3 de ago de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 3

GLORIFICAÇÃO

“ASSIM RESPLANDEÇA A VOSSA LUZ DIANTE DOS HOMENS, PARA QUE VEJAM AS VOSSAS BOAS OBRAS E GLORIFIQUEM A VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS.” MATEUS 5:16

"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mateus 5:16) Veja bem, para iniciar este tópico vamos notar ângulos interessantíssimos neste ensinamento de Jesus. Que muitas vezes, numa leitura rápida, passam despercebidos por nós.

Em primeiro lugar, a luz que tem que resplandecer é a nossa ("vossa luz"). Ok? E as obras, no seu sentido positivo, também são nossas ("vossas boas obras"). Então, para clarear bem o entendimento, imagine o seguinte, imagine uma pessoa, que no exemplo vamos chamá-la de Fernando, chegando perto de outra, que vamos chamá-la de João, e dizendo assim: "Nossa, João, você me deu um passe magnético outro dia" ou "você fez uma oração para mim". "Eu não sei se você se lembra, mas foi tão bom. Você não imagina o quanto me ajudou."

Até aí, tranquilo, certo? Afinal, não é problema nenhum o Fernando falar isso, nem tão pouco o João sorrir diante do comentário sincero. O João tem todo o direito de sentir o júbilo. Ele tem o direito de se sentir feliz porque alguém falou que ele secou a sua lágrima, ou porque ele falou alguma coisa que ajudou alguém ou deu alguma coisa.

O problema pode estar diante da aferição que ele faz dos seus próprios padrões. Entendeu? O que não pode é o João ficar achando que é o tal. O João responder assim: "Puxa vida, isso é um sinal de que eu estou sendo muito amparado", provavelmente seria uma colocação muito bem acertada para a situação. Agora, por outro lado, imagine se ele disser: "Ah, é isso mesmo. Eu realmente sou uma criatura muito evoluída espiritualmente. Aliás, você não viu nada. Você tem que ver hoje, eu estou cada vez melhor." Percebeu a diferença?

Se a sua resposta for a segunda opção ele pode estar caminhando para um setor complicado. Ficou claro onde queremos chegar? Por enquanto a gente faz alguma coisa de positivo, alguma obra boa, e fica olhando para o lado para ver se tem alguém nos olhando, porque ficamos querendo nos glorificar. Só que esquecemos que a obra é nossa, mas a glorificação não é. Deu uma ideia? Quando a gente começa a trabalhar e, ainda, fica preocupado com a extensão da ressonância daquilo que fazemos, já não está falando a voz serena do criador, mas o que fala amplamente são os nossos padrões puramente humanos, os padrões puramente inferiores da nossa personalidade complicada, uma espécie de auto exaltação, de autopromoção.

O assunto é fascinante. Imagine outra situação. Uma criatura pode pedir palmas para si própria depois de ter realizado uma bela exposição acerca do evangelho. Não pode? Claro que pode acontecer, é perfeitamente possível. Mas ela também pode terminar dizendo assim: "Que coisa maravilhosa, Deus realmente é muito bom." Ou seja, na essência quem deve ser glorificado? Repare neste outro exemplo: um indivíduo chega para atender alguém em necessidade e o que recebe o auxílio lhe diz: "Nossa, que bom que você veio. Eu precisava tanto. Ainda bem que Deus me atendeu." O que nós queremos de fato dizer é que o filho não deve glorificar a si próprio. O essencial é levar a glorificação para quem? Para Deus. Ao filho cabe glorificar o Pai, pois tudo no universo dimana dele.

Ocorre que adotando a segunda postura o indivíduo passa a glória a quem a merece por direito. Sabe por quê? Porque o próprio evangelho define "resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso pai, que está nos céus." (Mateus 5:16) Então, a nossa luz tem que resplandecer, mas a gente tem que agir de maneira tal que não venha a ser o centro essencial do júbilo. Os tributos da glorificação devem ser encaminhados ao Senhor, que é o legítimo doador, o autor e direcionador da vida.

Está dando para ficar claro? Glorificar a Deus representa direcionar o mérito da glória para a fonte irradiadora dos recursos. É reconhecer que as dádivas diversas não procedem da nossa capacidade diminuta, e sim do poder e da misericórdia ampla do criador. Do pai que está sempre nos céus, isto é, nos planos de vibrações mais elevadas. O qual será honrado e louvado todas as vezes que praticarmos o bem e nos mantivermos fiéis às manifestações de sua vontade.

É natural que quando fazemos alguma coisa positiva sintamos alegria no que fazemos, todavia, não precisamos ficar com aquela preocupação de ficar nos vangloriando o tempo todo. No começo é comum ficarmos empavonados, só que na medida em que vamos operando com clareza vamos nos despersonalizando naquele sentido de reivindicar para nós os padrões. Glorificar a Deus é o mesmo que apequenar-se. A pessoa sente que ela fez porque lhe foi dada a chance de fazer. O apequenar-se é de uma grandeza espetacular.

Como foi dito, significa saber evidenciar a fonte legítima. Por ele a gente começa a entrar em ressonância com as fontes maiores em que a luz brilha, aprende a se relacionar com a luz e passamos a ser aquela criatura que opera e vibra com todo o carinho. É deixar-se apagar para que a expressão superior se faça nítida e ampliada, porque esse apagar é a forma de se abrir o coração para receber mais.

Não há dúvida, na hora que a gente notar que tem que se apagar para que para fulgure a luz do criador nós estaremos dando passos acertados, uma vez que começaremos a sentir que a grandeza de cada qual reside exatamente nessa capacidade de apequenar-se. É uma questão de observar que por esse apagar-nos, que, aliás, é um componente difícil, nós vamos tendo condições de entrar num processo de projeção, numa ampliação ante a mensagem que deve ser levada e dinamizada. Vale a pena repetir, só se cresce apequenando-se, que é evidenciar a fonte legítima. Logo, não tem como evoluir sem humildade. A gente acha que é difícil ser humilde, e não é fácil, mas sem ela não tem progresso, tem pseudo-progresso.

À primeira vista parece mesmo um pouco estranho para o nosso entendimento. Puxa vida, como é que eu vou crescer se eu tenho que ser o menor?

Só precisamos entender que aquele que trabalha com o cristo interno trabalha com os recursos do infinito, ao passo que o que trabalha apenas com a própria linha mental, pessoal e intransferível dele, com a sua individualidade e a sua personalidade, trabalha no relativo. 

Por isso, os grandes cooperadores da humanidade trabalham para além das faixas relativas das suas conquistas. É que na hora em que eu abro o ângulo da verticalização, a linha de abertura com os canais superiores, eu passo a abranger o infinito. Quanto mais extensas essas linhas que se abrem mais se amplia o meu campo exterior e eu vou penetrando e penetrando faixas mais além e coloco certas parcelas do universo em minhas mãos. De que maneira? Como conquistador dele? Não, claro que não. Mas como um elemento capacitado a identificar parcelas dele.

De forma que a evolução se faz mais ou menos dessa forma, numa linha de projeção. Se aqui está o ponto da minha mente eu passo a abrir campo para lá. E o que é melhor, sentimos que quando nos aproximamos dos planos superiores da vida, no campo da irradiação, tudo fica mais simples. O que pode parecer meio difícil e complicado de se aplicar em razão do nosso egoísmo e da nossa vaidade. Porém, fazendo-o demonstramos a relação com a grande fonte do universo que é Deus, a fonte do amor, de onde tudo vem em abundância.

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