21 de ago de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 7

INSTRUÇÃO AOS DISCÍPULOS

“9NÃO POSSUAIS OURO, NEM PRATA, NEM COBRE, EM VOSSOS CINTOS, 10NEM ALFORJES PARA O CAMINHO, NEM DUAS TÚNICAS, NEM ALPARCAS, NEM BORDÃO; PORQUE DIGNO É O OPERÁRIO DO SEU ALIMENTO. 11E, EM QUALQUER CIDADE OU ALDEIA EM QUE ENTRARDES, PROCURAI SABER QUEM NELA SEJA DIGNO, E HOSPEDAI-VOS AÍ, ATÉ QUE VOS RETIREIS. 12E, QUANDO ENTRARDES NALGUMA CASA, SAUDAI-A;” MATEUS 10:9-12

É fato que todos nós crescemos condicionados aos padrões materiais do mundo. Condicionamento esse que nos faz sempre desejar receber algo em troca dos benefícios concedidos, mesmo que esse recebimento se resuma a uma simples palavra de agradecimento.

Ao instruir seus discípulos ao trabalho em nome do amor o mestre desvincula o trabalho espiritual de qualquer recompensa, seja financeira ou de qualquer outra espécie. Ensina para nós que toda a doação deve ser espontânea e sem exigência, de modo a fazermos sem esperar qualquer tipo de recompensa ou agradecimento.

No contexto vivencial da humanidade, ou melhor dizendo no plano físico em que nos ajustamos, os bens materiais são valores necessários. Por serem imprescindíveis deles necessitamos. O que pesa, na verdade, é o apego e a forma de utilização desses bens. Alforjes, túnicas, alparcatas e bordão simbolizam suprimentos dos viajantes em trânsito de um lugar para o outro. Sem dúvida alguma necessitamos dos recursos materiais para a caminhada, até mesmo pelo fato de estarmos integrados ao plano reencarnatório. O que não podemos, de forma alguma, é superestimarmos esses valores ou investirmos nos componentes materiais acima do que é justo e necessário, de forma a colocarmos em plano secundário o trabalho espiritual que temos que desenvolver.

O mestre assinala que não devemos alimentar preferência ou ter preocupação quanto ao local onde o bem deva ser realizado. A bem da verdade, em todos os lugares existem espíritos necessitados, sejam nos ambientes pobres ou prósperos, em pequenas ou grandes localidades. Quando identificados com a mensagem do Cristo somos convocados a agir sem discriminações, colocando-nos à disposição do próximo segundo determinações do plano superior. Cidade é constituída por aglomeração humana de certa importância, localizada em área geograficamente circunscrita, organizada e com infra-estrutura essencial à sobrevivência e facilidades da vida dos habitantes. Aldeia é povoação de pequenas proporções, rural e menor que uma vila. Se na dinamização e distribuição dos recursos espirituais somos sempre convocados a sair de nós mesmos, na busca de solução e superação dos problemas que nos são inerentes necessitamos entrar território adentro da aldeia íntima, selecionando os conceitos, pensamentos e tendência, sem desconsiderarmos a vigilância.

A pessoa identificada com o evangelho vive em uma constante dinâmica. É preciso entrar e saber se retirar. Seja para auxiliar o próximo ou superar os problemas que surgem é imperioso procurar novas experiências. Quando uma situação é resolvida é preciso que saibamos nos desligar dela, retendo apenas o aprendizado decorrente, aprendizado esse que servirá de base para a vivência de novas experiências. E quando entrarmos em alguma casa, que nós saibamos saudá-la, isto é, que entremos em relação ou sintonia com alguém. E é evidente que essa sintonia será maior ou menor dependendo dos laços de simpatia.

Não resta dúvida alguma, a palavra casa tem dois sentidos: o de habitação ou abrigo material e o de casa mental. Esta última é a referência à residência íntima em que nos abrigamos durante todas as horas do dia. Cada um de nós está sempre entrando e saindo da casa mental das pessoas, seja durante simples conversa, uma palestra, um estudo ou na permuta de vibrações, ideias e sentimentos. Saudar a casa é felicitar, testemunhar respeito, louvar o que se nota de positivo, de criativo ou de edificante nas pessoas. Agora, não há dúvida de que a saudação indicada por Jesus vai além das convenções sociais, porque utiliza os ingredientes do amor e do respeito. Logo, essa saudação pode simbolizar um bálsamo que alivia dores, um esclarecimento que conforta e elucida corações ou um apaziguamento que estimula a concórdia e harmonia.

A gente tem que entender que na vida não existe ganhos e perdas. O que existe é ação e reação, causa e efeito. É da lei que a doação do bem produz invariavelmente o recebimento do bem. As ações, sejam elas boas ou más, voltam para nós sempre, acrescidas das vibrações de natureza semelhante. Até para ajudar nós precisamos entender o mecanismo das leis. Ainda que estejamos bem intencionados não devemos menosprezar, de forma alguma, a ponderação no ato de ajudar, evitando nos guiar por impulsos ou emoções intempestivas.

A ausência de esclarecimento e de controle emocional impõem restrições ao exercício da caridade.

O benfeitor esclarecido sabe operar com humildade, sem efetivar exigências ou constrangimentos, garantindo em quaisquer circunstâncias a paz que cultiva nas bases do entendimento e da compreensão. Pense comigo, sempre entramos nas casas mentais alheias e devemos, também, sabermos nos retirar física ou vibratoriamente do ambiente. Medida esta aconselhável quando as paixões são exacerbadas e existe o risco de conflitos desagregadores.

Por isso o emissário divino nos sugere sacudirmos o pó dos pés e retornarmos com a nossa própria paz. Recuar e afastar, nesta situação, é medida de bom senso, ainda que se entenda que as melhores disposições de auxílio ou cooperação foram adiadas. Precisamos parar de investir na luta em nome do cordeiro travestido com pele de lobo. Quando isso ocorre nós perdemos a nossa paz. Aliás, o que acontece em muitas das casas em que entramos é que geralmente não levamos a paz e o que é pior, muitas vezes saímos dela em pé de guerra.

Esta é uma poesia singela redigida por mim no dia 02/08/2013, provavelmente escrita sob alguma influência superior. Decidi colocá-la no final desta parte por achá-la interessante. É simples, curta e no fundo do coração eu espero que goste:

Levanta os teus pés e segue adiante
Como quem avança célere a um futuro melhor.
Estende as mãos ao que suplica amparo
Lembrando que o tempo ensina e, não raro,
Tens ao redor de teus pés a resposta brilhante
Que a natureza deposita em resposta ao que faz.
Se busca o conforto e a harmonia interna
Acende a luz no coração palpitante.
Qual viajante noturno que não dispensa a lanterna
Nas estradas difíceis e turvas da própria redenção
Mantém sempre contigo, bem próximo da mão
O evangelho do Cristo como a espada da paz.

O tempo é o sinal e o aviso é prudente.
Sem perda de força conserva a esperança.
Na vida o que importa é o que levamos na mente
Refletindo nos atos do mais puro amor.
Quem dera poder transitar por qualquer ambiente
Sorrindo e criando o melhor que puder.
Seja ao velho, ao novo, ao maduro e à criança.
A simpatia é o termômetro do sagrado ardor
Que o céu direciona sob o manto da luz.
Como é bela a existência de quem sonha e produz
Sob a bênção e o amparo do Cristo Jesus.

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