26 de set de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 5

PREPARANDO O ANTEPARO

“16MAS, QUANDO SE CONVERTEREM AO SENHOR, ENTÃO O VÉU SE TIRARÁ. 17ORA, O SENHOR É ESPÍRITO; E ONDE ESTÁ O ESPÍRITO DO SENHOR, AÍ HÁ LIBERDADE. 18MAS TODOS NÓS, COM ROSTO DESCOBERTO, REFLETINDO COMO UM ESPELHO A GLÓRIA DO SENHOR, SOMOS TRANSFORMADOS DE GLÓRIA EM GLÓRIA NA MESMA IMAGEM, COMO PELO ESPÍRITO DO SENHOR.”  II CORÍNTIOS 3:16-18

Tudo no universo se encadeia em reflexos, tudo. Com a mente não é diferente. Em seu sentido finalístico a mente não cria, ela não emite, reflete. E toda nossa luz é refletida. Tanto que o nosso campo mental não é um fulcro emissor, mas um fulcro retransmissor, e se ele não reflete ele não tem claridade.

Vamos pensar com atenção, nós estamos aqui para refletir o pensamento divino segundo a nossa capacidade. Nós somos todos, de algum modo, espíritos matriculados na possibilidade cooperadora, somos candidatos à irradiação dos padrões superiores. Posicionados como aprendizes de Jesus, os discípulos sinceros serão sempre aqueles elementos refletores da luz soberana que irradia em plenitude do próprio Cristo, com maior ou menor grau de limpidez.

E essa condição não chega de forma gratuita, não cai de graça no colo do candidato. Decorre da reeducação.

O que dissemos é a mesma coisa que falar que não adianta a luz sem a existência de um anteparo estabelecido para promover o reflexo. Não é verdade?

Por princípio básico da eletricidade, a energia não flui sem que haja um caminho para a corrente. É por esse motivo que se quisermos evoluir temos que nos preparar, para que haja um processo de sintonização. Está acompanhando? A própria capacidade nossa de perceber o que vem do alto depende de uma preparação interior. Eu tenho que ajustar a minha linha íntima para poder entrar na faixa de vibração. Se eu ganho ou compro um radinho eu tenho que sintonizar a frequência com a mesma faixa de onda da emissão.

Se não fosse assim todas as pessoas do mundo estariam recebendo pérolas como Jesus definiu para nós, no entanto, pelo contrário, pérolas não são dadas aos porcos. No fundo, temos que criar uma base para que a luz reflita, aí, sim, as vibrações positivas de toda ordem passam a banhar a nossa vida, porque basta uma parcela mínima de adesão para que uma fresta se abra e o sol penetre.

A química ensina isso, quanto mais nos voltamos para o nosso íntimo mais luz nós emitimos. É semelhante ao elétron que, ao pular para uma camada mais próxima do núcleo emite luz.

Não há a mínima condição da gente criar alguma coisa positiva, seja ela qual for, sem amor. Não tem jeito. Simplesmente não dá. Somente quando nos preparamos devidamente edificamos com êxito para a vida eterna. A irradiação se processa de cima para baixo, só que não adianta nada o de cima irradiar se o de baixo não aderir, não entrar em relação com. Imaginemos que o plano maior quisesse transferir para alguém uma séria de padrões. Se esse alguém não começar a se preparar e se informar ele não consegue assimilar. O espelho tem que ter a capacidade de refletir a luz, a imagem. E esses padrões de segurança dimanam de planos cada vez mais elevados na medida em que o instrumento está pronto. Assim, nós criamos no decorrer da evolução um telescópio para podermos entrar mais e mais na visualização do próprio universo.

Não adianta querermos operar uma transformação aparente da nossa personalidade na feição exterior. É pura perda de tempo. Não se edifica uma estrutura nova sem as fundamentações básicas, é preciso haver uma adesão interna.

É imperiosa a renovação por dentro. Não há como operar qualquer crescimento constante sem auto-análise, toda a engrenagem da nossa harmonia, da nossa paz, não se encontra fora de nós, mas dentro. Para entrar em relação com a luz maior é preciso que se mude os sentimentos. Seremos admitidos no aprendizado do evangelho cultivando o reino de Deus que começa na vida íntima. Sem o tesouro da educação pessoal é inútil a penetração nos céus, pois nós estaríamos órfãos de sintonia para corresponder aos apelos da vida superior.

Vamos pensar juntos o seguinte: todos os homens da terra, sem exceção, até mesmo os materialistas, crêem em alguma coisa. Certo? No entanto, aquele que apenas crê simplesmente admite e ele vai sempre depender de elementos exteriores nos quais coloca o objeto da sua crença. Então, crer todos crêem, agora muitos poucos são os que se iluminam. E não se alcança altos níveis de iluminação sem uma proposta do ser dirigida para o auto iluminar-se.

Aquele que se ilumina vibra no íntimo e sente, e é livre das influências externas por haver bastante luz em seu íntimo. E havendo luz dentro não há escuridão em lugar algum, e vencemos corajosamente as provações do caminho. De fato, aquele que se ilumina cumpre a missão da luz sobre o planeta.

Por este motivo não basta alguém só acreditar para que os sagrados deveres estejam totalmente cumpridos, uma vez que a obrigação primordial consiste no esforço, no amor ao trabalho, na serenidade diante das provas da vida, no sacrifício pessoal, de modo a entendermos o exemplo do evangelho, buscando a luz divina para a execução dos trabalhos que nos competem. Para que Jesus se manifeste na sua abrangência nós precisamos trabalhar primeiro dentro do âmbito pessoal. Percebeu? Sem o trabalho operado na linha pessoal nós não vamos conseguir a mudança íntima gradativa capaz de poder sensibilizar os grupos. Não dá. É na própria intimidade onde estão as fontes legítimas da claridade.

Antes de pensar em querer salvar os outros o evangelho tem por meta prioritária iluminar aquele que lhe adere aos ensinamentos, antes de alguém cogitar de iluminar os outros esse alguém deve buscar a iluminação de si mesmo. Como? Inicialmente, cumprindo as suas obrigações. O verdadeiro cristão, para regenerar os seus irmãos da sombra, necessita iluminar-se antes de tudo. O ensino não é "caminho, verdade e vida?" Pois, então, antes de apontar caminho ele já tem que estar embasado na verdade. Os aprendizes da boa nova precisam pensar muito na iluminação de si mesmos antes de qualquer prurido no intuito de converter os outros, e devem se lembrar também que um pingo de luz no coração é capaz de irradiar um sistema inteiro no campo da luz.

Quando acendemos uma luz nós somos os primeiros a nos beneficiar dela. Por uma razão simples, qualquer luz se expande à partir do seu fulcro, o que mostra que aquele que se ilumina conquista a ordem e a harmonia para si mesmo.

Não adianta ficar apenas buscando conquistas exteriores, a cada dia mais e mais pessoas se convencem de que todo o repouso da segurança está dentro do próprio ser, o amparo só pode ser encontrado dentro. Por esse motivo, aquele que desconsidera o conhecimento espiritual, que não cogita de sua iluminação com Jesus, ele pode ser o que for neste mundo, um cientista notável, um gênio da economia, empresário de sucesso, artista talentoso ou um filósofo com vasto conhecimento e as mais elevadas aquisições intelectuais, porém, estará sem leme e sem roteiro no instante da tempestade inevitável da provação e da experiência que a todos visita na vida.

22 de set de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 4

RESPLANDEÇA A VOSSA LUZ

“1ENTÃO FOI CONDUZIDO JESUS PELO ESPÍRITO AO DESERTO, PARA SER TENTADO PELO DIABO. 2E, TENDO JEJUADO QUARENTA DIAS E QUARENTA NOITES, DEPOIS TEVE FOME; 3E, CHEGANDO-SE A ELE O TENTADOR, DISSE: SE TU ÉS O FILHO DE DEUS, MANDA QUE ESTAS PEDRAS SE TORNEM EM PÃES. 4ELE, PORÉM, RESPONDENDO, DISSE: ESTÁ ESCRITO: NEM SÓ DE PÃO VIVERÁ O HOMEM, MAS DE TODA A PALAVRA QUE SAI DA BOCA DE DEUS.” MATEUS 4:1-4

“ASSIM RESPLANDEÇA A VOSSA LUZ DIANTE DOS HOMENS, PARA QUE VEJAM AS VOSSAS BOAS OBRAS E GLORIFIQUEM A VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS.” MATEUS 5:16  

Você é capaz de lembrar uma das coisas que Jesus disse ao diabo no deserto por ocasião da sua tentação? E que está presente no evangelho de Mateus? Vamos ajudar: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus." (Mateus 4:4)

Esta colocação do excelso mestre, embora à primeira vista possa passar despercebida, é extremamente oportuna para a nossa vida cotidiana, isto é, se quisermos viver bem e com maior percentual de felicidade. Então, preste atenção. Que o homem precisa de pão para manter a sua vida física todo mundo sabe, não é novidade para ninguém. Aliás, até os diabos sabem, e inclusive utilizam-se disso para excitar os apetites e acirrar as contendas. Agora, o que o diabo não sabe, ou pelo menos finge não saber, é que o homem não vive só de pão, que ele não vive apenas das coisas materiais, mas também e, principalmente, das coisas espirituais, isto é, da palavra que sai da boca de Deus e que chega ao espírito sob a forma de luz.  Tanto que o evangelista João define Deus como sendo luz ("E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhuma." I João 1:5)

Sem exagero, a luz é para o espírito o mesmo que o pão é para o corpo. Não devemos ter receio em afirmar isto. Porque o homem não é matéria. Antes de qualquer coisa, é espírito encarnado. Sendo assim, se o pão, símbolo do componente físico que nos sustenta, é indispensável à vida corpórea, a luz por outro lado é imprescindível à vida espiritual. Aliás, esta é a vida verdadeira, que naquela outra, na física, se reflete. Daí ela ser mais importante e exigir atenção e cuidados, motivo pelo qual o homem não pode trabalhar somente pelo pão que nutre o corpo perecível, não pode despender todos os seus esforços na aquisição dos valores tangíveis, mas também lutar pela conquista da luz que alimenta o espírito imortal. No entanto, nota-se, pelos transtornos generalizados em que o mundo se encontra, que se são muitos os que carecem de pão, maior ainda a soma de criaturas humanas desprovidas de luz.

Até aí, tudo bem, mas a questão não é apenas essa, ela é mais complexa. Pelo pão físico todo mundo luta. Não é preciso dizer a alguém que ele necessita de pão, a fome fala por si e produz os efeitos de forma imediata. O faminto sabe que sem aquele não pode viver e simplesmente sente a sua necessidade, a qual busca remediar ou prevenir. E para conseguir pão ninguém mede esforços.

Quem carece de pão sabe que não pode ficar sem e por isso pede, implora, luta, trabalha com garra e entusiasmo sem medida. Quem sente falta de pão coloca-se em atividade, faz de tudo para consegui-lo, lança mão de todos os meios.

Pela luz as pessoas não fazem o mesmo. Antes fosse assim, também, no entanto os que se acham em trevas nelas permanecem, agitando-se no meio da confusão e da incompreensão dos problemas que as afetam. Se o pão é desejado por todos, a luz ofertada é rejeitada por muitos. Fazer o quê? Infelizmente a luz não interessa a tantos como o pão interessa ao faminto. É que as consequências da ignorância, por serem mais complexas e, muitas vezes, lentas, passam despercebidas, de modo que os que a vivenciam geralmente não estabelecem uma relação entre a causa  infeliz e os seus efeitos negativos.

E, quase sempre, aquele que menospreza a luz o faz porque desconhece a sua importância. Deixa para lá e não faz ideia do papel que esta representa no encaminhamento da vida eterna do espírito. Vendo por este ângulo a coisa parece nítida e o início da solução chega a parecer claro, não é? Mas o que é pior ainda, enquanto o faminto tem certeza que não tem pão o ignorante, e muitas vezes orgulhoso, presume que tem luz. E por achar que a tem não sente falta, não a deseja e muito menos a procura. Por esse motivo, é preciso um jogo de paciência e estratégias para fazer certas criaturas entenderem que necessitam de luz. E mais um detalhe, você já pensou no seguinte? Pão qualquer um pode dar, mas poucos estão em condições de espargir e prodigalizar luz.

A gente lê estas linhas e com certa facilidade conclui que se temos fome de pão deveríamos também ter fome de luz. E que se é triste ver um irmão nosso desprovido de pão, mais ainda é ver alguém sofrendo por falta de luz, padecendo pela falta de conhecimento espiritual significativo e esclarecedor. Logo, acender a luz interior nas profundezas das almas é a missão gloriosa do evangelho do Cristo.

Foi o próprio despenseiro das claridades divinas que disse: "Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." (Marcos 16:16) Não se trata de nenhuma ameaça finalística, a condenação é muito clara. A luz foi dada aos homens e estes a recusaram. Ora bolas, quem rejeita a luz que lhe é oferecida está condenado a permanecer nas trevas e a suportar os acidentes e reveses que resultam dessa situação. Os que não crêem na grandeza do próprio destino sentenciam a si mesmos às esferas mais baixas da vida. Pelo hábito de apenas admitirem o que é visível permanecerão beijando o pó do mundo, em razão da voluntária incapacidade de acesso aos planos superiores, enquanto os outros caminham para a certeza da vida imortal. Ai, meu Deus, se o orgulhoso e o egoísta sentissem fome de luz, como o faminto sente fome de pão, não haveriam tantas consciências e tantos corações mergulhados em trevas.

Tudo o que se tem feito nos dias atuais, no sentido de eliminar os tormentos que perseguem a humanidade, não passa de paliativos que em tempo algum alcançaram êxito. "Vós sois a luz do mundo" é uma afirmativa que evidencia a proposta educacional. A essência da mudança e da melhoria pessoal está toda aí.

É necessário acender o lampadário interno e desenvolver as faculdades visuais da alma, uma vez que a própria evolução dos seres é caminho que vai das trevas à luz. Toda criatura humana, sem exceção, precisa resolver o problema da renovação dos próprios valores. Vamos receber o auxílio edificante que o mundo nos oferece, mas também vamos fugir de contemporizar com os enganos do mundo, despendendo esforços para nos aperfeiçoarmos cada vez mais.

E coloquemos uma coisa na cabeça: educação conosco é clarão no âmago da alma. Por mais que brilhemos exteriormente, nas ocorrências temporárias da vida física, nada entenderemos da luz de Deus que nos sustenta a vida se não fizermos luz em nós mesmos. E mudemos a tática, ao invés de ficarmos ansiosos ou preocupados com a treva vamos nos ocupar em fazer luz íntima, porque ela é capaz de garantir segurança e auto-sustentação para a nossa jornada.

É louvável o esforço do homem que se inspira na exemplificação dos discípulos fiéis, mas é contraproducente repousarmos em edificações que não nos pertencem, olvidando o serviço que nos é próprio. O que eu quero dizer com isso? Que não podemos prescindir do conhecimento adquirido por outras almas que nos precederam nas lutas da terra com as suas experiências santificantes. Isto é fato. Agora, também não podemos atribuir a outrem as obrigações que nos competem.

Concorda comigo? Não vamos entrar nessa sistemática de procurar orientação com os outros acerca de assuntos claramente solucionáveis por nosso esforço, e nem aguardarmos do alto ações milagreiras, porque só a nós mesmos cabe o serviço árduo da própria ascensão na pauta das responsabilidades que o conhecimento superior nos propõe. Percebeu? Agradeçamos àquele que nos ilumina por uma hora, por alguns dias ou por vários anos, mas não olvidemos a nossa candeia se não quisermos resvalar nos precipícios da estrada longa. É só lembrarmos o seguinte: um guia espiritual pode ser um ótimo amigo, todavia nunca poderá desempenhar os nossos próprios deveres, nem tampouco nos arrancar das provas e experiências fundamentais à nossa iluminação.

Daí a necessidade da preparação individual, para a vivência de tais experiências com dignidade espiritual no momento oportuno. Sem contar que os proprietários das lâmpadas acesas podem afastar-se de nós, convocados pelos montes de elevação que ainda não merecemos. Não podemos operar a nossa educação e subida espiritual com os valores dos outros. Não tem jeito. É impossível. A luz, no desempenho de sua missão, revela o que existe oculto nos corações e fatores externos servem como indução. Aquisição, por sua vez, é por esforço pessoal.

É até possível marchar valendo-se de luzes alheias, todavia, sem claridade própria padeceremos constante ameaça de queda. Pois avançar sem luz própria é impossível.

A verdade é que andamos hoje com as luzes apagadas dentro da gente, tanto que Jesus pede que resplandeçamos nossa luz. Ele ensina porque sabe de tudo. Sabe que a nossa paz precisa se estruturar sob a nossa luz, porque o que manda é a luz íntima, a luz que vige para a harmonia pessoal é a luz interior.

Para que o bem apareça não fiquemos esperando que semelhantes luzes venham inicialmente dos outros. Comecemos de nós, sem demandar com alguém ou contra alguém.

O eu nunca se dirigirá para Deus sem o aprimoramento e a sublimação de si próprio, somente pela renovação íntima progride a alma no rumo da vida aperfeiçoada. Fatores e componentes externos podem e devem servir como componentes de indução, porém a aquisição só se faz pelo esforço e realização pessoal.

Afinal, eu não posso operar a minha educação e subida espiritual com os caracteres dos outros. A minha alegria, minha fé e minhas obras tem que se estruturar sob a minha luz, não posso me fazer feliz com a luz dos outros. Deu para entender?

A luz que vai sair é sempre a minha, não a de alguém. É por isso que cada um de nós somente poderá auxiliar os semelhantes e colaborar com o Senhor com as qualidades de elevação conquistadas na vida. É algo bonito de entender, sabe por quê? Porque tantas vezes nos julgamos unicamente naquele dever de ficar buscando as alturas mentais, só que brilhe a vossa luz é o que nos diz o mestre.

E resplandecer a nossa luz é referência ao sol íntimo que cada um tem, diz respeito à necessidade de sermos componentes irradiadores da luz que emana do criador. Resultado? Por mais ampla seja a luz é necessário um trabalho de elaboração. Não há como trabalharmos os valores de fora, nós voltamos a repetir.

O que vem de fora é sempre instrumento indutor, componente instaurador, é fator de sensibilização, de informação, de toque. O processo é íntimo, ou seja, nós captamos de um lado para em seguida operarmos com aquilo que a gente tem.

18 de set de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 3

O SOL, JESUS E A LUZ

“ALI ESTAVA A LUZ VERDADEIRA, QUE ALUMIA A TODO O HOMEM QUE VEM AO MUNDO.” JOÃO 1:9

“FALOU-LHES, POIS, JESUS OUTRA VEZ, DIZENDO: EU SOU A LUZ DO MUNDO; QUEM ME SEGUE NÃO ANDARÁ EM TREVAS, MAS TERÁ A LUZ DA VIDA.” JOÃO 8:12

“E, LOGO DEPOIS DA AFLIÇÃO DAQUELES DIAS, O SOL ESCURECERÁ, E A LUA NÃO DARÁ A SUA LUZ, E AS ESTRELAS CAIRÃO DO CÉU, E AS POTÊNCIAS DOS CÉUS SERÃO ABALADAS.” MATEUS 24:29

“E, HAVENDO ABERTO O SEXTO SELO, OLHEI, E EIS QUE HOUVE UM GRANDE TREMOR DE TERRA; E O SOL TORNOU-SE NEGRO COMO SACO DE CILÍCIO, E A LUA TORNOU-SE COMO SANGUE;” APOCALIPSE 6:12

A impressão que temos, na visão da caminhada evolutiva da humanidade, é que o homem tem sido lento no que diz respeito às questões do seu próprio conhecimento. Todavia, o que notamos é que a sua existência antigamente se resumia na luta com as forças externas, de modo a se poder criar uma lei de harmonia entre ele próprio e a natureza terrestre. Muitos séculos se passaram até que reconhecesse a necessidade da solidariedade para enfrentar os perigos comuns.

A organização da tribo, da família, das tradições e das experiências coletivas também exigiu muitos séculos de luta e infortúnios dolorosos e a ciência das relações e o aproveitamento das forças materiais que o rodeavam não requisitaram menor porção de tempo. Somente agora a alma humana pode voltar para si mesma de modo a poder compreender as necessidades e labirintos da sua personalidade espiritual. Agora, nas culminâncias de sua evolução física, o homem não precisa preocupar-se tanto com a paisagem que o cerca, razão pela qual suas energias intrínsecas se mobilizam em torno das criaturas, convocando-as ao sagrado conhecimento de si mesmas nos valores infinitos da vida.

Se falamos em luz, inicialmente nós pensamos no sol. Óbvio, porque o sol constitui a maior luz física do planeta. Ele é o fulcro natural irradiador da luz, encarregado de dar vitalização, suprimento, calor e aquecimento. Componente vivificante, é fonte vital para todos os núcleos da vida planetária, e vamos mesmo entendê-lo como sendo a base irradiadora da própria vida no campo biológico.

E se no plano material, no âmbito do planeta, em nome do criador ele é o instrumento dispensador dos recursos da vida, no sentido espiritual, nos ângulos profundos da alma, é o foco clareador da mente nas linhas de razão e sentimento.

Espiritualmente falando, temos o sol como sendo a soma de todos os valores arregimentados que vivificam nosso processo evolucional, ponto de referência também do sistema ascensional que se irradia por todo o universo. Ele é a soma dos caracteres de vida que a gente vem elegendo como ponto de esclarecimento, de segurança e reconforto para a nossa caminhada. É fonte de proteção e segurança para nós nunca virmos a perder a linha de auxílio superior.

E tanto no aspecto material quanto no espiritual o sol não se apaga ("Depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá" Mateus 24:29 "Sol tornou-se negro como saco de cilício" Apocalipse 6:12). Isto é interessante de termos em conta, o sol da nossa vida íntima pode até escurecer, mas nunca se apaga, e escurecer temporariamente é muito diferente de apagar. E seu escurecimento se dá puramente em aspectos materiais.

Percebeu? O sol não desaparece, escurece, e seu escurecimento consiste na perda da nossa alegria de viver. E enquanto perdura essa situação de escurecimento é como se a criatura estivesse entregue à própria sorte, ela se sente na escuridão. Porém, fique tranquilo, quando o sol empalidece não é para a espiritualidade superior tripudiar em cima do nosso sofrimento. Com toda certeza, é atrás desse escurecimento do sol que vamos ter o surgimento de novos valores e sempre que uma luz nova se origina ela surge com muito mais intensidade.

Se o sol é o campo de sustentação de toda expressão de vida, e fonte irradiadora da própria vida, em nossa vida íntima Jesus é esse sol. Será que alguém tem dúvida? Inexiste no plano da iluminação espiritual fonte alguma além do evangelho.

Roteiro de ascensão a todos os espíritos em luta e aprendizado na Terra para os planos superiores do ilimitado, de sua aplicação decorre a luz do espírito. A expressão "luz verdadeira" realmente indica o sentido de localização daquele a quem cabe encaminhar à luz maior a coletividade terráquea. A escritura sagrada é objetiva. Jesus, em tese, é a luz própria porque ele faz um processo administrativo da luz divina e a coloca adequada à nossa capacidade perceptiva. Ele irradia ponto de claridade e de fertilização, fornece energia mantenedora dos processos e sistemas de crescimento para a redenção humana.

E o que é mais bonito, para ele não existe exceção alguma, todos se encontram ao alcance dos seus ensinos e influxos. O Cristo, em sua abrangência, atingirá todas as criaturas que vem ao mundo, no devido tempo, e neste mundo, ou em qualquer plano a ele vinculado, todos se encontram sob o seu amparo.

Veja bem. O sol sabemos que representa a maior luz física do planeta, não é mesmo? Mas será que essa unidade irradiadora faz alguma seleção? Será que o raio que vai chegar em certo ambiente, quando chegar perto de determinada criatura ele se desvia para outro lado porque não pode passar por ali? Porque aquela criatura não o está merecendo? Será que o sol lança suas energias em alguns lugares e não as joga em outros? Não, diariamente o sol lança seus raios sem se sentir ultrajado pelo negativismo das sombras e dos pântanos. Pois a luz se propaga em linha reta e em todas as direções, razão pela qual quem ama, de fato, não escolhe a quem amar. Amor é a luz que sai, e quem se encontra sob o foco da verdadeira luz do mestre mais cedo ou mais tarde desperta.

Para uma grande parte de pessoas o pensamento exclusivo é de que o Cristo é a luz do mundo. Está errado? Claro que não. Está certo. Só que na hora em que a gente descobre que ele falou que nós também somos luz no mundo aí muda tudo. Não é verdade? Tanto que ele falou em "sal da terra" e "luz do mundo", o que determinou, aliás, as bem-aventuranças, que apresenta doze versículos.

E quando terminou ele mostrou para os discípulos a extensão da necessidade humana, diante daquela população enorme em volta. Não foi o que aconteceu? E depois de subir ao monte se assentou, e definiu para os seus discípulos que aquele povo todo era com eles, que a eles cabia uma responsabilidade operacional. Será que deu para entender? Logo, o trabalho operacional é conosco.

Em tese você é luz! Quando sente que seu denominador comum está identificado com o plano positivo do universo você também é luz. E quando o seu denominador vibra com os aspectos negativos você não é luz, você é sombra, você é treva. E existe uma diferença entre luz e filho da luz. Luz é o denominador de sua postura mental e espiritual. E filho da luz é a dinâmica operacional da sua luz com a luz maior. Deu para entender? É como um espelho.

Para sermos luz, efetivamente, nós temos que ser filhos da luz, porque somos reflexo de Jesus, como Jesus é o reflexo da própria divindade, porque Deus, na linguagem do apóstolo João, é luz. Jesus define: "Eu sou a luz do mundo", e ao falar luz do mundo ele tornou, de algum modo relativa, a luz abrangente universal do criador. E quando ele fala que nós somos a luz do mundo, é como discípulo.

Todo discípulo é luz também, porque o discípulo de certa forma reflete o pensamento do mestre. Percebeu? Se você mantém esse espelho sempre voltado para o foco da luz você é um elemento que integra a luz. E resplandecer a nossa luz, nosso próximo assunto, é referência ao nosso sol íntimo, diz respeito à necessidade de sermos componentes irradiadores da luz que emana do criador.

Logo, vamos acreditar cada vez mais nesse amor que está em nós para que ele se manifeste a nosso favor.

12 de set de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 2

VÓS SOIS O SAL DA TERRA II

“VÓS SOIS O SAL DA TERRA; E SE O SAL FOR INSÍPIDO, COM QUE SE HÁ DE SALGAR? PARA NADA MAIS PRESTA SENÃO PARA SE LANÇAR FORA, E SER PISADO PELOS HOMENS.” MATEUS 5:13  

“49PORQUE CADA UM SERÁ SALGADO COM FOGO, E CADA SACRIFÍCIO SERÁ SALGADO COM SAL. 50BOM É O SAL; MAS, SE O SAL SE TORNAR INSÍPIDO, COM QUE O TEMPERAREIS? TENDE SAL EM VÓS MESMOS, E PAZ UNS COM OS OUTROS.” MARCOS 9:49-50

Jesus afirma que os seus discípulos são o "sal da terra". Por acaso, você já parou para pensar, pelo menos um minuto que seja, nessa expressão? No significado dela? Na profundidade do que Ele realmente quis nos ensinar?

É que seus seguidores, pela vivência da mensagem em plenitude, conseguem dar sabor à vida, temperando-a com os valores das virtudes morais. Não tem como ser diferente. Se a gente analisar com tranquilidade vai concluir que o evangelho é de aplicação indispensável para dar sabor à existência, tornando-a mais saudável e feliz. Sem a sua vivência a vida fica insípida, sem graça, sem atrativos, monótona, chata, tediosa, vazia, sem preenchimento de alma, complicada, ainda que as circunstâncias ao redor sejam as mais favoráveis, ainda que a aparência seja magnífica. Para ser preciso, nada na existência terá sabor de felicidade autêntica e nenhuma ligação humana, seja ela qual for, dentro de casa, no trabalho ou na comunidade, se fará com equilíbrio e proveito.

E jamais estaremos em paz com a própria consciência sem a aplicação de uma pitada de evangelho em tudo o que fizermos. Em outras palavras, isso significa o esforço mínimo que devemos ter em aplicar, conforme as circunstâncias se apresentarem, um pouco de tolerância, um pouco de carinho, de bondade, um pouco de sacrifício, de compreensão e de renúncia em favor do semelhante.

E um detalhe interessante, que muitas vezes passa despercebido pela maioria das pessoas, é que o texto em Mateus está posicionado logo após as bem-aventuranças, levando-nos a concluir que Jesus, após levantar o ânimo dos tristes e caídos se dirige aos discípulos que o acompanhavam no intuito de apontar-lhes as responsabilidades e conscientizá-los dos compromissos que deveriam assumir como seus colaboradores diretos. Pense comigo: Quem mais precisa de sal?

O sal é direcionado principalmente àqueles indivíduos que estão sem sabor ou com o sabor meio sumido no contexto. Por isso, não vamos reclamar das pessoas que circulam em nossa órbita de ação. A misericórdia divina tantas vezes coloca um homem equivocado perto de alguém que sabe ser amável e correto para que este o conduza a um caminho melhor. Talvez este seja o sal que irá fazer com que aquele se torne uma pessoa melhor e mais agradável a todos os outros homens.

Alguém tem dúvida de que o sal é bom como tempero? Claro que não. Temperar é harmonizar e na condição de condimento deve ser utilizado de maneira adequada, de modo balanceado. Sal em demasia estraga as refeições e se utilizado abaixo da quantidade necessária torna a alimentação insípida. Saber dosá-lo é uma arte. A imagem do sal simboliza o imperativo do equilíbrio, principalmente das emoções e da utilização dos valores de que já dispomos, a fim de podermos cooperar de modo coerente e eficiente na tarefa que nos é confiada. Cumpre sabermos combinar as qualidades que definem o nosso caráter. O seguidor de Jesus tem que ser sempre um elemento de equilíbrio nas relações sociais. O sal é o símbolo do componente que define essa postura.

Mostra que devemos agir junto às pessoas de maneira comedida, discreta, equilibrada. E tem mais um ponto interessante que não podemos esquecer de forma alguma: a função do sal não é alterar o sabor do alimento com o qual se relaciona, mas sim realçar o seu sabor. Deu para ficar claro? Nossa função não é mudar as pessoas, mas valorizar, despertar, aprimorar e aperfeiçoar as qualidades daqueles com os quais interagimos. Ele é direcionado principalmente aos elementos que se encontram enfraquecidos, desanimados, caídos.

Ninguém conhece o sal pelo seu aspecto exterior. Não tem como. Aliás, pela aparência, ou melhor, pelo seu aspecto exterior ele se confunde com muitas outras substâncias.

Entretanto, entrando-se em relação com ele sua essência se revela de forma distinta e ele passa a ser conhecido de imediato. De forma semelhante deve ser o seguidor do evangelho que deve ser conhecido pelos seus frutos, nunca por qualquer sinal exterior. Este tantas vezes é confundido com a maioria das pessoas, mas basta entrar-se em contato com ele para que o mesmo manifeste prontamente as suas qualidades. Razão pela qual é preciso muita cautela na elaboração de juízos. Nem sempre as aparências exteriores são os componentes que mais determinam, que definem e indicam o que nós realmente somos.

Nenhum distintivo, título ou marca deverá vigorar entre nós que buscamos seguir a luz do mundo. Nossa senha dever ser a própria exemplificação. E apenas uma distinção efetiva revela os que se acham sob luz do Cristo: o desejo de servir, sempre que dessa doação e desse trabalho resulte um benefício para outrem.

Examinado sob outro aspecto, a química ensina que onde quer que o encontremos, na terra ou no mar, o sal é sempre o mesmo, inalterado e inalterável.

O sal é elemento que guarda invariavelmente a sua pureza. Nada o altera, nada o contamina, nada o corrompe. Nem mesmo quando em contato com as maiores impurezas. É incorruptível, transmite invariavelmente o seu poder purificador e nunca assimila as impurezas de outrem. Não se macula, ainda que mergulhado na imundície. Sai ileso de todas as provas. É justamente nos momentos mais difíceis que o conhecedor do evangelho se diferencia, através de sua tranquilidade e confiança nos desígnios divinos. E é exatamente o que Jesus quer que sejam os seus discípulos: incorruptíveis no meio em que se encontrem, bom no meio dos maus, corretos no meio da iniquidade, honesto no meio dos desonestos, prudente no meio dos insensatos, humilde no meio dos orgulhosos, desprendido no meio dos egoístas, sincero no meio dos hipócritas, fiel no meio dos infiéis, resignado no meio dos revoltados, pacífico no meio dos nervosos.

Em resumo, virtuoso no meio dos vícios e das paixões. Que seus discípulos sejam conhecidos na esfera espiritual pelos mesmos predicados que o sal no plano físico.

Jamais encontramos o sal inativo. Não é exagero, ele não permanece inerte um instante sequer, age sempre. Onde quer que o encontremos está como que agindo sempre, exteriorizando a essência que lhe é inerente. De fato, o sal tem propriedades que o caracteriza como elemento acionador, isto é, ele põe em ação, coloca em movimento, aciona, faz funcionar. E como resultado desse elemento estimulador que é, onde ele é introduzido altera, modifica, melhora, propicia mudanças e transformações, não deixa nada permanecer sem atividade.

O próprio Cristo nos deu grandes mostras dessa ação, ele revolucionou todo o mundo e impôs transformações que até hoje norteiam a vida humana. Análoga deve ser a atitude do cristão. Ele não se oculta e as suas ações devem ser condizentes e atestar a fé de que se acha impregnado, afinal, mediante uma revelação permanente uma árvore é conhecida pelos frutos que produz, pela ação que exerce.

No sentido espiritual, o indivíduo que se desperta para o evangelho é ativo, não se abate perante os fracassos e enfrenta com bom ânimo os desafios da vida, independente de quais forem. E também sabe que apenas quem nutre essa dinâmica incansável consegue atingir objetivos e realizar metas a que se propõe.

Outro ponto fundamental é que o sal tem uma função determinada, precisa, distinta, inconfundível e no exercício dessa função está todo o seu valor, a sua incomparável importância. E qual é? Simples, é que o sal nunca recebe, dá sempre. Para exemplificar, misturai-o com açúcar e este receberá sua essência tornando-se salgado, porém o sal jamais se deixará adoçar recebendo a influência do açúcar.

Essa é característica do amor, pois ele é aquilo que se exterioriza. O amor é só aquilo que sai e o cristão, como o sal, está no mundo para dar, não para receber.

Credor do céu e devedor da terra, cumpre-lhe receber do alto para distribuir embaixo, no plano horizontal da vida junto aos seus irmãos. Ao compará-lo com o precioso mineral quis o mestre divino ensinar que seus seguidores tem que ser, acima de tudo, dinâmicos e ativos, jamais passivos. E como na passagem da multiplicação, o sal mostra que pouco, com valor e propriedade, modifica muito.

Como se não bastasse, além de ser usado para salgar os alimentos o sal também é excelente componente de conservação. Isso mesmo, porque ele não permite que alimentos estraguem, procedimento este que era difundido no Egito cerca de quatro mil anos antes de Jesus. O que ocorre é a que a presença do sódio preserva o alimento por remover a umidade e afastar as bactérias.

E o sal, dotado de qualidades conservadoras, além de se conservar puro e manter-se incorruptível, preserva ainda da corrupção, impedindo a decomposição dos corpos com os quais se acha associado, que entra em contato. Assim também deve ser o conhecedor do evangelho no meio em que vive. Isso igualmente define para nós, em razão do sal sugerir conservação, que caracteres presentes nas escrituras devem permanecer puros, imaculados, inalteráveis.

Se o sal tem função específica e se presta a um determinado fim, análogo deve ser o discípulo do evangelho, cujo ideal na vida deve ser a obra de sua redenção e o auxílio aos seus irmãos. Por isso os discípulos do Cristo são o sal da terra.

E se são sal não podem, de forma alguma, se tornar insípidos, corruptíveis, contaminados pelas influências inferiores que os afastam da vivência do bem, inertes, sem atividade. O adjetivo insípido significa que não tem sabor, que é desagradável, tedioso, monótono. E ao se tornar insípido, o sal perde as qualidades especiais que o caracteriza, torna-se ineficiente, imprestável, sem função, visto como não poderia aplicar-se a outras funções além daquela que lhe é essencialmente própria.

Se o sal for destituído do seu componente ativo torna-se ineficiente e o mesmo se sucede em relação à fé. Se ela se desnatura dos predicados que a revestem torna-se inválida, inútil. A própria religião que não promove o aperfeiçoamento do espírito, que não constrói e não consolida o caráter do homem, não é religião, é sal insípido, que cedo ou tarde cairá fatalmente na descrença e no desprezo.

Para que não venhamos a nos tornar sal insípido, cabe-nos seguir adiante, aprendendo e aplicando, onde quer que nos encontremos, sempre vigiando e orando.

7 de set de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 1

VÓS SOIS O SAL DA TERRA I

“VÓS SOIS O SAL DA TERRA; E SE O SAL FOR INSÍPIDO, COM QUE SE HÁ DE SALGAR? PARA NADA MAIS PRESTA SENÃO PARA SE LANÇAR FORA, E SER PISADO PELOS HOMENS.” MATEUS 5:13  

“49PORQUE CADA UM SERÁ SALGADO COM FOGO, E CADA SACRIFÍCIO SERÁ SALGADO COM SAL. 50BOM É O SAL; MAS, SE O SAL SE TORNAR INSÍPIDO, COM QUE O TEMPERAREIS? TENDE SAL EM VÓS MESMOS, E PAZ UNS CONS OS OUTROS.” MARCOS 9:49-50

O sal é um mineral altamente precioso. Formado por minúsculos cristais, encontra-se difusamente espalhado no globo terrestre.

Basicamente existem dois tipos de sal. Um deles é o sal marinho que, como o próprio nome já diz, é extraído através da evaporação da água do mar. Existe uma formidável quantidade que dele se encontra diluída na massa enorme de água que se compõem os diversos lagos e todos os mares do planeta. E não é somente isso. Também vemos o sal em abundância nas camadas secas cristalizadas em algumas regiões. Trata-se do sal da rocha, conhecido por sal-gema, retirado de minas subterrâneas resultantes de mares e lagos antigos que secaram.

O sal em seu estado puro, que é o que popularmente conhecemos, consiste de cloreto de sódio. É mais conhecido como sal comum, sal de cozinha, sal de mesa ou sal refinado, por ser largamente utilizado na alimentação humana. Em alguns casos são adicionados a ele substâncias ou temperos para o seu uso culinário.

Curiosidade interessante é que do total de sal extraído em todo o mundo apenas cerca de 5% dele é destinado ao consumo humano. Isso mesmo, apenas 5%. E também é interessante salientar que o valor do sal é tão concentrado que basta uma ingestão diária de uma colher de chá, ou seja 2,4 gramas. Aliás, alguns estudos prescrevem uma quantidade de consumo ainda menor.

Iniciamos este capítulo dizendo que o sal é muito precioso. De fato, poucas pessoas conhecem seu real valor. Desconhecimento que acaba por subtrair a importância do ensino de Jesus, quando ele compara o seguidor do seu evangelho com o sal. Para se ter uma ideia, quando o mestre mencionou essa comparação a importância desse produto, no contexto daquela época, extrapolava em muito a ideia de valores que temos hoje acerca do sal. Deu para perceber?

Ele era um produto muito mais imprescindível à sobrevivência humana do que é nos dias de hoje. É por isso que o "vós sois o sal da terra" é uma analogia singular. De uma beleza e profundidade extraordinária que passa desapercebida por grande parcela da humanidade. Agora, o que precisamos é considerar certas qualidades e propriedades características desse mineral fantástico e, mais ainda, entender qual a relação entre ele e os discípulos do Senhor. Entender de fato o que o mestre Jesus pretendia dizer com essas palavras.

Durante longo tempo o sal foi considerado muito precioso para a preservação dos alimentos. Tão precioso que chegou a ser chamado de ouro branco. Era usado pelos gregos e romanos como moeda em suas operações de compra e venda. Inclusive, a palavra latina salário deriva-se de sal, uma vez que parte dos vencimentos das legiões romanas era paga com sal, e depois incorporada ao soldo.

Ainda hoje, um dos principais acessos a Roma, então capital do Império, por onde as caravanas transportavam a riqueza para os romanos, chama-se Via Salaria.

O sal chegou a ser considerado artigo de luxo e apenas as pessoas mais ricas tinham acesso a ele. Na Idade Média era transportado por estradas construídas especialmente para esse fim. Nessa mesma época os europeus fizeram fortunas utilizando-o como tempero. Até o século XVIII a ordem de assento dos nobres nos banquetes era indicada pela posição de saleiro de prata maciça colocado na mesa e os menos ilustres ficavam abaixo dele, mais distantes do anfitrião. Mesmo no final do século XIX e começo do século XX, além de usado como condimento e produto medicinal passou a ser matéria-prima essencial para a indústria química e têxtil. No âmbito das religiões se inclui sal para purificar coisas, no xintoísmo, enquanto os budistas o usam para afastar o mal.

A influência que o sal exerce em nosso organismo, para manter o seu equilíbrio fisiológico, é muito grande. Podemos afirmar com tranquilidade que depende do seu indispensável concurso a manutenção do nosso bem estar físico.

Nosso corpo se constitui de 60% de água salgada, cuja composição é quase idêntica à do mar, constante de sais de sódio, cálcio e potássio. Está presente na esfera da atividade fisiológica do homem terrestre o sabor do sal no sangue, suor, lágrimas e excreções. Segundo especialistas, enquanto nos movimentamos na esfera da carne somos como criaturas marinhas respirando em terra firme e corpúsculos aclimatados dos mares mais quentes poderiam viver à vontade em nosso líquido orgânico. Se o assunto é alimentação não podemos prescindir do sal. Na área medicinal pode ser usado para amenizar dores, estimular a circulação, aumentar a pressão arterial, combater inflamações e inchaços.

O sal é solúvel em água. Se dissolve com facilidade e conduz eletricidade, pois se dissocia nos seus íons constituintes passando estes a funcionar como eletrólitos. Sendo assim, o sódio e o cloro presentes no sal são eletrólitos, minerais que conduzem eletricidade em nossos fluidos e tecidos. Outros eletrólitos principais são o potássio, o cálcio e o magnésio. Não sei se você sabe, mas o sal é responsável pela troca de água das células com o seu meio externo, ajudando-as a absorver nutrientes e eliminar resíduos. Também é responsável no processo de contração muscular e o ser humano igualmente precisa de sal para o crescimento e o equilíbrio dos eletrólitos. Os nossos rins controlam a quantidade de eletrólitos e água regulando os fluidos que ingerimos e expelimos de nosso corpo. Se essa quantidade estiver alterada nossos músculos, nervos e órgãos não irão funcionar corretamente uma vez que as células não conseguiram gerar contrações musculares e impulsos nervosos.

A baixa quantidade de sal, hiponatremia, é um dos distúrbios de eletrólitos mais comuns e pode causar inchaço cerebral e morte. Com muita quantidade no corpo, hipernatromia, os rins não conseguem eliminar e o volume de sangue pode aumentar, pois o sódio retém água, o que pode fazer o coração bater mais forte.

Muito bem. O que fizemos até agora foi um apanhado diminuto e resumido acerca da sua importância. Afinal, nosso objetivo é a relação do sal com os seguidores do evangelho, assunto interessante e que abordaremos no próximo tópico.

3 de set de 2013

Cap 37 - Gratidão e Glorificação - Parte 10 (Final)

A ESPERANÇA

“E JESUS LHE DISSE: NINGUÉM, QUE LANÇA MÃO DO ARADO E OLHA PARA TRÁS, É APTO PARA O REINO DE DEUS.” LUCAS 9:62

A esperança nós podemos entendê-la como sendo a filha dileta da fé. Afinal de contas, enquanto a fé consiste na divina claridade da certeza, a esperança alicerça-se nos bálsamos da crença. A esperança conforta e fortalece.

Não é difícil constatar. Basta a gente reparar que quando o semeador está cultivando, quando ele está trabalhando, lançando a semente, colocando o adubo e molhando a terra, ele está fazendo tudo isso alimentado por esse componente extraordinário chamado esperança. Porque se ele, no íntimo do coração, não tiver a esperança ele permanece dissociado daqueles padrões energéticos capazes de favorecer a melhoria esperada.

Disso nós chegamos à conclusão que independente da situação exterior nós não podemos desistir. A transformação, além de algo constante, é um fenômeno biológico graças ao qual a vida se perpetua. E da mesma forma que renovam-se as células do corpo devem também se renovar as aspirações da nossa alma.

É imperioso cultivarmos a esperança em qualquer tempo, mas sem nutrirmos ilusões. Isto é, lançar a semente, ainda que com sacrifício, para termos o direito de sorrir amanhã na colheita. Acontece, vez por outra, de concluirmos que a estratégia que estamos usando não está apresentando resultado. Aí entra mais um aspecto interessante da esperança, pois ela vai naturalmente nos ajudar a alterar essa estratégia para que consigamos alcançar o objetivo desejado.

Analise uma coisa comigo: o objetivo do espírito está no futuro, não está no passado.

Do passado ele guarda apenas experiências. A nossa natureza íntima tende para um bem que está no porvir, e que de lá nos acena, impelindo-nos para a frente e para o alto. A esperança é o astro fulgurante que orienta e guia o espírito através da noite escura da encarnação. Ela não se prende ao passado, muito pelo contrário, direciona toda a sua magia e encanto para o futuro. A espera está ligada ao amanhã, não ao ontem. É sempre no horizonte que a encontraremos, conduzindo-nos todos, prisioneiros da carne, ao porto da redenção.

Os que permanecem apegados ao pretérito perdem-na de vida e, envolvidos nas névoas, se desnorteiam. Essa é a grande chave da questão. Não será jamais revolvendo os escombros do nosso passado que solucionaremos os problemas da nossa vida, mas erguendo a fronte e caminhando, sem medo, em direção ao futuro melhor que nos espera. Temos que nos desembaraçar do passado e levar conosco as palavras de Jesus, de modo a pormos a mão no arado, iniciarmos o trabalho com segurança e determinação e não olhar para trás.

O passado já não importa tanto para a gente. Não é verdade? O universo não retroage, avança continuadamente, e desde as formas mais simples e primitivas às mais complexas e elevadas a marcha da vida é uma só, é ascensional.

Assim como vamos buscar as origens dos nossos males de hoje no passado, é justo pensemos também na felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como uma ponte entre dois períodos, e não apenas como uma situação única a vivenciar, como um resultado final. Vamos levantar a cabeça, sacudir o pó da estrada percorrida e renascer para o porvir, que será o resultado do labor presente.

O que agora nos importa são as realizações presentes para o futuro. E com um detalhe: em nossos atos de fé e esperança não podemos permitir que a dúvida se interponha como sombra, entre a nossa necessidade diminuta e o poder supremo do Senhor.

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