22 de out de 2013

Cap 38 - O Sal e a Luz (2ª edição) - Parte 9

QUE A TUA LUZ NÃO SEJA TREVA

“VÊ, POIS, QUE A LUZ QUE EM TI HÁ NÃO SEJAM TREVAS.” LUCAS 11:35

Algo interessante que a gente tem que observar é que uma coisa é ser luz e outra coisa bem diferente é ser treva.

Sim, isso não pode ser desconsiderado porque tem muitas pessoas em todos os ambientes que se acham iluminadas, sentem-se como sendo iluminadas ou emitindo luz e são vistas de forma profunda como verdadeiros focos de trevas densas.

É importante entendermos que muitas entidades espirituais de baixo curso, de acentuada expressão trevosa, encontram-se certas de que estão operando a serviço da divindade. E de certa forma não estão erradas, elas estão mesmo. Estão e pronto, e ninguém tira delas essa convicção, porque de uma forma ou outra elas estão operando sob a tutela da justiça, até mesmo em razão da dificuldade que apresentam, por enquanto, de se abrirem sob o manto do amor.

Vamos pensar numa outra coisa, tem muita gente que apresenta uma luz extraordinária, só que ela não tem o caráter irradiador e clareador. Em outras palavras, o que queremos dizer é que a luz pode apresentar uma característica mais ou menos densa, de forma que nem toda luz é verdadeira. Tem luz que só se faz presente em certas ocasiões, como é o caso do indivíduo que só se faz calmo quanto tudo está tranquilo e conspirando a seu favor, ou aquela luz que é decorrente apenas da instrução intelectual, e não tem nada de aplicativo.

Está percebendo? A luz pode ser uma luz que não tem capacidade de clarear, ou pode ser simplesmente artificial, sem o poder de penetração. Tem muita gente que tem luz, mas uma luz que não se expressa, que não se irradia. Ela só toca, mas não sensibiliza amplamente. É por isso que temos que ter o cuidado para que nossa luz não seja treva. Porque a luz que não é operante, que não se presta à sua finalidade, por si só ela já tem uma fisionomia trevosa.

Um exemplo cabe muito bem agora e pode nos ajudar, em muito, a esclarecer a questão. Então, vamos lá. Se eu aprendi que não devo jogar casca de banana no passeio eu já fiz um bom avanço, já é uma grande vitória para mim. E ninguém tem dúvida disso. Se eu tiro a casca de banana que alguém, que eu não sei quem é, jogou no chão, aí já se trata de uma vitória ainda maior. Mas se eu tiro a casca de banana que alguém jogou e critico esse alguém que jogou, aí, sim, empalideceu a minha luz. Descaracterizou a minha ação.

Notou? Porque o processo é dessa forma. Às vezes, determinados lances menos felizes que eu dou desvirtuam amplamente o sentido da minha ação positiva.

É indispensável sabermos organizar o santuário interior e iluminá-lo a fim de que as trevas não nos dominem. Porque muitos companheiros nossos suspiram por fazer tarefas de amor confiando-se à aversão e à discórdia, ao passo que tantos outros sonham em servir à luz sustentando-se nas trevas da ociosidade e da ignorância.

A treva, de maneira relativa, pode ser definida como sendo a ausência da luz e as sombras que trazemos no campo da intimidade são resultantes das experiências vivenciadas. E essa treva nunca desaparece, pois no subconsciente, região mais baixa do psiquismo, há o plano gravitacional com as forças do abismo. Muitos acham que nós somos trevas querendo nos tornar luz, mas se esquecem que no fundo nós somos luz precisando dissipar as trevas.

A treva, para quem está dentro dela, e está em harmonia sob a sua ótica, é um processo natural. Percebeu? Ela é uma luz imensa para essa criatura, é luz para quem está dentro dela e está numa boa. Podemos até dizer mais, ela é uma luz muito boa e bonita até determinado momento em que a individualidade visualiza e se sente tocado por uma luz nova. É por isso que a treva se instaura em um coração como decorrência da chegada de novos componentes. E sendo a verdade como a luz, cabe a cada coisa vir a seu tempo.

Agora, também não podemos esquecer que quem não consegue manter-se ligado em uma proposta nova de crescimento acaba ficando submerso na sombra. Nós temos uma responsabilidade considerável diante de Deus no sentido de espalhar o melhor. Por isso, quem sabe na hora em que a nossa luz se acender a gente vá se preocupar mais com a treva do semelhante, de forma a ajudá-lo a encaminhar-se ao processo em que ele possa também vencer sua treva.

A luz precisa ter aquele plano de operação e aplicação para que realmente haja ressonância de bem estar e reconforto para nós. Isso é um raciocínio muito claro.

A luz apresenta utilidade para serviço. De nada adianta fazermos luz em nós se essa luz não tiver, se não apresentar uma capacidade de iluminar os que se encontram à nossa volta em treva maior. Jesus revestiu-se de luz e fez o quê? Mergulhou nas trevas, porque a mente do Cristo é um espelho sem sujidade a refletir amplamente o pensamento divino. E a fim de que o seu operário funcione como expressão de claridade na vida é indispensável que este se eleve ao monte da exemplificação, apesar das dificuldades na subida angustiosa.

E mais uma coisa, quanto mais alto o piso que ascendemos maior a nossa responsabilidade com o que a gente vê para baixo. Quanto mais o espírito evolui mais ele sente a necessidade de apagar a sua luz para que os outros também cresçam.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...