22 de set de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 4

RESPLANDEÇA A VOSSA LUZ

“1ENTÃO FOI CONDUZIDO JESUS PELO ESPÍRITO AO DESERTO, PARA SER TENTADO PELO DIABO. 2E, TENDO JEJUADO QUARENTA DIAS E QUARENTA NOITES, DEPOIS TEVE FOME; 3E, CHEGANDO-SE A ELE O TENTADOR, DISSE: SE TU ÉS O FILHO DE DEUS, MANDA QUE ESTAS PEDRAS SE TORNEM EM PÃES. 4ELE, PORÉM, RESPONDENDO, DISSE: ESTÁ ESCRITO: NEM SÓ DE PÃO VIVERÁ O HOMEM, MAS DE TODA A PALAVRA QUE SAI DA BOCA DE DEUS.” MATEUS 4:1-4

“ASSIM RESPLANDEÇA A VOSSA LUZ DIANTE DOS HOMENS, PARA QUE VEJAM AS VOSSAS BOAS OBRAS E GLORIFIQUEM A VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS.” MATEUS 5:16  

Você é capaz de lembrar uma das coisas que Jesus disse ao diabo no deserto por ocasião da sua tentação? E que está presente no evangelho de Mateus? Vamos ajudar: "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus." (Mateus 4:4)

Esta colocação do excelso mestre, embora à primeira vista possa passar despercebida, é extremamente oportuna para a nossa vida cotidiana, isto é, se quisermos viver bem e com maior percentual de felicidade. Então, preste atenção. Que o homem precisa de pão para manter a sua vida física todo mundo sabe, não é novidade para ninguém. Aliás, até os diabos sabem, e inclusive utilizam-se disso para excitar os apetites e acirrar as contendas. Agora, o que o diabo não sabe, ou pelo menos finge não saber, é que o homem não vive só de pão, que ele não vive apenas das coisas materiais, mas também e, principalmente, das coisas espirituais, isto é, da palavra que sai da boca de Deus e que chega ao espírito sob a forma de luz.  Tanto que o evangelista João define Deus como sendo luz ("E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhuma." I João 1:5)

Sem exagero, a luz é para o espírito o mesmo que o pão é para o corpo. Não devemos ter receio em afirmar isto. Porque o homem não é matéria. Antes de qualquer coisa, é espírito encarnado. Sendo assim, se o pão, símbolo do componente físico que nos sustenta, é indispensável à vida corpórea, a luz por outro lado é imprescindível à vida espiritual. Aliás, esta é a vida verdadeira, que naquela outra, na física, se reflete. Daí ela ser mais importante e exigir atenção e cuidados, motivo pelo qual o homem não pode trabalhar somente pelo pão que nutre o corpo perecível, não pode despender todos os seus esforços na aquisição dos valores tangíveis, mas também lutar pela conquista da luz que alimenta o espírito imortal. No entanto, nota-se, pelos transtornos generalizados em que o mundo se encontra, que se são muitos os que carecem de pão, maior ainda a soma de criaturas humanas desprovidas de luz.

Até aí, tudo bem, mas a questão não é apenas essa, ela é mais complexa. Pelo pão físico todo mundo luta. Não é preciso dizer a alguém que ele necessita de pão, a fome fala por si e produz os efeitos de forma imediata. O faminto sabe que sem aquele não pode viver e simplesmente sente a sua necessidade, a qual busca remediar ou prevenir. E para conseguir pão ninguém mede esforços.

Quem carece de pão sabe que não pode ficar sem e por isso pede, implora, luta, trabalha com garra e entusiasmo sem medida. Quem sente falta de pão coloca-se em atividade, faz de tudo para consegui-lo, lança mão de todos os meios.

Pela luz as pessoas não fazem o mesmo. Antes fosse assim, também, no entanto os que se acham em trevas nelas permanecem, agitando-se no meio da confusão e da incompreensão dos problemas que as afetam. Se o pão é desejado por todos, a luz ofertada é rejeitada por muitos. Fazer o quê? Infelizmente a luz não interessa a tantos como o pão interessa ao faminto. É que as consequências da ignorância, por serem mais complexas e, muitas vezes, lentas, passam despercebidas, de modo que os que a vivenciam geralmente não estabelecem uma relação entre a causa  infeliz e os seus efeitos negativos.

E, quase sempre, aquele que menospreza a luz o faz porque desconhece a sua importância. Deixa para lá e não faz ideia do papel que esta representa no encaminhamento da vida eterna do espírito. Vendo por este ângulo a coisa parece nítida e o início da solução chega a parecer claro, não é? Mas o que é pior ainda, enquanto o faminto tem certeza que não tem pão o ignorante, e muitas vezes orgulhoso, presume que tem luz. E por achar que a tem não sente falta, não a deseja e muito menos a procura. Por esse motivo, é preciso um jogo de paciência e estratégias para fazer certas criaturas entenderem que necessitam de luz. E mais um detalhe, você já pensou no seguinte? Pão qualquer um pode dar, mas poucos estão em condições de espargir e prodigalizar luz.

A gente lê estas linhas e com certa facilidade conclui que se temos fome de pão deveríamos também ter fome de luz. E que se é triste ver um irmão nosso desprovido de pão, mais ainda é ver alguém sofrendo por falta de luz, padecendo pela falta de conhecimento espiritual significativo e esclarecedor. Logo, acender a luz interior nas profundezas das almas é a missão gloriosa do evangelho do Cristo.

Foi o próprio despenseiro das claridades divinas que disse: "Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." (Marcos 16:16) Não se trata de nenhuma ameaça finalística, a condenação é muito clara. A luz foi dada aos homens e estes a recusaram. Ora bolas, quem rejeita a luz que lhe é oferecida está condenado a permanecer nas trevas e a suportar os acidentes e reveses que resultam dessa situação. Os que não crêem na grandeza do próprio destino sentenciam a si mesmos às esferas mais baixas da vida. Pelo hábito de apenas admitirem o que é visível permanecerão beijando o pó do mundo, em razão da voluntária incapacidade de acesso aos planos superiores, enquanto os outros caminham para a certeza da vida imortal. Ai, meu Deus, se o orgulhoso e o egoísta sentissem fome de luz, como o faminto sente fome de pão, não haveriam tantas consciências e tantos corações mergulhados em trevas.

Tudo o que se tem feito nos dias atuais, no sentido de eliminar os tormentos que perseguem a humanidade, não passa de paliativos que em tempo algum alcançaram êxito. "Vós sois a luz do mundo" é uma afirmativa que evidencia a proposta educacional. A essência da mudança e da melhoria pessoal está toda aí.

É necessário acender o lampadário interno e desenvolver as faculdades visuais da alma, uma vez que a própria evolução dos seres é caminho que vai das trevas à luz. Toda criatura humana, sem exceção, precisa resolver o problema da renovação dos próprios valores. Vamos receber o auxílio edificante que o mundo nos oferece, mas também vamos fugir de contemporizar com os enganos do mundo, despendendo esforços para nos aperfeiçoarmos cada vez mais.

E coloquemos uma coisa na cabeça: educação conosco é clarão no âmago da alma. Por mais que brilhemos exteriormente, nas ocorrências temporárias da vida física, nada entenderemos da luz de Deus que nos sustenta a vida se não fizermos luz em nós mesmos. E mudemos a tática, ao invés de ficarmos ansiosos ou preocupados com a treva vamos nos ocupar em fazer luz íntima, porque ela é capaz de garantir segurança e auto-sustentação para a nossa jornada.

É louvável o esforço do homem que se inspira na exemplificação dos discípulos fiéis, mas é contraproducente repousarmos em edificações que não nos pertencem, olvidando o serviço que nos é próprio. O que eu quero dizer com isso? Que não podemos prescindir do conhecimento adquirido por outras almas que nos precederam nas lutas da terra com as suas experiências santificantes. Isto é fato. Agora, também não podemos atribuir a outrem as obrigações que nos competem.

Concorda comigo? Não vamos entrar nessa sistemática de procurar orientação com os outros acerca de assuntos claramente solucionáveis por nosso esforço, e nem aguardarmos do alto ações milagreiras, porque só a nós mesmos cabe o serviço árduo da própria ascensão na pauta das responsabilidades que o conhecimento superior nos propõe. Percebeu? Agradeçamos àquele que nos ilumina por uma hora, por alguns dias ou por vários anos, mas não olvidemos a nossa candeia se não quisermos resvalar nos precipícios da estrada longa. É só lembrarmos o seguinte: um guia espiritual pode ser um ótimo amigo, todavia nunca poderá desempenhar os nossos próprios deveres, nem tampouco nos arrancar das provas e experiências fundamentais à nossa iluminação.

Daí a necessidade da preparação individual, para a vivência de tais experiências com dignidade espiritual no momento oportuno. Sem contar que os proprietários das lâmpadas acesas podem afastar-se de nós, convocados pelos montes de elevação que ainda não merecemos. Não podemos operar a nossa educação e subida espiritual com os valores dos outros. Não tem jeito. É impossível. A luz, no desempenho de sua missão, revela o que existe oculto nos corações e fatores externos servem como indução. Aquisição, por sua vez, é por esforço pessoal.

É até possível marchar valendo-se de luzes alheias, todavia, sem claridade própria padeceremos constante ameaça de queda. Pois avançar sem luz própria é impossível.

A verdade é que andamos hoje com as luzes apagadas dentro da gente, tanto que Jesus pede que resplandeçamos nossa luz. Ele ensina porque sabe de tudo. Sabe que a nossa paz precisa se estruturar sob a nossa luz, porque o que manda é a luz íntima, a luz que vige para a harmonia pessoal é a luz interior.

Para que o bem apareça não fiquemos esperando que semelhantes luzes venham inicialmente dos outros. Comecemos de nós, sem demandar com alguém ou contra alguém.

O eu nunca se dirigirá para Deus sem o aprimoramento e a sublimação de si próprio, somente pela renovação íntima progride a alma no rumo da vida aperfeiçoada. Fatores e componentes externos podem e devem servir como componentes de indução, porém a aquisição só se faz pelo esforço e realização pessoal.

Afinal, eu não posso operar a minha educação e subida espiritual com os caracteres dos outros. A minha alegria, minha fé e minhas obras tem que se estruturar sob a minha luz, não posso me fazer feliz com a luz dos outros. Deu para entender?

A luz que vai sair é sempre a minha, não a de alguém. É por isso que cada um de nós somente poderá auxiliar os semelhantes e colaborar com o Senhor com as qualidades de elevação conquistadas na vida. É algo bonito de entender, sabe por quê? Porque tantas vezes nos julgamos unicamente naquele dever de ficar buscando as alturas mentais, só que brilhe a vossa luz é o que nos diz o mestre.

E resplandecer a nossa luz é referência ao sol íntimo que cada um tem, diz respeito à necessidade de sermos componentes irradiadores da luz que emana do criador. Resultado? Por mais ampla seja a luz é necessário um trabalho de elaboração. Não há como trabalharmos os valores de fora, nós voltamos a repetir.

O que vem de fora é sempre instrumento indutor, componente instaurador, é fator de sensibilização, de informação, de toque. O processo é íntimo, ou seja, nós captamos de um lado para em seguida operarmos com aquilo que a gente tem.

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