31 de out de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 1

É PRECISO SABER OUVIR

“BEM AVENTURADO AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS; PORQUE O TEMPO ESTÁ PRÓXIMO.” APOCALIPSE 1:3

“QUEM TEM OUVIDOS PARA OUVIR, OUÇA.” MATEUS 11:15

Os cinco sentidos físicos que nós temos funcionam como se fossem janelas de interação com a vida exterior, através das quais conseguimos irradiar alguma coisa e também recolhemos alguma coisa ao nível de informações. Isso é muito importante de se ter em conta.

A princípio, na ordem dos acontecimentos, o tato é o primeiro grande sentido a se expressar na evolução. A seguir, temos os dois sentidos que podemos chamá-los de sentidos químicos, que são o olfato e o paladar, para depois emergirem em expressões quase que concomitantes, simultâneas, a audição e a visão.

No plano evolucional, espiritualmente falando, o ouvir e o ver são sentidos que trabalham para além do aspecto físico. Podemos dizer que eles funcionam como postos mais avançados do crescimento, afinal, é pela audição e visão que podemos realmente melhorar as nossas condições de crescimento, as condições do nosso próprio progresso. Isso porque eles tem o papal de nos colocar em contato com os acontecimentos ambientes e precipitar, ao nível de uma visão mais profunda do grau de sensibilidade, a nossa postura diante do encaminhamento ascensional. Está dando para acompanhar? A audição e a visão, devidamente abertas ao nível da mente desperta em uma consciência ampliada, é capaz de favorecer enormemente o nosso grau de escolha e de discernimento.

Ouvir significa aquele valor novo capaz de nos sensibilizar a nível auditivo e este estudo que levamos a efeito vai para muito além das linhas perceptivas tradicionais dos sentidos. Na acepção espiritual o ouvir é importante demais, uma vez que o processo de despertar é decorrente, todo ele, da utilização da acústica.

"Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia. E guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo." (Apocalipse 1:3) Repare que nesta passagem o verbo ouvir está no plural (ouvem), ao passo que o verbo que se refere à visão está no singular (lê). Não é à toa, aliás, nada nas escrituras sagradas é à toa, tudo tem uma significância. Colocado no plural, o verbo indica generalidade. Ou seja, a acústica, no seu sentido intrínseco, espiritual, ao contrário da visão, que é seletiva, individual, alcança a todos. Percebeu? Ouvir, todos ouvem. Imagine uma família dentro de casa e um carro de sou passando na rua, em frente ao portão, fazendo propaganda no alto falante. Quem estiver no quintal ouve, quem estiver deitado no quarto ouve, quem estiver no banheiro ouve e quem estiver na cozinha também ouve. Outra coisa interessante é que a audição sugere passividade. Enquanto ouvimos nos situamos em um processo de passividade.

Em outras palavras, para ouvir não é preciso fazer nada, não é preciso ação nenhuma, quem estiver deitado, por exemplo, não precisa sequer mudar de posição. Não é preciso acender luz nenhuma, não é preciso se iluminar, pois, em tese, a luz é algo que se refere aos olhos. O verbo ler, por sua vez, como veremos adiante, no singular indica iniciativa pessoal, seleção e pressupõe direcionamento, ação.

Nós estamos falando em ouvir e a verdade é que a maioria das pessoas não está interessada em ouvir, está preocupada mesmo é em ver. A maioria não pretende ouvir o Senhor e, sim, falar ao Senhor, como se Jesus desempenhasse a função de simples subordinado aos caprichos de cada um. É engraçado, não é? São alunos que procuram subverter a ordem escolar. Para se ter ideia, tem muita gente que não consegue manifestar uma fé tranquila e segura porque não sabe ouvir e fica envolvida demais na ansiedade de querer ver.

O próprio Tomé, por exemplo, quando ficou sabendo que Jesus aparecera aos demais discípulos ele ficou de certo modo decepcionado, entristecido e incrédulo. Uma semana depois Jesus retorna e reaparece com a presença dele. Ele realmente sentia aquela necessidade não apenas de ver, mas de tocar. Queria ver as marcas no seu corpo e o lado dele que havia recebido a lança. O que o mestre lhe diz? "Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste: bem aventurados os que não viram e creram." (João 20:29) Logo, fica um recado para todos nós: muitos indivíduos não sabem ouvir e estão preocupados em ver e, às vezes, nós não podemos ver. Isto é fato. Às vezes, a faculdade de ver não nos permite encarar com tranquilidade as grandes luzes e os grandes focos. Além do que, aquele que espera ver para crer pode simplesmente não crer quando ver, pois a fé abrange questões mais amplas a se instaurarem na intimidade.

Daí a gente conclui o seguinte: não há como querer ver sem a capacitação nítida de saber ouvir. Quando nós estamos impedidos de encarar a luz ou a paisagem de modo mais substancioso e correto, por exemplo, quase sempre são apelados os órgãos da audição. Quando a nossa visão é empalidecida, ou ela não apresenta condições de apropriar certos valores no campo evolucional, são ativadas as propriedades básicas da audição. E tampando a visão abrem-se os padrões da audição. Lembra-se do acontecimento no monte Tabor? Pedro, Tiago e João não conseguiram visualizar o fenômeno da transfiguração de Jesus em toda a grandeza. O cego de Jericó é outro caso. Sentado à beira da estrada ele não via, no entanto, tinha a sua audição aguçada, tanto que identificou de pronto a chegada do mestre. Paulo, ao ter sua ligação com o mestre no caminho de Damasco, ficou cego por certo período. Então, às vezes nós perdemos a faculdade de ver para poder aprender a ouvir. Quando não temos uma capacidade muito clara para observar com a visão o painel amplo das opções da vida, nós teremos que trabalhar principalmente com a acústica auditiva.

E não tem outra forma. Quando isso acontece vamos ter que ouvir. É como se a audição apresentasse condição mais propícia às nossas percepções. Aliás, a audição, devidamente ajustada e aproveitada, tem uma função talvez muito mais profunda, é como se ela fosse o campo fundamental da nossa visão verdadeira.

Não podemos é nos inquietar. Vez por outra acontece de sermos chamados a estar como que em pleno vôo cego a fim de se instaurar dentro de nós a faculdade plena de ouvir, de modo a passarmos a ver com mais tranquilidade e positividade.

Muitos companheiros nossos desconsideram isso e se esquecem que quem ouve aprende, enquanto quem fala doutrina. É isso mesmo. Somente após ouvir com atenção pode o homem falar de modo edificante na estrada evolutiva. Não adianta alguém querer ensinar sem ouvir. Tem gente que acha que para ser bom educador tem que saber falar, no entanto, os entendidos nos mostram que a primeira coisa a fazer é aprender a ouvir. E ouvir é tão fundamental que se você não souber identificar a carência do educando, do aluno, você não consegue auxiliá-lo de forma significativa na linha instrutiva de informação.

Não ignoramos que no campo da aprendizagem já temos a faculdade de ver muita coisa e de nos lançar ao direito e à possibilidade de ter diante de nós uma gama de opções, em que cada qual procura enxergar o que considera melhor para si. De forma alguma. Todavia, não podemos desconsiderar que uma faceta enorme das nossas conquistas e propostas decorre exatamente da capacidade de ouvir.

Sem dúvida. O ouvido tem possibilidade muito mais ampla do que podemos imaginar de captar o que vem de fora. Sem exagero podemos afirmar que o próprio processo de despertamento resulta da utilização da acústica, da aplicação correta das condições auditivas. Não são em todas as ocasiões que o indivíduo é capaz de utilizar com tranquilidade e segurança a sua visão, mas ele tem condições de decodificar acontecimentos pela audição. Isso é interessante, e é óbvio que estamos falando na acepção espiritual. De forma geral, os padrões mais evidentes, e que visam nos encaminhar de forma positiva, gradativa e continuada, costumam nos sensibilizar pelo voz, pela audição. Deu para entender? É dentro da percepção acústica que nós trabalhamos nossos valores íntimos que irão, quem sabe, em curto ou médio prazo, abrir as condições para uma visualização dentro de uma decodificação mais nítida, mais plena. A visão, sem dúvida, é um dos sentidos mais expressivos, mas às vezes é preciso ouvir muito para se ter essa capacidade de ver.

Os recursos auditivos não param de alcançar requintes, cada dia tem coisa nova surgindo no mercado. O que faz a criatura perceber com aprofundamento é a acústica da alma, não é o som ostensivamente compreendido, mas a percepção da autoridade que canaliza sob a tutela do amor os valores que a gente tem identificado. Deu para perceber? É como se os valores canalizados ao nível das palavras apresentassem um envoltório magnético de profunda sensibilização. O nosso ouvido faz um papel de periscópio, ele consegue captar.

E o fato é que ouvidos qualquer pessoa os possui, porém, encontramos ouvidos superficiais em toda parte, ouvidos que nada mais fazem que apenas registrar sons.

O mundo está cheio de alienados pela falta de capacidade auditiva e a pressa e a inquietude ainda não nos possibilitaram perceber os sons inaudíveis da vida, as belezas que se irradiam pelo universo afora. Estamos falando de uma percepção que pode não ocorrer pelo ouvido ostensivo, e sim pela acústica da alma. Cada qual ouve numa acústica diferente e a maioria das pessoas não ouve nada. Falamos do ouvir no sentido de captar, de entender, avaliar. Sem contar que tudo aquilo que a gente ouve por ouvir, e acha que sabe, no fundo não sabe. Sabe porquê? Porque na hora que a gente tem que testemunhar a respeito o testemunho não aparece. Então, fica o recado: daqui para frente é preciso ouvir.

Se desejamos sublimar as possibilidades de acústica da alma precisamos estudar e refletir, ponderar e auxiliar fraternalmente tantos quantos circularem em nossa órbita. Dessa forma teremos conosco ouvidos que ouvem, como dizia o mestre, criando em nós mesmos o entendimento para a assimilação da eterna sabedoria.

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