7 de ago de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 4

AÇÃO CRÍSTICA E PROVIDÊNCIA DIVINA

Vamos imaginar uma criatura em dificuldade, que todo dia fala: "Deus, por favor, me ajude. Eu preciso, estou na pior!" O tempo passa e todo dia ela fala: "Deus, me socorre!" Aí chega alguém e a ajuda: "Ah, que bom que você veio, ainda bem que Deus me atendeu."

Percebeu como se dá o auxílio? Chega alguém, porque Deus não se materializa para ninguém e fala: "O que é que você quer, meu filho?" Não, isso não acontece. Quem estiver esperando dessa forma vai esperar sentado. O criador não sai do piso dele para atender ninguém, são as entidades que nos ajudam. O que ocorre é que um coração vem e atende em nome do criador e nós não ingerimos isso ainda. Ficamos presos num conceito antigo e místico.

Repare para você ver, até as revelações que vieram do alto vieram por meio de pessoas, de espíritos. Ou você conhece alguma revelação que veio diretamente de Deus, em que o criador falou assim: "Estou aqui." Isso não existe. O que existe é uma linha de expressões, de faixas gradativas de assimilação e realização.

Quando Jesus fala que nós faríamos até maiores as obras dele, ele está nos dando, sem dúvida, a chave da comunicação com os planos irradiadores finalísticos do universo em Deus. Agora, vamos ter paciência porque quem sabe a gente acha que está lidando direto com Deus e na verdade não está tão direto assim, ou seja, nós estamos é chegando a alguém que está lá por cima e que nós não sabemos quem é. É algo para ser levado em conta, pois tudo o que a gente entender de Deus, no campo concreto, se analisarmos bem não é Deus, é o representante dele, é o instrumento de manifestação dele. O dia em que você recebe um auxílio extraordinário você fala assim: "Deus me ajudou." Mas você vai lembrar aqueles que foram os intérpretes do pensamento divino e aí acaba misturando as coisas.

Deu para perceber? Até hoje a grande massa acha que Jesus é Deus. Sabe por quê? Porque ele é o decodificador do pensamento divino entre nós. O apóstolo Paulo lembra bem disso quando ele fala: "Tudo posso naquele que me fortalece." Talvez ele estivesse sendo fortalecido por um elemento que ele não estava vendo, como por exemplo Estevão ou Abigail, ou algum outro elemento ajudando-o. Deu para entender como é que funciona? Se formos analisar, até a própria concepção da divindade nós não temos certa facilidade para depreender.

O segundo elemento da trindade é sempre o filho, aquele que estamos dando força e crescimento, de forma que o filho do homem é sempre planejado e elaborado aqui. Por isso é que Jesus é filho e nunca será o pai. Mas ele está tão ligado com Pai que ele mesmo define: "Eu e o Pai somos um." Porque o pai é o que cria e ele, como filho, o que faz, o que realiza. Sendo assim, o que é Deus em sua dimensão infinita passa a estar na própria intimidade espiritual do Cristo, como também em nós, quando passamos a crescer de maneira consciente. 

Preste atenção no que vamos dizer. Jesus é o amor em sua grandeza. Será que alguém tem dúvida? Creio que não. Ninguém nos amou e ninguém nos ama mais do que ele. E o Cristo representa a expressão material desse amor. Ele é a dinamização do amor em toda a sua beleza. Por isso é que ele é o ungido, o escalado, aquele determinado a operar a misericórdia, o amor em todo o universo. Ele, o espírito crístico, é o unigênito e a unidade crística é uníssona em todos os seres (havendo alguma dificuldade para compreender sugiro ler o capítulo A Porta Estreita, especialmente na parte que aborda a afinidade).

E por que estamos dando uma pincelada nisto se não é bem o tema central de nosso estudo? É só para explicar um pouco o que vamos dizer. O que acontece é que a necessidade de atendimento de uma criatura não fica condicionada àquele elemento específico que tem que ajudá-la. E sabe por quê? Porque quem vai ser ajudado não vai ser ajudado pelo Antônio, por exemplo, vai ser ajudado pelo Cristo.

Deu para entender ou será que complicou? De qualquer forma, vamos tentar clarear. Suponhamos que o Antônio na reencarnação passada seja aquele indivíduo que trabalhou a confusão desse companheiro que hoje está em necessidade. Logo, o Antônio é hoje o número um da fila para atender esse paciente, o que, aliás, é muito comum de acontecer. Então, ele é o número um para atender. Mas vamos imaginar que ele, por vários motivos, não atenda. E aí?

E aí vem o número dois. E se o número dois, por alguma razão, não atende, vem o número três, e aí por diante, até que vem um e atende. Isto é, se um não atendeu vem outro, e outro, mas que vai ser atendido, vai. Porque este está entregue ao cristo, e se um não o atender, outro irá fazê-lo. Ficou claro agora? Porque nunca uma criatura que deve ser atendida, que está na pauta divina para atendimento vai deixar de ser atendida. Nunca. Isso é o que se chama providência divina. Porque esse necessitado está entregue ao cristo, está debaixo da tutela superior. E no exemplo que demos a proposta não é do Antônio. O Antônio é apenas o instrumento, a proposta não é dele, a proposta é divina.

Por esta razão toda nossa atividade, no fundo, quando devidamente filtrada no amor e no bem, representa a extensão da bondade e da misericórdia do criador em favor de quem precisa e nós é que somos acionados. No entanto, se não quisermos, se estivermos cansados, indiferentes ou não sensibilizados, outros irão.

Isso é lindo demais. Sendo assim, vamos praticar a caridade com a expressão crística interna nossa, mediante a qual começa a cair o interesse pessoal. E começa a cair o interesse pessoal quando em vez de dinamizar o interesse do Antônio dinamiza o interesse crístico através do instrumento Antônio. Porque bem no íntimo cada um de nós tem essa essência crística no coração. Todavia, se aquele cristo íntimo do João não opera, talvez opere o cristo de um Raimundo, de um Francisco, de uma Fátima, de um Guilherme, de uma Ana, ou de algum outro.

E na medida em que operamos nós nos reduzimos em termos de humildade, porque a luz é humildade na sua intimidade. É assim que ela funciona e usar a expressão crística na operacionalização do amor nos conforta demais da conta.

Podemos até dizer mais, o esforço máximo e desinteressado aplicado no bem dos outros constitui o maior apoio que damos a nós mesmos e feliz daquele que usa o cristo íntimo nesse atendimento. Feliz daquele que se vale da oportunidade.

Disso tudo a conclusão é evidente: o trabalho em nome do bem não é um trabalho para a evidência do Antônio, da Cláudia, da Priscila ou do Marco. Não importa quem seja o intermediário, se a gente puder fazer e tiver êxito nessa realização, pois é um trabalho do cristo. Ele é que tem que ser evidenciado para que haja melhor harmonia, maior entrosamento e maior equilíbrio entre os seres.

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