28 de ago de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 8

OS PÉS

“5DEPOIS DEITOU ÁGUA NUMA BACIA, E COMEÇOU A LAVAR OS PÉS AOS DISCÍPULOS, E A ENXUGAR-LHOS COM A TOALHA COM QUE ESTAVA CINGIDO. 6APROXIMOU-SE, POIS, DE SIMÃO PEDRO, QUE LHE DISSE: SENHOR, TU LAVAS-ME OS PÉS A MIM? 7RESPONDEU JESUS, E DISSE-LHE: O QUE EU FAÇO NÃO O SABES TU AGORA, MAS TU O SABERÁ DEPOIS. 8DISSE-LHE PEDRO: NUNCA ME LAVARÁS OS PÉS. RESPONDEU-LHE JESUS: SE EU TE NÃO LAVAR, NÃO TENS PARTE COMIGO." JOÃO 13:5-8

“E OS SEUS PÉS, SEMELHANTES A LATÃO RELUZENTE, COMO SE TIVESSEM SIDO REFINADOS NUMA FORNALHA, E A SUA VOZ COMO A VOZ DE MUITAS ÁGUAS.” APOCALIPSE 1:15

“E EU, QUANDO VI, CAÍ A SEUS PÉS COMO MORTO; E ELE PÔS SOBRE MIM A SUA DESTRA, DIZENDO-ME: NÃO TEMAS; EU SOU O PRIMEIRO E O ÚLTIMO;” APOCALIPSE 1:17

Os pés tem um significado especial na simbologia do evangelho. Para início de conversa, os pés nos dão uma ideia de piso, pensamos neles e imaginamos a base.

Isso mesmo, no sentido espiritual os pés fazem referência à base da vida, base sobre a qual se elabora uma edificação. Eles definem para nós estrutura de edificação, uma vez que não se edifica nada sem uma base sólida. Também sugerem equilíbrio, solidez e segurança. Não tem como laborar a nossa estrutura íntima de forma segura, firme e consistente sem a edificação clara das bases. Não tem como. Não se edifica uma árvore frondosa sem a consolidação das raízes, não se levanta uma construção sem um alicerce seguro.

Pés representam aquele instrumento que nos mantém em contato direto com o mundo e que precisam estar seguros para poderem aguentar o peso da grande caminhada com destino à redenção. Não há como laborarmos uma estrutura segura e firme sem a edificação clara das bases. E não precisamos ir longe para constatar que todo o processo edificativo nosso se alicerça no campo mental.

Jesus, quando veio aqui, deixou para nós o grande ensinamento de que não adianta visualizarmos uma grandeza lá na frente sem o começo pelo alicerce inicial. Sendo assim, quem quiser realizar alguma coisa tem que começar a trabalhar, tem que estruturar-se interiormente, tem que trabalhar o campo mental.

"Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido. Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? Respondeu Jesus, e disse-lhe: o que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberá depois. Disse-lhe Pedro: nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: se eu te não lavar, não tens parte comigo." (João 13:5-8)

Esta passagem do evangelho é de uma beleza extraordinária. Antes de qualquer coisa, nós vemos com muita naturalidade uma demonstração singular de humildade, afinal, a humildade é a base de tudo, pois na coletividade cristã o maior para Deus será sempre aquele que se fizer o menor de todos. Mas o ensinamento tem, ainda, um alcance muito maior e pela mensagem permanente do evangelho o Cristo continua lavando os pés de todos os seguidores sinceros de sua doutrina sublime de amor e perdão. Jesus, com muita tranquilidade, lavou os pés dos seus discípulos deixando para nós a lição de que essa parte do corpo, numa referência profunda ao campo mental, tem que permanecer limpa. E ao contato de Jesus e de seus ensinamentos o homem sente que pisará sob novas bases. Aliás, sem essa realização maravilhosa de lavar os pés a criatura não tem como participar do banquete da vida real.

O apocalipse fala em pés reluzentes ("E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha". Apocalipse 1:15) Reluzentes. Pensando bem, é muito interessante essa colocação. Vamos reparar que num aspecto figurado esses pés reluzentes dizem respeito àqueles padrões da nossa intimidade que não apresentam nenhuma sujidade. E em razão disso caracterizam-se por apresentar uma alta capacidade de refletir a luz.

O próprio Jesus sugeriu que quando entrássemos em uma casa, e não fôssemos recebidos, que retornasse a paz para nós, isto é, que não nos permitíssemos entrar na pauta das vibrações negativas, sacudindo para isso a poeira dos pés. Logo, manter os pés reluzentes é fator primordial, porque tem muita gente trançando pela vida afora com os pés sem reluzir e, mais ainda, sujos de poeira. E uma das maneiras complicadas de poluir esses pés é trabalhar o terreno da inconformação, pois a pessoa inconformada anda com os pés sujos.

"E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: não temas; eu sou o primeiro e o último." (Apocalipse 1:17) Vamos observar o seguinte, cair aos pés de Jesus significa entrar na pauta vibracional de relação com ele. Deu para perceber? Para se ter uma ideia, Pilatos, por exemplo, esteve diante dele e não caiu. Outros que o julgaram, e que estiveram diante dele, como também aqueles que o crucificaram, não caíram. Estes, entre muitos outros presentes na história do evangelho, não caíram. Então, o procedimento de cair aos pés de Jesus é resultante de uma sensibilização do ser, embora nem sempre haja, por parte da criatura que cai, um processo de adesão em termos finalísticos a um terreno novo. Isso é muito interessante de ter-se em conta. E outro detalhe que não é difícil entendermos é que determinadas quedas se dão em termos de humildade. Talvez a criatura até pudesse ficar de pé. Agora, a grande parte das nossas quedas é resultante mesmo de um processo de desequilíbrio da nossa parte.

Cair aos pés está na pauta vibracional de revelação. Muitas vezes a criatura sente a incapacidade de defrontar a luz e acaba por se lançar aos pés. Aos pés de Jesus.

Isso acontece demais. Com muitos de nós. Observe em quantas ocasiões nós temos que nos contentar, nas questões espirituais, com uma relação com os pés. Está dando para captar? Quantas situações nós temos que nos contentar com aquela parte vibracional que nos é possível. Por mais que a gente tente se elevar nós alcançamos, quem sabe, os pés. E vamos notar nessa passagem do apocalipse que antes de cair o evangelista João vê o rosto. Como se fosse um esplendor se abrindo acerca das condições que ele poderia alcançar na vanguarda.

E essa inclinação a que estamos nos referindo, esse cair aos pés, não apresenta um sentido de humilhação. Longe disso. Essa inclinação não é uma inclinação de submissão no seu aspecto negativo. Não é uma inclinação que tange a humilhação. É uma atitude que representa aquele grau maior ou menor de humildade em que você se entrega. Cair aos pés de Jesus denota uma proposta de reverência, uma capacidade de curvar-se diante daquele que apresenta valores capazes de nos ajudar. É no sentido daqueles que já se abrem para uma proposta nova e que vão se prostrar aos pés daqueles que realmente já estão em condições de disseminar a mensagem nova do próprio evangelho.

A gente sabe disso. A coisa mais gostosa que tem é quando nós somos capazes de nos curvar ante uma criatura que apresenta valores, que conhece, que pode envergar os elementos capazes de nos ajudar. Quando a gente lê uma obra, por exemplo, e o autor é seguro a gente se curva diante da obra. Não se curva? Sendo assim, cair aos pés mostra que apesar da distância vibracional entre os dois, o que cai tem consciência de que qualquer edificação começa de baixo, e não de cima. Então, ele se curva para poder nascer numa nova base.

Isso é bonito demais de entender. E analisando com profundidade nós observamos que aquele que se curva é aquele que cresce. Porque ele está aprendendo que para poder crescer tem que ser criança, e criança está embaixo, não em cima.

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