31 de out de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 1

É PRECISO SABER OUVIR

“BEM AVENTURADO AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS; PORQUE O TEMPO ESTÁ PRÓXIMO.” APOCALIPSE 1:3

“QUEM TEM OUVIDOS PARA OUVIR, OUÇA.” MATEUS 11:15

Os cinco sentidos físicos que nós temos funcionam como se fossem janelas de interação com a vida exterior, através das quais conseguimos irradiar alguma coisa e também recolhemos alguma coisa ao nível de informações. Isso é muito importante de se ter em conta.

A princípio, na ordem dos acontecimentos, o tato é o primeiro grande sentido a se expressar na evolução. A seguir, temos os dois sentidos que podemos chamá-los de sentidos químicos, que são o olfato e o paladar, para depois emergirem em expressões quase que concomitantes, simultâneas, a audição e a visão.

No plano evolucional, espiritualmente falando, o ouvir e o ver são sentidos que trabalham para além do aspecto físico. Podemos dizer que eles funcionam como postos mais avançados do crescimento, afinal, é pela audição e visão que podemos realmente melhorar as nossas condições de crescimento, as condições do nosso próprio progresso. Isso porque eles tem o papal de nos colocar em contato com os acontecimentos ambientes e precipitar, ao nível de uma visão mais profunda do grau de sensibilidade, a nossa postura diante do encaminhamento ascensional. Está dando para acompanhar? A audição e a visão, devidamente abertas ao nível da mente desperta em uma consciência ampliada, é capaz de favorecer enormemente o nosso grau de escolha e de discernimento.

Ouvir significa aquele valor novo capaz de nos sensibilizar a nível auditivo e este estudo que levamos a efeito vai para muito além das linhas perceptivas tradicionais dos sentidos. Na acepção espiritual o ouvir é importante demais, uma vez que o processo de despertar é decorrente, todo ele, da utilização da acústica.

"Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia. E guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo." (Apocalipse 1:3) Repare que nesta passagem o verbo ouvir está no plural (ouvem), ao passo que o verbo que se refere à visão está no singular (lê). Não é à toa, aliás, nada nas escrituras sagradas é à toa, tudo tem uma significância. Colocado no plural, o verbo indica generalidade. Ou seja, a acústica, no seu sentido intrínseco, espiritual, ao contrário da visão, que é seletiva, individual, alcança a todos. Percebeu? Ouvir, todos ouvem. Imagine uma família dentro de casa e um carro de sou passando na rua, em frente ao portão, fazendo propaganda no alto falante. Quem estiver no quintal ouve, quem estiver deitado no quarto ouve, quem estiver no banheiro ouve e quem estiver na cozinha também ouve. Outra coisa interessante é que a audição sugere passividade. Enquanto ouvimos nos situamos em um processo de passividade.

Em outras palavras, para ouvir não é preciso fazer nada, não é preciso ação nenhuma, quem estiver deitado, por exemplo, não precisa sequer mudar de posição. Não é preciso acender luz nenhuma, não é preciso se iluminar, pois, em tese, a luz é algo que se refere aos olhos. O verbo ler, por sua vez, como veremos adiante, no singular indica iniciativa pessoal, seleção e pressupõe direcionamento, ação.

Nós estamos falando em ouvir e a verdade é que a maioria das pessoas não está interessada em ouvir, está preocupada mesmo é em ver. A maioria não pretende ouvir o Senhor e, sim, falar ao Senhor, como se Jesus desempenhasse a função de simples subordinado aos caprichos de cada um. É engraçado, não é? São alunos que procuram subverter a ordem escolar. Para se ter ideia, tem muita gente que não consegue manifestar uma fé tranquila e segura porque não sabe ouvir e fica envolvida demais na ansiedade de querer ver.

O próprio Tomé, por exemplo, quando ficou sabendo que Jesus aparecera aos demais discípulos ele ficou de certo modo decepcionado, entristecido e incrédulo. Uma semana depois Jesus retorna e reaparece com a presença dele. Ele realmente sentia aquela necessidade não apenas de ver, mas de tocar. Queria ver as marcas no seu corpo e o lado dele que havia recebido a lança. O que o mestre lhe diz? "Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste: bem aventurados os que não viram e creram." (João 20:29) Logo, fica um recado para todos nós: muitos indivíduos não sabem ouvir e estão preocupados em ver e, às vezes, nós não podemos ver. Isto é fato. Às vezes, a faculdade de ver não nos permite encarar com tranquilidade as grandes luzes e os grandes focos. Além do que, aquele que espera ver para crer pode simplesmente não crer quando ver, pois a fé abrange questões mais amplas a se instaurarem na intimidade.

Daí a gente conclui o seguinte: não há como querer ver sem a capacitação nítida de saber ouvir. Quando nós estamos impedidos de encarar a luz ou a paisagem de modo mais substancioso e correto, por exemplo, quase sempre são apelados os órgãos da audição. Quando a nossa visão é empalidecida, ou ela não apresenta condições de apropriar certos valores no campo evolucional, são ativadas as propriedades básicas da audição. E tampando a visão abrem-se os padrões da audição. Lembra-se do acontecimento no monte Tabor? Pedro, Tiago e João não conseguiram visualizar o fenômeno da transfiguração de Jesus em toda a grandeza. O cego de Jericó é outro caso. Sentado à beira da estrada ele não via, no entanto, tinha a sua audição aguçada, tanto que identificou de pronto a chegada do mestre. Paulo, ao ter sua ligação com o mestre no caminho de Damasco, ficou cego por certo período. Então, às vezes nós perdemos a faculdade de ver para poder aprender a ouvir. Quando não temos uma capacidade muito clara para observar com a visão o painel amplo das opções da vida, nós teremos que trabalhar principalmente com a acústica auditiva.

E não tem outra forma. Quando isso acontece vamos ter que ouvir. É como se a audição apresentasse condição mais propícia às nossas percepções. Aliás, a audição, devidamente ajustada e aproveitada, tem uma função talvez muito mais profunda, é como se ela fosse o campo fundamental da nossa visão verdadeira.

Não podemos é nos inquietar. Vez por outra acontece de sermos chamados a estar como que em pleno vôo cego a fim de se instaurar dentro de nós a faculdade plena de ouvir, de modo a passarmos a ver com mais tranquilidade e positividade.

Muitos companheiros nossos desconsideram isso e se esquecem que quem ouve aprende, enquanto quem fala doutrina. É isso mesmo. Somente após ouvir com atenção pode o homem falar de modo edificante na estrada evolutiva. Não adianta alguém querer ensinar sem ouvir. Tem gente que acha que para ser bom educador tem que saber falar, no entanto, os entendidos nos mostram que a primeira coisa a fazer é aprender a ouvir. E ouvir é tão fundamental que se você não souber identificar a carência do educando, do aluno, você não consegue auxiliá-lo de forma significativa na linha instrutiva de informação.

Não ignoramos que no campo da aprendizagem já temos a faculdade de ver muita coisa e de nos lançar ao direito e à possibilidade de ter diante de nós uma gama de opções, em que cada qual procura enxergar o que considera melhor para si. De forma alguma. Todavia, não podemos desconsiderar que uma faceta enorme das nossas conquistas e propostas decorre exatamente da capacidade de ouvir.

Sem dúvida. O ouvido tem possibilidade muito mais ampla do que podemos imaginar de captar o que vem de fora. Sem exagero podemos afirmar que o próprio processo de despertamento resulta da utilização da acústica, da aplicação correta das condições auditivas. Não são em todas as ocasiões que o indivíduo é capaz de utilizar com tranquilidade e segurança a sua visão, mas ele tem condições de decodificar acontecimentos pela audição. Isso é interessante, e é óbvio que estamos falando na acepção espiritual. De forma geral, os padrões mais evidentes, e que visam nos encaminhar de forma positiva, gradativa e continuada, costumam nos sensibilizar pelo voz, pela audição. Deu para entender? É dentro da percepção acústica que nós trabalhamos nossos valores íntimos que irão, quem sabe, em curto ou médio prazo, abrir as condições para uma visualização dentro de uma decodificação mais nítida, mais plena. A visão, sem dúvida, é um dos sentidos mais expressivos, mas às vezes é preciso ouvir muito para se ter essa capacidade de ver.

Os recursos auditivos não param de alcançar requintes, cada dia tem coisa nova surgindo no mercado. O que faz a criatura perceber com aprofundamento é a acústica da alma, não é o som ostensivamente compreendido, mas a percepção da autoridade que canaliza sob a tutela do amor os valores que a gente tem identificado. Deu para perceber? É como se os valores canalizados ao nível das palavras apresentassem um envoltório magnético de profunda sensibilização. O nosso ouvido faz um papel de periscópio, ele consegue captar.

E o fato é que ouvidos qualquer pessoa os possui, porém, encontramos ouvidos superficiais em toda parte, ouvidos que nada mais fazem que apenas registrar sons.

O mundo está cheio de alienados pela falta de capacidade auditiva e a pressa e a inquietude ainda não nos possibilitaram perceber os sons inaudíveis da vida, as belezas que se irradiam pelo universo afora. Estamos falando de uma percepção que pode não ocorrer pelo ouvido ostensivo, e sim pela acústica da alma. Cada qual ouve numa acústica diferente e a maioria das pessoas não ouve nada. Falamos do ouvir no sentido de captar, de entender, avaliar. Sem contar que tudo aquilo que a gente ouve por ouvir, e acha que sabe, no fundo não sabe. Sabe porquê? Porque na hora que a gente tem que testemunhar a respeito o testemunho não aparece. Então, fica o recado: daqui para frente é preciso ouvir.

Se desejamos sublimar as possibilidades de acústica da alma precisamos estudar e refletir, ponderar e auxiliar fraternalmente tantos quantos circularem em nossa órbita. Dessa forma teremos conosco ouvidos que ouvem, como dizia o mestre, criando em nós mesmos o entendimento para a assimilação da eterna sabedoria.

26 de out de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 10 - Final

NÃO RESISTAIS AO MAL

“EU, PORÉM, VOS DIGO QUE NÃO RESISTAIS AO MAL; MAS, SE QUALQUER TE BATER NA FACE DIREITA, OFERECE-LHE TAMBÉM A OUTRA;” MATEUS 5:39

“EIS QUE VOS ENVIO COMO OVELHAS AO MEIO DE LOBOS; PORTANTO, SEDE PRUDENTES COMO AS SERPENTES E INOFENSIVOS COMO AS POMBAS.” MATEUS 10:16

“NÃO TE DEIXES VENCER PELO MAL, MAS VENCE O MAL COM O BEM”. ROMANOS 12:21

Em geral, nós estudamos o evangelho e nos esforçamos de todas as boas maneiras porque ansiamos por fazer luz em nós mesmos. Isso é ótimo, caracteriza um passo e tanto no nosso aprimoramento, todavia, na hora de aplicar a luz costumamos querer brigar com a treva que aparece em nossa frente.

Aí não tem jeito. Como se diz na linguagem popular, aí "ninguém merece". É que quando a gente briga com a luz nós agimos de forma escura, de forma apagada. A nossa luz, que deveria se manifestar de forma positiva e clareadora, se transforma, também, temporariamente, em treva. Não é difícil entender a importância do que estamos falando. Vamos lá, onde é que o amor se desenvolve? Em meio onde impera o ódio, onde impera a resistência e a treva.

Assim, o universo não comporta nenhum clima de desajuste, nenhum clima de resistência. Podemos mesmo dizer que os nossos sofrimentos se iniciam à partir daquele momento em que nos rebelamos dentro do próprio sistema em que estamos ajustados. Logo, é fundamental ter essa ótica. Comumente queremos fazer luz em nós brigando com as trevas e a luz não pode investir contra elas.

Ao abraçarmos a renovação espiritual para a conquista da luz quase sempre somos contraditados pelas forças da sombra. Elas chegam, invariavelmente, como se tivéssemos o coração exposto a essas insinuações. E o evangelho é claro para nossa afirmação. Especificamente no capítulo cinco de Mateus nós temos: "Não resistais ao mal." Jesus disse para não resistirmos ao mal. Vamos lá, é mal (com l), não é mau (com u). É não resistais ao "mal" (com l). Infelizmente, algumas versões bíblicas falam não resistais ao "mau", ao homem mau.

Olha, vamos ser sinceros, a gente não tem que ter medo de homem nenhum, muito menos lutar com quem quer que seja. O problema que não pode existir é o mal, porque a resistência ao mal seria como se a luz resolvesse querer brigar com a treva e a luz brigando com a treva é uma coisa que não dá, porque o papel da luz é dissipá-la, com carinho e respeito. Deu para captar? A gente não pode confundir a essencialidade do problema (mal) com a pessoa (mau), porque o mau, na intimidade, é um filho de Deus. E dentro daquele que transita por caminhos obscuros, dentro da treva, existe uma luzinha que acalenta aquele que a cultiva, e que é a ótica dele. O que precisamos é trabalhar contra o erro, porque na intimidade, bem lá no fundo, cada um é filho de Deus.

E sabe porque tem que ser assim? Porque quem resiste ao mal não tem autoridade para decompô-lo ou desativá-lo. Aí é que está a questão. Quem resiste ao mal entra na luta contra o mal e a luz não pode investir contra as trevas.

Se Jesus tivesse entrado em luta com o mal provavelmente não estaríamos estudando seu evangelho agora. Pense para você ver, nenhum de nós tem autoridade para apontar o errado de uma maneira descaracterizada. Toda criatura que tem por norma desautorizar, bombardear ou maldizer ela não está apta ainda a determinadas faixas do seu crescimento espiritual. Sem contar outra coisa que nós temos que ter em conta: não vamos ficar apreensivos ou preocupados, mas evitar enfrentar a treva, como diz no evangelho, não resistir, porque aquele que resistir pode-se envolver, uma vez que a treva está dentro da gente.

O mestre divino nos ensinou solicitar ao pai amoroso que nos livre do mal, porque ainda não possuímos a necessária condição para enfrentá-lo com equilíbrio, sem o perigo do contágio. Logo, cuidemos para não cair nas suas ciladas nem nos deixar arrastar pelos seus encantos mentirosos e seduções venenosas.

O recurso bendito da iluminação se esconde tantas vezes nos obstáculos, perplexidades e sombras do caminho. Jesus nos disse para andarmos enquanto temos luz. É que há luz do dia e treva da noite, esta no plano da aferição, e não existe processo de guindar-nos a determinados patamares sem a prova da noite.

Tem muita gente que quando não se mostra inclinada à vingança perante o mal que recebe, demonstra atitudes de hostilidade indireta, tais como o favor adiado ou o adiamento do entusiasmo na prestação de serviço em favor daquela pessoa menos simpática. Não acontece? Agora, para vencer o mal não basta essa meia verdade. Não vamos nos esquecer de que para anular a sombra noturna não basta arremeter os punhos cerrados contra o domínio da noite, é preciso acender uma luz, de forma que a mentalidade que deve nos envolver agora não é aquela mentalidade pura de resistência ao mal, como sendo o objetivo primordial. O objetivo primordial dessa nova fase, desse novo piso que temos alcançado, já não deve ser resistir ao mal, mas algo maior, a identidade com componentes novos para o trabalho, preparar o coração para doar.

"Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra." (Mateus 5:39) O ensinamento é lindo e compete a nós assimilá-lo e aplicá-lo em nossa vida diária se quisermos ser feliz. Neste mundo em que nos situamos transitam indivíduos nos graus mais variados de evolução. Uns operam o lado da agressividade, do combate ostensivo, da agressão sem medidas. E a criatura que é a vítima deve oferecer o quê? O outro lado. Deve oferecer o lado da pacificação, o lado da humildade, do entendimento, do respeito. É este o sentido. Pense comigo, se alguém te acusa, por exemplo, de maneira infeliz, de certa forma você está sendo esbofeteado(a), não está? Aí, sob a luz do evangelho, você deve oferecer o quê? Uma dose de compreensão, se for o caso, uma dose de paciência, e não aquela posição entrar na reação, na ação infeliz de modo a igualar-se com o agressor.

É fundamental não resistir ao mal, pois aquele que resiste à treva pode se envolver em razão da treva estar dentro da gente. Resistência ao mal seria como se a luz resolvesse brigar com a treva, e  a luz brigando com a treva é algo que não dá certo.

Você já imaginou isso? Assim acontecendo, o que está com a luz acaba por se apagar e o que está em treva não se ilumina. Não dá certo de forma alguma porque o papel da luz é dissipar a escuridão, com carinho e respeito. "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas." (Mateus 10:16) Ele envia, sim, mas não manda as ovelhas para o suicídio, não. Ou seja, quando uma ovelha é lançada no meio de lobos, seguindo a instrução de Jesus, é porque existe plena confiança nela. Ele encaminha ovelhas no sentido de desativar a agressividade inconsequente dos lobos, afinal, a luz tem o papel de desativar as trevas, não de agredi-la.

A gente fica querendo mudar as pessoas e para isso fica insistindo meramente no uso das palavras, como se só isso bastasse, e nem sempre esse processo é verbalístico por si só. É imprescindível alguma coisa que se veicule no verbo ao nível de profunda capacidade magnética e de um magnetismo que não seja cerceador, e sim fortalecedor, que porte amor na sua essencialidade. Não dá para desconsiderar, esse magnetismo tem que ser fundamentado e revestido de uma profunda disposição de cooperação, de uma ajuda e de auxílio fraterno.

Não é possível sanar o mal à força apenas de palavras. Podemos, muitas vezes, combater o mal para circunscrever-lhe a órbita de ação, limitar o seu campo de atuação, mas a única maneira de alcançar a perfeita vitória sobre ele será sempre a nossa perfeita consagração ao bem irrestrito. E a única coisa capaz de desativar a agressividade é a postura de oferecer ângulos que penetrem terreno da individualidade em outra configuração. Não podemos esquecer isso.

A presença da treva, em toda sua irreverência, na nossa ótica restrita de baixo para cima, para nós é um tremendo absurdo. Chega a ser inaceitável no nosso conceito. Entretanto, na linha direcional do universo em Deus, embora não estejamos lá em cima para definir que é assim, podemos depreender com tranquilidade, pois o conhecimento espiritual nos dá esse direito de deduzir, nós entendemos que de lá para cá a treva é um instrumento essencial para resolver determinadas dificuldades cristalizadas. Vamos tentar clarear e explicar melhor.

Para início de conversa, nenhum de nós vai trabalhar na disseminação do amor no meio dos anjos. Por quê? Porque eles não precisam. Imagine alguém dizendo: "Ei, reúne somente os anjos aqui porque eu vou pregar para eles!" Calma lá, isso não tem jeito de ocorrer. O amor se desenvolve é onde impera o ódio, onde vigora a resistência, razão pela qual Jesus manda ovelhas em meio aos lobos.

A luz se irradia na direção da treva e o mal pode ser compreendido como o bem não manifesto ainda. O bem tamponado pelos próprios padrões ou valores do nosso egoísmo. Não é difícil entender que a treva é o componente desafiador do bem.

Ela é a moldura que imprime destaque à luz. Concorda? Basta observar que para que o bem se manifeste de forma ampla ele precisa ter uma linha contrária ou recíproca em que possa operar. A luz só se engrandece e alcança expressão diante das trevas, e o bem diante da insinuação, embora relativa, do mal.

Em outras palavras, é o mal que dá condições de ativação do bem em sua expressão e crescimento. Não teríamos bons médicos se não existissem doentes, não teríamos bons professores sem a presença dos alunos desejosos de aprendizado, não haveria mestre sem discípulo e nem haveria bons profissionais sem os territórios para a operação correspondente, ainda carentes da ação deles.

22 de out de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 9

QUE A TUA LUZ NÃO SEJA TREVA

“VÊ, POIS, QUE A LUZ QUE EM TI HÁ NÃO SEJAM TREVAS.” LUCAS 11:35

Algo interessante que a gente tem que observar é que uma coisa é ser luz e outra coisa bem diferente é ser treva.

Sim, isso não pode ser desconsiderado porque tem muitas pessoas em todos os ambientes que se acham iluminadas, sentem-se como sendo iluminadas ou emitindo luz e são vistas de forma profunda como verdadeiros focos de trevas densas.

É importante entendermos que muitas entidades espirituais de baixo curso, de acentuada expressão trevosa, encontram-se certas de que estão operando a serviço da divindade. E de certa forma não estão erradas, elas estão mesmo. Estão e pronto, e ninguém tira delas essa convicção, porque de uma forma ou outra elas estão operando sob a tutela da justiça, até mesmo em razão da dificuldade que apresentam, por enquanto, de se abrirem sob o manto do amor.

Vamos pensar numa outra coisa, tem muita gente que apresenta uma luz extraordinária, só que ela não tem o caráter irradiador e clareador. Em outras palavras, o que queremos dizer é que a luz pode apresentar uma característica mais ou menos densa, de forma que nem toda luz é verdadeira. Tem luz que só se faz presente em certas ocasiões, como é o caso do indivíduo que só se faz calmo quanto tudo está tranquilo e conspirando a seu favor, ou aquela luz que é decorrente apenas da instrução intelectual, e não tem nada de aplicativo.

Está percebendo? A luz pode ser uma luz que não tem capacidade de clarear, ou pode ser simplesmente artificial, sem o poder de penetração. Tem muita gente que tem luz, mas uma luz que não se expressa, que não se irradia. Ela só toca, mas não sensibiliza amplamente. É por isso que temos que ter o cuidado para que nossa luz não seja treva. Porque a luz que não é operante, que não se presta à sua finalidade, por si só ela já tem uma fisionomia trevosa.

Um exemplo cabe muito bem agora e pode nos ajudar, em muito, a esclarecer a questão. Então, vamos lá. Se eu aprendi que não devo jogar casca de banana no passeio eu já fiz um bom avanço, já é uma grande vitória para mim. E ninguém tem dúvida disso. Se eu tiro a casca de banana que alguém, que eu não sei quem é, jogou no chão, aí já se trata de uma vitória ainda maior. Mas se eu tiro a casca de banana que alguém jogou e critico esse alguém que jogou, aí, sim, empalideceu a minha luz. Descaracterizou a minha ação.

Notou? Porque o processo é dessa forma. Às vezes, determinados lances menos felizes que eu dou desvirtuam amplamente o sentido da minha ação positiva.

É indispensável sabermos organizar o santuário interior e iluminá-lo a fim de que as trevas não nos dominem. Porque muitos companheiros nossos suspiram por fazer tarefas de amor confiando-se à aversão e à discórdia, ao passo que tantos outros sonham em servir à luz sustentando-se nas trevas da ociosidade e da ignorância.

A treva, de maneira relativa, pode ser definida como sendo a ausência da luz e as sombras que trazemos no campo da intimidade são resultantes das experiências vivenciadas. E essa treva nunca desaparece, pois no subconsciente, região mais baixa do psiquismo, há o plano gravitacional com as forças do abismo. Muitos acham que nós somos trevas querendo nos tornar luz, mas se esquecem que no fundo nós somos luz precisando dissipar as trevas.

A treva, para quem está dentro dela, e está em harmonia sob a sua ótica, é um processo natural. Percebeu? Ela é uma luz imensa para essa criatura, é luz para quem está dentro dela e está numa boa. Podemos até dizer mais, ela é uma luz muito boa e bonita até determinado momento em que a individualidade visualiza e se sente tocado por uma luz nova. É por isso que a treva se instaura em um coração como decorrência da chegada de novos componentes. E sendo a verdade como a luz, cabe a cada coisa vir a seu tempo.

Agora, também não podemos esquecer que quem não consegue manter-se ligado em uma proposta nova de crescimento acaba ficando submerso na sombra. Nós temos uma responsabilidade considerável diante de Deus no sentido de espalhar o melhor. Por isso, quem sabe na hora em que a nossa luz se acender a gente vá se preocupar mais com a treva do semelhante, de forma a ajudá-lo a encaminhar-se ao processo em que ele possa também vencer sua treva.

A luz precisa ter aquele plano de operação e aplicação para que realmente haja ressonância de bem estar e reconforto para nós. Isso é um raciocínio muito claro.

A luz apresenta utilidade para serviço. De nada adianta fazermos luz em nós se essa luz não tiver, se não apresentar uma capacidade de iluminar os que se encontram à nossa volta em treva maior. Jesus revestiu-se de luz e fez o quê? Mergulhou nas trevas, porque a mente do Cristo é um espelho sem sujidade a refletir amplamente o pensamento divino. E a fim de que o seu operário funcione como expressão de claridade na vida é indispensável que este se eleve ao monte da exemplificação, apesar das dificuldades na subida angustiosa.

E mais uma coisa, quanto mais alto o piso que ascendemos maior a nossa responsabilidade com o que a gente vê para baixo. Quanto mais o espírito evolui mais ele sente a necessidade de apagar a sua luz para que os outros também cresçam.

15 de out de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 8

ANDAR NA LUZ

“5E ESTA É A MENSAGEM QUE DELE OUVIMOS, E VOS ANUNCIAMOS; QUE DEUS É LUZ, E NÃO HÁ NELE TREVAS NENHUMA. 6SE DISSERMOS QUE TEMOS COMUNHÃO COM ELE, E ANDARMOS EM TREVAS, MENTIMOS, E NÃO PRATICAMOS A VERDADE. 7MAS, SE ANDARMOS NA LUZ, COMO ELE NA LUZ ESTÁ, TEMOS COMUNHÃO UNS COM OS OUTROS, E O SANGUE DE JESUS CRISTO, SEU FILHO, NOS PURIFICA DE TODO O PECADO.” I JOÃO 1:5-7

A vida de cada um de nós, sem dúvida alguma, costuma ter momentos de grande escuridão. E em meio à grande noite em que circunstancialmente nos situamos é necessário acendermos a nossa própria luz.

O ponto novo em que nos lançamos para maiores conquistas é sempre um trajeto de nebulosidade aos nossos passos face ao desconhecido, e sem fazermos luz é simplesmente impossível encontrarmos o caminho da libertação.

Sem a irradiação brilhante de nosso ser não poderemos ser vistos com facilidade pelos mensageiros divinos que ajudam em nome do altíssimo em todas estradas da vida, bem como também não auxiliaremos de forma efetiva a quem quer que seja.

É certo, pelo que o bom senso nos diz, que jamais teremos a capacidade de captar 100% da luz que nos chega oriunda do plano superior. Isso não é possível. O plano maior nos encaminha um processo revelador e costumamos recolher aquela parcela que temos capacidade de metabolizar. E mesmo assim, com certa dificuldade, às vezes, de conseguir operar um pequeno percentual dela.

Todavia, quando trabalhamos dentro da busca de aprendizado e assimilação, em elaborações mais específicas no plano da intimidade, passamos a criar luz interior e começamos a ver a vida de forma diferente, embora não pratiquemos ainda o aprendizado. Passamos a laborar um processo de vida que vai se instaurar e costumamos ficar situados naquele estágio positivo da euforia. Adentramos para uma faixa na intimidade onde já não vigora apenas a proposta de claridade interior, mas entra também uma proposta de doação, de trabalho, de cooperação, surge aquele grito interior de querer ser útil, de querer servir.

Quando começamos a trabalhar mais intimamente é como se passássemos a trabalhar as alterações das camadas dos elétrons de nossos átomos, em que surgem aqueles toques de oscilação ou de excitação na intimidade do núcleo, que é onde vigora realmente a força irradiadora de profundidade. Repare o seguinte, quando um elétron pula de uma camada exterior para uma camada mais próxima do núcleo o que é que acontece? Ele libera o quê? Um fóton real? O que significa isto? Ele lança claridade para fora, porque ele buscou a intimidade. É o que estamos nos propondo a fazer pelo estudo de melhoria pessoal.

As auras dos grandes expoentes da espiritualidade refletem a profunda busca dentro deles próprios. O que nós estamos falando é uma coisa científica, não tem nada de místico. Daí a gente conclui que temos de buscar dentro de nós mesmos, porque se não buscarmos dentro de nós mesmos e nos conhecermos, verificar o que temos para alterar e o que apresentamos de potenciais para lançarmos na vida, nós continuamos sendo as mesmas pessoas de antes. Não nos melhoramos. Continuamos com a nossa luzinha brilhando em certos momentos, apesar do nosso negativo que nos cerca. Fazemos alguma coisa positiva de vez em quando, colocamos nosso nome em alguma lista de auxílio, fazemos isto aqui, aquilo lá, damos um conselho vez por outra, atendemos um telefone, e está ótimo. Ficamos no procedimento comum da massa.

Agora, chega determinado momento em que temos que buscar algo mais dentro de nós mesmos, e quando isso ocorre nós começamos a caminhar com mais profundidade na estrada da evolução. E aprendemos que um pingo de luz, ou um flash ligeiro, pode apresentar um foco irradiador de uma beleza extraordinária.

Não basta a luz fulgurar tão somente em nossa razão e pontos de vista. É necessário mais do que isso, é preciso andarmos nela, assimilando-lhe os sagrados princípios para que assinalemos em nós mesmos a presença da verdadeira caridade, aliás, única alavanca capaz de nos sustentar em abençoada comunhão uns com os outros. Jesus é a luz e nós podemos andar na luz.

Quem anda na luz se reveste de claridade e é alcançado pela luz, e a luz do Senhor nos fará sentir o entendimento real, pois quem anda na luz enxerga as coisas com clareza. Se soubermos nos movimentar ao sol do evangelho saberemos identificar o infortúnio, onde cremos encontrar apenas rebeldia e desespero; a chaga da ignorância, onde supomos existir apenas maldade e crime.

Perceberemos que o erro de muitos se deve à circunstância de não haverem colhido as oportunidades que nos felicitam a existência e reconheceremos que, situados nas provas que motivaram a dor dos irmãos em delinquência, talvez não tivéssemos escapado à dominação da sombra. E constataremos também que a luz não necessita de outros processos para revelar a verdade, senão irradiar.

Porque o coração iluminado não necessita de muitos recursos da palavra, basta o sentimento esclarecido nos ensinamentos da boa nova. Uma das maravilhas do amor é o seu profundo e divino contágio e a missão da luz é revelar com verdade serena. Vamos ficar atentos ao chamado e atendamos ao nosso burilamento, pois apenas contemplando a luz das boas obras em nós é que outros entrarão no caminho das boas obras, glorificando a bondade e sabedoria de Deus.

5 de out de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 7

O CASTIÇAL

“12E VIREI-ME PARA VER QUEM FALAVA COMIGO. E, VIRANDO-ME, VI SETE CASTIÇAIS DE OURO; 13E NO MEIO DOS SETE CASTIÇAIS UM SEMELHANTE AO FILHO DO HOMEM, VESTIDO ATÉ AOS PÉS DE UMA ROUPA COMPRIDA, E CINGIDO PELOS PEITOS COM UM CINTO DE OURO.”APOCALIPSE1:12-13

“4TENHO, PORÉM, CONTRA TI QUE DEIXASTE O TEU PRIMEIRO AMOR. 5LEMBRA-TE, POIS, DE ONDE CAÍSTE, E ARREPENDE-TE, E PRATICA AS PRIMEIRAS OBRAS; QUANDO NÃO, BREVEMENTE A TI VIREI, E TIRAREI DO SEU LUGAR O TEU CASTIÇAL, SE NÃO TE ARREPENDERES.” APOCALIPSE 2:4-5

Quando, no esforço incessante da luta íntima, vamos vencendo com tranquilidade e segurança as nossas dificuldades morais, recebemos muito amparo daqueles companheiros espirituais que nos envolvem e zelam por nós. O que não é novidade para ninguém, claro.

E quando já brota dentro de nós aquela possibilidade e disposição de servir o castiçal nos é entregue como um instrumento fundamental para a ascensão espiritual.

O castiçal, vamos entender que é preciso que ele seja um componente irradiador da luz. Ele é um instrumento em que o equilíbrio é fator imprescindível para que possamos ajustar a lâmpada que clareia de forma adequada. Ele nos é entregue, todavia ter luz ou não ter luz nesse castiçal não é uma questão automática. Vai depender de quê? Da capacidade de cada um de nós. Porque em sua linha natural de evolução o castiçal é criado de baixo para cima.

Está dando para entender? É por isso que não há castiçal e luz nesse castiçal sem educação. Não adianta alguém querer fazer a luz funcionar fora de uma base suficiente e segura. O castiçal faz o papel de instrumentalidade e temos que cuidar com muito carinho para que ele possa atender aos impulsos naturais da luz que necessita irradiar-se. Outro ponto fundamental que não podemos esquecer é que na evolução moral a luz é sempre instaurada de cima para baixo.

Ficou claro? A essência, ou melhor dizendo, a luz que é colocada sobre esse castiçal é produto de quê? De algo que vem dos planos superiores. Daí a gente conclui que o importante não é especificamente o castiçal, o importante é a luz que está sobre esse castiçal.

O apocalipse não deixa dúvida nenhuma: "E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; e no meio dos sete castiçais um semelhante ao filho do homem." (Apocalipse 1:12-13) Pense comigo. Ao ver o filho do homem no meio dos castiçais, isto é, exatamente no centro, porque o meio é o centro, se está vendo nada mais nada menos do que o objetivo desses castiçais, está vendo para onde se destina a luz que dimana deles, que é laborar as personalidades humanas em uma proposta redentora de libertação espiritual.

E vamos notar mais, quem está no centro vê tudo o que está em volta. Então, tem algum castiçal que estava fora da presença e percepção desse filho do homem? Não. Todos eram importantes, tanto era importante o primeiro como o último deles. São detalhes interessantes para nós, todo o evangelho de Jesus tem praticamente essa finalidade de clarear o entendimento, de clarear nosso território, iluminar nosso campo de ação. E no castiçal é colocada a luz que, a princípio, tem a finalidade de clarear, a definir a importância de que ele seja um componente irradiador da luz. Não é qualquer castiçal, é o melhor, de ouro, pois o ouro representa o que de mais precioso e valioso existe na faixa de doação.

Estamos falando em castiçal e ainda não o definimos. O que é um castiçal? Parou para pensar? É um suporte. É exatamente um utensílio, em cuja parte superior existe um local onde se deposita a vela. Consiste no suporte onde se coloca a lâmpada ou a luz. Podemos dizer que ele é o componente apropriado para que a luz seja colocada. Castiçal é a instrumentalidade, o instrumento do qual nós contamos para operar, e que tem que ser trabalhado para que possa atender aos impulsos naturais da luz que necessita irradiar-se. Para nós hoje, dentro da mentalidade operacional no bem, o castiçal está consubstanciado no corpo físico, na inteligência, na faculdade de falar, na mediunidade, e por aí adiante.

Como exemplo nós temos as mãos, os pés, as pernas para nos movimentarmos, é a profissão, determinado dom que temos, e há inúmeros outros aspectos e caracteres que fazem o papel de castiçal. Surge um momento na caminhada em que passamos a ser um castiçal vivo a serviço divino. Não acontece isso? Não tem pessoas que irradiam luz? Agora, ter luz ou não ter nesse castiçal já é outra história, vai depender da capacidade de cada um.

Não vá ficar chateado com que eu vou dizer, mas todos nós temos a ideia de que o que recebemos nos é dado para trabalho. O que recebemos do plano superior, e tudo vem de lá, é para ser dinamizado no plano horizontal da vida junto aos irmãos de humanidade. E o castiçal nos é retirado quando nós não o dinamizamos como ele tem que ser dinamizado. Ele nos é retirado se não houver um aproveitamento dele, se ele não se prestar à sua finalidade. Todos nós conhecemos diversos exemplos dessa perda. Conhecemos amigos, parentes, colegas, sabemos de inúmeras pessoas que vivenciaram isso, quando não nós mesmos. Outro ponto que vale a pena ser observado é que antes de perdermos determinado componente operacional, um instrumento de trabalho, nós somos repreendidos.

O tempo tem passado tão rápido e as horas tão céleres e vale a pena lembrar que por mais intempestiva seja a prova pela qual passamos, por mais agressiva a prova, por mais contundente a dificuldade que nos visita, a gente teve aviso antes. A gente foi alertado, de maneira sutil, mas foi, dentro da nossa intuição.

2 de out de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 6

A CANDEIA

“14VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO; NÃO SE PODE ESCONDER UMA CIDADE EDIFICADA SOBRE UM MONTE; 15NEM SE ACENDE A CANDEIA E SE COLOCA DEBAIXO DO ALQUEIRE, MAS NO VELADOR, E DÁ A LUZ A TODOS QUE ESTÃO NA CASA.” MATEUS 5:14-15

“E NINGUÉM, ACENDENDO UMA CANDEIA, A PÕE EM OCULTO, NEM DEBAIXO DO ALQUEIRE, MAS NO VELADOR, PARA QUE OS QUE ENTRAM VEJAM A LUZ.” LUCAS 11:33

O que estamos fazendo é trabalhar a assimilação da luz em um novo plano de capacidade. De modo a podermos receber a luz em uma nova dimensão, uma luz que não é a luz na base dos fótons, ou melhor, uma luz que vai ter fótons em outra dimensão.

Uma luz que dimana das autoridades que amam, porque o amor no fundo é canalizado sob a forma de luz. A claridade irradiadora capaz de nos sustentar e fazer com que tudo fique claro não está aqui, mas provém de lá, do plano superior.

Por isso não existem trevas no universo, o que existem são trevas relativas, pois é o amor que mantém a sustentação universal. E se o amor é que sustenta o universo o problema não está na luz, nós é que não a enxergamos, e tanto é que à noite olhamos para o céu e tudo está escuro, com exceção daquelas estrelas que emitem luz ou refletem a do sol. Mas a luz está passando abundantemente acima de nós. Ou será que não está? Não estamos vendo porque não conseguimos refleti-la, mas a claridade não deixa de passar por nós.

O que estamos fazendo é buscar conhecimentos, clareando o campo mental, recolhendo orientações seguras para a caminhada que nos compete. E quando a gente analisa, por exemplo, no plano da estrutura de um átomo, notamos que quando um elétron de uma órbita periférica caminha para uma esfera mais próxima ao núcleo ele emite um fóton real, e a mesma coisa acontece conosco. Quanto mais nós trabalhamos o coração mais luz nós emitimos por uma linha de correlação entre a luz física e a luz profunda que dimana dos espíritos superiores.

Na hora em que o processo vai se solidificando, a pseudo verdade que chega a nível de justiça começa a ser apropriada dentro de nós e passamos a irradiar também. A incorporamos e ela passa a se irradiar para atender outros elementos.

Candeia simboliza o instrumento de iluminação cuja chama, alimentada pelo óleo que a abastece, afasta a escuridão existente. Consiste em um pequeno aparelho de iluminação que se suspende por prego e é abastecido com óleo. E velador, por sua vez, é suporte vertical de madeira que se assenta em base ou pé e termina no alto por um disco de onde se põe o candeeiro. Sendo nós essa candeia viva, a iluminação é a perfeita imagem de nós mesmos e somente pela reeducação dos sentimentos, mediante o esforço próprio, pode-se esperar a mudança das criaturas humanas, uma vez que essa mudança se inicia pelo sentimento.

Toda manifestação do amor em sua essencialidade tem que partir da proposta pessoal e toda iluminação nasce, antes de tudo, do sentimento. Acender a luz implica em significativa carga magnética, e imprimindo sentimentos de fé e esperança em nós mesmos e nos que nos cercam, resplandecendo os nossos melhores sentimentos, nosso esforço será sempre percebido e aceito por alguém. Outra questão interessante é que não se acende a luz sem o óleo e o pavio.

E tem mais, a claridade consome força ou combustível. Qual o resultado? Não basta acender a luz, é preciso mantê-la. De certa forma todos ambicionam a paz, raros ajudam a mantê-la. E o que temos feito para sustentá-la? É imperiosa a nossa adesão mental. Sem o sacrifício da energia ou do óleo a luz não se mantém. E para nós o material mantenedor da luz é o entusiasmo, a vontade.

A planta nós todos sabemos que cultiva o processo natural do psiquismo dela, que chamamos de alotropia, no processo de busca da luz. E se o vegetal tem a capacidade de transformar a luz em matéria orgânica na intimidade da célula, nós também exercemos um processo de fotossíntese, embora em posições bem acanhadas, mas válidas, no que diz respeito à luz maior proveniente do Cristo.

Somos chamados, e não há dúvida sobre isso, mediante os implementos do nosso centro coronário, a apanhar os valores irradiados pelo evangelho, já que ele é a luz do mundo, e a transformar esse material em quê? Em material concreto e substancioso dentro de nós, e oferecer esse material como a planta oferece o oxigênio, pela retenção do carbono. Não dá para ignorar que o manto protetor do amor irradia induções para um trabalho efetivo de ressonância deste amor na linha horizontal da vida. Deu para entender? O plano de cima nos ampara, recebemos de lá e temos que espalhar. Na medida em que nós começamos a entender o amor, em sua beleza e grandiosidade, naquela sua linha de sustentação do júbilo e da euforia interior, observamos que na hora em que isso se instaura no nosso coração nós sentimos uma vontade muito grande de que esse amor não fique só com a gente, restrito à gente, encasulado em nossa intimidade dentro de um padrão puramente personalístico.

A gente passa a sentir realmente aquela vontade de fazer com que outros vibrem também.

É a luz que ilumina, dá significado e valoriza a vida. Agora, se procurarmos em suas lições apenas o conforto e o bem estar para nós, sem compreender o apelo maior que nos convoca ao exercício da fraternidade, sua claridade ficará aprisionada no vaso do egoísmo e de nada valerá. Nada mesmo, e sabe porquê? Porque apesar de detê-la continuaremos na escuridão de nossas mazelas.

Tudo o que nos chega a nível positivo de conquista é para ser dinamizado, tudo o que é guardado a sete chaves representa uma soma de amor não operante.

Isso é uma coisa para a gente pensar com carinho. O cordeiro divino compara os seus ensinamentos com a luz que afugenta as trevas e ele nos convoca a resplandecer a luz de nossas aquisições evolutivas a benefício dos companheiros de jornada, de modo a sairmos do egocentrismo e estabelecer canais de entendimento e compreensão mútuos. Pessoas conscientes sabem que todo conhecimento destinado à melhoria moral e intelectual do ser humano não deve permanecer oculto, mas ser amplamente divulgado. É um erro lamentável despender nossas forças sem proveito para ninguém, sob a medida de nosso egoísmo, vaidade ou limitação pessoal. A luz apresenta sentido dinâmico, clareador e foi feita para brilhar acima, não embaixo da cama. Aliás, a dinâmica é uma lei maior que impera na extensão de todo o universo.

Vamos colocar as nossas possibilidades ao dispor dos outros, pois ninguém deve amealhar as vantagens da experiência terrestre somente para si. Do ponto de vista espiritual, a candeia assemelha-se à mente esclarecida e enobrecida de valores morais que afasta as trevas da ignorância existentes na humanidade.

Espíritos superiores não mantém ocultos os conhecimentos que possuem, até pelo contrário, disponibiliza-os a qualquer pessoa. No entanto, manda a prudência que se gradue a transmissão de todo e qualquer ensinamento à capacidade de assimilação daquele a quem se quer instruir, de vez que uma luz intensa demais pode apenas deslumbrar, ao invés de esclarecer. Cada ideia nova, cada progresso, tem que vir na época conveniente. Seria insensato pregar elevados códigos morais a quem ainda se encontrasse em estado de pura selvageria, tanto quanto querer ministrar regras de álgebra ao aluno que mal dominasse a tabuada, razão pela qual Jesus coloca parte dos seus ensinos, os mais complexos, sob o véu do símbolo. É preciso saber aguardar a hora certa.

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