2 de out de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 6

A CANDEIA

“14VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO; NÃO SE PODE ESCONDER UMA CIDADE EDIFICADA SOBRE UM MONTE; 15NEM SE ACENDE A CANDEIA E SE COLOCA DEBAIXO DO ALQUEIRE, MAS NO VELADOR, E DÁ A LUZ A TODOS QUE ESTÃO NA CASA.” MATEUS 5:14-15

“E NINGUÉM, ACENDENDO UMA CANDEIA, A PÕE EM OCULTO, NEM DEBAIXO DO ALQUEIRE, MAS NO VELADOR, PARA QUE OS QUE ENTRAM VEJAM A LUZ.” LUCAS 11:33

O que estamos fazendo é trabalhar a assimilação da luz em um novo plano de capacidade. De modo a podermos receber a luz em uma nova dimensão, uma luz que não é a luz na base dos fótons, ou melhor, uma luz que vai ter fótons em outra dimensão.

Uma luz que dimana das autoridades que amam, porque o amor no fundo é canalizado sob a forma de luz. A claridade irradiadora capaz de nos sustentar e fazer com que tudo fique claro não está aqui, mas provém de lá, do plano superior.

Por isso não existem trevas no universo, o que existem são trevas relativas, pois é o amor que mantém a sustentação universal. E se o amor é que sustenta o universo o problema não está na luz, nós é que não a enxergamos, e tanto é que à noite olhamos para o céu e tudo está escuro, com exceção daquelas estrelas que emitem luz ou refletem a do sol. Mas a luz está passando abundantemente acima de nós. Ou será que não está? Não estamos vendo porque não conseguimos refleti-la, mas a claridade não deixa de passar por nós.

O que estamos fazendo é buscar conhecimentos, clareando o campo mental, recolhendo orientações seguras para a caminhada que nos compete. E quando a gente analisa, por exemplo, no plano da estrutura de um átomo, notamos que quando um elétron de uma órbita periférica caminha para uma esfera mais próxima ao núcleo ele emite um fóton real, e a mesma coisa acontece conosco. Quanto mais nós trabalhamos o coração mais luz nós emitimos por uma linha de correlação entre a luz física e a luz profunda que dimana dos espíritos superiores.

Na hora em que o processo vai se solidificando, a pseudo verdade que chega a nível de justiça começa a ser apropriada dentro de nós e passamos a irradiar também. A incorporamos e ela passa a se irradiar para atender outros elementos.

Candeia simboliza o instrumento de iluminação cuja chama, alimentada pelo óleo que a abastece, afasta a escuridão existente. Consiste em um pequeno aparelho de iluminação que se suspende por prego e é abastecido com óleo. E velador, por sua vez, é suporte vertical de madeira que se assenta em base ou pé e termina no alto por um disco de onde se põe o candeeiro. Sendo nós essa candeia viva, a iluminação é a perfeita imagem de nós mesmos e somente pela reeducação dos sentimentos, mediante o esforço próprio, pode-se esperar a mudança das criaturas humanas, uma vez que essa mudança se inicia pelo sentimento.

Toda manifestação do amor em sua essencialidade tem que partir da proposta pessoal e toda iluminação nasce, antes de tudo, do sentimento. Acender a luz implica em significativa carga magnética, e imprimindo sentimentos de fé e esperança em nós mesmos e nos que nos cercam, resplandecendo os nossos melhores sentimentos, nosso esforço será sempre percebido e aceito por alguém. Outra questão interessante é que não se acende a luz sem o óleo e o pavio.

E tem mais, a claridade consome força ou combustível. Qual o resultado? Não basta acender a luz, é preciso mantê-la. De certa forma todos ambicionam a paz, raros ajudam a mantê-la. E o que temos feito para sustentá-la? É imperiosa a nossa adesão mental. Sem o sacrifício da energia ou do óleo a luz não se mantém. E para nós o material mantenedor da luz é o entusiasmo, a vontade.

A planta nós todos sabemos que cultiva o processo natural do psiquismo dela, que chamamos de alotropia, no processo de busca da luz. E se o vegetal tem a capacidade de transformar a luz em matéria orgânica na intimidade da célula, nós também exercemos um processo de fotossíntese, embora em posições bem acanhadas, mas válidas, no que diz respeito à luz maior proveniente do Cristo.

Somos chamados, e não há dúvida sobre isso, mediante os implementos do nosso centro coronário, a apanhar os valores irradiados pelo evangelho, já que ele é a luz do mundo, e a transformar esse material em quê? Em material concreto e substancioso dentro de nós, e oferecer esse material como a planta oferece o oxigênio, pela retenção do carbono. Não dá para ignorar que o manto protetor do amor irradia induções para um trabalho efetivo de ressonância deste amor na linha horizontal da vida. Deu para entender? O plano de cima nos ampara, recebemos de lá e temos que espalhar. Na medida em que nós começamos a entender o amor, em sua beleza e grandiosidade, naquela sua linha de sustentação do júbilo e da euforia interior, observamos que na hora em que isso se instaura no nosso coração nós sentimos uma vontade muito grande de que esse amor não fique só com a gente, restrito à gente, encasulado em nossa intimidade dentro de um padrão puramente personalístico.

A gente passa a sentir realmente aquela vontade de fazer com que outros vibrem também.

É a luz que ilumina, dá significado e valoriza a vida. Agora, se procurarmos em suas lições apenas o conforto e o bem estar para nós, sem compreender o apelo maior que nos convoca ao exercício da fraternidade, sua claridade ficará aprisionada no vaso do egoísmo e de nada valerá. Nada mesmo, e sabe porquê? Porque apesar de detê-la continuaremos na escuridão de nossas mazelas.

Tudo o que nos chega a nível positivo de conquista é para ser dinamizado, tudo o que é guardado a sete chaves representa uma soma de amor não operante.

Isso é uma coisa para a gente pensar com carinho. O cordeiro divino compara os seus ensinamentos com a luz que afugenta as trevas e ele nos convoca a resplandecer a luz de nossas aquisições evolutivas a benefício dos companheiros de jornada, de modo a sairmos do egocentrismo e estabelecer canais de entendimento e compreensão mútuos. Pessoas conscientes sabem que todo conhecimento destinado à melhoria moral e intelectual do ser humano não deve permanecer oculto, mas ser amplamente divulgado. É um erro lamentável despender nossas forças sem proveito para ninguém, sob a medida de nosso egoísmo, vaidade ou limitação pessoal. A luz apresenta sentido dinâmico, clareador e foi feita para brilhar acima, não embaixo da cama. Aliás, a dinâmica é uma lei maior que impera na extensão de todo o universo.

Vamos colocar as nossas possibilidades ao dispor dos outros, pois ninguém deve amealhar as vantagens da experiência terrestre somente para si. Do ponto de vista espiritual, a candeia assemelha-se à mente esclarecida e enobrecida de valores morais que afasta as trevas da ignorância existentes na humanidade.

Espíritos superiores não mantém ocultos os conhecimentos que possuem, até pelo contrário, disponibiliza-os a qualquer pessoa. No entanto, manda a prudência que se gradue a transmissão de todo e qualquer ensinamento à capacidade de assimilação daquele a quem se quer instruir, de vez que uma luz intensa demais pode apenas deslumbrar, ao invés de esclarecer. Cada ideia nova, cada progresso, tem que vir na época conveniente. Seria insensato pregar elevados códigos morais a quem ainda se encontrasse em estado de pura selvageria, tanto quanto querer ministrar regras de álgebra ao aluno que mal dominasse a tabuada, razão pela qual Jesus coloca parte dos seus ensinos, os mais complexos, sob o véu do símbolo. É preciso saber aguardar a hora certa.

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