17 de ago de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 6

A DUALIDADE E A TRINDADE

O um está presente em todo o universo. É a soma clássica do amor em toda a sua grandeza.

E no momento em que aprendemos a realidade do crescimento consciente, Deus deixa de ser um Deus de lá, ou melhor, entendemos que Deus é um pai que está lá, mas ligado ao filho que está aqui. Não é isso mesmo? Em outras palavras, o amor, que reside em Deus, no Pai, apenas é dinamizado quando Deus, que é criador, sugere criatura, ou o Pai, que é o amplo Pai do universo, sugere filho. Pois somente existe Pai se existe filho e a dissociação entre Pai e filho ocasiona alienação.

Está acompanhando? Pelos descendentes é que vamos ver o que era estático se transformar em dinâmico, e o dinâmico já sugere o número dois, o segundo elemento. 

O dois é o filho, são as criaturas. O dois é sempre dinâmico, é a capacidade prática em Cristo. Então, Deus é a unidade, unidade essa que irradia o conhecimento, que irradia a luz, que irradia o amor. E essa linha que parte dele, em toda extensão do universo, vai encontrar um plano dinâmico na linha de dualidade.

O um é o Pai, dentro de uma linha acentuadamente teórica. A gente, no plano espiritual, faz cursos e a maioria nem imagina isso. Estuda acerca da lei de cooperação, da lei de trabalho, da lei de amor, da lei de caridade. Tudo, de certa forma teórico, tudo em Deus. Aí a gente vai pro dois e realiza aqui embaixo no plano material. E na hora em que nós nos movimentamos com a instrumentalidade que possuímos o que era teórico começa a se tornar prático, ou seja, vamos ver a transubstanciação desse elemento teórico se tornando prático pelo filho que opera. O filho, para que a gente não esqueça, é o segundo componente. O filho é o número dois, o filho é o componente operante, porque o número um não opera, o número um dispõe, o número um irradia.

O número um representa a unidade e a unidade significa harmonia, paz e equilíbrio.

Mas não podemos trabalhar somente em função da unidade porque ela tem um caráter estático e o encontro a essa unidade, de cá para lá, vai depender de uma linha dinamizada. Percebeu? O ponto básico que nos liga teoricamente com a divindade é o ponto um. O ponto dois é sempre o laboratório experimental em meio ao sufoco do desconhecimento mais amplo da realidade que vivemos.

Se a incorporação dos padrões superiores se desse sem a linha dinâmica operacional em face dos contrários com certeza nós não teríamos movimento no universo, mas sim um universo estático. Para que haja dinâmica no universo essa unidade se transforma em dualidade, só que ao criar a dualidade tem-se tanto o componente positivo quanto o componente negativo. 

E o que abre a perspectiva de dinamismo, de forma a projetar os seres cada vez mais para pisos novos e novas posições é exatamente esse ângulo da lei dos contrários, definindo exatamente o movimento. Em outras palavras, podemos dizer que pela busca por equilíbrio essa unidade se dinamiza, transferindo-se para a expressão dualística, uma dualidade, onde prepondera nessa dualidade o bem e o mal, o amor e o ódio, a luz e a treva, o positivo e o negativo, etc.

Então, o bem está aqui e o mal está aqui, o dia está aqui e a noite está aqui, a luz está aqui e a treva está aqui, a verdade está aqui e a mentira, também, está aqui.

E essa dualidade dentro de nós é que mantém o equilíbrio. Se pensarmos bem, pela luz nós entramos em relação com a luz maior, no plano de sintonia vibracional dos semelhantes, e pela sombra que trazemos, resultado das experiências vivenciadas, somos capazes de nos sensibilizar com o carente, com o necessitado.

Porém, temos que ter o cuidado devido, pois à medida em que avançamos na busca do um é como se o dois começasse a empavonar-se, razão das quedas e da dualidade. Padrões negativos são necessários ao desenvolvimento dos positivos, e enquanto o lado positivo é eterno, imortal e não desaparece, os demais componentes tem vida relativa, os padrões negativos são sempre relativos.

E vamos reprisar o seguinte: o um define a unidade. A pessoa obtém o conhecimento no um. E a unidade se dinamiza na dualidade. Ou seja, a pessoa, com o conhecimento no um, exerce esse conhecimento no dois, e o três, como sendo sua extensão, define a projeção de encaminhamento. Está acompanhando?

O um se dinamiza no dois e sublima no três, através dos lances: um, dois e três. O três embute o um e o dois. O três significa a apropriação do um e do dois, corresponde ao somatório, o um de antes acrescido do dois recente. A pessoa, com conhecimento no um, o exerce no dois e sai no três, que é o um renovado. O três é o um acrescido de valores, representa o processo de santificação.

A unidade está no um e o indivíduo entra no plano aplicativo no dois. Mas se volta para o um ele não progride. O indivíduo sai do um com projetos e programas e no dois é que ele realiza, concretiza. O dois é o plano material. De forma que não se volta para o um. Quem volta para o um não progrediu nada.

O certo é ir para o três. O três é a aplicação da teoria, é a filosofia que temos que aplicar na vida prática. Mas aplicar mantendo-nos ligados na unidade irradiadora em Deus. O três equivale ao mecanismo da ressurreição, é a visão em novo aspecto, em novos ângulos. A Terra não é o terceiro planeta do sistema à toa.

O três já apresenta mudanças no campo concreto da individualidade, mudanças de concretude, de solidez.

O pai celestial direciona recursos. Ele é o centro irradiador. Dele dimanam valores que nós não acessamos com facilidade ainda. O filho é o segundo componente, é o instrumento realizador. E o espírito é a chegada desse filho no plano de elaboração reeducacional e de crescimento. O terceiro componente da unidade é o espírito santo. É o grande anseio do crescimento. No plano em que operamos, como filho, melhoramos o espírito em termos de santificação e nos aproximamos do criador. Afinal, se nós não operamos nessa diversidade presente no dois, nessas linhas antagônicas da existência, com o objetivo de nos espiritualizarmos, de nos santificarmos, o que acontece? Nós simplesmente jornadeamos a esmo e perdemos até o rumo da proposta de crescimento.

E nesse fluxo e refluxo do bem e do mal nós vamos notando que o mal vai desaparecendo e o bem vai crescendo em nossa vida, progressivamente, e vamos caminhando para onde? Para a unidade, que está em Deus. Deu para entender?

Cada vez que eu saio do um e vou para o dois eu volto. Só que eu vou fazendo esse bem se estender. Na hora em que eu vou lá no um e volto esse bem vai alcançando um tamanho maior. No segundo lance o bem já ficou maior e vai crescendo esse bem no fluxo normal, dando um dimensionamento novo ao positivo que está na unidade. Então, da dualidade, dessa aplicação feliz, eu crio a trindade. Certo? Eu vou lá atrás, ao um, e saio do bem, porque o bem é teórico. E no plano aplicativo ele sai da teoria, sai da ante-sala e entra no plano corporificado. Ele passa a ficar incrustado em mim. Deu para entender isso?

Vibra uma chama dentro de cada um de nós que constitui o objetivo fundamental da nossa vida, que é a renovação constante. A obrigação de nos retificarmos, a obrigação de nos educarmos, aliada ao dever primordial de servir.

E nós abrimos em nosso campo mental uma proposta. Qual proposta? A de crescermos para nos engrandecer? Não! A de crescermos para servir eficientemente. E dentro dessa ótica, que deve ser linha básica e fundamental de encaminhamento na evolução, nós podemos operar com as mais diversas expressões. É por essa proposta bem acesa e definida que vamos conseguindo encontrar a segurança que almejamos dentro dessas linhas antagônicas que surgem.

Dos dez mandamentos sete tem natureza cerceadora, em que se trabalha objetivando cercear as dificuldades íntimas, ao passo que três mandamentos positivos constituem o terreno que se abre à evolução consciente do ser e projetam a criatura na sua capacidade de amar. Se estamos falando no três nós temos após a linha dos sete negativos a abertura de um campo para a operacionalização da linha trina. Três mandamentos que nos projetam em uma linha de realização com o criador, três mandamentos positivos que visam projetar rumo ao infinito. Representam, simultaneamente, uma linha trina que visa a projetar a criatura em sua capacidade de amar, objetivando projetá-la. São eles: amar a Deus, honrar pai e mãe e guardar o sábado. Assim, os dez mandamentos contém, embutidos, a linha trina da evolução em busca da unidade.

No amar a Deus Jesus acrescenta "e ao próximo como a si mesmo". De forma que eu tenho que ir caminhando na linha vertical do amor a Deus e ao próximo, também, na horizontal da aplicação. Guardar o sábado, que não é o sábado dia de semana, mas diz respeito a operação do trabalho sem as resistências pessoais. E honrar pai e mãe que é saber valorizar a vontade divina.

Aceitar honrando as manifestações da nossa própria vida. Tem que honrar pai e mãe. O pai oferece o componente germinativo para que os valores concretos surjam na vida, logo, honrar a Deus, de onde dimana tudo. E também honrar a mãe natureza, natureza essa extrínseca ou intrínseca da realidade de vida. A mãe como sendo tudo aquilo gestado no plano concreto da vida, pois a mãe passa por uma gestação. Nela residem todos os componentes criados e estruturados. Percebeu? Não há como honrar a Deus e ficar, por outro lado, reclamando de tudo que vem para a gente. Honrar a mãe é não se indispor quanto às realidades concretas da nossa vida e do ambiente em que estamos ajustados.

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