a evolução individual, enquanto espírito, é o encaminhamento do elemento em direção a unidade em Deus.

Só que tem um detalhe importantíssimo: essa unidade, esse um, apresenta caráter estático. Conclusão? Se a unidade fosse o componente único presente o universo estaria coagulado, estático, estaria tudo parado. E não estaríamos aqui estudando o evangelho. Para ser sincero, nem haveria evangelho, nem haveria nada.

7 de ago de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 4

AÇÃO CRÍSTICA E PROVIDÊNCIA DIVINA

Vamos imaginar uma criatura em dificuldade, que todo dia fala: "Deus, por favor, me ajude. Eu preciso, estou na pior!" O tempo passa e todo dia ela fala: "Deus, me socorre!" Aí chega alguém e a ajuda: "Ah, que bom que você veio, ainda bem que Deus me atendeu."

Percebeu como se dá o auxílio? Chega alguém, porque Deus não se materializa para ninguém e fala: "O que é que você quer, meu filho?" Não, isso não acontece. Quem estiver esperando dessa forma vai esperar sentado. O criador não sai do piso dele para atender ninguém, são as entidades que nos ajudam. O que ocorre é que um coração vem e atende em nome do criador e nós não ingerimos isso ainda. Ficamos presos num conceito antigo e místico.

Repare para você ver, até as revelações que vieram do alto vieram por meio de pessoas, de espíritos. Ou você conhece alguma revelação que veio diretamente de Deus, em que o criador falou assim: "Estou aqui." Isso não existe. O que existe é uma linha de expressões, de faixas gradativas de assimilação e realização.

Quando Jesus fala que nós faríamos até maiores as obras dele, ele está nos dando, sem dúvida, a chave da comunicação com os planos irradiadores finalísticos do universo em Deus. Agora, vamos ter paciência porque quem sabe a gente acha que está lidando direto com Deus e na verdade não está tão direto assim, ou seja, nós estamos é chegando a alguém que está lá por cima e que nós não sabemos quem é. É algo para ser levado em conta, pois tudo o que a gente entender de Deus, no campo concreto, se analisarmos bem não é Deus, é o representante dele, é o instrumento de manifestação dele. O dia em que você recebe um auxílio extraordinário você fala assim: "Deus me ajudou." Mas você vai lembrar aqueles que foram os intérpretes do pensamento divino e aí acaba misturando as coisas.

Deu para perceber? Até hoje a grande massa acha que Jesus é Deus. Sabe por quê? Porque ele é o decodificador do pensamento divino entre nós. O apóstolo Paulo lembra bem disso quando ele fala: "Tudo posso naquele que me fortalece." Talvez ele estivesse sendo fortalecido por um elemento que ele não estava vendo, como por exemplo Estevão ou Abigail, ou algum outro elemento ajudando-o. Deu para entender como é que funciona? Se formos analisar, até a própria concepção da divindade nós não temos certa facilidade para depreender.

O segundo elemento da trindade é sempre o filho, aquele que estamos dando força e crescimento, de forma que o filho do homem é sempre planejado e elaborado aqui. Por isso é que Jesus é filho e nunca será o pai. Mas ele está tão ligado com Pai que ele mesmo define: "Eu e o Pai somos um." Porque o pai é o que cria e ele, como filho, o que faz, o que realiza. Sendo assim, o que é Deus em sua dimensão infinita passa a estar na própria intimidade espiritual do Cristo, como também em nós, quando passamos a crescer de maneira consciente. 

Preste atenção no que vamos dizer. Jesus é o amor em sua grandeza. Será que alguém tem dúvida? Creio que não. Ninguém nos amou e ninguém nos ama mais do que ele. E o Cristo representa a expressão material desse amor. Ele é a dinamização do amor em toda a sua beleza. Por isso é que ele é o ungido, o escalado, aquele determinado a operar a misericórdia, o amor em todo o universo. Ele, o espírito crístico, é o unigênito e a unidade crística é uníssona em todos os seres (havendo alguma dificuldade para compreender sugiro ler o capítulo A Porta Estreita, especialmente na parte que aborda a afinidade).

E por que estamos dando uma pincelada nisto se não é bem o tema central de nosso estudo? É só para explicar um pouco o que vamos dizer. O que acontece é que a necessidade de atendimento de uma criatura não fica condicionada àquele elemento específico que tem que ajudá-la. E sabe por quê? Porque quem vai ser ajudado não vai ser ajudado pelo Antônio, por exemplo, vai ser ajudado pelo Cristo.

Deu para entender ou será que complicou? De qualquer forma, vamos tentar clarear. Suponhamos que o Antônio na reencarnação passada seja aquele indivíduo que trabalhou a confusão desse companheiro que hoje está em necessidade. Logo, o Antônio é hoje o número um da fila para atender esse paciente, o que, aliás, é muito comum de acontecer. Então, ele é o número um para atender. Mas vamos imaginar que ele, por vários motivos, não atenda. E aí?

E aí vem o número dois. E se o número dois, por alguma razão, não atende, vem o número três, e aí por diante, até que vem um e atende. Isto é, se um não atendeu vem outro, e outro, mas que vai ser atendido, vai. Porque este está entregue ao cristo, e se um não o atender, outro irá fazê-lo. Ficou claro agora? Porque nunca uma criatura que deve ser atendida, que está na pauta divina para atendimento vai deixar de ser atendida. Nunca. Isso é o que se chama providência divina. Porque esse necessitado está entregue ao cristo, está debaixo da tutela superior. E no exemplo que demos a proposta não é do Antônio. O Antônio é apenas o instrumento, a proposta não é dele, a proposta é divina.

Por esta razão toda nossa atividade, no fundo, quando devidamente filtrada no amor e no bem, representa a extensão da bondade e da misericórdia do criador em favor de quem precisa e nós é que somos acionados. No entanto, se não quisermos, se estivermos cansados, indiferentes ou não sensibilizados, outros irão.

Isso é lindo demais. Sendo assim, vamos praticar a caridade com a expressão crística interna nossa, mediante a qual começa a cair o interesse pessoal. E começa a cair o interesse pessoal quando em vez de dinamizar o interesse do Antônio dinamiza o interesse crístico através do instrumento Antônio. Porque bem no íntimo cada um de nós tem essa essência crística no coração. Todavia, se aquele cristo íntimo do João não opera, talvez opere o cristo de um Raimundo, de um Francisco, de uma Fátima, de um Guilherme, de uma Ana, ou de algum outro.

E na medida em que operamos nós nos reduzimos em termos de humildade, porque a luz é humildade na sua intimidade. É assim que ela funciona e usar a expressão crística na operacionalização do amor nos conforta demais da conta.

Podemos até dizer mais, o esforço máximo e desinteressado aplicado no bem dos outros constitui o maior apoio que damos a nós mesmos e feliz daquele que usa o cristo íntimo nesse atendimento. Feliz daquele que se vale da oportunidade.

Disso tudo a conclusão é evidente: o trabalho em nome do bem não é um trabalho para a evidência do Antônio, da Cláudia, da Priscila ou do Marco. Não importa quem seja o intermediário, se a gente puder fazer e tiver êxito nessa realização, pois é um trabalho do cristo. Ele é que tem que ser evidenciado para que haja melhor harmonia, maior entrosamento e maior equilíbrio entre os seres.

3 de ago de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 3

GLORIFICAÇÃO

“ASSIM RESPLANDEÇA A VOSSA LUZ DIANTE DOS HOMENS, PARA QUE VEJAM AS VOSSAS BOAS OBRAS E GLORIFIQUEM A VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS.” MATEUS 5:16

"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mateus 5:16) Veja bem, para iniciar este tópico vamos notar ângulos interessantíssimos neste ensinamento de Jesus. Que muitas vezes, numa leitura rápida, passam despercebidos por nós.

Em primeiro lugar, a luz que tem que resplandecer é a nossa ("vossa luz"). Ok? E as obras, no seu sentido positivo, também são nossas ("vossas boas obras"). Então, para clarear bem o entendimento, imagine o seguinte, imagine uma pessoa, que no exemplo vamos chamá-la de Fernando, chegando perto de outra, que vamos chamá-la de João, e dizendo assim: "Nossa, João, você me deu um passe magnético outro dia" ou "você fez uma oração para mim". "Eu não sei se você se lembra, mas foi tão bom. Você não imagina o quanto me ajudou."

Até aí, tranquilo, certo? Afinal, não é problema nenhum o Fernando falar isso, nem tão pouco o João sorrir diante do comentário sincero. O João tem todo o direito de sentir o júbilo. Ele tem o direito de se sentir feliz porque alguém falou que ele secou a sua lágrima, ou porque ele falou alguma coisa que ajudou alguém ou deu alguma coisa.

O problema pode estar diante da aferição que ele faz dos seus próprios padrões. Entendeu? O que não pode é o João ficar achando que é o tal. O João responder assim: "Puxa vida, isso é um sinal de que eu estou sendo muito amparado", provavelmente seria uma colocação muito bem acertada para a situação. Agora, por outro lado, imagine se ele disser: "Ah, é isso mesmo. Eu realmente sou uma criatura muito evoluída espiritualmente. Aliás, você não viu nada. Você tem que ver hoje, eu estou cada vez melhor." Percebeu a diferença?

Se a sua resposta for a segunda opção ele pode estar caminhando para um setor complicado. Ficou claro onde queremos chegar? Por enquanto a gente faz alguma coisa de positivo, alguma obra boa, e fica olhando para o lado para ver se tem alguém nos olhando, porque ficamos querendo nos glorificar. Só que esquecemos que a obra é nossa, mas a glorificação não é. Deu uma ideia? Quando a gente começa a trabalhar e, ainda, fica preocupado com a extensão da ressonância daquilo que fazemos, já não está falando a voz serena do criador, mas o que fala amplamente são os nossos padrões puramente humanos, os padrões puramente inferiores da nossa personalidade complicada, uma espécie de auto exaltação, de autopromoção.

O assunto é fascinante. Imagine outra situação. Uma criatura pode pedir palmas para si própria depois de ter realizado uma bela exposição acerca do evangelho. Não pode? Claro que pode acontecer, é perfeitamente possível. Mas ela também pode terminar dizendo assim: "Que coisa maravilhosa, Deus realmente é muito bom." Ou seja, na essência quem deve ser glorificado? Repare neste outro exemplo: um indivíduo chega para atender alguém em necessidade e o que recebe o auxílio lhe diz: "Nossa, que bom que você veio. Eu precisava tanto. Ainda bem que Deus me atendeu." O que nós queremos de fato dizer é que o filho não deve glorificar a si próprio. O essencial é levar a glorificação para quem? Para Deus. Ao filho cabe glorificar o Pai, pois tudo no universo dimana dele.

Ocorre que adotando a segunda postura o indivíduo passa a glória a quem a merece por direito. Sabe por quê? Porque o próprio evangelho define "resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso pai, que está nos céus." (Mateus 5:16) Então, a nossa luz tem que resplandecer, mas a gente tem que agir de maneira tal que não venha a ser o centro essencial do júbilo. Os tributos da glorificação devem ser encaminhados ao Senhor, que é o legítimo doador, o autor e direcionador da vida.

Está dando para ficar claro? Glorificar a Deus representa direcionar o mérito da glória para a fonte irradiadora dos recursos. É reconhecer que as dádivas diversas não procedem da nossa capacidade diminuta, e sim do poder e da misericórdia ampla do criador. Do pai que está sempre nos céus, isto é, nos planos de vibrações mais elevadas. O qual será honrado e louvado todas as vezes que praticarmos o bem e nos mantivermos fiéis às manifestações de sua vontade.

É natural que quando fazemos alguma coisa positiva sintamos alegria no que fazemos, todavia, não precisamos ficar com aquela preocupação de ficar nos vangloriando o tempo todo. No começo é comum ficarmos empavonados, só que na medida em que vamos operando com clareza vamos nos despersonalizando naquele sentido de reivindicar para nós os padrões. Glorificar a Deus é o mesmo que apequenar-se. A pessoa sente que ela fez porque lhe foi dada a chance de fazer. O apequenar-se é de uma grandeza espetacular.

Como foi dito, significa saber evidenciar a fonte legítima. Por ele a gente começa a entrar em ressonância com as fontes maiores em que a luz brilha, aprende a se relacionar com a luz e passamos a ser aquela criatura que opera e vibra com todo o carinho. É deixar-se apagar para que a expressão superior se faça nítida e ampliada, porque esse apagar é a forma de se abrir o coração para receber mais.

Não há dúvida, na hora que a gente notar que tem que se apagar para que para fulgure a luz do criador nós estaremos dando passos acertados, uma vez que começaremos a sentir que a grandeza de cada qual reside exatamente nessa capacidade de apequenar-se. É uma questão de observar que por esse apagar-nos, que, aliás, é um componente difícil, nós vamos tendo condições de entrar num processo de projeção, numa ampliação ante a mensagem que deve ser levada e dinamizada. Vale a pena repetir, só se cresce apequenando-se, que é evidenciar a fonte legítima. Logo, não tem como evoluir sem humildade. A gente acha que é difícil ser humilde, e não é fácil, mas sem ela não tem progresso, tem pseudo-progresso.

À primeira vista parece mesmo um pouco estranho para o nosso entendimento. Puxa vida, como é que eu vou crescer se eu tenho que ser o menor?

Só precisamos entender que aquele que trabalha com o cristo interno trabalha com os recursos do infinito, ao passo que o que trabalha apenas com a própria linha mental, pessoal e intransferível dele, com a sua individualidade e a sua personalidade, trabalha no relativo. 

Por isso, os grandes cooperadores da humanidade trabalham para além das faixas relativas das suas conquistas. É que na hora em que eu abro o ângulo da verticalização, a linha de abertura com os canais superiores, eu passo a abranger o infinito. Quanto mais extensas essas linhas que se abrem mais se amplia o meu campo exterior e eu vou penetrando e penetrando faixas mais além e coloco certas parcelas do universo em minhas mãos. De que maneira? Como conquistador dele? Não, claro que não. Mas como um elemento capacitado a identificar parcelas dele.

De forma que a evolução se faz mais ou menos dessa forma, numa linha de projeção. Se aqui está o ponto da minha mente eu passo a abrir campo para lá. E o que é melhor, sentimos que quando nos aproximamos dos planos superiores da vida, no campo da irradiação, tudo fica mais simples. O que pode parecer meio difícil e complicado de se aplicar em razão do nosso egoísmo e da nossa vaidade. Porém, fazendo-o demonstramos a relação com a grande fonte do universo que é Deus, a fonte do amor, de onde tudo vem em abundância.

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