12 de set de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 2

VÓS SOIS O SAL DA TERRA II

“VÓS SOIS O SAL DA TERRA; E SE O SAL FOR INSÍPIDO, COM QUE SE HÁ DE SALGAR? PARA NADA MAIS PRESTA SENÃO PARA SE LANÇAR FORA, E SER PISADO PELOS HOMENS.” MATEUS 5:13  

“49PORQUE CADA UM SERÁ SALGADO COM FOGO, E CADA SACRIFÍCIO SERÁ SALGADO COM SAL. 50BOM É O SAL; MAS, SE O SAL SE TORNAR INSÍPIDO, COM QUE O TEMPERAREIS? TENDE SAL EM VÓS MESMOS, E PAZ UNS COM OS OUTROS.” MARCOS 9:49-50

Jesus afirma que os seus discípulos são o "sal da terra". Por acaso, você já parou para pensar, pelo menos um minuto que seja, nessa expressão? No significado dela? Na profundidade do que Ele realmente quis nos ensinar?

É que seus seguidores, pela vivência da mensagem em plenitude, conseguem dar sabor à vida, temperando-a com os valores das virtudes morais. Não tem como ser diferente. Se a gente analisar com tranquilidade vai concluir que o evangelho é de aplicação indispensável para dar sabor à existência, tornando-a mais saudável e feliz. Sem a sua vivência a vida fica insípida, sem graça, sem atrativos, monótona, chata, tediosa, vazia, sem preenchimento de alma, complicada, ainda que as circunstâncias ao redor sejam as mais favoráveis, ainda que a aparência seja magnífica. Para ser preciso, nada na existência terá sabor de felicidade autêntica e nenhuma ligação humana, seja ela qual for, dentro de casa, no trabalho ou na comunidade, se fará com equilíbrio e proveito.

E jamais estaremos em paz com a própria consciência sem a aplicação de uma pitada de evangelho em tudo o que fizermos. Em outras palavras, isso significa o esforço mínimo que devemos ter em aplicar, conforme as circunstâncias se apresentarem, um pouco de tolerância, um pouco de carinho, de bondade, um pouco de sacrifício, de compreensão e de renúncia em favor do semelhante.

E um detalhe interessante, que muitas vezes passa despercebido pela maioria das pessoas, é que o texto em Mateus está posicionado logo após as bem-aventuranças, levando-nos a concluir que Jesus, após levantar o ânimo dos tristes e caídos se dirige aos discípulos que o acompanhavam no intuito de apontar-lhes as responsabilidades e conscientizá-los dos compromissos que deveriam assumir como seus colaboradores diretos. Pense comigo: Quem mais precisa de sal?

O sal é direcionado principalmente àqueles indivíduos que estão sem sabor ou com o sabor meio sumido no contexto. Por isso, não vamos reclamar das pessoas que circulam em nossa órbita de ação. A misericórdia divina tantas vezes coloca um homem equivocado perto de alguém que sabe ser amável e correto para que este o conduza a um caminho melhor. Talvez este seja o sal que irá fazer com que aquele se torne uma pessoa melhor e mais agradável a todos os outros homens.

Alguém tem dúvida de que o sal é bom como tempero? Claro que não. Temperar é harmonizar e na condição de condimento deve ser utilizado de maneira adequada, de modo balanceado. Sal em demasia estraga as refeições e se utilizado abaixo da quantidade necessária torna a alimentação insípida. Saber dosá-lo é uma arte. A imagem do sal simboliza o imperativo do equilíbrio, principalmente das emoções e da utilização dos valores de que já dispomos, a fim de podermos cooperar de modo coerente e eficiente na tarefa que nos é confiada. Cumpre sabermos combinar as qualidades que definem o nosso caráter. O seguidor de Jesus tem que ser sempre um elemento de equilíbrio nas relações sociais. O sal é o símbolo do componente que define essa postura.

Mostra que devemos agir junto às pessoas de maneira comedida, discreta, equilibrada. E tem mais um ponto interessante que não podemos esquecer de forma alguma: a função do sal não é alterar o sabor do alimento com o qual se relaciona, mas sim realçar o seu sabor. Deu para ficar claro? Nossa função não é mudar as pessoas, mas valorizar, despertar, aprimorar e aperfeiçoar as qualidades daqueles com os quais interagimos. Ele é direcionado principalmente aos elementos que se encontram enfraquecidos, desanimados, caídos.

Ninguém conhece o sal pelo seu aspecto exterior. Não tem como. Aliás, pela aparência, ou melhor, pelo seu aspecto exterior ele se confunde com muitas outras substâncias.

Entretanto, entrando-se em relação com ele sua essência se revela de forma distinta e ele passa a ser conhecido de imediato. De forma semelhante deve ser o seguidor do evangelho que deve ser conhecido pelos seus frutos, nunca por qualquer sinal exterior. Este tantas vezes é confundido com a maioria das pessoas, mas basta entrar-se em contato com ele para que o mesmo manifeste prontamente as suas qualidades. Razão pela qual é preciso muita cautela na elaboração de juízos. Nem sempre as aparências exteriores são os componentes que mais determinam, que definem e indicam o que nós realmente somos.

Nenhum distintivo, título ou marca deverá vigorar entre nós que buscamos seguir a luz do mundo. Nossa senha dever ser a própria exemplificação. E apenas uma distinção efetiva revela os que se acham sob luz do Cristo: o desejo de servir, sempre que dessa doação e desse trabalho resulte um benefício para outrem.

Examinado sob outro aspecto, a química ensina que onde quer que o encontremos, na terra ou no mar, o sal é sempre o mesmo, inalterado e inalterável.

O sal é elemento que guarda invariavelmente a sua pureza. Nada o altera, nada o contamina, nada o corrompe. Nem mesmo quando em contato com as maiores impurezas. É incorruptível, transmite invariavelmente o seu poder purificador e nunca assimila as impurezas de outrem. Não se macula, ainda que mergulhado na imundície. Sai ileso de todas as provas. É justamente nos momentos mais difíceis que o conhecedor do evangelho se diferencia, através de sua tranquilidade e confiança nos desígnios divinos. E é exatamente o que Jesus quer que sejam os seus discípulos: incorruptíveis no meio em que se encontrem, bom no meio dos maus, corretos no meio da iniquidade, honesto no meio dos desonestos, prudente no meio dos insensatos, humilde no meio dos orgulhosos, desprendido no meio dos egoístas, sincero no meio dos hipócritas, fiel no meio dos infiéis, resignado no meio dos revoltados, pacífico no meio dos nervosos.

Em resumo, virtuoso no meio dos vícios e das paixões. Que seus discípulos sejam conhecidos na esfera espiritual pelos mesmos predicados que o sal no plano físico.

Jamais encontramos o sal inativo. Não é exagero, ele não permanece inerte um instante sequer, age sempre. Onde quer que o encontremos está como que agindo sempre, exteriorizando a essência que lhe é inerente. De fato, o sal tem propriedades que o caracteriza como elemento acionador, isto é, ele põe em ação, coloca em movimento, aciona, faz funcionar. E como resultado desse elemento estimulador que é, onde ele é introduzido altera, modifica, melhora, propicia mudanças e transformações, não deixa nada permanecer sem atividade.

O próprio Cristo nos deu grandes mostras dessa ação, ele revolucionou todo o mundo e impôs transformações que até hoje norteiam a vida humana. Análoga deve ser a atitude do cristão. Ele não se oculta e as suas ações devem ser condizentes e atestar a fé de que se acha impregnado, afinal, mediante uma revelação permanente uma árvore é conhecida pelos frutos que produz, pela ação que exerce.

No sentido espiritual, o indivíduo que se desperta para o evangelho é ativo, não se abate perante os fracassos e enfrenta com bom ânimo os desafios da vida, independente de quais forem. E também sabe que apenas quem nutre essa dinâmica incansável consegue atingir objetivos e realizar metas a que se propõe.

Outro ponto fundamental é que o sal tem uma função determinada, precisa, distinta, inconfundível e no exercício dessa função está todo o seu valor, a sua incomparável importância. E qual é? Simples, é que o sal nunca recebe, dá sempre. Para exemplificar, misturai-o com açúcar e este receberá sua essência tornando-se salgado, porém o sal jamais se deixará adoçar recebendo a influência do açúcar.

Essa é característica do amor, pois ele é aquilo que se exterioriza. O amor é só aquilo que sai e o cristão, como o sal, está no mundo para dar, não para receber.

Credor do céu e devedor da terra, cumpre-lhe receber do alto para distribuir embaixo, no plano horizontal da vida junto aos seus irmãos. Ao compará-lo com o precioso mineral quis o mestre divino ensinar que seus seguidores tem que ser, acima de tudo, dinâmicos e ativos, jamais passivos. E como na passagem da multiplicação, o sal mostra que pouco, com valor e propriedade, modifica muito.

Como se não bastasse, além de ser usado para salgar os alimentos o sal também é excelente componente de conservação. Isso mesmo, porque ele não permite que alimentos estraguem, procedimento este que era difundido no Egito cerca de quatro mil anos antes de Jesus. O que ocorre é a que a presença do sódio preserva o alimento por remover a umidade e afastar as bactérias.

E o sal, dotado de qualidades conservadoras, além de se conservar puro e manter-se incorruptível, preserva ainda da corrupção, impedindo a decomposição dos corpos com os quais se acha associado, que entra em contato. Assim também deve ser o conhecedor do evangelho no meio em que vive. Isso igualmente define para nós, em razão do sal sugerir conservação, que caracteres presentes nas escrituras devem permanecer puros, imaculados, inalteráveis.

Se o sal tem função específica e se presta a um determinado fim, análogo deve ser o discípulo do evangelho, cujo ideal na vida deve ser a obra de sua redenção e o auxílio aos seus irmãos. Por isso os discípulos do Cristo são o sal da terra.

E se são sal não podem, de forma alguma, se tornar insípidos, corruptíveis, contaminados pelas influências inferiores que os afastam da vivência do bem, inertes, sem atividade. O adjetivo insípido significa que não tem sabor, que é desagradável, tedioso, monótono. E ao se tornar insípido, o sal perde as qualidades especiais que o caracteriza, torna-se ineficiente, imprestável, sem função, visto como não poderia aplicar-se a outras funções além daquela que lhe é essencialmente própria.

Se o sal for destituído do seu componente ativo torna-se ineficiente e o mesmo se sucede em relação à fé. Se ela se desnatura dos predicados que a revestem torna-se inválida, inútil. A própria religião que não promove o aperfeiçoamento do espírito, que não constrói e não consolida o caráter do homem, não é religião, é sal insípido, que cedo ou tarde cairá fatalmente na descrença e no desprezo.

Para que não venhamos a nos tornar sal insípido, cabe-nos seguir adiante, aprendendo e aplicando, onde quer que nos encontremos, sempre vigiando e orando.

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