26 de out de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 10 - Final

NÃO RESISTAIS AO MAL

“EU, PORÉM, VOS DIGO QUE NÃO RESISTAIS AO MAL; MAS, SE QUALQUER TE BATER NA FACE DIREITA, OFERECE-LHE TAMBÉM A OUTRA;” MATEUS 5:39

“EIS QUE VOS ENVIO COMO OVELHAS AO MEIO DE LOBOS; PORTANTO, SEDE PRUDENTES COMO AS SERPENTES E INOFENSIVOS COMO AS POMBAS.” MATEUS 10:16

“NÃO TE DEIXES VENCER PELO MAL, MAS VENCE O MAL COM O BEM”. ROMANOS 12:21

Em geral, nós estudamos o evangelho e nos esforçamos de todas as boas maneiras porque ansiamos por fazer luz em nós mesmos. Isso é ótimo, caracteriza um passo e tanto no nosso aprimoramento, todavia, na hora de aplicar a luz costumamos querer brigar com a treva que aparece em nossa frente.

Aí não tem jeito. Como se diz na linguagem popular, aí "ninguém merece". É que quando a gente briga com a luz nós agimos de forma escura, de forma apagada. A nossa luz, que deveria se manifestar de forma positiva e clareadora, se transforma, também, temporariamente, em treva. Não é difícil entender a importância do que estamos falando. Vamos lá, onde é que o amor se desenvolve? Em meio onde impera o ódio, onde impera a resistência e a treva.

Assim, o universo não comporta nenhum clima de desajuste, nenhum clima de resistência. Podemos mesmo dizer que os nossos sofrimentos se iniciam à partir daquele momento em que nos rebelamos dentro do próprio sistema em que estamos ajustados. Logo, é fundamental ter essa ótica. Comumente queremos fazer luz em nós brigando com as trevas e a luz não pode investir contra elas.

Ao abraçarmos a renovação espiritual para a conquista da luz quase sempre somos contraditados pelas forças da sombra. Elas chegam, invariavelmente, como se tivéssemos o coração exposto a essas insinuações. E o evangelho é claro para nossa afirmação. Especificamente no capítulo cinco de Mateus nós temos: "Não resistais ao mal." Jesus disse para não resistirmos ao mal. Vamos lá, é mal (com l), não é mau (com u). É não resistais ao "mal" (com l). Infelizmente, algumas versões bíblicas falam não resistais ao "mau", ao homem mau.

Olha, vamos ser sinceros, a gente não tem que ter medo de homem nenhum, muito menos lutar com quem quer que seja. O problema que não pode existir é o mal, porque a resistência ao mal seria como se a luz resolvesse querer brigar com a treva e a luz brigando com a treva é uma coisa que não dá, porque o papel da luz é dissipá-la, com carinho e respeito. Deu para captar? A gente não pode confundir a essencialidade do problema (mal) com a pessoa (mau), porque o mau, na intimidade, é um filho de Deus. E dentro daquele que transita por caminhos obscuros, dentro da treva, existe uma luzinha que acalenta aquele que a cultiva, e que é a ótica dele. O que precisamos é trabalhar contra o erro, porque na intimidade, bem lá no fundo, cada um é filho de Deus.

E sabe porque tem que ser assim? Porque quem resiste ao mal não tem autoridade para decompô-lo ou desativá-lo. Aí é que está a questão. Quem resiste ao mal entra na luta contra o mal e a luz não pode investir contra as trevas.

Se Jesus tivesse entrado em luta com o mal provavelmente não estaríamos estudando seu evangelho agora. Pense para você ver, nenhum de nós tem autoridade para apontar o errado de uma maneira descaracterizada. Toda criatura que tem por norma desautorizar, bombardear ou maldizer ela não está apta ainda a determinadas faixas do seu crescimento espiritual. Sem contar outra coisa que nós temos que ter em conta: não vamos ficar apreensivos ou preocupados, mas evitar enfrentar a treva, como diz no evangelho, não resistir, porque aquele que resistir pode-se envolver, uma vez que a treva está dentro da gente.

O mestre divino nos ensinou solicitar ao pai amoroso que nos livre do mal, porque ainda não possuímos a necessária condição para enfrentá-lo com equilíbrio, sem o perigo do contágio. Logo, cuidemos para não cair nas suas ciladas nem nos deixar arrastar pelos seus encantos mentirosos e seduções venenosas.

O recurso bendito da iluminação se esconde tantas vezes nos obstáculos, perplexidades e sombras do caminho. Jesus nos disse para andarmos enquanto temos luz. É que há luz do dia e treva da noite, esta no plano da aferição, e não existe processo de guindar-nos a determinados patamares sem a prova da noite.

Tem muita gente que quando não se mostra inclinada à vingança perante o mal que recebe, demonstra atitudes de hostilidade indireta, tais como o favor adiado ou o adiamento do entusiasmo na prestação de serviço em favor daquela pessoa menos simpática. Não acontece? Agora, para vencer o mal não basta essa meia verdade. Não vamos nos esquecer de que para anular a sombra noturna não basta arremeter os punhos cerrados contra o domínio da noite, é preciso acender uma luz, de forma que a mentalidade que deve nos envolver agora não é aquela mentalidade pura de resistência ao mal, como sendo o objetivo primordial. O objetivo primordial dessa nova fase, desse novo piso que temos alcançado, já não deve ser resistir ao mal, mas algo maior, a identidade com componentes novos para o trabalho, preparar o coração para doar.

"Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra." (Mateus 5:39) O ensinamento é lindo e compete a nós assimilá-lo e aplicá-lo em nossa vida diária se quisermos ser feliz. Neste mundo em que nos situamos transitam indivíduos nos graus mais variados de evolução. Uns operam o lado da agressividade, do combate ostensivo, da agressão sem medidas. E a criatura que é a vítima deve oferecer o quê? O outro lado. Deve oferecer o lado da pacificação, o lado da humildade, do entendimento, do respeito. É este o sentido. Pense comigo, se alguém te acusa, por exemplo, de maneira infeliz, de certa forma você está sendo esbofeteado(a), não está? Aí, sob a luz do evangelho, você deve oferecer o quê? Uma dose de compreensão, se for o caso, uma dose de paciência, e não aquela posição entrar na reação, na ação infeliz de modo a igualar-se com o agressor.

É fundamental não resistir ao mal, pois aquele que resiste à treva pode se envolver em razão da treva estar dentro da gente. Resistência ao mal seria como se a luz resolvesse brigar com a treva, e  a luz brigando com a treva é algo que não dá certo.

Você já imaginou isso? Assim acontecendo, o que está com a luz acaba por se apagar e o que está em treva não se ilumina. Não dá certo de forma alguma porque o papel da luz é dissipar a escuridão, com carinho e respeito. "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas." (Mateus 10:16) Ele envia, sim, mas não manda as ovelhas para o suicídio, não. Ou seja, quando uma ovelha é lançada no meio de lobos, seguindo a instrução de Jesus, é porque existe plena confiança nela. Ele encaminha ovelhas no sentido de desativar a agressividade inconsequente dos lobos, afinal, a luz tem o papel de desativar as trevas, não de agredi-la.

A gente fica querendo mudar as pessoas e para isso fica insistindo meramente no uso das palavras, como se só isso bastasse, e nem sempre esse processo é verbalístico por si só. É imprescindível alguma coisa que se veicule no verbo ao nível de profunda capacidade magnética e de um magnetismo que não seja cerceador, e sim fortalecedor, que porte amor na sua essencialidade. Não dá para desconsiderar, esse magnetismo tem que ser fundamentado e revestido de uma profunda disposição de cooperação, de uma ajuda e de auxílio fraterno.

Não é possível sanar o mal à força apenas de palavras. Podemos, muitas vezes, combater o mal para circunscrever-lhe a órbita de ação, limitar o seu campo de atuação, mas a única maneira de alcançar a perfeita vitória sobre ele será sempre a nossa perfeita consagração ao bem irrestrito. E a única coisa capaz de desativar a agressividade é a postura de oferecer ângulos que penetrem terreno da individualidade em outra configuração. Não podemos esquecer isso.

A presença da treva, em toda sua irreverência, na nossa ótica restrita de baixo para cima, para nós é um tremendo absurdo. Chega a ser inaceitável no nosso conceito. Entretanto, na linha direcional do universo em Deus, embora não estejamos lá em cima para definir que é assim, podemos depreender com tranquilidade, pois o conhecimento espiritual nos dá esse direito de deduzir, nós entendemos que de lá para cá a treva é um instrumento essencial para resolver determinadas dificuldades cristalizadas. Vamos tentar clarear e explicar melhor.

Para início de conversa, nenhum de nós vai trabalhar na disseminação do amor no meio dos anjos. Por quê? Porque eles não precisam. Imagine alguém dizendo: "Ei, reúne somente os anjos aqui porque eu vou pregar para eles!" Calma lá, isso não tem jeito de ocorrer. O amor se desenvolve é onde impera o ódio, onde vigora a resistência, razão pela qual Jesus manda ovelhas em meio aos lobos.

A luz se irradia na direção da treva e o mal pode ser compreendido como o bem não manifesto ainda. O bem tamponado pelos próprios padrões ou valores do nosso egoísmo. Não é difícil entender que a treva é o componente desafiador do bem.

Ela é a moldura que imprime destaque à luz. Concorda? Basta observar que para que o bem se manifeste de forma ampla ele precisa ter uma linha contrária ou recíproca em que possa operar. A luz só se engrandece e alcança expressão diante das trevas, e o bem diante da insinuação, embora relativa, do mal.

Em outras palavras, é o mal que dá condições de ativação do bem em sua expressão e crescimento. Não teríamos bons médicos se não existissem doentes, não teríamos bons professores sem a presença dos alunos desejosos de aprendizado, não haveria mestre sem discípulo e nem haveria bons profissionais sem os territórios para a operação correspondente, ainda carentes da ação deles.

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